12.11.19

Desobedeça

Se nós pensássemos e agíssemos exatamente como nossos pais; se nossos pais pensassem e agissem exatamente como nossos avós; se nossos avós fossem exatamente como os pais deles — e assim por diante — o ser humano ainda hoje certamente viveria trepado em árvores e abanando moscas com o próprio rabo...
Sem mudança não há progresso.
Mude.
Desobedeça!
Mas desobedeça criativamente, com inteligência, elegância e disciplina.

11.11.19

Minhas influências

O louco tem que ser lúcido. Mas essa minha concepção de Loucura não nasceu ao acaso, nem é fruto de uma simples rebeldia adolescente. Ela se deve à educação libertária que me deram minha Mãe e minha vó Vitalina, além de ser baseada na minha formação filosófica poética, e na leitura muito séria e consistente de quase toda a obra de Ronald Laing, Artaud, Henry Miller, Espinosa e Nietzsche, entre outros. Portanto, eu, pessoalmente, não mereço nenhum respeito — mas o que eu digo, sim.

Fui também influenciado por Nhô Mané, um negro velho contador de histórias que trabalhava no sítio do meu pai, e por Nhá Marica, aquela cujos seios eram chupados por uma cascavel, e que viu três ou quatro vezes o saci-pererê andando ao lado dela, no meio do mato. Também me influenciaram, claro, Nietzsche, Platão, Aristóteles, Sartre, Osho, meu Pai, meus professores etc. Mas, principalmente, recebi influências maravilhosas de todos esses meus amores infinitos — que dançam comigo todo dia, à beira desse abismo delicioso em que a vida se transforma...

Dois Caminhos

A vida tem dois caminhos:


Ou você segue o caminho da Tristeza,
arma-se de medo, de ciúmes e de falsas alegrias,
arma-se de angústia, fecha os olhos, se acomoda,
e segue o rebanho dos que não sabem;
obedece a regras injustas, não reage, não questiona,
não se aprimora, não lê, não significa,
nem percebe o absurdo em que se mete.
Vende a própria natureza
por duas ou três moedas de aço,
troca a inocência pela responsabilidade apressada,
torna-se respeitável aos olhos da sociedade,
cumpre horários, nunca tem tempo,
preocupa-se com coisas banais.
Comerciante das próprias emoções — já não brinca,
vive correndo, ama com pressa,
esquece-se da lua,
e se torna uma pessoa média, mediana, medíocre,
pequena, cansada e normal...


Ou você escolhe o caminho da Ousadia,
compreende, se aprofunda, vai mais longe, realiza,
respeita o ser humano que existe em você mesmo,
resgata a própria vida e o sorriso,
rompe de vez com o passado agonizante,
procura defender a verdade, a justiça e a poesia,
acorda e assopra o fogo da alma que dormia,
ultrapassa os limites que sufocam,
cavalga o cavalo negro, cego e alado
das paixões gostosas e sublimes,
enche o peito de coragem, corações e relâmpagos,
acende de novo esse vulcão que é o teu corpo,
deixa a própria cabeça plena de agora,
de ternura e de vertigem,
e parte em busca de Aventura, de Amor e Liberdade.


É uma simples questão de escolha.



Qual é o teu caminho?

10.11.19

Livros que eu estava lendo

Livros que eu estava lendo (Guarujá, 2004). Na ordem em que estão, e na desordem em questão: Sexteto: Henry Miller. Por Amor a Freud: Diane Chauvelot. Hipnodrama e Psicodrama: Moreno. Ser Feliz faz parte do meu Show: Joyce Ann. O Espelho Mágico: Gairarsa. Biografia de Nietzsche: Daniel Halevy. Memórias Sonhos Reflexões: Jung. A Importância de Compreender: Lin Yutang. Ócio Criativo: Domenico De Masi. Grandezas e limitações do pensamento de Freud: Fromm. A Anarquia da Fantasia: Werner Fassbinder. Solidão a Mil: Edson Marques. O Manifesto do Surrealismo vai servir de inspiração para escrever o texto de amanhã. Muitos ficaram fora da foto, porque estão espalhados pela casa. Mas, cito três outros que estão aqui ao meu lado: "Picasso, o sábio e o louco", de Marie-Laure Bernadac; "Trópico de Câncer", de Henry Miller, e "As Paixões segundo Dali", de Dali/Pauwels. No banheiro está o Alan Watts, "Em meu próprio caminho" - rabiscadíssimo. Na cozinha, "O Eu Dividido", de Ronald Laing, e "Jesus: ensinamentos essenciais", de Anthony Duncan. Tem mais na sala, nos quartos, nos corredores, e no carro. /// A bonequinha nua sobre os livros é um presente de Rose, e o quadro ao fundo é uma releitura de Modigliani, feita por Joyce Ann. E, como disse Felipe Fanuel em seu comentário, eu leio "a partir da boneca, a partir da pintura, ou seja, a partir da arte".

Flor de abóbora


9.11.19

Saltar não é preciso

Sem saltar, impossível aprender a técnica do voo. Embora devamos considerar que nem todos podem ter interesse nesse atributo. Até porque esconder as asas pode acabar resultando em menos compromissos, posto que aos seres não alados não se lhes cobra voo algum. Afinal, em certos meios, rastejar já é um sucesso...

