23.9.18

Viva a Primavera!

A escrita é o código do Verbo. A roda do vinho faz tudo girar. Depois de dois ou três copos minha voz Vitalina, e realiza sinapses verbais. Ideias escorrem pelas pontas dos meus dedos falantes. Eu começo a desenhar flores e planos nos guardanapos do boteco divino, enquanto as delícias dançam no meu próprio coração. Meu peito entusiasmado, pleno de espírito, quase explode de alegria. Trilhões de átomos já estão se reunindo, sonho a dentro e mundo afora, desde hoje, para que eu os encontre em forma de estrelas e corpos em dezembro do ano que veio. E é por isso que eu escrevo declarações de amor a Deus nesta noite açucarada. A roda da vida faz tudo girar. O álcool deve ser redondo, e o Universo — também.

22.9.18

20.9.18

Barco à deriva

Adoro viajar neste maravilhoso barco à deriva que virou minha vida. Sem bússola e sem mapas. Mas também sem medo e sem pressa — e isso faz toda a diferença. Para escrever meu destino, aprendi a ler os sinais que vêm do céu e os sinais que vêm das ondas. Quase sempre eu me guio pela experiência divina, pela Lógica, pelo vento, e pela Lei das Probabilidades. E se até hoje não me afundei, nunca mais me afundarei.

19.9.18

Fôlego

DO QUE EU PRECISO

Houve um tempo em que eu precisava de uma casa enorme para guardar tudo aquilo que eu supunha indispensável. Depois, as coisas que me pareciam muito importantes cabiam numa sala pequena. Mais tarde, essas coisas "extremamente importantes" passaram a caber num armário de tamanho médio no quarto do fundo. Bem depois, coloquei tudo aquilo que ainda considerava "muito importante" no porta-malas de um conversível preto — e saí pelo mundo. Andei, rodei, tomei sol e chuva, ar e vento, tomei vinho consagrado, brisas e tormentas, tomei fôlego, amei com a liberdade mais absoluta — e fui me despojando ainda mais. Tanto, que hoje, cheio de amor e pleno de mim, vejo que todas as coisas verdadeiramente importantes cabem dentro de uma calça jeans e de uma camiseta branca de algodão gostoso que agora me descobrem.

18.9.18

O sorriso do meu cérebro

Acontece que meu cérebro às vezes ri das escolhas que meus olhos fazem. Mas ambos logo se pacificam e eu prossigo cavalgando propósitos — de ponta-cabeça — como se a Vida fosse uma potranquinha, puro-sangue, indomável, cor de vinho. Faço analogias em silêncio, invento coisas que ainda vão existir, crio conceitos, e me questiono sobre tudo e todas as coisas. Depois, destruo as minhas convicções como se estivesse destruindo as tuas.

16.9.18

Ego

Eu não queria que meu ego fosse só do tamanho de uma ervilha. Por isso fiz tudo para que ele crescesse, viçoso e saudável. Hoje ele é do tamanho de uma melancia, das grandes... E faço questão de carregá-lo pendurado no pescoço — pelo avesso. Doce, livre, coloridíssimo..

15.9.18

Boa Pergunta

Para que possam merecer boas respostas, as perguntas devem ser bem formuladas.

14.9.18

Salmão ao molho de Alegria

Preparar o Espírito para um Ato de Amor.

Lembrar-se de que esta é tua única Vida — e sorrir para todas as coisas belas e boas que agora te envolvem. Fazer silêncio absoluto, porque Deus em Pessoa acaba de chegar à tua casa. A cozinha vira um Templo. O fogão e a pia — são os altares. E teu peito será o púlpito.

Você vai fazer um... Salmão poético ao molho de Alegria.

Preparar uma panela de vidro, delicadamente, forrando-a com rodelas de tomates vermelhos.

Deitar em cima do tomate as postas de salmão, arrumando-as com cuidado.

Derramar o conteúdo de uns dois ou três vidros de molho de tomate à Pescatora (ou algo semelhante) por sobre o peixe. Acrescentar mais temperos e sal a seu gosto, pimentões verdes e vermelhos — e mais tomates e cebolas em fatias, desde que o salmão fique totalmente imerso neste molho escandaloso e colorido. Meio copo de vinho branco seria bom, uma colher de azeite, dois ou três dentes de alho e quatro ramos de salsinha.

