21.9.19

Meu Pai e os Girassóis

MESTRE ZEN COM VARA DE MARMELO

Meu pai era racional demais, disciplinado demais, e ético demais. Dominava o cálculo, era íntimo dos números, ensinou-me a tabuada do 13 quando eu tinha sete anos. Quem não sabe a tabuada se fode, ele me dizia. Nasceu para o comando. Era dono de uma violência verbal impressionante — e nunca deixava pra depois as broncas que pudesse dar. Exagerado, tinha seus momentos de loucura: de vez em quando mandava fazer almoços festivos para crianças pobres. Era comum se reunirem duzentas ou trezentas em nosso restaurante. Absteve-se do jogo, não fumava, mas bebia um pouco mais do que eu supunha o certo. Com duas exceções, nunca o vi de fogo. Ele nunca nos disse que gostava de poesia, mas certa vez mandou que plantassem trezentos e sessenta pés de girassol no fundo do quintal da nossa casa. Depois que as plantas cresceram, ele ficava toda tarde um tempão lá no fundo, sentado num banquinho improvisado de madeira, sorrindo, encantado, tomando vinho vermelho — e olhando os girassóis girarem... Meu pai, portanto — e no fundo — talvez não fosse apenas um simples comerciante atarracado e ex-delegado de polícia. Talvez fosse um poeta. Pena que não teve tempo de ficar completamente louco: morreu aos 49, por erro de um médico que tinha a morte até no nome.


A propósito: Hoje, em vez aceitar um convite para comer feijoada, vou plantar girassóis no cemitério.

20.9.19

Minha liberdade

Minha liberdade é como a cor dos meus olhos — nasceu comigo. Ela não me foi dada por ninguém, e ninguém vai tirá-la de mim. É um direito meu, inalienável.

19.9.19

Café com Ciência

Café com Ciência

Faço café religiosamente todo dia (*). E o advérbio é mais para ressaltar o critério do que a constância. Como se meditasse, eu abro a embalagem enluarada, madrugante, cheia de brilho e pó, fecho os olhos, sinto o cheiro, sorrio por dentro e por fora — e começo a sessão. A água já benta e quase fervendo (mas sem deixar que chegue a tanto), o canto dos passarinhos, o barulho do mar, as ondas da música de fundo, a forma dos sentidos — tudo — tudo contribui para que eu logo mais tome um café divino, poético e fundamental neste céu azul do meu amor.

Mas, ontem à noite, esperando a Lua na Feira da própria, eu tive uma vontade enorme de tomar Café com Fé.



(*) Exceto quando estou longe de casa.

18.9.19

Mude Abujamra Tim Maia

Meu poema Mude — com interpretação de Antonio Abujamra — Música de Tim Maia.

Click em Ouvir no navegador.

17.9.19

Picoração

Transforme em pico o teu próprio coração — e deixe lá os teus amores!

Sou livre. Por isso, nada mais é necessário porque nada é tão preciso. Não existe mais busca, não há posse no território que habito a partir de mim mesmo. Nada tenho que eu possa perder, nada existe que eu queira ganhar. Produto do meu próprio trigo, gume da minha própria faca, sou o verso da minha poesia, e a fantasia de um espírito em repouso. Meu movimento, meu ócio, meu verbo, meu Deus. Minha pátria, minha religião, meu partido, meu clã. Sou a saudade e a ausência de suspiros, a sorte que sustenta-me o corpo, sonho enlouquecido da minha alma, porta que se abre sobre si, a paisagem, a luz — e o olho. (...) Nada me falta e nada me sobra: sou a exata medida de todas as coisas, um conjunto pleno de vazio e de amor, mestre discípulo de Mim, um barco sem destino navegando um coração — num verdadeiro Himalaia de razões.
Sou portanto o Pico de mim mesmo.
Amém.

16.9.19

Conclusões que adoramos

Não devemos ficar muito impressionados com uma ideia, só porque ela é nossa. Toda hipótese boa não passa de um pequeno passo no caminho do verdadeiro conhecimento. Temos que perguntar, sempre, por que uma determinada ideia nos agrada tanto. Temos obrigação intelectual de compará-la, imparcialmente, com as alternativas. É bom verificarmos se é possível encontrar razões que a invalidem. Aliás, essa verificação é fundamental. Porque, se não fizermos isso, outros certamente o farão — e nós poderemos ser inclusive ridicularizados. Nossa reputação intelectual pode ir para o ralo... O que nos deve interessar, portanto, antes de tudo, é a verdade, e não o nosso apego inabalável a certas conclusões que adoramos.

15.9.19

Jó perdeu QUASE tudo

havia perdido tudo: a esposa e as amantes, o gado, os filhos, a lavoura e as empresas. Perdeu seus camelos, suas tendas e colares. As carroças conversíveis e os cartões de crédito. Seu mundo começou a ruir. E Deus ainda teve a maldade de cobri-lo com lepra da cabeça aos pés. Jó ficou sem a casa e o jardim, sem o churrasco e a cerveja, sem a música, sem champagne, sem morangos. Na miséria mais absoluta. Sem café e sem Drambuie...

Seus amigos — como sempre acontece! — desapareceram.

Como eu já disse, Jó perdeu tudo, mas não perdeu a autoconfiança. Não perdeu a Fé, e isto faz toda a diferença.

A história, portanto, continua, e pode ser lida na Bíblia, ou no meu livro Solidão a Mil, página 374. Ou, preferencialmente, AQUI.

14.9.19

Jogo de cena

Depois de acender estrelas no teu céu da boca, depois de vasculhar os teus encantos, depois de dançar nos teus mistérios, depois de ultrapassar com doçura e alegria os teus prazeres e limites — eu acabei concluindo que só a união de duas grandes espontaneidades pode gerar, e manter, por algum tempo, um belo caso de amor.