Eu e o Anjo

O amor era tanto, que eu nem percebi, entretido que estava. Acontece que um dia chegou a polícia — em forma de mãe. Mãe zelosa pela cria que agora tem asas. Não porque voa, mas porque anjo. Foi então que nós dois (eu e o anjo) nos perdemos um do outro, para sempre.

Até ontem.

8.11.19

Um Romance por dia

Se eu pudesse transferir direto para o computador os meus pensamentos, escreveria um livro por dia. Se eu pudesse converter em palavras essas coisas todas que eu vivo; se eu pudesse te contar esses amores todos que eu tenho, e as gostosuras que eu faço, e os prazeres todos que eu sinto; se eu pudesse relatar tudo isso, todos os dias, eu, além de viver, escreveria um novo romance por dia.

7.11.19

Beijar tua clavícula

Nesta noite vitoriosa e de amor escandaloso a própria lua pára atônita no céu e nos assiste. Num voo imaginário de pássaro surpreso, meus doces lábios de morango tocam de passagem tua boca entreaberta: duas ou três gotas de champanhe caem no teu mamilo pontiagudo, como chuva de cristal no Pico do Everest. Ajoelho-me ao teu lado, e teu corpo já não é mais apenas o teu corpo: é uma catedral...

Como em liturgia, sussurro uma breve oração poética, uma prece de amor, e teu instinto felino salta por sobre os meus propósitos. Nossas humanas emoções se instalam de repente, porque tua inocência é o maior afrodisíaco. O infinito brilho nos teus olhos me fascina — outra vez — e então concluo que viver não tem limite:

Sinto-me agora como se Deus derramasse mil flores recém-colhidas na minha cabeça.

Só me resta beijar tua clavícula, meu amor.



Tua clavícula..

6.11.19

Sou um fornecedor de coragem

CONTRABANDISTA DE TERNURAS

Tenho fogo nas veias e meu espírito é santo. Sou movido a encanto. Mas não se assuste só porque sou livre. Claro que eu mereço tua desconfiança: meu domínio é o Desejo e meu tempo é o Agora. Sou um fornecedor de coragem. Um contrabandista de inocências e ternuras... No mercado poético dos múltiplos amores, vendo flores e estrelas a um preço irrecusável. Dou-me todo e quero luz. Às vezes me reparto, outras me duplico. Entretanto, não me troco, sou inteiro. Às vezes sou pouco, sou tudo, sou nada. Outras vezes, só poesia entusiasmada. Mas sempre no fundo sou Eu. Portanto, feche os olhos e caia em meus braços, que te levarei a um porto inseguro — e delicioso — onde os Deuses te beijarão.

5.11.19

Deus sabe o que faz

Quando Deus coloca em teu caminho alguém que precisa de alguma coisa, dê. Porque Deus sabe o que faz — e é competente. Ou será que essa minha frase não tem nenhum sentido, e tudo não passa de uma obra do acaso?

Essa frase eu pensei ontem à noite, enquanto tomava uma Bohêmia num boteco de subúrbio. Ainda vou expandir um pouco mais o tema, sempre me lembrando daquela mulher em farrapos que então me pediu um churrasquinho de gato. Claro que dei. Quando saiu, ela acenou-me com a mão de Jesus e deu-me o sorriso mais lindo que alguém já me deu neste mês de novembro.

4.11.19

O Trem da Vida

Há um anjo bailarino no meio da tua alma, dançando, absoluto, e dois outros, de mãos dadas, aguardando no teu peito a sua hora — com mais de mil coreografias amorosas na cabeça. E o trem da vida não chega. Você pensa que ele não chega... Você erra em mais uma avaliação acerca do teu próprio coração. E você fica aí, parado na estação, dormindo, embolorando.

O trem da vida passa em silêncio — mas você não o ouve.

Você gasta a existência toda preparando malas. Você gasta a existência toda arrumando a bagagem, gritando com filhos e carregadores. Gritando com fantasmas e amores, pequeninos, cerceadores. E eu agora pergunto: Quando é que você vai criar coragem — e subir de vez no trem da vida? Quando vai começar tua verdadeira viagem? Quando é que você vai abraçar a Glória e saltar profundo?

Quando?

Intimidade com Deus

Você precisa ter intimidade com Deus e ser livre nas coisas do Espírito para suportar a intensidade do meu grito e a Paixão escandalosa que eu tenho pela Vida. Tem que adorar o que é proibido — e ser predestinado ao Labirinto que extrapola o que é normal. Tem que ter ainda a experiência simultânea de sete solidões maravilhosas, e os olhos abertos para ver o que está mais longe. Se não, você não vai me compreender...

3.11.19

Estratégias de Deus

Começo a supor que existem estratégias inconscientes pessoais inexplicáveis. Montadas à nossa revelia, escapam da nossa compreensão primária, imediata. São racionais, logicamente, posto que originadas no cérebro, embora delas não tenhamos consciência. Entretanto, talvez não tenham origem no cérebro, mas, sim, sejam lá colocadas pelos assessores de Deus, em mais um capítulo do Seu Grande Projeto... Preciso pensar um pouco mais sobre esse tema.

2.11.19

Vó Vitalina

Não se aproxime de pessoas raivosas, estude bastante, lave as mãos vinte vezes por dia — e mantenha os pés quentes.

Conselhos da Vó Vitalina.

