21.7.19

Plantar uma árvore

Plantar uma árvore, ter um filho, e escrever um livro — dizem. Mas depende. Depende da árvore, depende do filho, depende do livro. Depende da semente, depende do pai, depende do escritor; depende do solo, da razão, da inteligência; depende da mãe, depende da chuva, da tabuada, do estilo, e do bom gosto.

Depende sempre:

Um pé de mamão, Jesus, e a Montanha Mágica: magníficos!

Claro que tem árvores lindas, filhos maravilhosos e livros fascinantes... Mas também tem árvore seca, filho babaca, e livro de ponto. Tem plantador que não conhece a terra, tem mãe superprotetora, e escritor que não sabe o que diz. Tem árvore que não vinga, filho que não estuda, livro-caixa. Tem árvore que não dá fruto, nem flor e nem sombra; tem filho que é violento e burro, e tem livro mal escrito...

Tudo depende.

20.7.19

Meu maior Amor

Muitas mulheres marcam deliciosamente a minha vida. Todas são especiais; nove são musas. Mas uma delas se destaca... Uma mulher que jamais quebrou as lanças da minha ousadia, e nunca pensou em cortar-me as asas de pássaro livre. Uma mulher que me apóia com entusiasmo, incentiva os meus saltos profundos e me aplaude em todas as conquistas. Ela compreende os meus gestos, mesmo quando parados no ar. Ela me aceita como sou, inteiramente. E me faz acreditar, cada vez mais, que o verdadeiro amor é a união gostosa de duas espontaneidades, a fusão poética de dois devaneios.

Essa mulher é minha mãe.



Abaixo um pouco de história, de doze anos atrás.

Ela hoje (31/10/2007) está meio doente e mais de mil quilômetros nos separam. Mil quilômetros e uma crueldade impressionante: não posso nem falar com ela para dizer-lhe a minha dor. Não me deixam nem sequer telefonar pra ela. Então, só me resta chorar por ela. E me lembrar das canções de ninar que ela cantava para que eu não dormisse. Do Kyrie Eleison ao Noel Rosa.

E me lembrar do dia em que eu nasci.

Era um dia de duplas esperanças. Era uma noite de luar azul escandaloso. Era um sábado de aleluias, era hora de metáforas e loucuras. Era uma casinha de madeira e Primavera ao lado de uma bela roseira branca no finzinho de uma rua principal. Como toda mulher inocente, minha mãe havia sido deflorada por um delicado Inspírito Santo. Era madrugada e ela estava sozinha outra vez. Foi então que a Mulher me deu a Luz.

Era o começo de uma história de Amor.



Uma laranja e uma mixirica que ela havia mandado pra mim em dezembro de 2007.

Essa crueldade impressionante nada mais é que a tentativa maldosa de alguns outros filhos de minha mãe, no sentido de, pela primeira vez na história, colocá-la contra mim. Trocaram o telefone dela e não me deram o novo número só para que ela pudesse talvez dizer: "O Edson não tem ligado mais pra mim..." /// Coitadinha da minha Mãe: longe de mim, e rodeada de gente capaz de agir com tamanha maldade! /// Mas isso tudo, três meses depois, foi de certo modo resolvido. E já voltei a falar com ela. Religiosamente, todo domingo ao meio-dia.

E os injustos arrependidos ficam agora sorrindo amarelo...

Essa CENSURA ridícula e maldosa durou até 12/12/2007. Foi quando um dos meus irmãos (Beto, então ainda saudável) me deu o novo número. Até hoje não consigo entender por que fizeram isso comigo. Alguns deles, entre um Rivotril e outro, já começaram a se desculpar. Mas não é preciso. Jamais esquecerei. Essas pessoas já tomaram tantas decisões erradas em suas vidas, que esta foi apenas mais uma. /// Impedir alguém de fazer aquilo que a Lei permite é crime. /// Entretanto, acabo só me lembrando de Sócrates: "Quando um asno te dá um coice, não adianta fazer um B.O."


Mas tudo isso também serviu para que eu criasse um poema...