O resto — é jogo de cena, simplesmente.

13.9.19

Se eu morrer antes dela

Hoje de manhã ela me disse que, se, por acaso, eu vier a morrer antes dela, cantará este poema de Auden à beira do meu túmulo:

"Que parem os relógios, cale o telefone,
jogue-se ao cão um osso e que não ladre mais,
que emudeça o piano e que o tambor sancione
a vinda do caixão com seu cortejo atrás.
Que os aviões, gemendo acima em alvoroço,
escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu.
Que as pombas guardem luto — um laço no pescoço —
e os guardas usem finas luvas cor-de-breu.
Era meu norte, sul, meu leste, oeste, enquanto
viveu, meus dias úteis, meu fim-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, fala e canto;
quem julgue o amor eterno, como eu fiz, se engana.
É hora de apagar estrelas — são molestas —
guardar a lua, desmontar o sol brilhante,
de despejar o mar, jogar fora as florestas,
pois nada mais há de dar certo doravante."


Blues Fúnebres
W. H. Auden.

12.9.19

Orfeu

Assim como Orfeu, irei hoje buscar minha Eurídice nos infernos, cantando louvores a Baco. Com meu canto enlouquecido e meu verbo entusiasmado convencerei as divindades infernais a devolverem minha amada. E subirei com ela. Porém, como Orfeu, antes de cruzar a porta de saída, olharei para trás — e Eurídice de novo cairá, agora para sempre. Orfeu, você sabe, nunca mais iria querer outra mulher em sua vida. Mas eu, para compensar a perda dessa musa inesquecível, quererei todas as outras.

Primavera



Não espere a próxima Primavera
para sentir o perfume 
de todas as flores. 


O ano que vem 
pode ser tarde demais.

11.9.19

Nunca corte

Todas as relações são passíveis de rompimento. E aquelas que deixam de ser prazerosas DEVEM ser rompidas. Mas, quando você se for — mesmo que suponha ser para sempre — nunca diga "não volto mais!". Não assuma compromisso algum quando enfim estiver dando um belo salto no misterioso azul profundo da Vida. Por que deveria você comprometer-se a não voltar jamais? Por que comprometer-se? Deixe abertas as portas da Liberdade. "Nunca corte aquilo que pode ser apenas desatado". E se algum dia você for, simplesmente vá — dançando nas delícias todas que a vida tem. Mas deixe abertas as possibilidades de um retorno glorioso, ou até mesmo um recomeço cambaleante — quem sabe.

10.9.19

Sou fagulha

Tudo em mim significa — e significa intensamente. Cada palavra que digo tem um peso, medida, tamanho, uma forma de se pôr, um jeito próprio de se dar. Não escrevo para impressionar: as emoções que se produzem a partir do meu verso não são derivações.

Se brilho em teus olhos, não é porque busque lisonjas refletidas. Se ao ler o que crio crescem fogueiras no teu peito, saiba que a madeira que arde nunca é minha. O fogo é sempre teu. Sou apenas a fagulha que incendeia.

9.9.19

Flores gratíssimas

As flores são mesmo ingratas: a gente as ganha para que sejam eternas, mas então elas desistem no meio do caminho. Murcham, secam, e depois morrem, assim sem mais, nem menos, "como se entre nós nunca tivesse havido... Vênus". E morrem talvez por desespero — talvez até por amor não respondido — antes que a gente mesmo as abandone, amorosamente, ao seu próprio perfume imortal que se acabou. As flores — quando colhidas — são mesmo ingratas...

Por isso, jamais eu colho essas flores que encontro nos jardins da minha vida. Quando vejo algumas, lindas, ofereço-as aos meus amores, delicadamente, mas deixo-as onde estão: no próprio caule da plantinha inocente que lhes deu origem. E então eu fico assim — distribuindo flores, todo dia, o dia todo...

8.9.19

Dois períodos

Só me interessam dois períodos da minha vida: os piores e os melhores.

Os piores, porque já passaram — e não voltam nunca mais.

E os melhores, porque acontecem exatamente agora
neste impreciso, fantástico e absoluto momento
em que coloco minha cabeça delicada no teu peito descoberto
e vejo a Lua dizer-me olá!

Mosteiro

7.9.19

Independência

Viva a Independência.
A dos países e a das pessoas.
A independência política, a financeira, e a emocional.
A do Corpo e a do Espírito.
A dos amigos — e a dos amores.

Só é livre quem for independente.

PORTANTO, INDEPENDÊNCIA — OU MORTE!

6.9.19

Sagrada Malícia

Sou tão compreensivo, tão bonzinho, que às vezes chego a mentir que não sou tanto, apenas para não sufocar o outro com excesso de bondade. Sou tão alegre, tão feliz, tão satisfeito — que às vezes dissimulo, para que o outro não suponha que sou privilegiado. Para que ele nem perceba que toda a Felicidade do mundo pousou em mim, e habita como deusa deslumbrada o meu próprio coração. Tão puro, que sou obrigado a comprar todo dia um pacotinho de malícia consagrada, só para ficar um pouquinho mais profano. Sou tão inocente, mas tão inocente, que se eu contasse tudo, quase ninguém acreditaria. Às vezes, nem eu mesmo consigo acreditar.

2.9.19

A orelha do meu Amor

Quando ganhei o Prêmio Cervantes (em 1993), ela não foi comigo, porque não suportaria me ver tão amado pelas outras na cerimônia. Dora me dizia que seu ciúme esmagava-lhe a própria alma. Aquele câncer chamado ciúme aumentava-me as dores e as penas, amputava-me as asas, me prendia, me amarrava, sufocava. E um poeta de asas cortadas vai ficando gelado.
Minha vida virou uma verdadeira prisão.
Só me expressava escrevendo.

