18.3.19

Hoje, quais são os teus sonhos?

ALGUMAS PERGUNTAS

Quantas vezes você hoje meditou sobre a Vida?
Quantos minutos você hoje caminhou livremente?
Quanto tempo hoje você acariciou um corpo humano?
Quais os alimentos saudáveis que você vai comer?
Tem seguido o que te pede o teu próprio coração?
Quanta gostosura existe nos teus atuais relacionamentos?
Quais são as coisas novas que você aprendeu hoje?
Quantas pessoas você hoje abraçou de verdade?
Quantos livros você está lendo?
Quando foi o teu último grande êxtase?

Quantas vezes hoje você pensou no Amor?
Quantas vezes você hoje abençoou uma criança?
Quanto de prazer e de alegria o teu trabalho proporciona?
Hoje, quais as coisas maravilhosas que você vai criar?
Como vai a liberdade dos teus amores?
Terá tempo de contemplar a lua e as estrelas?
Tem olhado os pássaros do céu e os lírios do campo?
Como anda o teu Planejamento Estratégico Pessoal?
Quantos anos você supõe que ainda vai viver?
Como vai a tua própria Liberdade?
Quais são os teus Sonhos?
O que é que você quer da Vida?

16.3.19

Reparto tudo

Eu reparto tudo: reparto o beijo, o abraço, a lua, o chocolate, o pão e o queijo; reparto o amor e o vinho, as flores e as estrelas. Reparto até o dinheiro. Reparto e compartilho. Tudo. Às vezes, simultaneamente... Reparto, com muito mais ênfase ainda, a felicidade, a alegria e o prazer. Porque essa coisa de APEGO e de relação fechada possessiva é lamentável. É uma coisa que eu suponho ultrapassada — pelo menos nas sociedades mais desenvolvidas. Ou, melhor, naquela parte culturalmente mais desenvolvida das sociedades. Essa coisa (ciúme, posse, etc.) na verdade é um horroroso "negócio": Aquilo que nega o ócio. Nega o prazer, e nega o amor. Nega a liberdade. Nega inclusive Deus.

Portanto, se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.

E viva a Vida. Sem apego!

Ou não.

13.3.19

Meu Pai e os girassóis

MESTRE ZEN COM VARA DE MARMELO

Meu pai era racional demais, disciplinado demais, e ético demais. Dominava o cálculo, era íntimo dos números, ensinou-me a tabuada do 13 quando eu tinha sete anos. Quem não sabe a tabuada se fode, ele me dizia. Nasceu para o comando. Era dono de uma violência verbal impressionante — e nunca deixava pra depois as broncas que pudesse dar. Exagerado, tinha seus momentos de loucura: de vez em quando mandava fazer almoços festivos para crianças pobres. Era comum se reunirem duzentas ou trezentas em nosso restaurante. Absteve-se do jogo, não fumava, mas bebia um pouco mais do que eu supunha o certo. Com duas exceções, nunca o vi de fogo. Ele nunca nos disse que gostava de poesia, mas certa vez mandou que plantassem trezentos e sessenta pés de girassol no fundo do quintal da nossa casa. Depois que as plantas cresceram, ele ficava toda tarde um tempão lá no fundo, sentado num banquinho improvisado de madeira, sorrindo, encantado, tomando vinho vermelho — e olhando os girassóis girarem... Meu pai, portanto — e no fundo — talvez não fosse apenas um simples comerciante atarracado e ex-delegado de polícia. Talvez fosse um poeta. Pena que não teve tempo de ficar completamente louco: morreu aos 49, por erro de um médico que tinha a morte até no nome.

12.3.19

Tanque de Betesda

Acabo de ver um desconhecido anjo de biquíni azul clarinho agitando delicado as águas da piscina. E me lembro imediatamente do Tanque de Betesda, naquela passagem maravilhosa da Bíblia: Quem primeiro ali agora mergulhar — terá a cura que qualquer doença!

10.3.19

Previsões de 1995

Texto que está na primeira edição do meu livro Solidão a Mil, 1998, página 352.

Em 1995, como analista de sistemas do Grupo Itel, fiz uma palestra sobre a viabilidade de se utilizar o mesmo atual cartão eletrônico bancário como cartão único, universal, conectado à rede que eu chamo de U-Net (sucessora da internet). Desde que melhorado e com um chip controlador poderoso, nele estariam todos os nossos dados básicos: Identidade, cadastro médico, CPFG, carteira de habilitação, registros profissionais, currículo escolar, efetivos controles de aposentadoria, histórico amoroso, saldos bancários, preferências, livros lidos, contas pagas e a pagar, pendências judiciais, viagens, agendas, senhas de acesso. Aproveitaremos a atual estrutura de informática dos três grandes bancos que restaram. Uma Digital Station (os antigos PC, MC, Notebooks) poderá ler esse cartão via rádio (e mais tarde raios gama) à distância.

Servirá também como cartão telefônico, substituindo o antigo celular. Suas coisas pessoais, sua casa e seu carro, não poderão ser acessados sem a inserção autorizada do respectivo cartão, mediante impressão digital. Por exemplo, será abolido, por desnecessário, esse costume medieval de um guarda rodoviário interromper nossa viagem para pedir documentos. Até o excesso de velocidade ficará nele registrado, sendo a respectiva multa debitada imediatamente da sua conta bancária. Tudo será online.


Considere-se que estas "previsões" foram feitas por mim em fevereiro de 1995. Um dia chegaremos onde eu então previa. Liberdata Biopersona era o nome do Projeto. Eu já previs uma espécie de IoT - Internet das Coisas. Em 2018, na mesma linha, comecei o Projeto Liberdata Uruguay.