1.11.19

Todos os Santos

Tenho vontade de reunir esses deliciosos loucos e loucas, esses santos e santas que eu amo e amei, essas deusas e musas que já conheci e outras que ainda vou conhecer, convidá-los a subir num barco, enorme — um navio, transatlântico — levá-los todos para uma ilha luminosa, deserta e grega, e viver com eles para o resto das nossas vidas. Em liberdade absoluta. Falando todas as línguas, amando de todas as formas livres, bebendo de todos os vinhos, rezando a todos os deuses... A vida será uma festa interminável! Viveremos dançando todas as danças, ouvindo todas as músicas, escrevendo belíssimas poesias de amor, plantando flores e colhendo estrelas, tomando sol, sorrindo e gargalhando. E transando com a própria Vida — todo dia, o dia todo.

31.10.19

Seducere

O batom desmente os lábios, o perfume esconde o cheiro, o pavão produz um arco enorme de penas coloridas que só escondem-lhe o rabo feio. Sedução vem do latim, seducĕre. Tirar do bom caminho. Encantar. Enfeitiçar. Persuadir alguém a fazer o que em princípio suponha não querer. Levar alguém a ultrapassar os seus próprios limites e a saltar seus preconceitos.

Mas é também possível que o batom apenas realce os lábios lindos, o perfume acenda o cheiro bom, e o verdadeiro rabo do pavão é quando aberto. Como se pode notar, eu gosto muito de defender uma ideia e questioná-la ao mesmo tempo. O filósofo e o poeta dançam de mãos dadas no meu próprio coração. A verdade absoluta é uma coisa absurda, indefensável.

A vida me seduz.

A intuição

Para a tomada de boas decisões a intuição só funciona com relativo sucesso nos casos em que o autor já tenha no inconsciente uma considerável massa de informações objetivas que se liguem à respectiva questão. Isto é ciência. O resto é chute.

30.10.19

Ecologia

Gastamos muito mais energia para manter um velho amor do que para conquistar um novo. Então, até por uma questão ambiental, renove-se. Respeite a ecologia do sistema.

29.10.19

Sou fluente

Mesmo quando choro — eu rio. Sou feito de águas correntes... Contorno obstáculos. Adoro fluir. E prefiro ser fluente a ser in-fluente. Sou cristalino — transparente...

27.10.19

Eu abro todas as gaiolas

Tem dias que eu tento conter este curioso coração que salta profundo de mim, e que me beija de dentro pra fora. Amantíssimo, poético, livre — e meu: eis o meu coração, meu amor: escancarado em teus braços... Porque em mim agora não existem outras estações. A primavera toda cresce dentro do meu peito, e as flores já não murcham mais. Sou um trem desgovernado em direção ao interior. Zen, vazio de tudo mas cheio de graça, com seu louco motivo e doce razão. E o apito sinuoso que se ouve daqui, respeitoso, se curva.

Também não quero que me considerem muito original: eu apenas repito o que me dizem os pássaros. Transformo em português, literalmente, os cantos que eles cantam para mim. E repito-os para que vocês possam ouvi-los de verdade em nossa língua. Às vezes, quando chove chuva e o canto deles vem molhado, limpo um pouco o seu trinado, acrescento algumas notas, pinto-as de vermelho, reescrevo a melodia. E transformo o bem-te-vi em bem-te-vejo. O beija-flor em minha estrela. O pardal em perdão, o tiziu em tesão. E abro todas as gaiolas.

Todos os dias.

26.10.19

Declarações de Amor

Eu faço certas declarações de amor tão lindas, mas tão lindas — que acabo me apaixonando mais por elas mesmas do que pelo próprio objeto do amor que por elas eu declaro.

25.10.19

Sidarta

Pressionado pelas obrigações sociais, o jovem príncipe Sidarta teve um filho, cujo nome era Rahula — que significa "amarras". Então, aos 35 anos, quando iluminou-se, Sidarta tornou-se Buda. E Buda, já então desperto, preferiu não mais ter filhos. Foi fazer outras coisas.

Essa é a minha leitura da lenda.

22.10.19

Todos os meus amores

Sempre que eu amo uma determinada pessoa ela passa a ser insubstituível para mim. Nem penso em colocar outra no lugar dela.

Eu coloco, amorosamente, cada uma delas no seu próprio e demarcado lugar, e as venero como se fossem únicas, embora na realidade não sejam.

E é exatamente por isso que eu tenho um grande coração. Meu coração é enorme. Gigantesco. Astronômico.

21.10.19

Salvar

Salvar uma determinada pessoa não significa salvá-la propriamente, mas sim ajudá-la a criar condições para que se salve por si mesma.

20.10.19

Meus mamãos


Nenhum dos meus mamãos me compreende. Primogênito, solteiro e sem filhos, amante do vinho, da dança e da música — além de poeta libertário cheio de amores — pareço-lhes um louco. Aliás, a partir do momento em que disserem que me compreendem, estarão eles assumindo, implicitamente, que se deram mal. E essa conclusão, sob todos os bons pontos de vista, é-lhes desesperadamente incômoda. Porque nossas razões ainda são mutuamente excludentes.