1.9.19

O Eu contra Si mesmo


Você tem se ocupado diariamente de Si mesmo?

A árvore dos Três Anjos

Vou escrever uma história baseada em fatos reais que ainda não existem. Mas que vão existir. Ainda nesta Primavera vou VIVER esta história de amor que agora comecei a escrever. É a minha ideia 827, que tive hoje de manhã, enquanto ouvia a música Je Voudrais Bien, com Francesca Gagnon.






.

31.8.19

Jesus e Suas Metáforas

Tudo era metáfora, tudo era parábola em Jesus. Água em vinho, multiplicação de peixes, pobres de espírito, face esquerda, pão repartido, reino dos céus, ressurreição de Lázaro, mãe virgem, lírios do campo, Sermão da Montanha, Madalena, Marta, Pedro — tudo. Dizem até que a própria vida dele foi uma grande encenação. Não importa: Jesus é um dos meus heróis, um mestre absoluto. Compreendo agora suas metáforas geniais e deliciosas. Dia desses vou convidá-Lo para um vinho aqui comigo. Cabernet Sauvignon, produzido com água...

30.8.19

Meus Amores anteriores

Meus amores anteriores é que me fizeram assim. Com sua paixão infinita, com seus beijos delicados, suas mãos escandalosas, seus cremes e carícias, seus afagos e ternuras — todos eles me fizeram melhor. Com sua compreensão racional e seu respeito à Liberdade, todos me ensinaram coisas novas, belas e profundas. Todos me deram energia, me amaram com doçura e de verdade, me esculpiram. Conforme meu desejo e meu destino, prepararam o meu corpo e minha alma — só pra te encontrar. Agora cabe a você, minha Lua, completar esta obra de arte romântica...


29.8.19

Nossas ideias

Não basta ter ideias: é preciso saber defendê-las, livremente. E defendê-las, ainda assim, considerando-as sempre passageiras, totalmente questionáveis — e passíveis de serem substituídas, imediatamente, por novas proposições.

É preciso dar velocidade às ideias que temos. Que transitem por nosso cérebro, que ocupem, amorosamente, alguns espaços — e depois os desocupem. Também amorosamente.

Nada deve permanecer demais.

Só o que flui beneficia.

28.8.19

É preciso ter um filho ?

Em duas ocasiões da minha vida eu já cogitei ter um filho. A primeira delas, aos 22 anos anos de idade, quando eu estava meio bobo de amor e até pretendia me casar com Edna, entre véus e grinaldas, conta conjunta e luas de mel. Mas essa vontade absurda logo passou, quando eu concluí que tais besteiras iriam danificar completamente a minha liberdade pessoal.

Depois, há pouco mais de seis anos, em 13.01.2013, eu tive a minha ideia 301, que é ter um filho -- mas agora de outra forma e com outro propósito. Será uma adoção. E ele já virá prontinho e saudável, com mãe, com tudo.

Mas ainda é só uma ideia, dentre as muitas que tenho. Na hora certa eu a implemento. Em janeiro de 2019 eu estava na ideia 703. Que eu tive aqui no Itararé Hotel. No dia 22.01.19, aqui mesmo, tive a ideia 701, que é um Projeto na Guiana, que eu daria início em julho deste ano (mas não dei, porque em julho eu encontrei um novo grande amor, e mudei de rumo completamente!). Será na área de construção civil e/ou informática.






. .Projeto Guiana adiado para 2020.



E hoje, 28.08.2019, eu tive a ideia 823. Será a empresa PFRZ.






27.8.19

O Pão da minha Mãe

O Pão da Minha Mãe

2 copos médios de água morna.

2 colheres de sopa de açúcar União
1 colher de sal Cisne
1 ovo de galinha nova, recém-botado
1 copo de óleo de girassol
1 kg de farinha de trigo argentina
50 g de fermento de padaria boa.

1. Misturar o fermento na água morna, delicadamente. Cinco minutos, mais ou menos.

2. Levar ao liquidificador: o açúcar, o óleo, o sal, o ovo (sem a casca) e a água com o fermento. Tudo muito calmamente, sem pressa.

3. Bater essa mistura por uns dois ou três minutinhos. Sem violência...

4. Colocar a mistura numa bacia grande e acrescentar o trigo aos poucos, misturando com as mãos. A quantidade de trigo será suficiente quando a massa não grudar mais nas tuas mãos. Esse procedimento demora perto de meia hora. Por isso, coloque uma boa música de fundo e vá meditando enquanto amassa.

5. Depois de pronta, deixar a massa quieta, crescendo e suspirando por 1 hora, mais ou menos, coberta com um paninho de algodão.

6. Dividir a massa em partes e enrolar os pãezinhos em tamanhos parecidos ao de uma latinha de refrigerante. É só uma sugestão. Com o tempo, você mesmo vai decidir o tamanho ideal.

7. Colocá-los numa forma grande, dando espaços entre um e outro, porque vão crescer ainda mais. Ou colocar naquelas forminhas individuais, que a Joyce me deu.

8. Deixar crescer novamente por uns 30 ou 40 minutos.

9. Levar ao forno para assar, por meia hora mais ou menos. Dar uma olhada de vez em quando, pois o resultado vai depender da temperatura do forno. Cuidado para não queimar as mãos.

10. Depois de pronto, deixar esfriar um pouco, fazer um café... e convidar os deuses para o banquete.


Obs: Também é possível colocar um pedaço de queijo branco ou de linguiça calabresa (já cozida) dentro de alguns pães, no item 6 acima. Fica uma delícia! Mas isso pode ficar para uma próxima experiência...