Se preciso, acrescentar um pouquinho de água quente — e abençoada.

Deixar em descanso por um tempo, marinando
— de preferência ao som de Beethoven, Vangelis, Paganini, Jon Bon Jovi,
Tonico e Tinoco, ou qualquer outro que te agrade.

Levar ao fogo brando. Não mexer. Deixar que ferva por cerca de quinze minutos.

Enquanto isso, preparar o arroz. Temperos e sal a seu gosto. Arrisque. Meia colher de açafrão em pó, se quiser. Mexer um pouco, com delicadeza e muito tato. Seguir as instruções de sua mãe, ou o feeling do mestre da cozinha. Fazer arroz é muito fácil...

Enquanto o fogo do fogão faz a parte dele, leia uma poesia de amor. Ou escreva uma.

Depois de cozido, colocar o arroz numa travessa bonita e enfeitá-lo com ternura, com seu toque pessoal, inconfundível.

Servir o salmão na própria panela em que foi cozido. Usar colher de pau.

Abrir um vinho branco — com amor — suspirar fundo, agradecer aos deuses, encher o peito de alegria e preparar-se para o Ato. Se for noite, acender as velas no candelabro — ou uma só no castiçal.

Que você não tenha pressa alguma e nem mesmo lembranças te perturbem.

Que a música seja leve e que o ambiente se transforme em catedral.

Então, comer delicadamente, como se estivesse rezando — e falando apenas com os olhos. E com Deus.

E com os teus Amores, é claro!



(*) A panela não precisa ser de vidro. E, se não tiver salmão, pode ser qualquer outro peixe que você preferir, cortado em postas. Ainda estou aprimorando esta receita. Se você tiver alguma sugestão, avise-me.



E aqui tem uma outra receita para um outro jantar: http://bit.ly/infinitojantar
Em princípio, só para mulheres.

12.9.18

Não estou à venda

Eu sempre me afasto dos nervosos. Procuro ter a delicadeza de nunca ligar-me a pessoas grosseiras, falsas, insensíveis. Fujo dos enfurecidos. Desvio-me dos ciumentos radicais. Detesto autoritários. Quero distância absoluta de estressados e neuróticos. Não concedo aos ditadores sequer minha presença temporária, nem permito aos brutos que suponham ser possível invadir os meus momentos de amor — que são todos.

Jamais negocio a minha própria Liberdade.

Até porque, se eu não for delicado comigo mesmo, se eu não for responsável por mim, se eu não respeitar profundamente os meus desejos — estarei compactuando com quem não gosta de mim.

11.9.18

Xtratego Ferment


Estratégias de Crescimento. Comercial, espiritual, emocional, intelectual.

9.9.18

eu tiro as cascas das relações

Ninguém deveria se espantar tanto com essas coisas que eu digo. Eu apenas reproduzo o que suponho natural. Eu tiro as cascas que me parecem horrorosas dessas relações fechadas que vejo por aí — e mostro-as abertas. Exatamente o que todos deveriam fazer...

7.9.18

Independência

Viva a Independência.
A dos países e a das pessoas.
A independência política, a financeira, e a emocional.
A do Corpo e a do Espírito.
A dos amigos — e a dos amores.

Só é livre quem for independente.

PORTANTO, INDEPENDÊNCIA — OU MORTE!

5.9.18

dance

Um dia me disseram que eu tinha que dançar conforme a música. Senti-me ameaçado, pois a música não era a que eu gostava. Pareceu-me que o chão fugiu-me aos pés. Por isso tomei providências radicais imediatas: entrei numa boa escola de dança, e aprendi a ler partituras. Usei a clave do Sol para abrir as duas portas do céu. Transformei em violino as palmas da minha mão. Envolvi-me com musas, semifusas, bailarinas e colcheias...

Comecei tocando os instrumentos de corda, os de sopro e percussão. E então me aprimorei, com determinação. Tornei-me um compositor criativo, um empresário maluco, um maestro zen. E hoje sou o líder da própria banda.

Portanto, eu agora só danço conforme a música. A música que eu escolho.