Edson. Guarujá. 24.12.2007



Atualizando a expressão dos meus sentimentos:

Ter um irmão como eu não deve ser fácil: há mais de vinte anos que não perco a calma, não reclamo da Vida, dou valor secundário às coisas secundárias, e sou um poeta zen, feliz e alegre. O único solteiro entre os irmãos. E não fico doente! Há mais de vinte anos que não tomo nem aspirina... Isso talvez possa causar um certo desconforto espiritual naqueles que se supõem iguais por terem nascido, supostamente, da mesma Mãe. Mal sabem eles que a Mãe de um primogênito é sempre diferente da Mãe dos demais filhos. Tudo muda. E talvez essa injusta medida tomada por eles, no caso da censura ao telefone, foi só uma vã tentativa de arrastar-me para o mundo escuro dos conceitos mal elaborados. Jamais conseguirão.

Eu sempre os compreendi.

Eles jamais me compreenderão.

Com a ajuda do Tempo, e da Biologia, tudo se resolverá.

Bom ressaltar ainda que, nossa convivência sempre foi amorosíssima, em todos os sentidos, em todas as circunstâncias. Até que eles começaram a tomar antidepressivos...

Edson. Palladium. 09.01.2008.

Filhos

Não tenho filhos — e jamais os terei. Decisão tomada quando eu tinha apenas doze anos. Foi com essa idade que eu cheguei à conclusão que jamais seria um tradicional "chefe de família". Acabei concluindo que ser um bom pai e amante da liberdade — ao mesmo tempo — são coisas mutuamente excludentes. Hoje penso que ter filho é um risco para mim desnecessário. Não quero corrê-lo. Entretanto, se por desventura mudar de ideia ou se por acidente tiver um, sei que serei um bom pai. Um ótimo pai! Porém, caso venha a tê-lo, vou preferir um filho criativo a um filho bem-comportado. Porque não dá pra ser as duas coisas ao mesmo tempo...

Continua aqui.


Este texto sobre não ter filhos gerou muita polêmica, algumas por e-mail (16) e até duas bem maliciosas... Mas, compreendo as razões de todas essas manifestações. Por isso, vou aproveitar para ampliar o meu raciocínio sobre o tema, abrindo inclusive a possibilidade de eu vir a ter um filho, assim que encontrar a Mãe que suponho ideal. Essa mulher, é claro, também deverá me achar ideal... E tem que aceitar, indiscutivelmente, o nome da criança, que já escolhi. Será o primeiro nome com vírgula a ser registrado nos cartórios do Brasil. O nome, provavelmente, será: Eu, Leonardo da Vinci Marques dos Espíritos Santos. Mais o sobrenome da Mãe. Esse filho é a minha ideia 301. Outros detalhes a respeito podem ser vistos AQUI.

19.7.19

Fim do Ano

JÁ ESTAMOS NO FIM DO ANO. E você continua aí, do mesmo jeito, andando pelas mesmas ruas, girando as mesmas chaves para abrir as mesmas portas? Sentado nas mesmas cadeiras, ao lado das mesmas mesas, fazendo sempre as mesmas coisas? Com os mesmos amigos, os mesmos amores, a mesma visão do mundo? Com os mesmos medos e preconceitos? Abraçando as mesmas pessoas, tocando os mesmos corpos, com o mesmo jeito, os mesmos toques, e o mesmo estilo? A mesma instável estabilidade? Repetindo a mesma angustiante rotina?

Onde está aquele maravilhoso projeto de Vida?!

Onde está a coragem de mudar, a coragem de criar? Onde aquele entusiasmo e aquela ousadia de outrora? Onde aquela gostosura tão buscada? Onde estão aqueles sonhos todos?

18.7.19

Libertar

Se você ama de verdade uma determinada pessoa — liberte-a de você, primeiramente. Depois, procure ajudá-la a libertar-se de si mesma, e também da eventual necessidade que ela possa ter de às vezes ligar-se de forma dependente a certas relações aprisionantes. Libertar é salvar. Mas também nunca se esqueça de que salvar-se é libertar-se. De si — e dos outros.


Minha ideia 774

Minha ideia 774.

Divórcio Amoroso e Racional.


A ideia básica é a seguinte: Existe um modo racional de tomar decisões. Sejam estas amorosas, comerciais, familiares ou profissionais. E se existe tal modo racional, não é logicamente recomendável a opção por qualquer outro que não seja.