O nome dela é Iracy — que em tupi-guarani significa "a Mãe do Mel".


E hoje, 27.08.2019, tomando café no Itararé Hotel, ao lado da minha Mãe, eu tive a ideia 822.


26.8.19

Sou Rebelde

Sou rebelde.
Fui, sou — e sempre serei contra os conservadores.
Sou revolucionário em todos os sentidos.
Amo a vida, a liberdade, o amor.
Isso já vem de família. Não é genético mas é hereditário. Meu bisavô Luiz Marques já era um rebelde: trocou o futuro garantido e certo por um presente gostoso e mais incerto ainda. Um belo dia jogou fora o velho baú das verdades antigas, e tomou aquelas decisões que só os grandes homens conseguem tomar: Montou o cavalo negro do risco absoluto e partiu!

Abandonou tudo para não ter que abandonar sua própria alma — sua própria existência! — naqueles caminhos já percorridos. Ele também já sabia que o único crime que não tem perdão é desperdiçar a vida.

Não fosse por isso, eu certamente não estaria aqui, agora, todo coração, tomando essas duas taças de vinho vermelho e contando minhas histórias de amor pra você.

Sou portanto bisneto da rebeldia.

Bisneto da rebeldia, neto da emoção, filho da loucura, irmão do desejo, primo do prazer, amigo da liberdade — e amante de todos os meus amores.

E existo, por incrível que pareça:
No céu da minha boca não há fogos de artifício:
— Só estrelas.

24.8.19

Amor não tem preço

Se tem preço, não é Amor. Pelo menos não é grande. Todo grande Amor é inavaliável, em termos de custo. Precificar o Amor é só uma forma bruta de fazer negócio.

23.8.19

Formiguinhas


Tem gente que mata formiguinhas.

Eu não.

Hoje de manhã, ao abrir a torneira da pia para lavar o rosto e escovar os dentes, vi que uma formiguinha foi atingida por uma enorme gota d’água — e se afogou. Fechei imediatamente a torneira, larguei a escova, e tentei salvá-la com um pedacinho de papel dobrado. Mas ela estava imóvel, e não reagiu. Ainda assim, com muito cuidado, fiz com que se colasse ao papel e coloquei-a na borda da pia. Larguei tudo, inclinei-me e passei a soprar delicados jatos de ar quente naquele corpinho inerte. Mas ela não reagia, a coitadinha. Fiquei ali, olhando para o nada e refletindo sobre a morte... Após dezenas de tentativas, invoquei o que de mais puro vive no meu coração, e soprei novamente sobre ela o meu espírito. Ela então se mexe um pouquinho. Sopro de novo — e eis que ela anda! Ofereço-lhe o meu dedo indicador, e ela sobe por ele e dança em minhas mãos!

Você pode achar que perdi meu tempo. Você pode achar até que estou ficando louco. Você pode achar um monte de outras coisas sobre mim, mas realmente não me importo. Porque esta certeza agora me basta: hoje de manhã salvei a vida de uma bela formiguinha.


A maneira como um homem trata uma formiga reflete o modo como trata uma mulher.


Vamos analisar brevemente o caso dos gemeozinhos envolvidos na morte da formiga. Está claro que os dois não têm personalidades iguais. E se as coisas seguirem como parecem, sem interferências marcantes do acaso, sem solavancos do destino e sem mudanças significativas na educação imediata de ambos, é provável que o primeiro — o assassino da formiguinha — se torne um ciumento possessivo, capaz de massacrar um semelhante só pra subir na vida. E o segundo — o sensível, o humano — esse talvez se torne um poeta romântico. Um será talvez um ditador; o outro, artista.

Mas esta é só uma maneira de analisar o caso. Tentemos outras. Ressalto que meu comentário sobre o tal "assassininho" transformar-se numa pessoa insensível quando crescer tem uma importante ressalva: isso só acontecerá se não houver solavancos do destino — e se não se corrigirem logo os seus prováveis instintos de matar... As companhias que terá, os amigos, as maiores influências, etc. Ninguém nasce pronto. Maldade não é genética. O ambiente é que determina a ética e a moral. A família e a escola é que enchem as crianças de preconceitos e valores — nem sempre os melhores. Portanto, antes de tudo, o "assassininho" da formiga deve ser amado e compreendido. E bem orientado, urgentemente — antes que descambe de vez, e passe a matar o gato, o pardal e o cachorrinho...


A maneira como um menino trata uma formiga reflete o modo como ele, no futuro, tratará uma mulher.



A sublimação do erotismo gera agressividade. A repressão sexual cria monstros. Isto é Freud, meus amigos. Se o comportamento dos meninos do vídeo tem algo a ver com a sexualidade? Claro que tem. Quem nunca leu Freud pode achar que estou meio maluco. Mas vou te contar como cheguei até onde estou. Na adolescência fui marxista. Achava que a psicanálise era uma técnica de manipulação pequeno-burguesa. Depois de anos de filosofia na USP — e de mais de mil e quatrocentas relações amorosas livres — conheci Reich. Em seguida, Jung. Só mais tarde comecei a gostar do velho Freud. Mas quando conheci Osho, Gaiarsa e Roberto Freire, tudo virou de ponta-cabeça na minha. Hoje sou só um poeta que não sabe quase nada. Mas gosto de provocar intelectualmente as pessoas criativas. Entretanto, antes que você concorde comigo — ou discorde de mim — leia isto:

1. Reich - gênio ou louco?
2. Um pouquinho de Melanie Klein
3. Pulsão de morte na obra de Freud
4. Jung - Memórias Sonhos Reflexões.
5. Osho - A nova criança
6. Gaiarsa na Revista TPM
7. Uma lágrima para Gaiarsa - Daniel Piza
8. Um sorriso para Gaiarsa: nosso último encontro.
9. Em busca do orgasmo perdido.