4.9.18

sem pressa e sem pressoes

Sem fome, sem sono, sem culpa, sem dor. Sem pressa, sem apego, sem pressões. Sem esperas, sem cobranças, sem promessas. Sem medo e sem controle, sem ódio e sem juízo. Sem maldade — e sensível. Sentindo-me eterno no transitório. Buscando equilíbrio no instável, no incerto. Amado com delícia e liberdade, e amando com grandeza e ousadia. Passageiro numa viagem sem destino, percorrendo caminhos ainda não trilhados. Cada vez mais fascinado e encantado com os novos horizontes que se abrem. Adorando as surpresas no momento em que acontecem, e vivendo a primavera em qualquer das estações. Quebrando as barreiras, de modo irreversível. Ultrapassando limites... Encontrando a essência de cada coisa nela mesma. Compreendendo as razões também daqueles que não conseguem me compreender. Vivendo o mais profundo, o mais criativo, o mais sensual, o mais inocente e o mais sagrado período da minha vida. Sugando a doçura de todas as coisas... Vivendo as maiores e melhores paixões da minha vida, e vibrando com tudo que me toca. Sentindo-me a cada momento como se Deus me cobrisse de glórias, de flores e estrelas. Dançando nas minhas próprias e nas tuas emoções. Inundado de carinho e gratidão. Com a cabeça nas nuvens — e o coração no infinito.

Portanto, o que mais posso eu querer da vida, além de amores livres e brilhantes, crepúsculos cor de abóbora na praia que eu prefiro, óleo de amêndoas doces, um buquê de rosas brancas e vermelhas, duas ou três taças de vinho transbordantes, muita liberdade, alegria, saúde, poesia, gostosura — e tempo livre para viver tudo isso? O que mais posso eu querer da vida?!

1.9.18

schrodinger


Hoje a minha homenagem a Erwin Schrödinger, o genial cientista que contribuiu para a física quântica, e escreveu o belíssimo livro O que é a Vida?, em 1944. Onde ele, entre outras coisas, diz que
"a singular engrenagem (o cromossomo) não é de grosseira manufatura humana, mas a mais requintada obra-prima já conseguida pelas leis da mecânica quântica do Senhor." (página 95). Ou seja, o exemplo mais fascinante do projeto do arquiteto e da perícia do construtor numa coisa só. Acho que ainda vou adotá-lo como patrono espiritual da minha visão profundamente materialista da Vida.

30.8.18

meus dias

Eu sonho tão alto que o próprio barulho me acorda.

Já me acordo com Deus perto.

E me desperto dançando e perguntando se há no mundo melhor coisa que ser feliz e ser saudável. Vejo estrelas no meu teto, repito a oração como se reza, e me espreguiço felino, suave, amoroso, sorrindo — e gostoso!

Mas me levanto só depois que gargalho. Se por acaso não acho motivos pra gargalhar, também não os acharei pra levantar...

Enquanto isso, faço contas complicadas de cabeça, abraço a Vênus de Milo que eu tenho no peito, calculo logaritmos a olho, traduzo algumas frases do latim, reconstruo mentalmente um ranchinho de sapé, imagino cúpulas geodésicas no quintal da minha Mãe, visualizo meus próximos prazeres — tudo sem destino e sem pudor.

Acordo já fazendo ginástica com meu cérebro, pois não quero teias de aranha nos meus neurônios. Quero distância do AD, e desconheço a depressão. Porque sinapses, só as brilhantes me excitam. Então, potencializo-as, a cada instante, com lógica e amor.

Acordo e me levanto, deslumbrado e respirando, já cheio de luz — iluminado, portanto, de novo — e de mim.

Meus dias começam sempre assim..

29.8.18

mudo

Se você não vier me ler agora, quase nada mais aqui fará sentido. Porque são teus dedos e toques e clicks que me acordam duplamente a todo instante.

Há uma doce cumplicidade entre a tua e a minha gostosura.

Essa voz que canta e dança em minha língua portuguesa é tua, assim como tua é a boca vermelha que escancara os meus gritos de amor e liberdade.

Teus olhos diamante é que transformam os meus textos em sagradas escrituras. Teus lábios nacarados conjugam o Verbo Coração no céu da minha boca.

Sem você, eu fico mudo.