Com a cambaleante e honrosa exceção de um deles (cuja relação até parece razoável, ainda que sem brilho), todos os meus mamãos se deram mal no casamento. Não dá nem pra disfarçar. Logo vemos na cara dos coitados: se foderam todos no grau máximo que a expressão comporta. Eu vivia lhes dizendo, e o demonstrava com minhas atitudes cotidianas: não confundam uma transa eventual com a constituição racional de uma família. Não pensem que todo orgasmo chocho tem necessariamente que gerar uma fruta — ou uma cria. Não se fodam em nome do amor. As relações são passageiras. Tudo se transforma. Não existe amor eterno, etc. etc. etc.

Eu lhes dizia — mas eles fizeram questão de não me ouvir...

19.10.19

Vida

Hoje to com vontade de comer o doce de figo que minha Mãe fazia — com amor e açúcar cristal. O figo era colhido no quintal da nossa casa, num pé, enorme, que ficava perto da mangueira... Claro que o pé de figo já morreu, mas minha Mãe ainda está lá, com toda sua deslumbrante ciência e cuidadosa paixão pelas coisas da vida. (Semana que vem vou lá, deitar no colo dela...)

17.10.19

Verdadeira Sanidade

E se a verdadeira sanidade for exatamente essa Loucura toda que eu penso estar perdendo agora?

16.10.19

As parábolas de Jesus

As parábolas de Jesus.

Jesus falava sempre através de parábolas — que em grego quer dizer "desvio do caminho". Ele falava dessa forma por uma razão muito simples: era para não salvar todo mundo — mas só aqueles que tivessem sensibilidade suficiente para compreendê-las.

As parábolas de Jesus são ícones. Ícones são signos produtores de informação. Mas o importante é que Jesus, o Filho de Deus, ouvia vozes — e as seguia. Ele arriscava.

Um gênio sempre arrisca!

Os Espíritos da Vida falam para todos — mas só o gênio consegue ouvi-los. Só os gênios e os loucos são capazes de lhes entender os códigos e traduzir-lhes as metáforas. E Jesus, o Louco, ousava — isso é inquestionável. Se Jesus seguisse só os conselhos dos mais velhos; se seguisse só o que a tradição Lhe mandava, teria sido apenas mais um marceneiro endividado na pobre e devastada Galileia.

Um Deus sempre arrisca!

15.10.19

Dia do Professor

O Professor

A tabuada não basta. Como não bastam funções hiperbólicas, variáveis complexas, orações subordinadas. Não bastam Euclides e sua geometria, não bastam as teorias. O professor deve ensinar ao aluno a arte de viver com dignidade, com amor, com liberdade.

Não basta falar das guerras, das batalhas, das conquistas — tem que ensinar o aluno a conquistar-se primeiro a si próprio. Ensinar-lhe medir distâncias é pouco — necessário vencê-las. Não basta saber o nome dos rios, temos que fluir. Equações algébricas não resolvem tudo, antes é preciso resolver-se. Em vez das mentiras históricas, o professor deve ensinar as verdades, e o melhor modo de encontrá-las.

Não basta falar de política, o professor tem que ser democrata. Deve olhar nos olhos do aluno e dizer-lhe como a vida é. Aumentar-lhe a coragem de crescer. Ensinar-lhe a lógica das emoções e o amor pelo raciocínio. O professor transmite sabedoria, incentiva o bom senso e o bom gosto. Mergulha fundo no oceano de dúvidas que o aluno tem no coração, e traz o tesouro pulsante lá submerso. Educa, orienta, aviva a chama na consciência de cada. Ao polir a pedra bruta consegue intenso brilhante. Bom professor é aquele que não exige, não cobra — obtém. Não corrige — mostra o porquê. Não hesita quando avalia, não constrange quando examina. E nunca faz da nota uma espada.

O bom professor não só ensina, compreende. Não levanta a voz, amplifica o verbo, convence. É sério — mas ri da própria seriedade. Fala do êxtase, da alegria e da profunda emoção que explode no seu peito quando ensina, como pétalas no riso de quem ama.

O professor mostra ao aluno a diferença entre o silogismo e a serpente. Ensina-o a extrair raiz quadrada com poesia. Demonstra como ser ousado sem ser burro. Jamais abusa da confiança do aluno, não lhe invade o espaço, não procura condicioná-lo. Não cria relações de dependência, nem exerce dominação sádica sobre ele. Infunde-lhe o respeito absoluto pela vida. Prefere o aluno criativo ao bem-comportado. Nunca o explora, é só o conquistador de um novo mundo, que leva o aluno a ver mais — mais alto e mais longe.

Não levanta paredes em torno do aluno, e sim derruba aquelas que houver. Abre-lhe as portas da vida, com veemência. Não o repreende, não o censura, não o recrimina. Mostra ao aluno a importância da inteligência na determinação do seu futuro. O velho dilema entre a caneta e a vassoura...

Como Sócrates, o bom professor não vê glórias no que sabe, não esconde o que conhece, nem oculta o que possa não saber. Brinca, tem confiança em si, e não faz da escola uma cela.

Moderno, convence o aluno a saltar os muros da tradição, porque a aventura está sempre do outro lado. Lógico, respeita aquele que aprendeu a questionar. Não o sufoca com preconceitos nem com juízos de valor. Nem lhe causa medo algum. Transmite confiança, pega na mão, aplaude, incentiva, suporta, conduz, ampara na travessia. Não é hipócrita, faz o que diz e diz o que pensa. É um farol que não vela o que descobre. Mostra um caminho. E não apenas mostra — demonstra, comprova, define.

