28.2.20

Convencimento

Como forma básica de convencimento ou estratégia de embate, a violência física, quando excessiva, intempestiva ou desnecessária, é completamente reprovável. Porém, se for em defesa da Vida, do Amor e do Bem, e se esgotadas sem sucesso todas as medidas racionais e elegantes, qualquer violência passa a ser plenamente justificável. Aliás, recomendável.

Suponho.

27.2.20

DesMandamentos

DesMandamentos:

1. Ame a Vida sobre todas as coisas.
2. Não obedeça a ordens — exceto àquelas que venham do teu próprio coração.
3. A felicidade está dentro de você. Não a procure em nenhum outro lugar.
4. O amor livre é a mais religiosa das orações.
5. O desapego é a única porta para o Céu.
6. A vida só existe aqui e agora.
7. Não corra: dance.
8. Viva acordado — em todos os sentidos.
9. Pare de buscar: o que é teu já te pertence.
10. Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.

26.2.20

Dança da chuva

Quando dois fatos próximos estão ligados por um curto espaço de tempo, os leigos em Lógica geralmente atribuem ao primeiro a causa do segundo. Mas nem sempre é assim. Pode até chover depois de uma bela dança da chuva. Mas a dança certamente não é a causa da chuva.

Eu quero que vocês pensem, mas vocês parecem desperdiçar as possibilidades de reflexão séria que lhes proponho. Vocês acham que estou apenas brincando quando levanto estas questões, quase sempre de forma bem-humorada. Quando eu lhes digo para que reflitam seriamente sobre as coisas mais importantes da sua vida — que são a Lógica, o Amor e a Liberdade — vocês acham que estou ficando louco. Mas eu não desisto! E todo dia, assim que me levanto, eu me acordo pela segunda vez. Depois, tomo café com Deus, ponho a mão no ombro Dele, e lhe digo:

Pai, essas pessoas não sabem o que fazem. Não sabem mais amar. Perderam a consciência, mataram a Lógica e vivem dormindo. Perdoe essas pobres criaturas... E acorde-as, por Amor!

25.2.20

Cérebro sorrindo

Acontece que meu cérebro às vezes ri das escolhas que meus olhos fazem. Mas ambos logo se pacificam e eu prossigo cavalgando propósitos — de ponta-cabeça — como se a Vida fosse uma potranquinha, puro-sangue, indomável, cor de vinho. Faço analogias em silêncio, invento coisas que ainda vão existir, crio conceitos, e me questiono sobre tudo e todas as coisas. Depois, destruo as minhas convicções como se estivesse destruindo as tuas.

23.2.20

Mãe atômica

QUEM NÃO AMA A SUA PRÓPRIA MÃE NÃO AMA A SUA PRÓPRIA ORIGEM.

A razão talvez seja porque, de certo modo, foi levado a perder as suas bases amorosas mais diretas. Perdeu sua mais importante referência primordial. Perdeu seu principal elemento fundador das emoções. Deslocou-se, psicologicamente. Desligou-se da Fonte. É grave. Se for o teu caso — espero que não seja — não adianta dar um maravilhoso presente à sua mãe no próximo Dia das Mães. Não adianta forjar um acordo, não adianta mentir pra Deus. Recomendo terapia. Mas nem sempre a terapia resolve, pois depende muito do estágio a que o distúrbio chegou. E quando eu falo em terapia quero dizer psicanálise. Remédios químicos só atacam os efeitos, só mascaram soluções...



Não adianta procurar sobre isso na internet ou nos livros de psicologia: é uma teoria arriscada, ousada, mas exclusivamente minha. Só tem no livro Manual da Separação. Esta teoria é cientificamente fundamentada em Freud (que deve ter se baseado em Nietzsche, etc.). Bom ressaltar que eu aqui não me refiro a eventuais castigos de Deus ou bobagens do gênero. É só o inconsciente fazendo estragos. Ou corrigindo as coisas...

22.2.20

Decidi estudar

Meu Pai — nas palavras dele — dizia que é melhor dominar a tecnologia do que a vara de marmelo. E que a melhor arma para atravessarmos com sucesso a floresta da vida é o estudo.

Por isso decidi estudar. Muito. Até hoje. Sempre.

21.2.20

Casar pra quê?

A vida é mesmo uma coisa interessante. Quando estou casado, tenho menos amores, menos amigos, menos prazer, menos tempo, menos autonomia, menos liberdade — e não me sinto muito bem. Bate um desânimo... Acabo engordando. Desabo no sofá. Deus me abandona. Fico pior. Mas, quando estou solteiro, como agora, tenho mais liberdade, mais autonomia, mais tempo, mais prazer, mais alegria, mais amigos — e mais amores. E me sinto maravilhosamente bem. Fico melhor. Deus me abençoa. Até emagreço. Salto profundo. Vivo dançando...

Então pergunto — casar pra quê?

20.2.20

Já estamos em 2020

JÁ ESTAMOS EM 2020. E você continua aí, do mesmo jeito, andando pelas mesmas ruas, girando as mesmas chaves para abrir as mesmas portas? Sentado nas mesmas cadeiras, ao lado das mesmas mesas, fazendo sempre as mesmas coisas? Com os mesmos amigos, os mesmos amores, a mesma visão do mundo? Com os mesmos medos e preconceitos? Abraçando as mesmas pessoas, tocando os mesmos corpos, com o mesmo jeito, os mesmos toques, e o mesmo estilo? A mesma instável estabilidade? Repetindo a mesma angustiante rotina? Onde está aquele maravilhoso projeto de Vida?! Onde está a coragem de mudar, a coragem de criar? Onde aquele entusiasmo e aquela ousadia de outrora? Onde aquela gostosura tão buscada? Onde estão aqueles sonhos todos?