26.8.18

capela da Mae

Capela de Nossa Senhora de Iracy

Esboço da Capela que vou construir no jardim da minha Mãe. Lembrem-se de Arquimedes, quando disse: "Deem-me uma alavanca e um ponto de apoio e eu levantarei o mundo". Só agora eu vejo que tem relação com isso. Essa obra terá um único ponto de apoio. Eu a tinha feito apenas com dois traços: o V e o círculo. Depois, acrescentei (em traços um pouco mais finos) a "Cruz" estilizada, que em verdade é o ideograma em mandarim 上 (shàng), que significa "pra cima, alto, superior, excelente". E que compõe 上帝 (shàng dì), que significa Deus. O altar ficará no círculo (que na execução será uma esfera). Ainda estou extasiado com a beleza dessa ideia. Ela me surgiu de repente, assim que me acordei, anteontem. Acho que foi o espírito do Niemeyer que SUBIU até Mim. Do Niemeyer e daquele Outro Arquiteto, que, dizem, desenhou este Universo...


22.8.18

utopias

Utopias podem ser úteis à nossa sobrevivência. Quando você estiver quase desistindo, quase morto de cansaço, desanimado, uma miragem maravilhosa — embora falsa — pode te dar a força necessária para caminhar um pouco mais, e talvez encontrar, no meio desse novo caminho, uma salvadora, uma deliciosa e refrescante bica d´água.

A Vida é um deserto, pleno de oásis.

Que maravilha!

20.8.18

Poema Mude


Veja aqui o Comercial da Fiat, feito pela Leo Burnett. Dois minutos.

Apaixonar-se

Apaixonar-se, mas apaixonar-se de verdade, é jogar o próprio coração no abismo — e só depois saltar atrás dele...

15.8.18

Solidão a Mil

Para que seja uma delícia — a Solidão tem que ser alimentada com Amor e Alegria.

12.8.18

Dia do Pai

Ele era o símbolo da autoridade, e eu — da rebeldia. Nenhum de nós dois gostava de repartir a liderança. Eu não nasci pra ser segundo, e ele abominava a ideia de não ser o primeiro. Então, quando fiz dezessete nos separamos: eu vim estudar filosofia, e ele continuou um ótimo comerciante. Foi só então que começamos realmente a conversar sobre a Vida. Depois, com o tempo, nos tornamos amigos. Hoje, somos amantes.

Como não tenho filhos, escrevi um breve texto sobre meu Pai — homenagem ao seu dia. Leia-o AQUI.

11.8.18

grandes inteligencias

Em seus processos de raciocínio, as grandes inteligências acabam considerando sempre duas ou mais visões de uma determinada questão — visões que podem ser diferentes, divergentes, contrastantes, complementares ou até mesmo antagônicas entre si — e então as analisam uma a uma ou todas em conjunto, de forma refinada, rigorosa e simultânea, sem preferir nenhuma delas — até que alguma conclusão racional satisfatória e logicamente defensável se apresente. Esse método geralmente conduz à verdade e ao sucesso.

Esquematicamente, podemos dizer que dessa relação entre tese e antítese nasce a síntese. Que, por sua vez, passa a ser uma nova tese. Então, viva Sócrates — em todos os sentidos!

9.8.18

aula de logica 2

Se, num hipotético desastre aéreo, você caísse num deserto com apenas um balde de gelo — nada mais — quantos dias você acha que conseguiria sobreviver?

Esta é uma das perguntas exemplares que faço em palestras a diretores e gerentes. E também a adolescentes ou estudantes da escola primária quando lhes dou uma breve aula de Lógica. Há outras. Tem uma alegoria interessante sobre papel higiênico que agrada muito ao público. Pois é, para falar de Lógica, não é preciso citar Bertrand Russell nem Aristóteles, nem falar difícil. É só despertar a curiosidade e provocar o encanto das crianças pela Palavra e pela Razão. Das crianças — e também dos adultos que ainda não perderam a vontade de aprender e questionar.

Tudo isso está no meu livro Lógica para Crianças, onde, na página 248, eu digo que, ao analisar as possíveis respostas à citada questão (queda no deserto), começo perguntando quantos litros tem um balde. Afinal, balde não é unidade de medida. Ou seja, a pergunta refere-se a balde do tamanho de um barril ou de um dedal? Se você caísse sozinho ou com mais pessoas? Outro dado importante: gelo do quê? De água ou, por exemplo, de amônia? E se for gelo de água, potável, ou não? O deserto seria de areia, como do Atacama, ou deserto de gelo, como na Antártida? Ao lado de um oásis, ou a 500 km da cidade mais próxima? Outra coisa que acaba determinando o resultado da queda: cair de que altura? Com paraquedas ou sem? E assim por diante...