Aranha em teia de luz, o professor não prende — liberta. Carrega o giz como fosse uma flor, com amor. E quando faz a linha tem firmeza, mas não separa. Ora Dali, ora Picasso, vai colocando a tinta, pondo seu traço, amando seu gesto, compondo a canção. Enaltece o risco do sonho, o círculo do fogo, a pureza da alma, o princípio da vida, o anel da esperança.

Considera o aluno obra de arte quase inacabada. Ama-o como se fosse um anjo. E nunca vai matar-lhe no peito a vontade de ser livre.

O professor é o amigo sincero que ajuda o aluno a superar os limites da vida, desbravando com determinação e ousadia essa fantástica região chamada Experiência.

Enfim — o professor é o Mestre.


www.EdsonMarques.com

14.10.19

Optei por ser Feliz

Eu optei por ser feliz aos doze anos de idade. Já lia muito, inclusive Neruda e Karl Marx, mas não foram (só) o marxismo e a poesia que iluminaram meus caminhos. Eu olhei para os lados, e vi a vida sem graça que as pessoas do meu meio viviam. Aquilo me chocava. Eram pessoas infelizes, que só reproduziam relações antigas, e só seguiam as regras. Acomodadas e passionais. Então, analisei as circunstâncias, vislumbrei um futuro — e tomei a decisão. Conscientemente. Elaborei um Plano de Salvação. E o segui à risca. Com muita disciplina e ternura, com muito amor e alegria, com muita leitura, estudos profundos, com incansável determinação.

Deu certo.

13.10.19

Jesus, Mestre Zen

Quando uma pessoa normal fala em morte, ela está se referindo à morte biológica. Quando um mestre zen fala em morte, ele está se referindo à morte metafórica. Jesus não era uma pessoa normal. Jesus pregava a morte metafórica. Quando ele dizia que a felicidade só existe depois da morte, ele propunha que abandonássemos esta vida. Que a trocássemos por outra, melhor.

Mas os idiotas pensam que Jesus era um imbecil, e que estava pregando que a felicidade só virá DEPOIS da morte biológica. Nada disso! O que Jesus pregava — em verdade, em verdade — era a morte do apego, da inveja, do ciúme, do ódio e da cobiça. Olhai os lírios do campo e os pássaros do céu — dizia Ele. Mas os idiotas jamais olham para o céu. E acham que as asas foram feitas para guardar dinheiro e proteger as posses...

Os idiotas jamais entrarão no Reino de Deus.

Luiz iluminado

Hoje eu quero homenagear meu Pai. O nome dele era Luizito, e já escrevi algumas coisas sobre ele. Porém, o que ainda não disse (mas considero importante) é que ele era um aventureiro. Por exemplo: aos 29 anos de idade, ele já era dono de um pequeno armazém de grande sucesso, tinha uma casa própria com quatro quartos num terreno de 1.200 m2 na rua principal da cidade. Tudo na mais perfeita ordem. Então, inspirado por um Deus cuja voz só ele ouvia, largou tudo, fechou o armazém e a casa, e foi morar num ranchinho de sapé numa fazenda perdida, perto de Sengés, no Paraná. "Uma loucura" — diziam todos, sem compreender o que realmente se passava na cabeça dele. Acontece que eu, hoje, depois de conhecer Jesus, Osho e Nietzsche, compreendo esse gesto zen, esse maravilhoso gesto zen do meu Pai.

E, num caminhão azul de mudanças, um fenemê do Capilé, lá se foi ele, com a esperança, a esposa e os filhos — menos eu, que entraria na escola dois ou três meses depois. Não me senti abandonado; ao contrário: escolhido. Segundo ele, eu precisava estudar.

E eu estudei. E estudo até hoje.

12.10.19

Suprema Felicidade

Estou vivendo um dos períodos mais mais intensos, deliciosos e criativos de toda a minha vida. Certamente, o mais gratificante, o mais completo, o mais perfeito. Estou inundado de carinho, gratidão e gostosura. Brilhando em tudo que faço. Tudo que eu toco vira música. Sou até tentado a supor que atingi a felicidade total. A Felicidade Suprema.

11.10.19

José do Egito

Hoje eu sonhei com José do Egito. Veio pedir-me ajuda para interpretar um sonho que ele havia tido anteontem. Era sobre umas carruagens perdidas, e o melhor caminho para encontrá-las... Foi um prazer ajudá-lo. Depois eu conto aqui alguns detalhes.

Lux no tunel

10.10.19

Inundado de carinho e gratidão

Sem fome, sem sono, sem culpa, sem dor. Sem pressa, sem apego, sem pressões. Sem esperas, sem cobranças, sem promessas. Sem medo e sem controle, sem ódio e sem juízo. Sem maldade — e sensível. Sentindo-me eterno no transitório. Buscando equilíbrio no instável, no incerto. Amado com delícia e liberdade, e amando com grandeza e ousadia. Passageiro numa viagem sem destino, percorrendo caminhos ainda não trilhados. Cada vez mais fascinado e encantado com os novos horizontes que se abrem. Adorando as surpresas no momento em que acontecem, e vivendo a primavera em qualquer das estações. Quebrando as barreiras, de modo irreversível. Ultrapassando limites... Encontrando a essência de cada coisa nela mesma. Compreendendo as razões também daqueles que não conseguem me compreender. Vivendo o mais profundo, o mais criativo, o mais sensual, o mais inocente e o mais sagrado período da minha vida. Sugando a doçura de todas as coisas... Vivendo as maiores e melhores paixões da minha vida, e vibrando com tudo que me toca. Sentindo-me a cada momento como se Deus me cobrisse de glórias, de flores e estrelas. Dançando nas minhas próprias e nas tuas emoções. Inundado de carinho e gratidão. Com a cabeça nas nuvens — e o coração no infinito.