17.2.20

Sonhos lúcidos

Lucid dreams.


Aqui vou publicar logo mais minhas experiências pessoais com sonhos lúcidos. E também teorizar um pouco a respeito. Além de citar outras matérias importantes sobre o tema.

Antes de qualquer coisa, eu recomendo este livro: Sonhos Lúcidos - Stephen LaBerge




Sonho Lúcido é definido como sonhar enquanto você sabe que está sonhando. O termo foi inventado por Frederik Van Eeden usando a palavra "lúcido" no sentido de claridade mental. A Lucidez usualmente começa no meio de sonhos quando o sonhador compreende que as experiências que estão ocorrendo não existem na realidade física, mas são fruto da criação de um sonho.

Basicamente seu corpo está 'adormecido' e sua mente está 'acordada'. Sonhar é uma capacidade natural - nós todos sonhamos todas as noites. Você pode ter escutado algumas pessoas que dizem que não sonham - elas sonham sim - elas somente não recordam dos sonhos quando elas acordam. Se você tem tempo, esforço e paciência, você pode aprender a recordar seus sonhos.

E uma vez que você pode fazer isto, sonhos lúcidos são um caminho excelente para explorar o mundo dos sonhos.Enquanto a definição básica de Sonho Lúcido está meramente na capacidade de compreender que se está sonhando, esta definição pode ser dividida em dois tipos de Sonhos Lúcidos. Esses dois tipos são "alto nível de lucidez" e "baixo nível de lucidez."

Um sonhador lúcido que está sonhando com um alto nível de lucidez sabe que toda existência experimentada é fruto da criação da sua mente. Este sonhador está atento que ele ou ela está realmente na cama, adormecido e que não pode sofrer nenhum prejuízo físico como um resultado do sonho.

Sonhando no baixo nível de lucidez, o sonhador não está completamente atento que seu ambiente é unicamente uma criação da sua mente. Isto permite ao sonhador fazer atividades tal como voar, ou fazer o que é mais interessante para ele no momento. Entretanto, o sonhador vê ameaças físicas e outros caracteres do sonho como sendo completamente reais. Enquanto sonha neste baixo nível, o sonhador é usualmente desprevenido que o seu corpo físico está realmente adormecido e em cama.

Você deve estar se perguntando. "Para qual propósito servem os Sonhos Lúcidos? Os Sonhos Lúcidos podem ajudar as pessoas a achar seu caminho em suas vidas. O livro "Exploring..." contém muitos exemplos de maneiras através das quais algumas pessoas têm usado os sonhos lúcidos para se prepararem para algum aspecto de suas atividades cotidianas. Algumas das aplicações relatadas: campo de provas (tentar novos comportamentos, ou praticá-los, e afiar habilidades atléticas), resolução criativa de problemas, inspiração artística, superação de problemas de ordem sexual e social, aceitação da perda de alguém querido, e restabelecimento da saúde física.

Se a possibilidade de acelerar a saúde física, sugerida pelo que contam os sonhadores lúcidos, for confirmada pelas pesquisas, isto será uma razão tremendamente importante para se desenvolver habilidades com o sonhar lúcido.

Fonte: http://www.misteriosantigos.com/sonhos.htm


16.2.20

Distorcendo

Exceto quando recebo a coisa pura e já perfeita, eu sempre distorço o que me dizem — para melhor. Interpreto na hora aquilo que ouço ou vejo, filtro as impurezas e bobagens e entrego ao meu cérebro um produto agora limpo, refinado, carregado de poesia e gostosura. Faço tradução poética simultânea das COISAS que chegam até mim, modifico as construções verbais, ponho lógica e amor onde couberem, redesenho mentalmente quase tudo — e só então as ofereço aos meus sentidos mais profundos. Só então. E delicadamente.

15.2.20

Sem problemas

Em princípio, não existem problemas. Existem circunstâncias. E o modo como lidamos com elas é que pode transformá-las em problemas — ou, pelo contrário, torná-las um delicioso degrau para o sucesso.

14.2.20

Olhe para os lados

Agora mesmo, onde você estiver, olhe para os lados. Ajuste a consciência, apure a sensibilidade, abra seu coração, respire fundo, olhe para os lados outra vez, e responda-me, sinceramente:

— As pessoas com as quais você hoje convive (em casa, na escola, no trabalho ou na internet) são amorosas, compreensivas, inteligentes, excitantes, audaciosas, livres, saudáveis, brilhantes, honestas, sensíveis, delicadas, independentes, e cheias de entusiasmo pela vida?

São?!

Porque, se assim não forem, responda-me:

— O que é que você continua fazendo aí?

13.2.20

Sou existencialista

Eu era um marxista empedernido. Queria salvar a classe operária, mal sabendo que classe que não tem classe não se salva. Se afunda.