8.8.18

Previsões de 1995

Texto que está na primeira edição do meu livro Solidão a Mil, 1998, página 352.

Em 1995, como analista de sistemas do Grupo Itel, fiz uma palestra sobre a viabilidade de se utilizar o mesmo atual cartão eletrônico bancário como cartão único, universal, conectado à rede que eu chamo de U-Net (sucessora da internet). Desde que melhorado e com um chip controlador poderoso, nele estariam todos os nossos dados básicos: Identidade, cadastro médico, CPFG, carteira de habilitação, registros profissionais, currículo escolar, efetivos controles de aposentadoria, histórico amoroso, saldos bancários, preferências, livros lidos, contas pagas e a pagar, pendências judiciais, viagens, agendas, senhas de acesso. Aproveitaremos a atual estrutura de informática dos três grandes bancos que restaram. Uma Digital Station (os antigos PC, MC, Notebooks) poderá ler esse cartão via rádio (e mais tarde raios gama) à distância.

Servirá também como cartão telefônico, substituindo o antigo celular. Suas coisas pessoais, sua casa e seu carro, não poderão ser acessados sem a inserção autorizada do respectivo cartão, mediante impressão digital. Por exemplo, será abolido, por desnecessário, esse costume medieval de um guarda rodoviário interromper nossa viagem para pedir documentos. Até o excesso de velocidade ficará nele registrado, sendo a respectiva multa debitada imediatamente da sua conta bancária. Tudo será online.


Isto foi em fevereiro de 1995. Um dia chegaremos onde eu então previa. Liberdata Biopersona era o nome do Projeto.

3.8.18

Tomé 64

Estava na Bíblia:

Jesus gostava muito de festas.

Certo dia pediu Ele a um discípulo que convidasse alguns de seus amigos para jantar. Ao primeiro convite, o amigo respondeu: Hoje não é possível, tenho um compromisso: minha filha vai se casar e preciso conversar com o futuro genro. O segundo amigo disse: Peça desculpas ao mestre porque hoje não posso ir. Aluguei uma casa, espero o inquilino que virá pagar-me o aluguel. O outro também disse: Desculpas ao Mestre, pois "tenho compromisso, dinheiros a receber, alguém vai me trazer um cheque do Bradesco e tenho que ir depositá-lo no caixa eletrônico." Ao quarto convite o amigo mandou dizer que estava fazendo "a contabilidade das empresas, o contador viria mais tarde", coisas assim. O quinto convidado disse que havia um programa na TV a respeito da globalização, que lhe perdoasse o Mestre, outro dia, quem sabe. O último convidado também deu uma desculpa qualquer, esfarrapada, problemas na família, nos negócios, etc.

O discípulo voltou e fez um relato das razões furadas que os amigos alegaram para que nenhum deles viesse jantar. Então Jesus disse:

— Negociantes jamais entrarão no Reino de Deus.

Nessa noite Jesus jantou sozinho. Chegou depois a chutar uma canequinha de lata que havia caído da mesa e voltou a dizer: "Seus putos!" E antes de dormir ainda fez questão de resmungar, virando-se de lado e puxando o cobertor:

— Vocês ainda não viram nada, seus putos!

(...)
Esta é a minha versão do versículo 64 do Evangelho de Tomé.

1.8.18

jogo de xadrez

Quando você arrisca num determinado projeto, seja ele comercial ou amoroso, você calcula antecipadamente a probabilidade de vitória — ou joga a esmo, simplesmente?

31.7.18

honestidade pessoal

Minha honestidade pessoal sempre me leva a nunca fazer o que eu não queira. Porque não preciso fazer aquilo que não quero. Posso até perder algumas coisas por ser assim, agir assim, pensar assim. E seguramente perco mesmo muitas coisas — mas todas não significativas para mim. Perco coisas, mas não perco liberdade. Não perco aventuras, nem amor, nem gostosura, desejos, tentações. Ou seja, posso perder algumas coisas, mas ganho na dimensão da minha personalidade, da minha alma, da minha alegria. Pois não abro concessões àqueles que possam querer me prender. Não jogo minha própria vida em troco de salário, prestígio, poder, posses, coisas, tranqueiras. Não permito que me roubem esse único presente que hoje tenho. Não aceito promessas de um futuro que nem sei se vai haver... Não assumo compromissos que me sufoquem, ou que me levem à exaustão para cumpri-los. E também não crio dependências que me prendam, em hipótese alguma. Não me casei, não tenho filhos, não tenho noivas, não tenho muitas namoradas, não faço juras de amor eterno, nem tenho planos mirabolantes que possam sugar minha existência gostosa de agora.