7.3.19

Dia das Mulheres

MULHERES

Não me bastam os cinco sentidos para perceber-lhes toda a beleza. Não me bastam os cinco sentidos para viver com totalidade o mistério profundo que elas trazem consigo. Eu tenho é que tocá-las, cheirá-las, acariciá-las, penetrar-lhes o sorriso, sentir o seu perfume, beijar-lhes o céu da boca, ouvir suas histórias, transformá-las em deusas. Tenho que dar-lhes o amor que o meu corpo conduz e sustenta-me a alma. O belo amor natural por todas as coisas do mundo. Como espelho de paixões em labareda, tenho que sentir nos seus olhos um raro brilho diamante.

Eu as respeito e as venero — com a graça de um cisne que dança num lago tranqüilo e a ousadia de um touro selvagem recém-despertado. Não lhes faço perguntas, não as pressiono por nada, não lhes tiro a liberdade, não quero mudá-las jamais. Sempre imagino o que estejam sonhando, e pulo de cabeça no sonho delas. Cavalgo o vento para visitar-lhes as razões, as emoções e as loucuras. Como um deus escandaloso e surpreso por sua própria criatura, entro no coração de cada uma delas, deliciosamente, como se entrasse numa pulsante catedral. Mergulho na essência dos seus desejos e cada vez me espanto mais com tanta fantasia. Os cinco sentidos, por não serem precisos, ainda não bastam, e preciso mais do que isso para compreendê-las.

Toda mulher é silenciosa por dentro. A existência pura se manifesta em cada detalhe. Assim na terra como no céu, amar as mulheres é uma experiência religiosa. E eu as amo, fina substância, como deve amar quem ama de verdade — incondicionalmente. Sem ciúmes. Eu amo as morenas, as loiras, as baixinhas, as altas, as lindas, as quase feias. Amo as virtuosas, as magras, as gordinhas, as diabólicas, as tímidas — e até as mentirosas. As iluminadas, as pecadoras, e as santíssimas. Amo as virgens, as pobres, as ricas, as loucas, as muito vivas, as inocentes. As bronzeadas pelo sol, e as branquinhas. As inteligentes — e as nem tanto. Desde que sensíveis, eu amo as jovens, as maduras, as solteiras, as casadas, as separadas. As bem-amadas, e as abandonadas. As livres, e as indecisas. E se me dessem o poder, o tempo e, principalmente, a chance, eu a todas elas daria, todos os dias, um êxtase cósmico, poético e sublime.

Apanharia flores silvestres, tomaria sol com todas elas, todo dia. Andaríamos descalços na areia, contemplaríamos crepúsculos cor de abóbora, jantaríamos à luz de velas, dançaríamos, tomaríamos vinho branco, olharíamos as estrelas. E eu lhes faria poesias de amor. Puro como um anjo, amaria cada uma delas eternamente — uma por vez. Com delicadeza, com doçura, com profundidade, com inocência. Entusiasmado, como se cada uma fosse a única. Como se no mundo inteiro não houvesse mais nada, nem ninguém.

Todas as noites, eu passaria cremes e encantos no seu corpo. Falaria sobre fábulas, contaria histórias românticas, as veria dormir. Ouvindo Beethoven, velaria por um tempo o sono delas, e, de madrugada, antes do sol raiar, antes do primeiro pássaro cantar, as cobriria com o resto de luar que ainda houvesse, e sairia em silêncio. Como um felino lógico, sensual e saciado, deslizaria pelo cetim azul-celeste dos lençóis, saltaria por sobre todas as metáforas — e sorrindo iria embora.

Enfim, se por acaso fosse Deus, eu com certeza não mais ficaria cuidando do universo e dessas outras coisinhas banais. Não ficaria controlando o destino das pessoas, o tempo, os compromissos, a pressa, o caminho dos planetas, a economia, o cotidiano, o infinito, os genes, a Internet, a geografia...    Não!

Eu somente iria amar as mulheres, como elas merecem — e como nunca foram amadas.


Só isso, definitivamente. Nada mais, nada mais!

6.3.19

Mudo

Se você não vier me ler agora, quase nada mais aqui fará sentido. Porque são teus dedos e toques e clicks que me acordam duplamente a todo instante.

Há uma doce cumplicidade entre a tua e a minha gostosura.

Essa voz que canta e dança em minha língua portuguesa é tua, assim como tua é a boca vermelha que escancara os meus gritos de amor e liberdade.

Teus olhos diamante é que transformam os meus textos em sagradas escrituras. Teus lábios nacarados conjugam o Verbo Coração no céu da minha boca.

Sem você, eu fico mudo.

4.3.19

Rei Arthur

DEUS ERROU.

Deus não precisava ter feito Jesus crescer. Devia tê-lo deixado para sempre pequenino... Como criança, Ele nos teria "salvado" da mesma forma. Ou talvez até de modo ainda mais poético e romântico.

E o que é melhor: as autoridades provavelmente não teriam coragem de crucificar uma criança.

❤️

Minha homenagem ao Arthur, neto do Lula.

A vida nova

Às vezes nós temos que desistir da nossa vida antiga. Das velhas relações. Das velhas emoções. Dos móveis quadrados que nos imobilizam... Porque às vezes a vida verdadeira está só na vida nova.

3.3.19

Carnaval

Referindo-me ao Carnaval, eu já cheguei a dizer que sou contra "alegria com hora marcada" — mas é preciso fazer uma ressalva. Carnaval é coisa de amadores, sim. Daqueles que só tiram a fantasia nesses quatro dias, e depois voltam a vestir suas armaduras da normalidade. Porém, como qualquer festa em que haja música e dança, sexo e alegria, o carnaval merece o nosso respeito, se não o nosso apoio. Embora seja alegria com hora marcada, defendo esse momento de festa. Mesmo porque alegria com hora marcada é bem melhor do que alegria nenhuma. Além do mais, especialmente no Brasil, o carnaval torna-se a Sagração da Sensualidade. O elogio da Safadeza Bacante. A veneração do desbunde. A consagração do amor livre. Um belo tributo dionisíaco à dança. A glorificação do Corpo. Portanto, viva o Carnaval... Viva o Bacanal!