Eu li o Livro Vermelho. Li "O Capital" inteiro e escrevi uma tese sobre Lênin. Tive que apoiar até mesmo o realismo socialista que chegava de Moscou. Virei comunista, fui preso pela ditadura militar, sofri um bocado. E, como todo bom comunista, achava Freud dispensável, e considerava a psicanálise apenas uma "técnica de manipulação pequeno-burguesa".

Mas eis que o Acaso na esquina da vida em forma de vaso caiu-me por sobre. E o meu grande amigo Gaiarsa me virou a cabeça. Apaixonei-me por ele e pelas coisas que dizia. Coisas óbvias, mas que eu nem percebia.

Mudei.

Conheci Moreno e Reich. Deitei-me com Jung e Cioran. E depois fui jogado nos braços de Osho ao lado de uma cachoeira escandalosa em São Francisco.

Desabei-me sobre mim num balaio de flores e estrelas. Vi ruírem todas as minhas estruturas intelectuais. Vi que a seriedade era risível. Agarrei-me ao Livro Orange.

Destruí as minhas convicções.

Rasguei minhas gravatas, desfiz os meus laços, descasei-me em baciada. Aquilo que sempre desprezei passou a ser fundamental, de uma hora para outra.

Nietzsche, de quem eu mantinha enorme distância política, passou a ser meu sócio nas loucuras mais gostosas.

Comecei a dançar a vida com Roger Garaudy. Tirei a máscara e mostrei meu rosto.

Existenciei-me.

Transei com Sartre, e beijei Henry Miller na boca.

Meu Deus! Acordei para sempre.

E o próprio tempo passou a ser meu.

Enfim, assumi o comando do meu destino.

E agora estou aqui, te olhando nos olhos e pensando loucuras...

Pensando em te convidar para saltar comigo.

Para saltar profundo como eu saltei.

12.2.20

As razões do trabalho

A razão do trabalho.

Se enquanto trabalho não faço amor;
Se enquanto trabalho não escrevo poesias,
nem vejo a lua, nem tomo sol;
Se enquanto trabalho não crio conceitos;
Se enquanto trabalho não beijo os olhos do meu amor;
Se enquanto trabalho não ando descalço
em areias brancas,
nem ouço as ondas do mar;
Se enquanto trabalho não abraço a minha Mãe;
Se enquanto trabalho não leio Henry Miller;
Se enquanto trabalho não mergulho em minha alma;
Se enquanto trabalho não vejo filmes,
nem respiro o perfume das flores,
nem admiro uma obra de Michelangelo;
Se enquanto trabalho não escalo montanhas,
nem salto no escuro, nem tomo uma taça de vinho;
Se enquanto trabalho não medito, não danço, não ouço música,
nem respiro o sagrado ar da liberdade;
Se enquanto trabalho não sonho, nem pinto,
nem componho, nem desenho,
nem esculpo, nem declamo Lorca ou Neruda;
Se enquanto trabalho nem sequer me lembro
dos vinte poemas de amor
e das canções desesperadas;
Se enquanto trabalho não parto melancias,
nem rezo ao meu Deus;

Se enquanto trabalho não faço nada disso,
então só me resta perguntar:

— O que é que estou fazendo aqui?

11.2.20

Coloniazinha

Ainda existe aquela colônia de vermezinhos graciosos no fundo de um lodaçal. Todos aqueles que sobem à superfície nunca mais voltam, pois, assim que chegam aqui, conhecem coisas novas, veem a Luz, transformam-se em aves definitivas — e voam livres para o azul do céu. Nunca mais voltam para o fundo. Já não mais prometem que voltarão. Certas promessas nunca serão cumpridas. Certas promessas nem devem ser feitas.

Cantinho enorme

Meu coração tem um cantinho onde guardo os amores todos que eu já cantei. E um outro canto (enorme) onde aguardo os mil amores que ainda cantarei.

10.2.20

Só os tristes odeiam



Toda tristeza tem um interesse muito grande em justificar-se e perdurar. Por isso, toda tristeza procura, desesperadamente, afastar a alegria. O inverso também pode ser verdadeiro. A nós nos resta optar pelo lado que melhor nos pareça.




Às vezes eu generalizo nas minhas colocações, mas só para facilitar o entendimento. Entretanto, em princípio, continuo aberto ao diálogo racional.

9.2.20

Alameda Barros

Estou revisando os últimos capítulos do meu livro Teoria do Acaso e me deparo com certos fatos ali narrados que ainda me emocionam demais. Nesse livro eu conto detalhes de como conheci alguns dos meus amores, como foi que as circunstâncias me abraçaram, e como também por mim foram elas abraçadas. Como foi que meu pai se apaixonou por minha mãe. Como foi que Nietzsche conheceu Lou Salomé, como Dali se apaixonou por Gala, como foi que Sócrates encontrou Xantipa. Minha tese é que o acaso é a causa de cada uma dessas coisas. Tudo que acontece na vida da gente é obra do acaso. E agora, ao escrever sobre Suzana, acabo me lembrando da década de 1990, quando eu morava na Alameda Barros, em SP, e às vezes chegava em casa à noite e encontrava uma festa. Alguém me abria a porta e até me perguntava quem eu era... Eu costumava deixar uma chave do apartamento na portaria, e autorização explícita para que toda mulher — consideradas algumas premissas, mesmo que os porteiros nem a conhecessem — pudesse pegar a chave e subir. Quantas mulheres fossem. E que se sentissem elas totalmente à vontade. Que bebessem do meu vinho e comessem do meu pão. Algumas eram amigas, e outras, totalmente desconhecidas. As surpresas que eu tinha por causa disso sempre foram maravilhosas. Conto algumas dessas surpresas, dezenas, nesse livro acima citado. Era assim a minha vida. E nesses quase quinze anos que se passaram não mudou quase nada — exceto duas relações fechadas que me levaram a diminuir muito a freqüência das festas. Mas voltarei logo mais a deixar minha chave na portaria de novo — com a mesma recomendação. Para que tudo se repita outra vez, de modo ampliado, mais intenso, e mais gostoso.