No caso de uma eventual separação conjugal, e se existem filhos  de pouca idade envolvidos no relacionamento em questão, maior ainda é a responsabilidade de se tomarem decisões racionais.

Racionais e, se possível, amorosas. Ou, pelo menos, compreensivas.


Amar é permitir sempre. Amar é deixar que o outro vá – ou que fique, se assim o desejar. Amar é ter um respeito absoluto pela própria liberdade e pela liberdade do outro. Amar é compreender sempre. E isso não significa apenas entendimento racional, vai além, muito além: Amar é reconhecer afetuosamente o direito que o outro tem de fazer suas escolhas. Mesmo que essas escolhas eventualmente me excluam.





17.7.19

Seducere

O batom desmente os lábios, o perfume esconde o cheiro, o pavão produz um arco enorme de penas coloridas que só escondem-lhe o rabo feio. Sedução vem do latim, seducĕre. Tirar do bom caminho. Encantar. Enfeitiçar. Persuadir alguém a fazer o que em princípio suponha não querer. Levar alguém a ultrapassar os seus próprios limites e a saltar seus preconceitos.

Mas é também possível que o batom apenas realce os lábios lindos, o perfume acenda o cheiro bom, e o verdadeiro rabo do pavão é quando aberto. Como se pode notar, eu gosto muito de defender uma ideia e questioná-la ao mesmo tempo. O filósofo e o poeta dançam de mãos dadas no meu próprio coração. A verdade absoluta é uma coisa absurda, indefensável.

A vida me seduz.

16.7.19

Dia do Homem Livre

Em 15 de Julho comemora-se no Brasil o Dia Internacional do Homem. Uma curiosidade histórica: tal dia foi instituído em julho de 1992, pela escritora Mariazinha Congíglio, pelo maestro Mário Albanese, pelo jornalista João Marcos Ciccarelli, e por mim. E o dia escolhido (15) foi uma brincadeira minha, homenagem indireta à Mãe de um certo aniversariante...

E assim, num jantar da Ordem Nacional dos Escritores, no Terraço Itália, no ano de 1992, foi criado o Dia Internacional do Homem, com notícia publicada nos jornais da época. Chegamos até a escrever um "Estatuto", que foi redigido por Geraldo Vidigal. Porém, como sou co-autor da ideia, estou sugerindo que se mude o nome para: Dia do Homem Livre.

Afinal, se não for livre — vai comemorar o quê?

15.7.19

Aniversário da Mãe

Hoje é Aniversário da minha Mãe. Por isso, eu sigo só o sinal que não aponta, e que partiu de dentro do meu próprio coração. Estou aqui, nesta ensolarada conjunção de fatores, escrevendo, olhando nuvens de sorvete no céu de Itararé, ouvindo corruíras, pardais e bem-te-vis, uma algazarra de sons por sobre mim. Tomando café com amor, e pensando nessa mulher que me gerou, Iracy. Saudades me cobrem os olhos. Ela sabe fazer pão recheado com queijo branco. Ela mesma escolhe o trigo, prepara a massa com a magia das próprias mãos. Ainda de madrugada, ela fica fazendo o pão e cantando baixinho, como se fosse um mantra.

Agora mesmo um tiziuzinho pousou ali no canto do terraço e ficou me olhando, cantou três vezes e foi-se embora. Mas deu tempo de dizer-lhe que vá contar à minha Mãe, agora mesmo, que estou aqui, pensando nela. Você sabia que o tiziu sempre salta quando canta? Se não me engano, se for preto é macho e se for esverdeadinho é fêmea. Lindo pássaro. Canta saltitando. E fico pensando: Será que o salto precede o canto, ou será que o canto precede o salto? Não sei... Só sei, Mãe, é que o pão que me alimenta é um produto do teu trigo.

E também me lembrando, com saudades enormes, do Meu Pai.

14.7.19

769


Hoje eu decidi criar uma Startup





Investimentos em Libra no Brasil. 


Início de operações previsto para a Primavera de 2020.