2.3.19

Resolver

Será que sente alguma coisa, profunda e verdadeiramente deliciosa, dentro do próprio peito, aquela pessoa que ainda não se libertou?


Ao postar a frase acima aqui pela manhã, usei a expressão "resolver-se". Mas, depois, alterei-a para "libertar-se". Suponho que expresse melhor o que penso, pois alguém pode até "resolver-se" aceitanto uma situação de opressão como a mais conveniente em certos momentos. E o oprimido, suponho, ainda que optante pela opressão, não consegue sentir maravilhas no próprio peito. E se por acaso pensa conseguir, ou diz que consegue, podem ser apenas manifestações delirantes ou esquizofrênicas... Suponho. Mas, em todo caso, vamos analisar isso depois, melhor, com mais cuidado.

Alameda Barros

Estou revisando os últimos capítulos do meu livro Teoria do Acaso e me deparo com certos fatos ali narrados que ainda me emocionam demais. Nesse livro eu conto detalhes de como conheci alguns dos meus amores, como foi que as circunstâncias me abraçaram, e como também por mim foram elas abraçadas. Como foi que meu pai se apaixonou por minha mãe. Como foi que Nietzsche conheceu Lou Salomé, como Dali se apaixonou por Gala, como foi que Sócrates encontrou Xantipa. Minha tese é que o acaso é a causa de cada uma dessas coisas. Tudo que acontece na vida da gente é obra do acaso. E agora, ao escrever sobre Suzana, acabo me lembrando da década de 1990, quando eu morava na Alameda Barros, em SP, e às vezes chegava em casa à noite e encontrava uma festa. Alguém me abria a porta e até me perguntava quem eu era... Eu costumava deixar uma chave do apartamento na portaria, e autorização explícita para que toda mulher — consideradas algumas premissas, mesmo que os porteiros nem a conhecessem — pudesse pegar a chave e subir. Quantas mulheres fossem. E que se sentissem elas totalmente à vontade. Que bebessem do meu vinho e comessem do meu pão. Algumas eram amigas, e outras, totalmente desconhecidas. As surpresas que eu tinha por causa disso sempre foram maravilhosas. Conto algumas dessas surpresas, dezenas, nesse livro acima citado. Era assim a minha vida. E nesses quase quinze anos que se passaram não mudou quase nada — exceto duas relações fechadas que me levaram a diminuir muito a freqüência das festas. Mas voltarei logo mais a deixar minha chave na portaria de novo — com a mesma recomendação. Para que tudo se repita outra vez, de modo ampliado, mais intenso, e mais gostoso.



Naquele mundo maravilhoso, o "centro de gravidade" era Eu — e Eu saltava dentro de mim mesmo, para um outro Eu ainda mais profundo e mais central. Eu era um sol iluminando estrelas cadentes. Eu lhes dava luz e amor, em troca de mais luz e mais amor. Eu me tornava cada vez mais absoluto, e elas viravam estrelas ascendentes, bailarinas, quase sempre. Felizes aquelas que gravitavam em meu redor, diziam elas. Em verdade, aos pares nos tornávamos estrelas binárias — ainda que por vezes santíssimas trindades ocorressem. Tudo era fora do normal. À época eu pensava que certas coisas eu só as contaria vinte anos depois da minha morte. Hoje eu já considero a possibilidade de contá-las vinte anos antes. Daqui uns quarenta, portanto.

28.2.19

Emoções polidas

Um diamante bruto não tem a beleza de um diamante polido. Com tuas emoções acontece certamente a mesma coisa. Elas são como pedras preciosas. Você pode mostrá-las ainda brutas, grosseiras e apressadas — ou pode refiná-las antes.

Você decide.

27.2.19

Flores e botões

Ao ver agora a flor que desabrocha eu me pergunto onde está o botão que aqui havia ontem. E sei que amanhã, ao voltar, verei um fruto novo — e também perguntarei onde estará a flor que aqui havia hoje. E no dia seguinte, matarei a minha fome com a vida espiritual das formas atômicas resultantes do novo fruto da poesia nova.

Mas, no fundo, é só Deus me alimentando de flores e botões.

Tem que ser agora

Para qualquer coisa (relevante) que você pretenda fazer na vida — exceto morrer — esta é tua última oportunidade.

Morrer, você pode até deixar pra mais tarde... Mas o resto tem que ser agora.

26.2.19

A dança da chuva

Quando dois fatos próximos estão ligados por um curto espaço de tempo, os leigos em Lógica geralmente atribuem ao primeiro a causa do segundo. Mas nem sempre é assim. Pode até chover depois de uma bela dança da chuva. Mas a dança certamente não é a causa da chuva.

Eu quero que vocês pensem, mas vocês parecem desperdiçar as possibilidades de reflexão séria que lhes proponho. Vocês acham que estou apenas brincando quando levanto estas questões, quase sempre de forma bem-humorada. Quando eu lhes digo para que reflitam seriamente sobre as coisas mais importantes da sua vida — que são a Lógica, o Amor e a Liberdade — vocês acham que estou ficando louco. Mas eu não desisto! E todo dia, assim que me levanto, eu me acordo pela segunda vez. Depois, tomo café com Deus, ponho a mão no ombro Dele, e lhe digo:

Pai, essas pessoas não sabem o que fazem. Não sabem mais amar. Perderam a consciência, mataram a Lógica e vivem dormindo. Perdoe essas pobres criaturas... E acorde-as, por Amor!

25.2.19

Pensar com lógica e amor

Quem não sabe pensar com lógica e amor não tem o direito de pensar igual a mim. Não tem o direito de concordar comigo.

24.2.19

Colher o que plantou?

Quando eu era pequenino, na fazenda do Julinho de Almeida, onde meu pai por acaso era meeiro, plantei um pedacinho de terra com feijão. Não me lembro bem da medida, mas acho que era uma "quarta" (suponho que de alqueire).