Naquele mundo maravilhoso, o "centro de gravidade amorosa" era Eu — e Eu saltava dentro de mim mesmo, para um outro Eu ainda mais profundo e mais central. Eu era um sol iluminando estrelas cadentes. Eu lhes dava luz e amor, em troca de mais luz e mais amor. Eu me tornava cada vez mais absoluto, e elas viravam estrelas ascendentes, bailarinas, quase sempre. Felizes aquelas que gravitavam em meu redor, diziam elas. Em verdade, aos pares nos tornávamos estrelas binárias — ainda que por vezes santíssimas trindades ocorressem. Tudo era fora do normal. À época eu pensava que certas coisas eu só as contaria vinte anos depois da minha morte. Hoje eu já considero a possibilidade de contá-las vinte anos antes. Daqui uns quarenta, portanto.

Curiosidade intelectual

Às vezes, por mera curiosidade intelectual, e só para conhecer-lhe os limites e a suposta escuridão, posso até entrar num túmulo, por algum tempo, desde que brevíssimo. Mas não deixo de respirar profundamente — e jamais permito que cimentem a lápide por sobre mim.

8.2.20

Controle emocional

Quando eu defendo o CONTROLE das emoções, algumas pessoas podem pensar que estou propondo a supressão das emoções. Não é disso que se trata. O que proponho é, num primeiro momento, racionalizar a expressão das emoções. Dominado esse processo (esse procedimento), passaríamos a controlar a própria forma com que as emoções, em si, ocorrem.

Ou seja, só bateríamos com violência uma porta, ou só daríamos um tiro na testa de alguém — SÓ DEPOIS de concluirmos, com base na lógica, que tal procedimento tornará o (nosso) mundo melhor e mais justo. Mas essa conclusão tem que ser racional. Deve ser produto de uma extensa cadeia de raciocínios, preferencialmente lógicos. Nada de ficar batendo porta à toa, xingando alguém à toa, ou dando tiros à toa...

Depois vou escrever algo sobre as emoções positivas. As amorosas.

7.2.20

Divórcio Amoroso

Minha ideia 774.

Divórcio Amoroso e Racional.


A ideia básica é a seguinte: Existe um modo racional de tomar decisões. Sejam estas amorosas, comerciais, familiares ou profissionais. E se existe tal modo racional, não é logicamente recomendável a opção por qualquer outro que não seja.

No caso de uma eventual separação conjugal, e se existem filhos  de pouca idade envolvidos no relacionamento em questão, maior ainda é a responsabilidade de se tomarem decisões racionais.

Racionais e, se possível, amorosas. Ou, pelo menos, compreensivas.


Amar é permitir sempre. Amar é deixar que o outro vá – ou que fique, se assim o desejar. Amar é ter um respeito absoluto pela própria liberdade e pela liberdade do outro. Amar é compreender sempre. E isso não significa apenas entendimento racional, vai além, muito além: Amar é reconhecer afetuosamente o direito que o outro tem de fazer suas escolhas. Mesmo que essas escolhas eventualmente me excluam.





Esta ideia 774 é de julho de 2019.

Hoje, 07 de fevereiro de 2020, já estou na ideia 911.

6.2.20

Tudo por um fio

Minha grande inspiração é Henry Miller. E foi Rimbaud quem mudou a visão de mundo de Henry Miller. E eu, influenciado por Henry, vou em busca de Rimbaud e encontro Baudelaire mudando a cabeça de Rimbaud — e este virando a cabeça de Verlaine para todos os lados. É um círculo maravilhoso... Depois ainda chegam Lorca, Neruda e Vitalina; Sartre, Osho e Cioran; Paritosh e minha Mãe — todos pairando sobre mim como doce ameaça de vida. E todos me fazem virar a cabeça, deliciosamente. Até mesmo essa menina de azul me faz virar a cabeça. Aqui na praia, quase sempre sinto-me Dâmocles, e a espada — suspensa sobre a minha cabeça por um fio de seda — brilha seu fio nesta tarde de sol infinito. O vento a balança, eu olho para os lados, encaro o desafio e começo a sorrir.

Tudo por um fio... É neste momento — quando confio no risco — é neste exato instante-agora que a Vida chega. Porque, você sabe, a vida só chega no justo momento em que temos consciência de que ela está por um fio... Ou dois!