Faço só o que me dá prazer — e apenas pelo prazer. Sem maldade. Sem dor, sem pressa, sem cansaço, sem inveja, sem ciúmes, sem mágoas, sem esforço desumano. Sem explorar quem quer que seja. E isso não é um mero jogo de palavras: eu sou assim. Sou o dono do meu tempo.

E isto — por enquanto — me basta.

25.7.18

Mãe

QUEM NÃO AMA A SUA PRÓPRIA MÃE NÃO AMA A SUA PRÓPRIA ORIGEM.

A razão talvez seja porque, de certo modo, foi levado a perder as suas bases amorosas mais diretas. Perdeu sua mais importante referência primordial. Perdeu seu principal elemento fundador das emoções. Deslocou-se, psicologicamente. Desligou-se da Fonte. É grave. Se for o teu caso — espero que não seja — não adianta dar um maravilhoso presente de natal à sua mãe. Não adianta forjar um acordo, não adianta mentir pra Deus. Recomendo terapia. Mas nem sempre a terapia resolve, pois depende muito do estágio a que o distúrbio chegou. E quando eu falo em terapia quero dizer psicanálise. Remédios químicos só atacam os efeitos, só mascaram soluções...




Não adianta procurar sobre isso na internet ou nos livros de psicologia: é uma teoria arriscada, ousada, mas exclusivamente minha. Só tem no livro Manual da Separação. Esta teoria é cientificamente fundamentada em Freud (que deve ter se baseado em Nietzsche, etc.). Bom ressaltar que eu aqui não me refiro a eventuais castigos de Deus ou bobagens do gênero. É só o inconsciente fazendo estragos. Ou corrigindo as coisas...

22.7.18

Jó perdeu quase tudo

havia perdido tudo: a esposa e as amantes, o gado, os filhos, a lavoura e as empresas. Perdeu seus camelos, suas tendas e colares. As carroças conversíveis e os cartões de crédito. Seu mundo começou a ruir. E Deus ainda teve a maldade de cobri-lo com lepra da cabeça aos pés. Jó ficou sem a casa e o jardim, sem o churrasco e a cerveja, sem a música, sem champagne, sem morangos. Na miséria mais absoluta. Sem café e sem Drambuie...
Seus amigos — como sempre acontece! — desapareceram.
Jó perdeu tudo, mas não perdeu a autoconfiança. Não perdeu a Fé, e isto faz toda a diferença. A história, portanto, continua, e pode ser lida na Bíblia, ou no meu livro Solidão a Mil, página 374. Ou, preferencialmente, AQUI.

21.7.18

soul um poeta

Eu não nasci para satisfazer as expectativas de ninguém. Nem mesmo as minhas — que aliás nem tenho. Sou apenas um poeta, meio louco, totalmente livre, amoroso e sensual. Gosto de viver abraçado às coisas alegres dançantes do mundo... Tudo sem pressa e sem pressões. Tomando sol e vinho branco ao lado de dentro dos meus amores. Parece pouco — mas é tudo. Afinal, eu sou assim. E não quero ser mais do que soul...

15.7.18

aleluia mae

Hoje é aniversário da minha Mãe. E agora me lembro das canções de ninar que ela cantava para que eu não dormisse — do Kyrie Eleison ao Noel Rosa. Eu me lembro do conselho que sempre me deu: que eu nunca deixe de ser Eu. E me lembro do dia em que eu nasci: era um dia de duplas esperanças. Era uma noite de luar azul escandaloso. Era um sábado de aleluias e esperas, de poesia e de romance. Era uma casinha de madeira e primaveras, ao lado de uma roseira branca, no finzinho de uma rua principal. Era hora de metáforas, era hora de loucuras. Como toda musa entusiasmada era fora deflorada com amor e alegria por um louco jogador — que se chamava Lúiz. Era outra vez madrugada e ela encantada outra vez. Foi então que essa Mulher sagrada decidiu me dar A Luz. E deu. Era o começo de duas histórias de Amor.