Portanto, o que mais posso eu querer da vida, além de amores livres e brilhantes, crepúsculos cor de abóbora na praia que eu prefiro, óleo de amêndoas doces, um buquê de rosas brancas e vermelhas, duas ou três taças de vinho transbordantes, muita liberdade, alegria, saúde, poesia, gostosura — e tempo livre para viver tudo isso? O que mais posso eu querer da vida?!

9.10.19

Um diálogo

— Você é contra a paixão? — ela me pergunta.
— De forma alguma! Eu sou um amante extremamente apaixonado...
— Não parece.
— Ora, eu vivo apaixonado, e você sabe disso muito bem.
— Apaixonado por mil ao mesmo tempo...
— Paixão que se limita a um é pouca.
— Por que você não fica só comigo?
— Porque as circunstâncias não permitem.
— Afaste as circunstâncias — ela me propõe um absurdo.
— Irei com elas, se se forem — eu retruco.
— Mas eu quero você só pra mim... — ela insiste.
Estendo-lhe então as minhas mãos amorosíssimas, e resolvo brincar com essa menina:
— Meu amor: o meu amor é, e sempre será, "inclusivo". Desta forma, sou teu: inclusivamente. Porque exclusivamente — só meu. Mas, qualquer dia desses, vou reservar todas as coisas da minha casa só pra você: todas as cadeiras estarão com teu nome, todos os discos, livros, camas, luzes, banheiros, toalhas, todos os espaços estarão reservados pra você. Eu inteirinho estarei reservado só pra você. Mas não se acostume: é apenas por um dia. Depois, tudo volta àquela antiga e gostosa anormalidade: se você chegar depois das oito, vai pegar fila...
— Você sempre foi assim?
— Assim, como?
— Assim, meio louco...
— Não sou meio louco, nem meio nada. Sou sempre inteiro.
— Nunca teve ciúmes?
— Sim, quando eu era ridículo.
— Ah, então você já foi ridículo?!
— Claro. Todos nós temos nossos momentos de horror.
— Quando foi isso? — ela me pergunta, falsamente interessada.
— Faz algum tempo. Sílvia era o nome dela. Eu tinha vinte e dois anos. Íamos nos casar: de véu, grinalda, flor de laranjeira — e trabuco. Eu era então ciumento, mas um ciumento civilizado. Jamais externei meu ciúme. O ciúme contido é aceitável nas almas pequenas. Só quando se manifesta é que o ciúme se torna ridículo: por que mostrar nossas doenças em público?
— Você acha que o ciúme é uma doença?
— Das mais graves.
— Num livro teu você diz que o ciúme dá câncer...
— Na verdade eu escrevi que o ciúme é um câncer.
— Você falou em almas pequenas. E as grandes almas, como ficam quando sentem ciúmes?
— Grandes almas não sentem ciúmes. Já cresceram.
— Mas um pouco de ciúme não é bom?
— Bom pra quem? — eu acabo perguntando, irônico.
— Para quem ama...
— Um pouquinho de câncer poderá fazer bem a quem? Talvez ao oncologista que o estiver tratando. Assim, um pouco de ciúme: fará bem ao psicoterapeuta que eventualmente poderá vir a tratar do infeliz.
— Você acha que o ciúme deve ser tratado?
— Como qualquer outra doença.
— Você é radical, Edson.
— Ser radical é tomar a coisa pela raiz. Outra forma será tomá-la pela rama: opção entre ser supérfluo e ser profundo.
— O que você sugere para o ciumento?
— Terapia.
— Todo ciumento deve se submeter a algum tipo de terapia?
— Não: só aquele que tem cura.
— Cura?! — ela parece estranhar o termo.
— Só aquele que pode se amar em primeiro lugar, e que pode vir ainda a centrar-se em si mesmo, algum dia. Ou seja: o não-esquizofrênico. Aquele que ainda não perdeu a capacidade de respeitar a liberdade do outro.
— Todo ciumento é burro?
— Um quadrúpede, uma verdadeira cavalgadura, que relincha — e pasta.
— Mas quem tem ciúme acha isso muito natural... Até saudável.
— Nenhum neurótico se considera neurótico.
— O ciúme é uma neurose?
— Sim, claro...
(...)
Essa conversa continuou assim por umas duas ou três horas. Depois eu conto como foi o final.

8.10.19

Aurélio

Aurélio, 89.

Ele é dono de um botequinho na altura do 500 de uma rua perdida da cidade onde estou hoje. Vim para uma festa, um almoço cheio de gente no qual nada comi nem bebi. Fiquei meia hora, conversei com meia dúzia, e saí andando a pé, desbravando as redondezas, sem camisa, tomando sol, ao deus-dará. Três da tarde. Vejo um balcãozinho humilde com doces de abóbora. Entrei. Nenhum cliente. Seo Aurélio almoçando sentadinho numa cadeira de plástico com o pratinho no colo. Era um prato de sobremesa com um pouquinho de baião-de-dois e uma lasquinha de carne. Sempre come pouco, justificou. E nunca toma remédio. Só usa óleo de girassol. Para tudo: temperar salada ou passar nas pernas, tanto faz. Não tem reumatismo nem stress. Assim como eu, só vai morrer depois dos 120. É uma figura. Conversamos por um tempo, trocando emoções e respeito. Merece uma história. Uma história de amor.