4.2.20

Capela da Mãe

Capela de Nossa Senhora de Iracy

Esboço da Capela que vou construir no jardim da minha Mãe. Lembrem-se de Arquimedes, quando disse: "Deem-me uma alavanca e um ponto de apoio e eu levantarei o mundo". Só agora eu vejo que tem relação com isso. Essa obra terá um único ponto de apoio. Eu a tinha feito apenas com dois traços: o V e o círculo. Depois, acrescentei (em traços um pouco mais finos) a "Cruz" estilizada, que em verdade é o ideograma em mandarim 上 (shàng), que significa "pra cima, alto, superior, excelente". E que compõe 上帝 (shàng dì), que significa Deus. O altar ficará no círculo (que na execução será uma esfera). Ainda estou extasiado com a beleza dessa ideia. Ela me surgiu de repente, assim que me acordei, anteontem. Acho que foi o espírito do Niemeyer que SUBIU até Mim. Do Niemeyer e daquele Outro Arquiteto, que, dizem, desenhou este Universo...


3.2.20

Chances de ir pro Céu

Não deixe que lhe escapem as grandes oportunidades de se apaixonar. Saiba que no Dia do Juízo Final você terá de prestar contas perante Deus. E terá de confessar quantos amores você amou. E nesse assunto Deus é radical: Quanto mais amores, maior a chance de entrar no Céu.



Eu consegui captar a sinfonia, a maravilhosa Sinfonia do Universo — e sempre danço de acordo com ela. Nem percebo mais esse barulho enorme que dizem que o mundo faz.

2.2.20

Terceiro

Também a mim não quero que ninguém se ligue de forma dependente. Amar o outro é querê-lo muito, sim — mas querê-lo livre, antes. Não quero que o outro me tome por seu provedor exclusivo de orgasmos e alegria, segurança ou gostosura. Importa deixar claro que só posso ser UM entre os seus múltiplos amores. Posso eventualmente até ser o maior deles, quem sabe — por uns tempos — mas repilo a ideia de ser único. Adoro ser terceiro em relações triangulares.

Rolling Stones

Rolling Stones

As pedras rolantes são polidas pela própria natureza.

Pedra que não rola fica bruta. Cria musgo. Seja natural. Deixe-se rolar, livremente. Não estacione. Siga o curso sinuoso das águas vivas. Seja fluente na correnteza da vida. A felicidade é líquida. O verbo é um fluxo. A palavra amor é vibrante. Quem não muda não fala. Quem não muda não dança. Mude. Grite. Dance. Voe.

1.2.20

Fugaz

Grandes paixões sempre duram pouco. A natureza da paixão é ser fugaz e passageira. Ninguém suportaria viver aventuras diferentes todo dia, fascinantes e grandiosas — por muito tempo — com a mesma pessoa... Seria a banalização da gostosura.

31.1.20

Minha ideia 908



O que é o 5G
Click aqui para ler a matéria.





Acordei agora. Dormi, vendo um filme (*) depois de uma Brahma gelada... E agora, nesta madrugada silenciosa, tenho a minha ideia 908. Que já nasce grávida de sucesso. Nossas empresas não terão escritórios. Terão Centros de Criatividade e Centros Operacionais. Também estou aprimorando a ideia 907, de ontem. 

A vida é uma delícia! 

www.EdsonMarques.com/p/907.html

30.1.20

Psicologia

Você já viu alguém discutir física nuclear ou lógica formal sem antes estudar o assunto? Sistema linfático, mecânica quântica, direito internacional, eletrônica, matemática, cosmologia, navegação marítima? Claro que não! Pois, para tudo — as pessoas têm que se preparar. Também não me consta que alguém opine sobre como fazer um balancete sem ter estudado contabilidade. Bem como impossível calcular estruturas geodésicas sem estudar engenharia. E assim por diante...

Então, por que é que em Psicologia certas pessoas se acham no direito de sair emitindo opiniões (em público) sem um mínimo de preparo intelectual? Querem falar de relações amorosas sem ter lido sequer um livrinho de Freud? Querem debater sobre família, casamentos e namoros, culpa, raiva, ciúmes e complexos, só com base na sua própria (in) experiência? Sem ter lido nem Reich, nem Moreno, nem Perls, nem Alexander Lowen, nem Karen Horney, nem Osho, nem Gaiarsa? Bom lembrar que, mesmo em Psicologia, quem emite opiniões sem o respectivo preparo corre o risco de não ser muito respeitado. Melhor não arriscar...

29.1.20

Colônia de deusinhos

Dizem que havia uma colônia de vermezinhos graciosos no fundo de um lodaçal. De vez em quando, alguns subiam à superfície e nunca mais voltavam. Isso deixava perplexos aqueles que permaneciam. O que será que tem lá em cima, que tipo de perigos pode haver? — eles se perguntavam. Até que certo dia um deles acordou, pôs as duas mãos no coração e prometeu sinceramente aos seus irmãos: Vou subir e depois volto para contar a vocês como é o mundo lá em cima. Preparou-se bem, leu Osho e Henry Miller, armou-se de inocência e de coragem, aguou suas plantinhas, atualizou o Facebook, despediu-se dos amores, desfez as malas — e subiu. Ele tinha mesmo a intenção de voltar. Mas, assim que chegou à superfície, viu Luz, transformou-se numa libélula, abriu as DUAS asas — entusiasmou-se! — e voou alegremente para o azul anil do céu profundo... E agora já não pode mais voltar. Morreria se voltasse...

Certas promessas jamais serão cumpridas.