Fiquei tão contente... Ganhei até uma enxadinha de presente, com cabo de guatambu. Eu tinha sete anos, e cuidava das plantinhas todo dia, com amor e poesia. Tinha até um regadorzinho de alumínio, azul.

Mas, em fins de fevereiro, bem na véspera da colheita, uma tempestade de granizo destruiu toda a plantação.

E ainda dizem que a gente sempre colhe o que plantou...

23.2.19

Jesus — Mestre Zen

Quando uma pessoa normal fala em morte, ela está se referindo à morte biológica. Quando um mestre zen fala em morte, ele está se referindo à morte metafórica. Jesus não era uma pessoa normal. Jesus pregava a morte metafórica. Quando ele dizia que a felicidade só existe depois da morte, ele propunha que abandonássemos esta vida. Que a trocássemos por outra, melhor.

Mas os idiotas pensam que Jesus era um imbecil, e que estava pregando que a felicidade só virá DEPOIS da morte biológica. Nada disso! O que Jesus pregava — em verdade, em verdade — era a morte do apego, da inveja, do ciúme, do ódio e da cobiça. Olhai os lírios do campo e os pássaros do céu — dizia Ele. Mas os idiotas jamais olham para o céu. E acham que as asas foram feitas para guardar dinheiro e proteger as posses...

Os idiotas jamais entrarão no Reino de Deus.

Desapego amoroso

O desapego é a mais pura forma de amor. Essa minha frase é apenas um resumo do que me disseram dois grandes mestres: Sidarta, o criador do Budismo, e Jesus, aquele que fez o Sermão da Montanha. Eles sussurram todo dia essas coisas para mim. Ambos pregavam exatamente isso: o desapego. Sei que é difícil desapegar-se. Demora muito. Mas, mesmo assim, é preciso ir além. É preciso que nos tornemos não só desapegados, como também desnecessários. Ou seja, é preciso permitir que o outro também de nós se desapegue. Libertar-se — e permitir que o outro também se liberte. Todas as grandes religiões e filosofias orientais pregam exatamente isso. Mas, nós, aqui no Ocidente, apressados e materialistas, ainda estamos longe disso. Somos muito pesados. É uma pena.

Estou revisando esse texto. Talvez eu ainda o altere um pouco mais.

22.2.19

Quando eu me apaixono

Quando eu me apaixono por alguém não lhe peço a identidade. Não quero saber de onde veio, qual a cor da sua pele ou seu estado civil. Não me importa a sua idade, nem o CEP, nem as coisas que já fez. Sobrenome, CPF, pretensões — nada disso me interessa.

Não requeiro experiência. Aliás, eu a dispenso...

Quando eu me apaixono por alguém, dou-lhe a ela toda a minha alma, e não exijo recompensa. Não lhe peço nada em troca: não se trata de um negócio. Não lhe tiro coisa alguma — especialmente a liberdade. E a fidelidade, é uma questão que nem se põe. Eu me entrego inteiro, e do resto nem quero saber. O que importa é ser feliz.

Quando me apaixono por alguém, eu me apaixono — simplesmente.

19.2.19

Esta noite

Eis agora uma garrafa de vinho pela metade, uma rosa vermelha ansiosa por mim, três ou quatro velas azuis em castiçais de bronze espalhados pela sala, uma penumbra gostosa onde sombras delicadas dançam por si mesmas, o Bolero de Ravel crescendo em todos os sentidos no meu peito apaixonado, uma brisa noturna e encantada entrando pelas portas e janelas. Mistérios no ar, desejos, também. Às vezes, silêncio: e Ravel retorna, quase perfeito.

Espero uma das outras minhas amadas.

Se ela chegar, agradeço a Deus por ter chegado, e nos amaremos da forma mais gloriosa possível. Mas se não chegar, agradeço a Deus também por ela não ter vindo, e continuo a me amar da mesma forma. Pois hoje bastam-me as flores e a música, o vinho, a gostosura, a alegria e as lembranças. Aliás, e como quase sempre — basta-me Eu.

18.2.19

Vitórias elegantes

Aos meus adversários eu sempre lhes concedo alternativas. Que escolham eles mesmos o tipo de derrota que preferem. Porque, para mim, toda vitória tem que ser elegante.

17.2.19

Fujo dos enfurecidos

Eu sempre me afasto dos nervosos. Procuro ter a delicadeza de nunca ligar-me a pessoas grosseiras, falsas, insensíveis. Fujo dos enfurecidos. Desvio-me de ciumentos radicais. Detesto autoritários. Quero distância absoluta de estressados e neuróticos. Não concedo aos ditadores sequer minha presença temporária, nem permito aos brutos que suponham ser possível invadir os meus momentos de amor — que são todos. Jamais negocio a minha própria Liberdade. Até porque, se eu não for atencioso e delicado comigo mesmo, se eu não for responsável por mim, se eu não respeitar profundamente os meus amores — estarei compactuando com esses infelizes. Aliás, se eu não me cuidasse desde pequenino, esses desgraçados de aluguel já teriam estragado a minha inocência e sufocado para sempre o meu espírito poético.

15.2.19

Virado de feijão

Para mim, essas frescuras de folhinhas e alfacinhas — vegano-deprê — sem sal e sem açúcar, sem vinagre, sem azeite, sem gordura, sem limão... retiram toda a gostosura, retiram toda a naturalidade e a lembrança da comida que minha Mãe faz. Eu gosto mesmo é de torresmo e picanha gorda no ponto...

Ou carne de porco na panela de ferro, virado de feijão, arroz soltinho, couve cozida e meia dúzia de ovos fritos. E uma companhia libertária pra saudar a VIDA!