Texto original publicado em 24.10.2014.

7.10.19

Luta amorosa


Quando a luta é amorosa e racional — ela se torna uma dança. Amorosa.

Elo mais fraco

Toda corrente que nos prende tem suas próprias fragilidades. Uma delas reside no seu elo mais fraco. Temos só que descobri-lo, racionalmente. E então comprar um bom martelo... E chamar o Nietzsche.

6.10.19

Minhas ideias 441 e 860

Na madrugada enluarante de 09 de janeiro de 2015, em São Paulo, eu estava refinando minha ideia 441, que eu tive naquele mesmo dia. Câmera mobile de monitoramento, com gravação automática em DVR e acesso imediato por smartphone e depois por internet. Eu então precisava de um engenheiro (ou arquiteto / empresário) que criasse e produzisse o dispositivo do suporte. Também dois programadores para o aplicativo. Felizmente, apareceram agora.

Outros visionários que acreditem, contatar www.EdsonMarques.com




Só para registro, hoje, 06.10.2019, em Itararé SP, eu tive a minha ideia 860. Paranow. Uma empresa de pesquisa que vai começar a funcionar no Paraná ainda este ano.



Também apenas como registro de interesse pessoal meu, nos últimos 57 meses (1.710 dias) eu tive 419 ideias novas (860 - 441). Algumas viraram empresas, outras continuam em processo de gestação, e outras jamais sairão do papel. Algumas já são (ou serão) um sucesso absoluto, e outras já são (ou talvez venham a ser) um fracasso retumbante. Para mim, tanto faz. O mais importante é que eu as tenho.

5.10.19

Não penso que te possuo

Não penso que te possuo — nem quero te pertencer. Não importa se isso dure, nem é preciso que se acabe. Não sei se será sempre tão bom assim, e nem busco certezas eternas. Mas, como as delícias do agora me encantam — e bastam — até posso dizer que já estou começando a te amar. Por isso eu me entrego como um ponto de luz nos teus olhos de mar e um toque sutil na tua pele de Amor. Pois eu só te quero como um risco delicado, um perigo iminente, transitória gostosura — nada mais.

Eu não te quero compromisso: eu te quero dança.

Te quero paixão e alegria. Sem excesso de presença e sem sufoco da esperança. Desse modo, nem meu mundo termina aqui, nem você será prisioneira de mim. Afinal, somos livres um do outro — para sempre.

4.10.19

Paloma Blanca

Me lembrando do México em 1989...



Una canción me recuerda aquel ayer
Cuando se marchó en silencio un atardecer
Se fue con su canto triste a otro lugar
Dejó como compañera mi soledad
Una paloma blanca me canta al alba
Viejas melancolías, cosas del alma
Llegan con el silencio de la mañana
Y cuando salgo a verla vuela a su casa
¿Dónde va? Que mi voz
Ya no quiere escuchar
¿Dónde va? Que mi vida se apaga
Si junto a mi no está
Si quisiera volver
Yo la iría a esperar
Cada día, cada madrugada
Para quererla más

Se fue con su canto triste a otro lugar
Dejó como compañera mi soledad
Una paloma blanca me canta al alba
Viejas melancolías,…

3.10.19

Flores Amores e Tempo Livre


Ah! Então, vocês imaginavam que eu fosse ficar trabalhando pro resto da vida? Nem morto! Eu agora só quero vinho, flores, música e amores... E um pratinho de Ambrosia, todo dia.

1.10.19

Feliz Aniversário

O presente de Aniversário que eu quero te dar
não pode ser comprado:
Não tem nas lojas, nos mercados, nas feirinhas, nos balcões.
Não é feito de plástico, não é eletrônico, nem precisa de manual.
O presente de aniversário que eu quero te dar
já está dentro do teu próprio coração.

Basta que você agora o desperte para a vida:
É o amor pela liberdade absoluta.
É a admiração extrema pela Arte de Viver.
A defesa inabalável da ideia de justiça, de verdade e de prazer.
A coragem de sonhar transformações.
A busca cotidiana por tudo que é sublime,
e o doce desejo de sugar o açúcar de todas as coisas.
— Seja Feliz!

Quando me apaixono

Quando me apaixono assim, tão profundamente, eu nunca penso: Tomara que essa paixão dure três ou quatro meses... Não! Eu não quero aprisionar o que nasceu para ser livre, eu não quero cimentar o que precisa se mover. Por isso, quando me apaixono assim, tão profundamente, eu sempre digo: Tomara que nos próximos três meses eu encontre mais noventa e duas paixões iguais a esta!

Joyce Ann

Fi-la crescer tão pequenina como se a fizesse toda. Depois, aos poucos, fui tatuando o corpoema dela no meu próprio, e com minha língua portuguesa entusiasmada e meu amor amante saltei profundo no peitinho dela. Dei-lhe um nome que era mais do que um nome: era um título: Joyce Ann. E se agora já não posso mais amá-la como um dia amei, nem sequer escrevê-la em outra língua e de outra forma em mim, leio-a com os mesmos meus queridos e brilhantes inocentes olhos puros. E fico até hoje lambendo aqueles meus textos como se fossem doces e poéticas feridas abertas...