28.1.20

Felicidade

Para os filósofos cínicos, a felicidade não é algo passageiro: uma vez alcançada, nunca mais a perdemos. A princípio, parece um absurdo, mas é uma teoria bastante sustentável. Digo isso, e concordo plenamente, porque aconteceu comigo! Sou a prova viva de que isso é possível. Meu conceito de felicidade — já por mim alcançada — é ser bem-aventurado. É ter um corpo saudável, completo domínio dos estados de espírito, e liberdade total. Muita alegria, bom humor inabalável e gostosura transbordante, além de amores infinitos. Ausência de pressa, de ciúmes e de ódio, ausência de medo, inveja e vergonha. E completa ausência de apego. Basicamente isso.

Estou escrevendo algo mais a respeito, que vou publicar no meu livro Sermão da Cordilheira.

27.1.20

Paixões brilhantes

As paixões devem ter o brilho de um relâmpago — e a mesma duração. Relâmpagos não ficam acesos para sempre. Você vive um, e em seguida risca outro! Mas, não se preocupe: ninguém é obrigado a amar o risco e ser brilhante todo dia.


26.1.20

Espírito amoroso

O espírito amoroso e excitado da consciência abraça sempre a minha alma e dançam juntos no meu próprio coração. Para que não se possa mais deter minha loucura, nem frente ao juízo em contrário que as paixões sinceras acabam provocando.

Minha alegria não precisa nunca mais de recompensa: ela mesma já se paga e me abençoa, porque existe simplesmente. Afinal, ninguém consegue desfazer o que foi feito — se foi feito com razão e gostosura, com amor e liberdade.

25.1.20

Virado de feijão

Para mim, essas frescuras de folhinhas e alfacinhas — vegano-deprê — sem sal e sem açúcar, sem vinagre, sem azeite, sem gordura, sem limão, e sem carne... retiram toda a gostosura, retiram toda a naturalidade e a lembrança da comida que minha Mãe faz. E que minha Vó Vitalina fazia. Eu gosto mesmo é de torresmo e picanha gorda no ponto...

Ou carne de porco na panela de ferro, virado de feijão, arroz soltinho, couve cozida e meia dúzia de ovos fritos. E uma companhia libertária pra saudar a VIDA!

24.1.20

Um tiro na testa

Às vezes, um tiro na testa é mais eficiente que um Diálogo de Platão.

Inspirado em Che Guevara, um dos meus maiores heróis (na adolescência), cuja mais bela biografia, escrita por Jon Lee Anderson, quase mil páginas, é um marco. Também inspirado pelos sanhaços que ontem de manhã vi brigarem por uma banana, em vez de dialogarem entre si. Por acaso, então, encontrei essa frase tiro num dos meus blogs, e resolvi republicá-la. Assim, sem mais. Sem propósitos especiais, exceto aqueles que Deus possa ter tido em meu nome, nesta madrugada deliciosa, em que estou estudando Lacan, tomando leite, e tendo a ideia 903 (*). Ou em nome de Deus, de Vitalina e de Che...

(*) Nesta mesma madrugada acabei tendo as ideias 904, 905 e 906.

AQUI neste site eu explico os inevitáveis "tiros na testa" que às vezes damos — metaforicamente, é claro.

23.1.20

Flores e Estrelas

A escrita é o código do Verbo. A roda do vinho faz tudo girar. Depois de dois ou três copos minha voz Vitalina, e realiza sinapses verbais. Ideias escorrem pelas pontas dos meus dedos falantes. Eu começo a desenhar flores e planos nos guardanapos do boteco divino, enquanto as delícias dançam no meu próprio coração. Meu peito entusiasmado, pleno de espírito, quase explode de alegria. Trilhões de átomos já estão se reunindo, sonho a dentro e mundo afora, desde hoje, para que eu os encontre em forma de estrelas e corpos em dezembro do ano que veio. E é por isso que eu escrevo declarações de amor a Deus nesta noite açucarada. A roda da vida faz tudo girar. O álcool deve ser redondo, e o Universo — também.

Itararé

Cemitério de Itararé SP. Foto feita por mim em 23.05.2018. 11 h 13 min.

20.1.20

Pobreza

Passei vários anos tentando alcançar a pobreza. Acabo de concluir que não consigo. Desisto.

19.1.20

Quando o bom faz mal

Um grande amor ou um bom emprego acabam complicando muito a vida de quem os consegue logo no início. Porque você vai ficar se agarrando a eles pro resto da vida — e perde a chance de conseguir outros iguais, ou até melhores. Perde a chance de vivenciar outras experiências, provavelmente maravilhosas. Mas, o que é pior: essa aparente estabilidade inicial te enche de medo. Medo de perder. Medo de não ser capaz de crescer, nem de superar uma perda. Então, só te resta encolher-se no teu próprio coração medroso e bobo, abraçado a um bom salário — ou deitadinho no colo desse amor minguante...

18.1.20

Olimpo

Tenho vontade de reunir esses deliciosos loucos e loucas, esses santos e santas que eu amo e amei, essas deusas e musas que já conheci e outras que ainda vou conhecer, convidá-los a subir num barco, enorme — um navio, transatlântico — levá-los todos para uma ilha luminosa, deserta e grega, e viver com eles para o resto das nossas vidas. Em liberdade absoluta. Falando todas as línguas, amando de todas as formas livres, bebendo de todos os vinhos, rezando a todos os deuses... A vida será uma festa interminável! Viveremos dançando todas as danças, ouvindo todas as músicas, escrevendo belíssimas poesias de amor, plantando flores e colhendo estrelas, tomando sol, sorrindo e gargalhando. E transando com a própria Vida — todo dia, o dia todo.