14.2.19

Pontos de vista

PONTOS DE VISTA

Quero te fazer umas três ou quatro perguntas, cujas respostas podem me dizer quem você é: Especialmente em questões subjetivas — tais como política, amor e religião — quando você não concorda com determinadas concepções, também considera que a razão pode estar lá no OUTRO LADO? Em certas discussões, você tem abertura intelectual suficiente para às vezes considerar que o ponto de vista contrário ao teu pode estar até mais próximo da verdade? Você já não defendeu valores, ideias e proposições que depois envelheceram — envelheceram desesperadamente? Desde a infância ou adolescência, você já não teve tantas certezas absolutas que mais tarde foram fulminadas pelo tempo, pela experiência e pelo estudo? Sobre certos assuntos, você já não mudou de ideia muitas e muitas vezes? E será que agora nunca mais vai mudar?

Será que você já chegou a todas as conclusões possíveis?

12.2.19

Casa Real Virtual

Estou morando numa casa que tem tramela, uma corruíra canta ali na laranjeira e a tampa da chaleira de alumínio começa a tremer lá no fogão de lenha. Nenhum silêncio que não seja o agradável. Um tiziu aveludado toma a decisão de me encantar, saltando vertical no palanque do portão. E eu fico aqui pensando. Se a gente não nasceu num lugar assim, como esse, bucólico, meio oriental, pode ainda ter a sorte grande de renascer num parecido. Sinto-me hoje um louco Hermann Hesse cultivando rosas e alfaces, tocando clavicímbalos ao lado de um pé de lírio, e deitado eternamente no meio de um jardim, no quintal da minha Mãe.

A bem da verdade, minha casa não tem tramela nem palanque no portão. Aliás, minha casa nem é minha. E fogão de lenha já não vejo há muito tempo. Mas eu toco clavicímbalos até que bem, cultivo rosas e alfaces num canteiro de estrelas, e vivo mesmo num jardim... E o tiziu aveludado imaginário é quem conta essas coisas todas tão malucas e amarelas para mim. Acordei hoje cedo num hotel brilhante no meio do Rio (*), sem saber de onde vim, nem pra onde vou. Talvez foi isso que me fez lembrar do fogão de lenha da Vó Vitalina e do quintal da minha Mãe.

(*) Rio que corre por dentro da Pedra. Itararé.

11.2.19

Declaração de amor à vida

Minha honestidade pessoal me leva a ser autêntico. A nunca fazer o que eu não queira. Porque não preciso fazer aquilo que não quero. Posso perder algumas coisas por ser assim, agir assim, pensar assim. E seguramente perco mesmo muitas coisas — muitas! — mas todas não significativas para mim. Perco coisas, mas não perco liberdade. Não perco aventuras, não perco amor, tesão, gostosura, desejos, tentações. Ou seja, posso perder coisas, mas ganho na dimensão da minha personalidade, da minha alma, da minha alegria. Pois não abro concessões àqueles que possam querer me prender.

Não jogo minha própria vida em troco de salário, prestígio, poder, posses, coisas, tranqueiras. Não permito que me roubem esse único presente que tenho em troca de um futuro que nem sei se vai haver. Não assumo compromissos que me sufoquem, ou que me levem à exaustão para cumpri-los. Não crio dependências que me prendam, em hipótese alguma. Não me casei, não tenho filhos, não tenho noivas, não tenho muitas namoradas, não faço juras de amor eterno, nem tenho planos mirabolantes que possam sugar minha existência gostosa de agora.

Faço só o que me dá prazer — e apenas pelo prazer. Sem nenhuma maldade. Sem dor, sem pressa, sem esforço desumano, sem mágoas, sem ciúmes, sem cansaço e sem pressões. Sem explorar quem quer que seja.

E isso não é um mero jogo de palavras: Eu sou assim.

Sou o dono do meu tempo.

Sou o diretor da minha Vida.

E não deixarei de amar os meus amores em nome de nada!

10.2.19

Ninguém mais

Houve épocas,
quando eu era menor,
quando eu era pequeno,
em que algumas pessoas, muitas pessoas,
diziam me amar,
mas na verdade elas me tosquiavam,
atavam minhas mãos, tutelavam meus desejos,
me sufocavam...

Só aplaudiam meu bom comportamento
e minha submissão.

Diziam me amar,
mas contraditoriamente me impediam de ser livre.

Cerceavam minha naturalidade,
matavam minha ousadia,
e amputavam minha glória.

Exigiam que eu só obedecesse,
como se Deus jamais morasse em Mim.

Mas agora,
agora ninguém mais consegue
sufocar o meu grito de liberdade;
ninguém mais quebra
minhas asas de pássaro livre.

Ninguém mais.

Ou me amam de verdade
e voam comigo,
cada vez mais alto e mais fundo
— ou ficam no chão,
simplesmente.

9.2.19

Minha ideia 704

Estamos criando a Cooperita - Cooperativa de Recicláveis de Itararé. Sem fins lucrativos — a não ser a reprodução ampliada em benefício dos próprios cooperados. Vamos confeccionar vinte novos carrinhos, modernos e com sistema de freios. O projeto está sendo desenvolvido pelo Eduardo Moura, designer master da Xtratego Ferment.


8.2.19

Rolling Stones

Rolling Stones

As pedras rolantes são polidas pela própria natureza.

Pedra que não rola fica bruta. Cria musgo. Portanto, seja natural. Deixe-se rolar, livremente. Não estacione. Siga o curso sinuoso das águas vivas. Seja fluente na correnteza da vida. A felicidade é líquida. O verbo é um fluxo. A palavra amor é vibrante. Quem não muda não fala. Quem não muda não dança. Mude. Grite. Dance. Voe.

6.2.19

Meu destino está na origem

Eu fui gerado sem pressa, na primeira noite enluarada de uma Primavera escandalosa, por dois seres amorosos e amantíssimos, numa casinha de madeira ao lado de uma roseira branca, no finzinho de uma rua principal...

Bem ao lado do pé de manga da Vó Vitalina.

Não tinha como dar errado!