Só pra finalizar essas minhas divagações psicanalíticas: Freud dizia que a supressão da libido está na origem de todas as neuroses. E muitos acham que orgasmo "está fora de moda". As estatísticas comprovam que são esses os primeiros a cair em depressão.


Mas, voltando à despretensiosa leitura que estou fazendo do vídeo acima, acho que nem preciso citar o que dizem os Mestres Zen (e o Budismo Tibetano especialmente) sobre respeitarmos a vida em todas as suas manifestações — inclusive, é claro, a vida de uma simples formiguinha.



Teu filho mata formigas ou brinca com elas?

22.8.19

Formiga na gota

Temos que ser como a formiga, que às vezes, por estratégia, finge não conseguir saltar uma gota d´água — mas depois cai de um arranha-céu sem se ferir...

21.8.19

Frustração

Frustração.

O não atendimento das expectativas montadas pode gerar frustração. Mas tal sentimento não necessariamente é devido à incapacidade do Outro de atender às nossas expectativas (que lhe derrubamos por sobre, às vezes até mesmo à revelia do pobre coitado), mas, sim, devido à nossa própria incapacidade de ter colocado tais expectativas em mãos incapazes de realizar aquilo a que supúnhamos fossem. Erramos na avaliação da capacidade (ou desejo, vontade, disposição) do Outro. Esperávamos uma determinada resposta — e veio outra. Apostamos (quase sempre irracionalmente) na ocorrência de um evento (fora do nosso efetivo controle) — e o citado evento não ocorreu. Portanto, erramos. E talvez seja esta conclusão que nos faça desabar, emocionalmente.

Por exemplo, esperávamos (ou tínhamos “certeza absoluta”) que o Outro iria nos amar pelo resto da vida, e com a mesma intensidade — mas ele exerceu seu direito de mudar de ideia. E isso acaba gerando FRUSTRAÇÃO no avaliador. No esperançoso (e irracional) avaliador.

(...)

Vou escrever mais ou menos nessa linha. Mas ainda preciso pensar sobre a “autofrustração”, ou seja, quando nós mesmos não conseguimos corresponder, eternamente, às nossas próprias expectativas. Quando o nosso potencial (no Tempo, no Espaço, no Corpo, no Cérebro, ou no Espírito) acaba sendo menor do que supúnhamos fosse.

Volto depois. Vou primeiro fazer um café. Com água benta...

Por falar em água benta — eu não tenho nenhuma expectativa de que toda água que eu uso já seja benta. Por isso eu mesmo aprendi a benzê-la. Eficientemente. Amorosamente.

20.8.19

Anseios num pano de prato

Era domingo. Era uma tarde chuvosa de domingo em que a vida virou uma encruzilhada: ou eu voava para longe dali em liberdade absoluta, ou me afundava salvando a relação. Era mais do que um dilema: era um projeto de vida fazendo água. Eu me sentia preso. Na verdade, eram grilhões recíprocos. Por isso, olhei fundo nos olhos dela e lhe disse com firmeza:
Não posso mais condicionar o meu galope ao teu trote.
Senti que ela entendeu a metáfora seca e a razão do meu cansaço. Meus olhos falsamente duros puseram distância entre os afetos. Nossas velocidades haviam se tornado muito desiguais, e isso requeria solução imediata. Ela cambaleou, e os seus dezessete anos de vida, frágeis, adolescentes, tremeram todos, um a um. Quase desabaram ali, naquele cimento frio da nossa cozinha. Ela sussurrou um agora inesquecível “eu te amo”, meio desnorteada. Aquilo foi tocante. Por dentro, amparei-a com amor, dei-lhe um abraço forte e terno, coloquei-a de novo no meu colo e cantei outra vez as canções de ninar que eu costumava cantar pra ela. Mas, por fora, virei um poste. Era preciso tornar-me gelo. Era preciso fazer teatro. Mesmo porque nosso relacionamento já estava durando mais do que um relâmpago.
Então, a coitadinha embrulhou seus pequenos anseios num pano de prato e saiu chorando.
Nunca mais nos encontramos.
Acho que foi a maior injustiça que eu jamais cometi.


Entretanto, visto agora com a distância de oito ou nove anos, esse meu gesto talvez tenha salvado as nossas duas vidas. Pois, continuássemos juntos daquela forma, teríamos certamente assassinado o nosso próprio amor imortal.

19.8.19

Torresmo de frango

No dia (*) em que fui comer torresmo de frango na casa da Regina, ela reclamou delicadamente que eu quase não apareço, e que isso a faz pensar que está me perdendo. E que essa percepção, supostamente, é também a da família toda. Ao que lhe respondi:
— Claro que não, minha irmã! Estou aqui, ao teu lado...
Dei-lhe um abraço e lhe disse, entre sorrisos:
— E sempre estarei...

Acontece que tal promessa jamais será cumprida. Era um pouco de teatro, feito apenas por amor. Para não quebrar o clima de festa, pois, sempre que nos encontramos, eu e Regina, instaura-se uma festa entre nós dois. O torresmo estava uma delícia, bebemos e dançamos, a conversa varou a noite. Mas depois, já na cama, fiquei pensando: meus irmãos, todos eles, estão mesmo me perdendo. Inapelavelmente. É preciso que os meus irmãos (e alguns dos meus amigos, e alguns dos meus amores) me percam, mesmo, definitivamente. Porque eu já saltei profundo demais. Minhas asas cresceram demais... Não consigo mais voltar àquele mundo certinho deles, àquela (para mim) sufocante normalidade. Por essa razão, meu exemplo acaba não lhes sendo construtivo. Sofreriam — se saltassem. Estão por demais amarrados às suas próprias raízes, que morreriam se saltassem. Portanto, é preciso mesmo que me percam. Talvez seja preciso até que me expulsem dos seus próprios corações, para que minhas influências românticas não os desestabilizem mais ainda. É preciso que eles me julguem apenas um louco, que não sei nada de nada, e que estou completamente errado naquilo que faço. Aliás, ser livre não é fácil. Requer disciplina, ousadia e coragem. Requer desapego. E no conceito de felicidade deles, essas coisas ainda não cabem. Logo, que a distância amorosa nos seja um bálsamo. Que a distância metafórica entre nós se torne agora astronômica — se for preciso.