Questione tudo

uma chance ao Inesperado e abrace forte a gostosura da Surpresa. Ame a Liberdade, o Amor e a Loucura sobre todas as coisas. Afaste-se das pessoas perigosamente normais. Sonhe só o sonho certo e abandone quem te oprime, agora mesmo. Desmonte as relações totalitárias.

Mas não creia cegamente no que eu digo.

Questione todas as convicções, inclusive as minhas. E questione também as tuas — ainda mais!

16.1.20

Nota de falecimento

"O poeta sofreu um acidente na descida da Serra, pela Imigrantes. O corpo está sendo velado no Velório Municipal do Guarujá. O enterro será hoje às 17h no Cemitério da Consolação, em São Paulo. A família enlutada agradece as manifestações de pesar."



Desfaça-se o engano sobre a "notícia" da minha suposta morte — que afinal revela-se falsa. Felizmente! Felizmente para mim, pelo menos... Foi brincadeira de um grande amigo meu (talvez o maior), a quem pedi para publicar um texto aqui no blog, pois eu estaria longe da internet por dois ou três dias. Sugeri que ele pegasse um parágrafo qualquer do meu livro Lógica para Crianças (que será logo mais publicado pela Pandabooks). E ele fez exatamente o que eu pedi! Apenas alterou "teu pai" por "o poeta". /// Em respeito aos leitores que, por causa do texto acima, foram levados a pensar que eu havia morrido, vamos a algumas explicações:

Nesse meu livro citado, eu procuro ensinar às crianças que jamais respondam a perguntas mal formuladas. O livro quase todo é um diálogo entre um pai e seu filho adotivo (nessa fase com seis anos), em situações da vida cotidiana. Na página 144, logo após a criança ter respondido (corretamente) à pergunta sobre a quantos graus a água ferve ("depende o grau e depende onde"), e enquanto o pai explica (em espanhol) as funções da Rainha no jogo de xadrez (porque assim a criança aprende a língua enquanto aprende o jogo), o pai resolve fazer-lhe (em português) uma pergunta sobre Lógica:
— Filho, se te disserem hoje à tarde que teu pai sofreu um acidente na descida da Serra, o que você vai pensar?
— Eu primeiro vou perguntar se foi um acidente fatal, ou se só quebrou o para-choque ou a roda do carro...
— E depois?
— Depois eu vou perguntar se foi meu pai biológico ou se foi você...
Vejam que resposta genial essa criança deu!
E o diálogo continua.
— E se você, no intervalo das aulas, recebe um bilhete da professora com um texto assim:
"Teu pai sofreu um acidente na descida da Serra, pela Imigrantes. O corpo está sendo velado no Velório Municipal do Guarujá. O enterro será hoje às 17h no Cemitério da Consolação, em São Paulo. A família enlutada agradece as manifestações de pesar."?
— O que significa "enlutada"?
Depois que o pai explica o significado do termo ainda desconhecido, a criança continua:
— Se o acidente não foi fatal, o corpo no cemitério não é você...
— E se o acidente foi fatal?
— Ah... Daí eu acho que vou chorar...

Então eu dou um beijo na testinha dele, e ele me dá um xeque-mate!

Claro que eu deixei ele vencer... Afinal, eu quero que ele seja um vencedor.
Estou escrevendo esta ressalva na madrugada de 15 e na manhã de 16.01.2013. E revisando em 16.01.2020.

14.1.20

Tia Ana

Tia Ana. Certa vez, por quase dois meses, ela repartiu comigo seu próprio quarto, para me ajudar a estudar quando meu pai quase me tirou da escola a fim de transformar-me em dono de restaurante. Eu tinha dez anos. Jamais me esquecerei. Ela, não só por isso, foi muito boa para mim. Ela dizia que, para uma boa convivência, a gente deve sempre compreender e perdoar os três maiores defeitos de cada pessoa. Por isso, eu agora vou perdoar os três maiores... dela!

Mas, antes, tenho que pensar um pouco, pois só me lembrei de um. Será que ela tinha três? Acho que sim. Entretanto, aproveito para te perguntar: no caso dos teus amigos, parentes e amores — você consegue compreender e perdoar os três maiores defeitos de cada um deles?

Pássaro surpreso

Há dias em que é preciso que eu te perca inteiramente. É preciso que eu siga o que me pede o coração apaixonado — e o que suplica um novo grande amor aos pés da nova cama. Tua imagem, minha flor, fumaça escandalosa desprendida de si mesma, some em meio à volúpia da minha próxima lembrança. Então, te esqueço — carinhosamente. Mas, de repente, num voo alado de pássaro surpreso, entro em mim pra te buscar. Se te encontro, a busca me alucina intensamente, e se me encanto, ao contrário, é meu verbo que engravida o teu espanto.

13.1.20

Minha ideia 899

Ontem eu tive a minha ideia 899.

Minha reta Vida curva

Toda minha vida é uma curva deliciosa, mas também um risco só. A gostosura da surpresa é o que me encanta de verdade. Meu coração pulsa sempre em nome da alegria. Tenho noventa mil quilômetros de vasos sanguíneos, repletos de flores, amores, estrelas. Sou movido a emoções. Eu vivo saltando profundo. Toda hora, todo primeiro, todo segundo...