Essa foto foi feita há 13 anos. Logo, ela está hoje cerca de 19,75% mais velha. Mas continua saudável, sorridente, bem-humorada. Aliás, eu nunca a vi triste. Sempre cantando, sempre alegre, agitando as circunstâncias. Nunca brigamos, eu e ela. Nenhum tapinha, nenhum puxão de orelhas, nenhum grito. Nós dois sempre nos compreendemos um ao outro. Como sou-lhe o primogênito e (suponho) ainda o preferido, há toda uma mitologia em torno disso... rs! Acho que até Einstein explicaria melhor do que Freud essa nossa maravilhosa relação de Amor.

11.7.18

meus irmaos

Nenhum dos meus irmãos me compreende. Primogênito, solteiro e sem filhos, amante do vinho, da dança e da música — além de poeta libertário cheio de amores — pareço-lhes um louco.

Aliás, a partir do momento em que disserem que me compreendem, estarão eles assumindo, implicitamente, que se foderam. E essa conclusão, sob todos os bons pontos de vista, é-lhes desesperadamente incômoda. Porque nossas razões ainda são mutuamente excludentes. Com exceção de dois deles (cujas relações parecem até razoáveis, ainda que sem brilho), todos os meus irmãos se deram mal no casamento.

Todos.

Não dá nem pra disfarçar.

Logo vemos na cara dos coitados: se foderam no grau máximo que a expressão comporta.

Eu vivia lhes dizendo, e o demonstrava com minhas atitudes cotidianas:

— Não confundam uma transa eventual com a constituição de uma família. Não pensem que toda relação tem, necessariamente, que gerar uma fruta. Não se fodam em nome de nada, nem mesmo do amor. As relações são passageiras. Tudo se transforma. Não existe amor eterno...

Eu vivia lhes dizendo tudo isso — por anos e anos a fio — mas eles fizeram questão de não me ouvir.

www.EdmaLux.com

5.7.18

seja feliz

A COISA MAIS IMPORTANTE DO MUNDO É SER FELIZ.

Por isso eu quero que você tenha a sabedoria de fazer escolhas.
Que você ame a vida sobre todas as coisas.
Que siga sempre o que lhe pede a Natureza, e deixe fluir a gostosura.
Que você tenha a coragem de sonhar — e a ousadia de realizar os sonhos.
Que tenha a compreensão racional por aqueles que hoje você ama,
e um respeito absoluto pela própria liberdade.
Que mantenha o foco só naquilo que realmente vale a pena.
Que sinta arrepios de prazer toda vez que respirar...
Que tenha um perfeito domínio dos teus estados de espírito.
Que trabalhe um pouco menos, que seja sensível e amável,
e que mantenha o entusiasmo em qualquer situação.

E quero que você conviva apenas com pessoas inteligentes,
amorosas, compreensivas, saudáveis, excitantes — e livres.

Eu quero que você seja feliz!

3.7.18

meu ceticismo

Meu ceticismo é um doce milagre: são dançantes as premissas que me encantam e me acendem. Por isso não aprisiono a Razão nos meus sonhos jamais. Quero é sempre sonhar com ela liberta — e depois libertá-la de si mesma também.

Deito-me puro e acordo-me Sócrates no meio da noite, cheio de imagens brilhantes, exatas, porém desiguais. Mas não me basta captar só o foco emocionante da imagem perfeita, eu quero mesmo é capturar a exatidão livre da imagem disforme.

Então destrincho metáforas a golpes de luz, e acendo-me todo, feito um palito de fogo na hora do risco.

2.7.18

joy

Pedi-lhe então que se deitasse no chão da sala onde havíamos dançado, apaguei as luzes, esqueci dos presentes e dos ausentes — e armei-me da inocência mais profunda que fui buscar dentro de mim. Levantei um pouco a blusinha azul que ela vestia, passei creme em sua barriguinha suspirante e mais ainda em minhas mãos. Deslizei meus dedos por toda aquela geografia escandalosa, inundei de branco e de pureza o seu umbigo... Depois, fiz mira no coraçãozinho dela, e atirei poesias a esmo, como se fosse um arqueiro zen enlouquecido de amor.