Só assim nos salvaremos — mutuamente... Deliciosamente!


(*) Era o dia 13.11.2013, em SP.

18.8.19

Xadrez

Em fevereiro de 2015 eu tive a minha ideia 450. Um tabuleiro de xadrez tradicional, mas com recursos digitais embarcados. Diferente de tudo o que já existe na área. Perfeição aprimorada. Já preparando detalhes técnicos para documentação visando registro no INPI. Minha pretensão é que seja adotado pela FIDE dentro de dois ou três anos (*), para torneios oficiais.

NOTA: Não foi possível (AINDA) levar essa ideia 450 adiante. Até porque já realizei muitas outras. Muitas. Hoje, 18.08.2019, já estou na ideia 811, que será a Água Santa de Itararé, produzida nas Fontes Pelisssari.

Teu Espírito Pássaro


Quando eu era pequenino, na fazenda onde meu pai era meeiro, plantei um pedacinho de terra com feijão. Não me lembro bem da medida, mas acho que era uma "quarta". Fiquei tão contente. Ganhei até uma enxadinha de presente, com cabo de guatambu. E eu cuidava das plantinhas todo dia, com amor e poesia. Tinha até um regadorzinho de alumínio. Eu imaginava tornar-me agricultor, talvez futuramente até mesmo um dono de fazenda... Mas, em fins de fevereiro, bem na véspera da colheita, uma bela tempestade de granizo destruiu toda a plantação.

Portanto, falso aquele ditado que diz que a gente sempre colhe o que plantou...

17.8.19

Colônia de Deusinhos

Dizem que havia uma colônia de vermezinhos graciosos no fundo de um lodaçal. De vez em quando, alguns subiam à superfície e nunca mais voltavam. Isso deixava perplexos aqueles que permaneciam. O que será que tem lá em cima, que tipo de perigos pode haver? — eles se perguntavam. Até que certo dia um deles acordou, pôs as duas mãos no coração e prometeu sinceramente aos seus irmãos: Vou subir e depois volto para contar a vocês como é o mundo lá em cima. Preparou-se bem, leu Osho e Henry Miller, armou-se de inocência e de coragem, aguou suas plantinhas, atualizou o Facebook, despediu-se dos amores, desfez as malas — e subiu. Ele tinha mesmo a intenção de voltar. Mas, assim que chegou à superfície, viu Luz, transformou-se numa libélula, abriu as DUAS asas — entusiasmou-se! — e voou alegremente para o azul anil do céu profundo... E agora já não pode mais voltar. Morreria se voltasse...

Certas promessas jamais serão cumpridas.

16.8.19

Sou livre

Sou livre, mas tão livre, que posso inclusive arranjar a qualquer momento um grande Amor, e me apaixonar tão profunda e deliciosamente — mesmo sabendo que esse processo todo vai depois, contraditoriamente, acabar ameaçando a minha própria liberdade...
♥️♥️♥️
É a vida!

Curioso e atento

Tem dias que eu tropeço em algumas insignificâncias... Mas não é nada. É só Deus me testando pra ver se estou atento.

Minha vó Vitalina recomendava-me que eu fosse curioso, mas sempre atento. E a curiosidade, no conceito dela, tinha que ser intelectual, no sentido de pesquisa e de conhecimento, mas nunca no sentido de fofoca. O interesse tinha que ser pelo fato em si, pela ocorrência — e não pela notícia. E assim eu fiquei até hoje: curioso e atento. Por isso o tema "curiosidade, tropeço e memória" volta sempre à baila. Ontem eu publiquei no Facebook: O homem é o único animal irracional que tropeça duas vezes na mesma pedra. Tal frase, com todos os seus significantes e metáforas, foi criada por mim a propósito do que me disse meu pai certa vez, quando ele puxava o Estrela pela rédea, passeando comigo numa noite de luar na fazenda de Sengés. Estrela era o nome do cavalo, que ganhei no meu sétimo aniversário. Naquela noite, íamos por um caminho sinuoso no meio da mata e o Estrela tropeçou, batendo levemente a ponta do casco numa pedra. Foi então que meu pai me disse que os animais têm uma memória impressionante, e que nunca tropeçam duas vezes na mesma pedra... Não sei se é verdade, mas isso hoje não importa. Como já disse no meu livro Solidão a Mil, meu querido pai era "um bruto com coração".

15.8.19

Lux no fim do túnel


E o melhor é quando vem uma Lua esplendorosa e me ajuda a acender a minha própria Luz. Que imediatamente vira Nossa.

14.8.19

Mude para uma nova Vida

Mude com "Walk on the Wild Side" - Lou Reed.

Só quem salta inteiro no belo azul profundo da vida é que pode viver de verdade.

13.8.19

Paloma Lua

A nova Lua, escandalosamente nova e Lua, deitada aqui no madrugante chão azul deste meu quarto, crescente, me pede um copo dágua. Antes, dou-lhe uma frase que me ocorre agora: Quero colocar os meus anseios no teu peito, meu amor. Então levanto-me, abro a janela da Vida — e vejo que já é hora de ver a Lua outra vez... Que delícia!