5.2.19

A lógica do amor

Às vezes me perguntam por que as minhas relações de amor sempre dão certo. É muito simples: eu jamais me relaciono com pessoas ciumentas. O ciúme é a primeira fonte da desgraça. E eu não apenas vivo as minhas relações de amor: eu também as analiso. Eu me questiono sobre elas, a partir de dentro delas mesmas — entusiasmado com suas tramas e coivaras, com seus mistérios e caminhos. Com seus múltiplos encantos e extremas gostosuras. Eu me entusiasmo até mesmo com suas maravilhosas redundâncias, com suas doces contradições, e com todas as possibilidades abertas dos vários fins que se aproximam. E eu vejo o fim da relação apenas como um prenúncio de novidades, não como sinal de catástrofe. Só o que está morto não muda.

4.2.19

Filosofia de Vida

Minha filosofia de vida pode fazer muito bem para certas pessoas com as quais convivo. Acontece que, exatamente por lhes fazer tão bem, pode também lhes fazer mal... Minha presença e meu estilo de viver pode às vezes desestabilizá-las. Porque eu lhes abro novos horizontes, um leque enorme, fascinante, de opções inesperadas e gostosas.

Acontece que a liberdade assusta. Elas estavam quietinhas, sossegadas em sua própria escravidão emocional, aninhadas nos seus próprios preconceitos, abraçadinhas às suas crenças opressivas — e eu venho lhes dizer que a liberdade é possível. Eu venho lhes dizer que o amor é possível. Que a felicidade é possível.

Então, elas começam a se questionar. Começam a rever os seus conceitos... Algumas criam coragem e chutam seus medos inexplicáveis. Suas cabeças viram corações enlouquecidos. Suas estruturas, antes tão estáveis, começam a ruir. Suas bases tremem. Relações se desfazem com facilidade espantosa. Seus "amores" perdem o sentido. Seus deuses dançam...

Porém, nem todas estavam preparadas para esse fascinante mundo novo que se abriu de repente. E algumas querem de volta o mundo antigo. Porque sentem falta da segurança, daquela quietude, daquela paz de cemitério. Daquela velha vida. Sentem falta da comodidade. Afinal, ser livre dá trabalho... Muito trabalho.

Mas ser livre é uma delícia.
Experimente!

3.2.19

Araras

As araras amazônicas podem viver até setenta anos, quando em cativeiro. Mas, soltas no seu habitat, vivem em média apenas trinta e cinco. Como se pode concluir, também no caso das araras, quem vive em liberdade corre mais riscos. Além disso, a gaiola oferece alguns confortos que a vida livre não dá. Então eu te pergunto: se você fosse uma arara, escolheria viver trinta e cinco anos em liberdade — ou setenta em cativeiro?

E se você não fosse uma arara?

2.2.19

É preciso ter um filho?

Em duas ocasiões da minha vida eu já cogitei ter um filho. A primeira delas, aos 22 anos anos de idade, quando eu estava meio bobo de amor e até pretendia me casar com Edna, entre véus e grinaldas, conta conjunta e luas de mel. Mas essa vontade absurda logo passou, quando eu concluí que tais besteiras iriam danificar completamente a minha liberdade pessoal.

Depois, recentemente, em 13.01.2013, eu tive a minha ideia 301, que é ter um filho -- mas agora de outra forma e com outro propósito. Será uma adoção. E ele já virá prontinho e saudável, com mãe, com tudo.

Mas ainda é só uma ideia, dentre as muitas que tenho. Na hora certa eu a implemento. Já estou na ideia 703. Que eu tive há três ou quatro dias aqui no Itararé Hotel. Em janeiro, aqui mesmo, tive a ideia 701, que é um Projeto na Guiana, que darei início provavelmente em julho deste ano. Na área de construção civil e/ou informática.






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Projeto k-misster

Aos 22 anos eu montei minha primeira empresa. Uma confecção. O nome era K-misster, e ficava na Avenida Nacionalista, número 100, Itaquera, SP. Aluguei um galpão, comprei doze máquinas na rua São Caetano, montei um bom estoque de tecidos, que comprei na 25 de março, contratei dezessete costureiras e soltei o meu barquinho em alto mar. Eu também desenhava os modelos. Cheguei a vender, entre outros, vários lotes para as Lojas Piter, que ficavam ao lado do Teatro Municipal (de SP). Mas a fábrica era muito longe, e eu queria curtir a vida e estudar filosofia...

Depois de quatro meses larguei tudo. Dei as máquinas para as costureiras, comprei um carro conversível — e saí pelo mundo. Viver novas experiências.

Deu certo.

1.2.19

Quero que em 2019 você

Eu quero que em 2019 você mantenha três tipos apenas de relacionamentos:

1.
Os que te dão prazer e alegria;
2.
Os que são necessários à tua sobrevivência;
3.
Aqueles que te trazem alguma sabedoria ou estimulam a criatividade.

E que todos os demais sejam considerados dispensáveis. Extremamente dispensáveis!

Afinal, se um determinado relacionamento não dá prazer nem alegria; não é necessário à nossa sobrevivência, e não traz sabedoria nem nos estimula a criatividade — mantê-lo pra quê?!

31.1.19

Minha maior conquista

O domínio absoluto sobre os meus estados de espírito é a minha maior conquista como ser humano. Há mais de vinte anos que não perco a calma. Há mais de vinte anos que não produzo adrenalina desnecessariamente. Não brigo, não xingo, não bato. Não sinto raiva nem ódio, nem ciúmes, nem rancor. Não me irrito por absolutamente nada. Nunca tive mau humor. Não tenho sequer aqueles nozinhos horrorosos na garganta. Não me descontrolo jamais! Não há motivos racionais que possam me abalar. Não discuto, a não ser filosofia. Sou amorosamente zen...
Como consigo tal façanha? — você pode perguntar.
É muito simples: Dou valor secundário às coisas secundárias. E considero secundário tudo aquilo que não é fundamental... Tudo aquilo que não tem poder de causar mudanças significativas no rumo da minha vida. Considero secundário tudo aquilo que não me traz felicidade.