29.9.19

Dançar conforme a música

Um dia me disseram que eu tinha que dançar conforme a música. Uma determinada música. Senti-me então ameaçado, pois a tal música não era a minha preferida. Pareceu-me que o chão fugiu-me aos pés. Por isso tomei providências radicais imediatas: entrei numa boa escola de dança, e aprendi a ler partituras. Usei a clave do Sol para abrir as duas portas do céu. Transformei em violino as palmas da minha mão. Envolvi-me com musas, semifusas, bailarinas e colcheias...

Comecei tocando os instrumentos de corda, os de sopro e percussão. E então me aprimorei, com determinação. Tornei-me um compositor criativo, um empresário maluco, um maestro zen. E hoje sou o líder da própria banda.

Portanto, eu agora só danço conforme a música. A música que eu escolho.


28.9.19

A vida é um jogo

Na vida sou artilheiro, mas não tenho pretensões de sempre marcar gol. Marco muitos, é claro, mas eu gosto mesmo é de ficar chutando as coisas por aqui, amorosamente. Às vezes a bola bate na trave, outras vezes vai lá na bandeira de escanteio...

É a vida.

27.9.19

Gesto de Amor

Quando você
entrou em meu coração
e respeitou todas as flores
que lá existiam,
e conviveu com elas
por uns tempos
— isto foi um gesto de amor.

Mas agora,
agora que você
invade o meu peito apaixonado,
pisa nos canteiros,
maltrata minhas flores
e tenta arrancar algumas delas
pelas raízes
— isto não pode ser amor:
isto é violência...

Isto é violência!


Esse texto foi originalmente escrito para Dora, a linda e delicada morena por quem me apaixonei no estúdio, enquanto ainda fazia suas trezentas e sessenta fotos. Tivesse durado só três ou quatro meses, a nossa teria sido a mais bela história de amor. Mas, eu e Dora, inexperientes e afoitos, cometemos o erro primário de ficar além do Pico... Para Dora, depois de um certo tempo, já não lhe bastavam mais os meus olhares: ela queria ser a dona exclusiva dos meus olhos. Sei que era um desejo inocente de ter-me só para ela. Mas os olhos de um poeta, você sabe, não podem ser alienados. E a coisa então resultou numa situação intransponível... E nós, por ainda vivermos uma vida deliciosa e fascinante, realmente demoramos muito para reagir. Dora, no começo, era de uma leveza insuperável, mas depois se tornou, e não por culpa dela, uma espécie de âncora amarrada ao barco da minha vida. Só depois que reagimos, só depois que saltamos inteiros nos braços abertos da liberdade absoluta, só depois que passamos a nos amar de verdade, é que percebemos que essa reação poderia ter se dado antes. Muito antes. E essa é a única falha que eu acho que tivemos, eu e Dora. Por dois anos ainda tentamos manter a estrutura gloriosa da relação. Mas foram dois anos de relação às vezes desesperada. Dois anos de tempos trêmulos. Para mim — que lutei demais em defesa da liberdade; e para ela — que não conseguiu seu intento louvável de amar-me para sempre.
E agora eu fico pensando…

26.9.19

Algumas frases

‎211. Aceitar o inevitável é uma sábia decisão.
212. O auge de uma paixão está sempre no começo dela.
213. Não espere a graça do cisne no pescoço de um pato.
214. Em vez de salvar a relação, eu prefiro salvar o meu Amor.
215. Só tem uma coisa pior do que morrer: é viver pouco.
216. Sempre danço conforme a música. Mas, antes, escrevo a partitura.
217. Toda emoção é produto de um raciocínio.
218. Quem jura amor eterno deveria ser processado por estelionato emocional.
219. Toda musa já traz uma víbora dentro de si. É só uma questão de tempo.
220. Dispenso a compreensão daqueles que não conseguem me compreender.
221. Se, numa relação de amor, a verdade entristece — minta com alegria.
222. Prazer não sentido é prazer perdido. Irrecuperavelmente perdido.
223. Se o amor não pode ser livre, não deve ser nada.
224. Ceder uma vez só é muito mais difícil do que ceder nunca.
225. É um desperdício imperdoável ter um grande coração, e deixar nele um único amor.
226. A capacidade de questionar as próprias convicções é um atributo dos seres mais elevados.
227. Eu não vejo o cotidiano: eu vejo a eternidade.
228. A melhor realidade é aquela que nasce de um sonho.

25.9.19

Minha Filosofia

Eu não quero levar as pessoas à Filosofia, mas sim trazer a filosofia às pessoas. Eu sou só um hierofante pequenino, um abridor de gaiolas, um menino magrinho de seis anos que brinca com Jesus lá no fundo do quintal da minha Vó. Eu não quero nada complicado.

Eu não quero que o ciumento seja livre, eu não quero que o crente vire ateu, eu não quero que o gordinho emagreça, eu não quero que o depressivo abandone as suas drogas, eu não quero que o pinguço se endireite, eu não quero que o safado vire um santo...

Eu não quero converter absolutamente ninguém a coisa alguma.

Eu só quero que eles pensem.

E também quero lhes dar um buquê, um amoroso buquê de flores e estrelas — todos os dias...