12.8.19

José Aristóteles

Em agosto de 1998 publiquei meu terceiro livro: Manual da Separação. Nas suas 160 páginas procurei demonstrar o quão Epicurista eu sou. O primeiro capítulo começava assim:

Aristóteles Sócrates Kierkegaard é o meu nome, mas eu geralmente minto que é José Proença só prá impressionar... Sou na verdade um motorista metido a escritor, e é por isso que tudo que escrevo parece filosofia de para-choque de caminhão. Mas são artes do meu ofício: ninguém vai além dos seus limites: durante o dia — perto da polícia — não passo nunca de oitenta por hora. Mas à noite, sozinho na estrada da vida, ponho meu Scania inteiro na banguela, e vou a mil...

11.8.19

Dia dos Pais

Ele era o símbolo da autoridade, e eu — da rebeldia. Nenhum de nós dois gostava de repartir a liderança. Eu não nasci pra ser segundo, e ele abominava a ideia de não ser o primeiro. Então, quando fiz dezessete nos separamos: eu vim estudar filosofia, e ele continuou um ótimo comerciante. Foi só então que começamos realmente a conversar sobre a Vida. Depois, com o tempo, nos tornamos amigos. Hoje, somos amantes.

Como não tenho filhos (e nem pretendo tê-los tão cedo), escrevi um breve texto sobre meu Pai — homenagem ao seu dia. Leia-o AQUI.

10.8.19

Pico de mim mesmo

Sou livre. Por isso, nada mais é necessário porque nada é tão preciso. Não existe mais busca, não há posse no território que habito a partir de mim mesmo. Nada tenho que eu possa perder, nada existe que eu queira ganhar. Produto do meu próprio trigo, gume da minha própria faca, sou o verso da minha poesia, e a fantasia de um espírito em repouso. Meu movimento, meu ócio, meu verbo, meu Deus. Minha pátria, minha religião, meu partido, meu clã. Sou a saudade e a ausência de suspiros, a sorte que sustenta-me o corpo, sonho enlouquecido da minha alma, porta que se abre sobre si, a paisagem, a luz — e o olho. (...) Nada me falta e nada me sobra: sou a exata medida de todas as coisas, um conjunto pleno de vazio e de amor, mestre discípulo de Mim, um barco sem destino navegando um coração — num verdadeiro Himalaia de razões.
Sou portanto o Pico de mim mesmo.
Amém.

8.8.19

Casamento

Sou a favor do casamento de todos os animais. Dos cabritos e leões, dos macacos, elefantes e esquilos. Sou a favor do casamento de todas as aves. Dos albatrozes e das águias, e até dos passarinhos.

Sou a favor do casamento de todos os insetos, das aranhas e formigas, dos peixes, dos mosquitos e abelhas, dos répteis, crustáceos e moluscos. Dos anfíbios e dos vermes, das amebas e baleias. Sou a favor do casamento dos deuses e poetas, dos demônios e dragões, dos anjos e sereias, e até das bactérias...

Mas, quanto ao casamento dos humanos — tenho cá minhas ressalvas.

7.8.19

40 coisas

QUARENTA COISAS PRA FAZER EM 2019
:

01. Tome mais água, mais vinho e mais sol.
02. Escolha melhor os teus próximos amores. Prefira os livres.
03. Viva com mais Entusiasmo, com mais Energia, e com mais Coragem.
04. Arranje sempre algum tempinho pra falar com Deus.
05. Faça atividades que estimulem o teu cérebro.
06. Leia mais livros do que leu em 2018.
07. Fique em silêncio alguns minutos todo dia. Pense. Reflita. Medite.
08. Procure dormir tranquilamente, para acordar de bom humor.
09. Faça exercícios físicos. Caminhe pelo menos 30 minutos por dia.
10. Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
11. Não compare a tua vida com a de ninguém. Cada um tem sua história.
12. Seja um otimista racional.
13. Mantenha o controle absoluto dos teus estados de espírito.
14. Não se torne sério demais. Só os alegres vão pro Céu.
15. Só gaste tua preciosa energia com coisas gostosas.
16. Sonhe mais. Sem sonho não se cria nada.
17. Saiba que a inveja é um desesperado sinal de fracasso.
18. Jamais conclua apressadamente. Analise antes as premissas.
19. A vida é curta demais para ser tão pouca. Viva mais!
20. Faça as pazes com o teu passado para não estragar o teu presente.
21. Ninguém comanda a tua própria felicidade, a não ser você mesmo.
22. Já que a vida é uma escola — aproveite pra aprender.
23. Sorria mais. Encontre motivos para dar umas boas gargalhadas.
24. Não é preciso vencer todas as discussões. Aceite a discordância.
25. Entre mais em contato com teus amigos e com teus amores.
26. Nunca perca uma oportunidade de ajudar alguém.
27. Se não puder perdoar a todos, ao menos os compreenda.
28. Misture-se aos melhores.
29. Jogue fora tudo que não presta.
30. O que outros dizem a teu respeito nunca vai mudar a tua essência.
31. Não permita que um simples idiota comprometa o teu destino.
32. Faça sempre o que é correto, justo e verdadeiro.
33. Procure não trair jamais a tua própria natureza.
34. Deus cura todas as doenças — exceto o mau humor e a maldade.
35. Valorize a própria liberdade, acima de qualquer outra coisa.
36. Não importa como você esteja se sentindo: pratique uma boa ação.
37. O melhor ainda está por vir — em todos os sentidos.
38. Só o que está morto não muda.
39. Preencha o teu coração com alegria, esperança e gostosura.
40. Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.

TransCriação de Edson Marques sobre um texto da internet + partes do poema Mude.