É muito simples — e é uma delícia!
Experimente.

30.1.19

Seja Feliz

A COISA MAIS IMPORTANTE DO MUNDO É SER FELIZ.

Por isso eu quero que você tenha a sabedoria de fazer escolhas.
Que você ame a vida sobre todas as coisas.
Que siga sempre o que lhe pede a Natureza, e deixe fluir a gostosura.
Que você tenha a coragem de sonhar — e a ousadia de realizar os sonhos.
Que tenha a compreensão racional por aqueles que hoje você ama,
e um respeito absoluto pela própria liberdade.
Que mantenha o foco só naquilo que realmente vale a pena.
Que sinta arrepios de prazer toda vez que respirar...
Que tenha um perfeito domínio dos teus estados de espírito.
Que trabalhe um pouco menos, que seja sensível e amável,
e que mantenha o entusiasmo em qualquer situação.

E quero que você conviva apenas com pessoas inteligentes,
amorosas, compreensivas, saudáveis, excitantes — e livres.

Eu quero que você seja feliz!

29.1.19

Algumas frases

‎211. Aceitar o inevitável é uma sábia decisão.
212. O auge de uma paixão está sempre no começo dela.
213. Não espere a graça do cisne no pescoço de um pato.
214. Em vez de salvar a relação, eu prefiro salvar o meu Amor.
215. Só tem uma coisa pior do que morrer: é viver pouco.
216. Sempre danço conforme a música. Mas, antes, escrevo a partitura.
217. Toda emoção é produto de um raciocínio.
218. Quem jura amor eterno deveria ser processado por estelionato emocional.
219. Toda musa já traz uma víbora dentro de si. É só uma questão de tempo.
220. Dispenso a compreensão daqueles que não conseguem me compreender.
221. Se, numa relação de amor, a verdade entristece — minta com alegria.
222. Prazer não sentido é prazer perdido. Irrecuperavelmente perdido.
223. Se o amor não pode ser livre, não deve ser nada.
224. Ceder uma vez só é muito mais difícil do que ceder nunca.
225. É um desperdício imperdoável ter um grande coração, e deixar nele um único amor.
226. A capacidade de questionar as próprias convicções é um atributo dos seres mais elevados.
227. Eu não vejo o cotidiano: eu vejo a eternidade.
228. A melhor realidade é aquela que nasce de um sonho.

28.1.19

O ciumento

O ciumento pode até dizer que ama, e pode até ser sincero no que diz e ter boas intenções — mas em verdade não ama, pois, inconscientemente, quer controlar o outro. Quer exercer dominação. Essa contradição neurótica faz com que o ciumento sofra tanto quanto o objeto do seu "amor". Não raro, sofre ainda mais do que a sua vítima!

O Código Penal prevê pena de até seis meses de prisão para todo aquele que impede um outro de fazer aquilo que a lei permite. E o ciumento acaba cometendo esse tipo de crime. Entretanto, mais do que um crime, o ciúme é uma doença desgraçada. Uma doença que tem cura, e pode muito bem ser tratada com alguma terapia.

Se o ciumento — ao menos por um dia — pudesse experimentar a maravilhosa sensação da liberdade; se o ciumento um dia se livrasse dessa praga que lhe mancha o coração, e deixasse livre o seu amor, ele veria o tempo enorme que já perdeu em sua vida, tentando inutilmente controlar a própria Natureza.

21.1.19

Sem pressa e sem pressões

Sem fome, sem sono, sem culpa, sem dor. Sem pressa, sem apego, sem pressões. Sem esperas, sem cobranças, sem promessas. Sem medo e sem controle, sem ódio e sem juízo. Sem maldade — e sensível. Sentindo-me eterno no transitório. Buscando equilíbrio no instável, no incerto. Amado com delícia e liberdade, e amando com grandeza e ousadia. Passageiro numa viagem sem destino, percorrendo caminhos ainda não trilhados. Cada vez mais fascinado e encantado com os novos horizontes que se abrem. Adorando as surpresas no momento em que acontecem, e vivendo a primavera em qualquer das estações. Quebrando as barreiras, de modo irreversível. Ultrapassando limites... Encontrando a essência de cada coisa nela mesma. Compreendendo as razões também daqueles que não conseguem me compreender. Vivendo o mais profundo, o mais criativo, o mais sensual, o mais inocente e o mais sagrado período da minha vida. Sugando a doçura de todas as coisas... Vivendo as maiores e melhores paixões da minha vida, e vibrando com tudo que me toca. Sentindo-me a cada momento como se Deus me cobrisse de glórias, de flores e estrelas. Dançando nas minhas próprias e nas tuas emoções. Inundado de carinho e gratidão. Com a cabeça nas nuvens — e o coração no infinito.

Portanto, o que mais posso eu querer da vida, além de amores livres e brilhantes, crepúsculos cor de abóbora na praia que eu prefiro, óleo de amêndoas doces, um buquê de rosas brancas e vermelhas, duas ou três taças de vinho transbordantes, muita liberdade, alegria, saúde, poesia, gostosura — e tempo livre para viver tudo isso? O que mais posso eu querer da vida?!

19.1.19

Alexandre

Alexandre, o Grande, com menos de 40 anos já tinha conquistado o Mundo.
Mas, com menos de 50 já estava morto...
Será que adianta?

Reformulando, para que seja melhor compreendido. Claro que tem gente que morre antes dos 50 sem ter conquistado coisa alguma. Mas não é esse o foco do meu texto. Eu aqui me refiro ao desapego como algo superior à ganância. Nesse aspecto eu me lembro de Diógenes preferindo o sol à sombra de Alexandre. Eu me lembro de Jesus e Henry Miller. Eu me lembro de mim (que fico escrevendo ensaios e contando histórias em vez de construir uma casa) e também de você (que encontra tempo para ler poesias, em vez de seguir o rebanho dos que se estressam).