13.7.19

DesMandamentos

DesMandamentos:

1. Ame a Vida sobre todas as coisas.
2. Não obedeça a ordens — exceto àquelas que venham do teu próprio coração.
3. A felicidade está dentro de você. Não a procure em nenhum outro lugar.
4. O amor livre é a mais religiosa das orações.
5. O desapego é a única porta para o Céu.
6. A vida só existe aqui e agora.
7. Não corra: dance.
8. Viva acordado — em todos os sentidos.
9. Pare de buscar: o que é teu já te pertence.
10. Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.

12.7.19

Declaração de Amor à Vida

Minha honestidade pessoal me leva a ser autêntico. A nunca fazer o que eu não queira. Porque não preciso fazer aquilo que não quero. Posso perder algumas coisas por ser assim, agir assim, pensar assim. E seguramente perco mesmo muitas coisas — muitas! — mas todas não significativas para mim. Perco coisas, mas não perco liberdade. Não perco aventuras, não perco amor, tesão, gostosura, desejos, tentações. Ou seja, posso perder coisas, mas ganho na dimensão da minha personalidade, da minha alma, da minha alegria. Pois não abro concessões àqueles que possam querer me prender.

Não jogo minha própria vida em troco de salário, prestígio, poder, posses, coisas, tranqueiras. Não permito que me roubem esse único presente que tenho em troca de um futuro que nem sei se vai haver. Não assumo compromissos que me sufoquem, ou que me levem à exaustão para cumpri-los. Não crio dependências que me prendam, em hipótese alguma. Não me casei, não tenho filhos, não tenho noivas, não tenho muitas namoradas, não faço juras de amor eterno, nem tenho planos mirabolantes que possam sugar minha existência gostosa de agora.

Faço só o que me dá prazer — e apenas pelo prazer. Sem nenhuma maldade. Sem dor, sem pressa, sem esforço desumano, sem mágoas, sem ciúmes, sem cansaço e sem pressões. Sem explorar quem quer que seja.

E isso não é um mero jogo de palavras: Eu sou assim.

Sou o dono do meu tempo.

Sou o diretor da minha Vida.

E não deixarei de amar os meus amores em nome de nada!

11.7.19

Tomé 64

Estava na Bíblia:

Jesus gostava muito de festas.

Certo dia pediu Ele a um discípulo que convidasse alguns de seus amigos para jantar. Ao primeiro convite, o amigo respondeu: Hoje não é possível, tenho um compromisso: minha filha vai se casar e preciso conversar com o futuro genro. O segundo amigo disse: Peça desculpas ao mestre porque hoje não posso ir. Aluguei uma casa, espero o inquilino que virá pagar-me o aluguel. O outro também disse: Desculpas ao Mestre, pois "tenho compromisso, dinheiros a receber, alguém vai me trazer um cheque do Bradesco e tenho que ir depositá-lo no caixa eletrônico." Ao quarto convite o amigo mandou dizer que estava fazendo "a contabilidade das empresas, o contador viria mais tarde", coisas assim. O quinto convidado disse que havia um programa na TV a respeito da globalização, que lhe perdoasse o Mestre, outro dia, quem sabe. O último convidado também deu uma desculpa qualquer, esfarrapada, problemas na família, nos negócios, etc.

O discípulo voltou e fez um relato das razões furadas que os amigos alegaram para que nenhum deles viesse jantar. Então Jesus disse:

— Negociantes jamais entrarão no Reino de Deus.

Nessa noite Jesus jantou sozinho. Chegou depois a chutar uma canequinha de lata que havia caído da mesa e voltou a dizer: "Seus bobos!" E antes de dormir ainda fez questão de resmungar, virando-se de lado e puxando o cobertor:

— Vocês ainda não viram nada, seus idiotas!

(...)
Esta é a minha versão do versículo 64 do Evangelho de Tomé.

10.7.19

Amizade Amor

A amizade nunca impõe restrições aos atos do outro, nem constrói barreiras para impedir o crescimento do ser amado. A amizade pressupõe compreensão absoluta. Confiança irrestrita. E assim também deveria ser o amor. O verdadeiro Amor. Sabe, depois de ter amado tanto e estar amando ainda mais; depois de conhecer — inclusive no sentido bíblico — milhares de pessoas, eu acabo concluindo que o Amor só acontece em sua plenitude numa deliciosa relação de amizade.

Mas uma amizade coloridíssima, daliniana, picassante!