6.8.19

Grandes inteligências

Em seus processos de raciocínio, as grandes inteligências acabam considerando sempre duas ou mais visões de uma determinada questão — visões que podem ser diferentes, divergentes, contrastantes, complementares ou até mesmo antagônicas entre si — e então as analisam uma a uma ou todas em conjunto, de forma refinada, rigorosa e simultânea, sem preferir a priori nenhuma delas — até que alguma conclusão racional satisfatória e logicamente defensável se apresente. Esse método geralmente conduz à verdade e ao sucesso.

Esquematicamente, podemos dizer que dessa relação entre tese e antítese nasce a síntese. Que, por sua vez, passa a ser uma nova tese. Então, viva Sócrates — em todos os sentidos!

5.8.19

Toda decisão é crucial

Só somos o que somos porque fomos o que fomos. Toda decisão é crucial. Portanto, reflita bastante sobre as decisões que você estiver tomando hoje. Elas determinarão o teu futuro, necessariamente. E como mudar o passado não é mais possível, tente mudar o futuro. Se o caminho que você hoje percorre tem grande probabilidade de desembocar na escuridão — e se você gosta de luz — tome providências, imediatamente.


4.8.19

Futura Cidade

Minha ideia 790 é criar um algoritmo complexo, porém inteligente, que vai buscar (na internet) os dados e estatísticas já existentes, e, depois de complementar com informações especialmente digitadas para cada município, fornecer previsões com uma ótima probabilidade de acerto. Previsões estas que serão automaticamente atualizadas em períodos previamente determinados. Click na imagem abaixo par acessar o site em fase de criação.


O que é o amor?

Amar é permitir sempre. Amar é deixar que o outro vá — ou que fique, se assim o desejar. Amar é ter um respeito absoluto pela própria liberdade e pela liberdade do outro. Amar é compreender sempre. E isso não significa apenas entendimento racional, vai além, muito além: Amar é reconhecer afetuosamente o direito que o outro tem de fazer suas escolhas. Mesmo que essas escolhas eventualmente me excluam.


Mas, se amar significa "reconhecer afetuosamente o direito que o outro tem de fazer suas escolhas" — como eu sempre digo — será que nessa colocação pode estar implícito que devo aceitar as idéias do outro, todas, mesmo as absurdas, e incorporá-las como se fossem minhas, se ele assim o desejar?
Claro que não.
Isto seria uma violência.
Cada um de nós tem um sistema de valores.
Mesmo que seja em nome do amor, a submissão é um horror.


Portanto, amar não significa aceitar todas as escolhas que o outro fizer, mas sim apenas aquelas que não impliquem uma supressão da nossa liberdade pessoal. Porque falta de liberdade causa uma dor imensa. E se causa dor, não é amor. Portanto, se uma determinada escolha feita pelo outro, que diz me amar, contraditoriamente cerceia minha liberdade, ou violenta minha dignidade, me sufoca ou atormenta — então essa escolha me faz mal, e deve ser rechaçada imediatamente, com determinação. Jamais devemos compactuar com quem nos fere ou nos amputa. Sem essa de beijar o carrasco em nome do amor...

Sem liberdade a vida morre.

Amar de verdade é jamais ter ciúmes, nem medo de perder. Amar é não forçar nada, sequer um beijo. Amar é não fazer perguntas desnecessárias ou indiscretas — muito menos na hora errada. Amar é deixar fluir a relação em todos os sentidos. É incentivar o voo livre que o outro possa estar querendo, e às vezes até mesmo empurrá-lo com ternura para o abismo gostoso do desconhecido profundo. Amar é respeitar com devoção e aplaudir com entusiasmo esse desejo louco de saltar que o outro às vezes tem. (...)


Eu defendo a tese de que o amor deve ser livre. Se não for livre, chame-o de qualquer outro nome — menos de amor. Aliás, é bom perguntar: se o amor não for livre, como será ele, então? Amor preso? Encarcerado? Acorrentado? Será que alguém, com um mínimo de respeito à vida, pode ser contra o amor livre? Sei que esse é um tema complexo, impossível de ser debatido em meia página de um blog. Mas gosto de supor que sinto-me amado, realmente, quando a pessoa que diz me amar pode olhar-me nos olhos e também dizer, do fundo do coração:

Eu te amo quando não preciso mais dizer te amo.
Eu te amo quando reconheço teu Direito de Fazer Escolhas.
Eu te amo quando respeito tua própria liberdade tanto quanto a minha.
Eu te amo quando compreendo tua vontade de às vezes ficar só.
Eu te amo quando não te sufoco com chiliques ou pressões.
Eu te amo quando ponho afeto entre as nossas distâncias.
Eu te amo quando aplaudo os teus desejos de voar.
Eu te amo quando me convenço de que o ciúme é algo a superar.
Eu te amo quando te ajudo a ser mais livre do que eras quando eu te conheci.
Eu te amo quando a recíproca a tudo isso também é verdadeira.





Tem gente que diz que o verdadeiro amor é aquele que dura para sempre. Ora, sendo assim, nunca saberemos se um determinado amor é mesmo verdadeiro, posto que o período de tempo chamado Sempre ainda não chegou — e jamais chegará. Do ponto de vista da Lógica, portanto, esta é uma afirmação tola. Inverificável. Improvável. Logo, tal frase, repetida ingenuamente por papagaios aprendizes, é um ridículo absurdo.

No texto acima eu analiso o Amor do ponto de vista da Lógica. Algumas pessoas podem dizer que o amor "não tem lógica". Compreendo suas razões. Entretanto, o Amor tem lógica, sim. É perfeitamente racional, e necessariamente determinado ao final de uma cadeia de raciocínios. É cerebral — antes de tudo.