18.1.19

Schrodinger


Hoje a minha homenagem a Erwin Schrödinger, o genial cientista que contribuiu para a física quântica, e escreveu o belíssimo livro O que é a Vida?, em 1944. Onde ele, entre outras coisas, diz que
"a singular engrenagem (o cromossomo) não é de grosseira manufatura humana, mas a mais requintada obra-prima já conseguida pelas leis da mecânica quântica do Senhor." (página 95). Ou seja, o exemplo mais fascinante do projeto do arquiteto e da perícia do construtor numa coisa só. Acho que ainda vou adotá-lo como patrono espiritual da minha visão profundamente materialista da Vida.

17.1.19

Mulheres

MULHERES

Não me bastam os cinco sentidos para perceber-lhes toda a beleza. Não me bastam os cinco sentidos para viver com totalidade o mistério profundo que elas trazem consigo. Eu tenho é que tocá-las, cheirá-las, acariciá-las, penetrar-lhes o sorriso, sentir o seu perfume, beijar-lhes o céu da boca, ouvir suas histórias, transformá-las em deusas. Tenho que dar-lhes o amor que o meu corpo conduz e sustenta-me a alma. O belo amor natural por todas as coisas do mundo. Como espelho de paixões em labareda, tenho que sentir nos seus olhos um raro brilho diamante.

Eu as respeito e as venero — com a graça de um cisne que dança num lago tranqüilo e a ousadia de um touro selvagem recém-despertado. Não lhes faço perguntas, não as pressiono por nada, não lhes tiro a liberdade, não quero mudá-las jamais. Sempre imagino o que estejam sonhando, e pulo de cabeça no sonho delas. Cavalgo o vento para visitar-lhes as razões, as emoções e as loucuras. Como um deus escandaloso e surpreso por sua própria criatura, entro no coração de cada uma delas, deliciosamente, como se entrasse numa pulsante catedral. Mergulho na essência dos seus desejos e cada vez me espanto mais com tanta fantasia. Os cinco sentidos, por não serem precisos, ainda não bastam, e preciso mais do que isso para compreendê-las.

Toda mulher é silenciosa por dentro. A existência pura se manifesta em cada detalhe. Assim na terra como no céu, amar as mulheres é uma experiência religiosa. E eu as amo, fina substância, como deve amar quem ama de verdade — incondicionalmente. Sem ciúmes. Eu amo as morenas, as loiras, as baixinhas, as altas, as lindas, as quase feias. Amo as virtuosas, as magras, as gordinhas, as diabólicas, as tímidas — e até as mentirosas. As iluminadas, as pecadoras, e as santíssimas. Amo as virgens, as pobres, as ricas, as loucas, as muito vivas, as inocentes. As bronzeadas pelo sol, e as branquinhas. As inteligentes — e as nem tanto. Desde que sensíveis, eu amo as jovens, as maduras, as solteiras, as casadas, as separadas. As bem-amadas, e as abandonadas. As livres, e as indecisas. E se me dessem o poder, o tempo e, principalmente, a chance, eu a todas elas daria, todos os dias, um êxtase cósmico, poético e sublime.

Apanharia flores silvestres, tomaria sol com todas elas, todo dia. Andaríamos descalços na areia, contemplaríamos crepúsculos cor de abóbora, jantaríamos à luz de velas, dançaríamos, tomaríamos vinho branco, olharíamos as estrelas. E eu lhes faria poesias de amor. Puro como um anjo, amaria cada uma delas eternamente — uma por vez. Com delicadeza, com doçura, com profundidade, com inocência. Entusiasmado, como se cada uma fosse a única. Como se no mundo inteiro não houvesse mais nada, nem ninguém.

Todas as noites, eu passaria cremes e encantos no seu corpo. Falaria sobre fábulas, contaria histórias românticas, as veria dormir. Ouvindo Beethoven, velaria por um tempo o sono delas, e, de madrugada, antes do sol raiar, antes do primeiro pássaro cantar, as cobriria com o resto de luar que ainda houvesse, e sairia em silêncio. Como um felino lógico, sensual e saciado, deslizaria pelo cetim azul-celeste dos lençóis, saltaria por sobre todas as metáforas — e sorrindo iria embora.

Enfim, se por acaso fosse Deus, eu com certeza não mais ficaria cuidando do universo e dessas outras coisinhas banais. Não ficaria controlando o destino das pessoas, o tempo, os compromissos, a pressa, o caminho dos planetas, a economia, o cotidiano, o infinito, os genes, a Internet, a geografia...    Não!

Eu somente iria amar as mulheres, como elas merecem — e como nunca foram amadas.


Só isso, definitivamente. Nada mais, nada mais!

16.1.19

Verdades

Não existem verdades definitivas. O que existem são interpretações (bem ou mal) elaboradas sobre determinados aspectos da realidade — cientificamente comprováveis ou não — mas necessariamente condicionadas pelo ponto de vista, pelos interesses, visão do mundo e capacidade intelectual de quem as propõe.

15.1.19

Felicidade

Para os filósofos cínicos, a felicidade não é algo passageiro: uma vez alcançada, nunca mais a perdemos. A princípio, parece um absurdo, mas é uma teoria bastante sustentável. Digo isso, e concordo plenamente, porque aconteceu comigo! Sou a prova viva de que isso é possível. Meu conceito de felicidade — já por mim alcançada — é ser bem-aventurado. É ter um corpo saudável, completo domínio dos estados de espírito, e liberdade total. Muita alegria, bom humor inabalável e gostosura transbordante, além de amores infinitos. Ausência de pressa, de ciúmes e de ódio, ausência de medo, inveja e vergonha. E completa ausência de apego. Basicamente isso.

Estou escrevendo algo mais a respeito, que vou publicar no meu livro Sermão da Cordilheira.