Minha reta vida é curva. Sinuosa. Insinuante.

12.1.20

Marasmo

Você não acha que faltam grandes emoções na tua vida? Não seria bom se acontecesse, ainda hoje, alguma coisa gloriosa, diferente, só pra sacudir esse marasmo?

Deslouco

Eu só me movimento, eu só me desloco no espaço, se o caminho for muito interessante, ou se o ponto de chegada for bem melhor que o ponto de partida.

11.1.20

Kyrie Eleison

Hoje acordei de manhã, esparramado na sala depois de ver o começo de um filme, e havia uma mulher me acariciando, emoldurada, pertinho do meio copo de vinho vermelho caído no chão que esqueci de tomar, entusiasmada, segurando uma bacia de girassóis. Essa mulher, que nunca vi triste, que incentivou sempre todos os meus amores, me inspira suspirando, me aceita como sou — e me diz, toda hora, que o verdadeiro amor é a união de duas espontaneidades, a fusão desgovernada de dois devaneios. Me ama, eu sei, mas antes de me amar, sei que ama o infinito absoluto onde eu danço as minhas próprias escolhas profundas. Desde que nasci, essa mulher me alimenta de leite, amor, vitaminas, desapego, feijão, arroz e liberdade. Achava melhor ensinar-me a ser homem do que pregar-me um botão. Toda noite me contava histórias pra que eu não dormisse. Cantava o Kyrie Eleison como se fosse uma canção de ninar pelo avesso. Jamais quebrou as lanças da minha ousadia, nem pensou em cortar-me as asas de pássaro livre. Ainda me ampara com firmeza, sustenta-me a alma e me aplaude as loucuras. Nunca brigamos. Mil quilômetros nos unem hoje, mas sei que ela me ama da única forma que uma mãe ama seu filho: incondicionalmente. A recíproca também é verdadeira.

Então dou um beijo na boca da foto, me viro de lado e volto a ver Kurosawa. Quero sonhar com Van Gogh de novo. E, porque sou produto escandaloso de uma deliciosa mitologia grega, sonharei com Freud. E com Lacan também, naturalmente.

Hoje, 11.01.2020, faz quatro anos que minha Mãe sonha comigo, sem pular um dia sequer.

10.1.20

Catedral da Sé


Estive ontem na Catedral da Sé. Fotografando. Filosofando. E tomando Drambuie.

9.1.20

Marcapassos


Meu coração jamais terá marcapassos.

Ele já tem marca-saltos,
marca-dança, marca-voo!


O poeta usa metáforas, o filósofo faz ciência. O poeta diz que seu louco coração jamais terá marcapassos, mas o filósofo sabe que todo coração tem que ter um. O marcapassos é um dos nossos guias pela vida. Muita gente não sabe, mas todos nós temos um marcapassos natural. Chama-se nódulo sinusal (*). É quando este não funciona bem que pomos o outro — artificial.

(*) Também chamado de nódulo sinoauricular, nó sinusal, Nó sinoatrial, nodo sinoatrial (NSA) ou Nódulo de Keith e Flack, é uma estrutura anatômica do coração que faz parte do sistema cardionector, responsável pela função de marcar o passo natural, ou seja, produz seu próprio potencial de ação, que é o estímulo elétrico. É a estrutura cardíaca com a maior frequência de despolarização, ou seja, com maior automatismo.

8.1.20

Nasci para Viver

Eu já nasci entusiasmado pela Vida. Já nasci fazendo amor. Mas também nasci para contestar as regras bobas e saltar profundo. Para escrever poemas libertários e dançar com Deus. Para tomar o vinho consagrado e mastigar a hóstia. Nasci para provocar os acomodados. Para compreender os incompreendidos. Para fazer escândalos poéticos e cobrir de gostosura os anseios do teu peito.

Eu nasci para tocar teu delicado coração.

Nasci para ser Livre.

Nasci para ser Meu.

Desde aquela madrugada solitária em que a Mãe do Mel me deu a Luz numa casinha de madeira, ao lado de uma roseira branca, minha alma transformou-se no meu corpo — e vive em festa.

Por isso é que nunca vou trair a minha própria Natureza.

7.1.20

Meu Vô Joaquim

Anteontem eu fui ao Manicômio de Franco da Rocha procurar meu avô paterno. A ficha dele. Um cadastro antigo, alguém que dele se lembrasse — qualquer coisa. Não achei. Ele era um louco delicado que enlouqueceu do lado errado. Dizem que os irmãos o deixaram certo dia jogado numa rua de São Paulo, sozinho, tremendo de frio, para que morresse abandonado e lhes deixasse a sua parte na herança. Conseguiram. Seu nome era Joaquim. Ele não havia suportado a morte do grande amor de sua vida, que caíra de uma laranjeira sobre um toco de cerca. Alienou-se do mundo por causa disso. Partiu-se em dois. Para esquecer Maria, não abraçou a poesia: abraçou a tristeza — e mergulhou no álcool. Esqueceu-se de si mesmo, perdeu a graça, e deprimiu-se fundamente. Por isso eu digo que o coitado enlouqueceu do lado errado...

Texto escrito originalmente em julho de 1989.