Tentarei me explicar.

Já imaginou passar a vida toda com um amigo só?! Já imaginou assinar um documento se comprometendo que só vai ter esse amigo pelo resto da vida? Almoçar só com ele, jantar só com ele, ir ao teatro, ao cinema, à praia — só com ele! Viajar só com ele — e só se ele permitir! Dormir ao lado dele todo dia, na mesma cama! Conversar sobre os mesmos assuntos, ver os mesmos programas de tv, entediar-se mutuamente — todo dia!


Ah... a amizade com certeza não resistiria...


Então, por que você acha que o amor é capaz de resistir?

7.7.19

in Fidelidade


O desapego é a mais pura forma de amor. Essa minha frase é apenas um resumo do que me disseram dois grandes mestres: Sidarta, o criador do Budismo, e Jesus, aquele que fez o Sermão da Montanha. Eles sussurram todo dia essas coisas para mim. Ambos pregavam exatamente isso: o desapego. Sei que é difícil desapegar-se. Demora muito. Mas, mesmo assim, é preciso ir além. É preciso que nos tornemos não só desapegados, como também desnecessários. Ou seja, é preciso permitir que o outro também de nós se desapegue. Libertar-se — e permitir que o outro também se liberte. Todas as grandes religiões e filosofias orientais pregam exatamente isso. Mas, nós, aqui no Ocidente, apressados e materialistas, ainda estamos longe disso. Somos muito pesados. É uma pena.

Estou revisando esse texto. Talvez eu ainda o altere um pouco mais.

6.7.19

Se não for agora — quando?

Este é o melhor ano da minha vida. Mas não aconteceu por acaso. Foi preciso eu tomar uma atitude radical. Foi preciso dar um pontapé nas circunstâncias opressoras que teimavam em prender-me. Foi preciso ser preciso. Foi preciso saltar profundo. E eu saltei. E acabo de me lembrando de um poema que escrevi no Manual da Separação. Está na página 192. É este:

Se não for agora, quando?

Tem hora de parar — e tem hora de partir,
tem hora de permanecer quieto e calado num canto,
e tem hora de cantar e de voar.
Agora,
agora não é hora de dobrar as asas,
nem de calar a voz,
nem de catar gravetos para fazer o ninho.
Agora não é hora de sentir remorsos,
nem de buscar consolo, nem de caiar o túmulo.

Agora que estou na beirada,
bêbado de alegria — pronto para o salto,
não me segure em nome de nada.
Não queira impedir-me dizendo que é muito cedo,
ou que é muito tarde,
ou que está escuro, é perigoso, muito alto,
muito fundo, muito longe...

Não!

Se você não puder incentivar-me para o salto,
ou até mesmo empurrar-me com amor em direção à Vida,
não me prenda, não me amarre.
Não envenene com teu medo a minha dança.
Seja só uma testemunha silenciosa desta vertigem.
Porque agora,
agora é hora de voar.
Agora é hora de abrir-me a todas as possibilidades.

E voar um voo livre e sem destino para dentro de mim mesmo!

5.7.19

Vitalina Botticelli

Ela me ensinou a pecar sem culpa — isso eu jamais esquecerei. Tinha um pé de café lá no fundo do quintal, ao lado de uma roseira, e eu ficava colhendo só os grãozinhos vermelhos, que eram bem doces. Havia também um velho torrador de manivela meio enferrujado, um fogão de lenha limpíssimo, e muitas histórias de amor. E uma ciência sutil que só as mulheres eleitas por Deus conseguem ter.

O processo todo das lições que ela me dava é muito longo — passa até por um despertador de alumínio, um Jesus de madeira corroída, uma bicicleta vermelha e várias tentações. Um dia desses vou descrevê-lo aqui.

Ela ainda assava queijo branco na palha de milho, todo dia, e me olhava com seus olhos de mistério. Mas, a imagem que mais me volta hoje à lembrança... é minha Vó Vitalina olhando o Botticelli pregado na parede da sala, e tomando café no bico do bule. Delicadamente — como se fizesse amor.


Vou agora fazer o meu.

Antes que a noite acabe e a lua se vá.

4.7.19

Controle emocional

Quando eu defendo o CONTROLE das emoções, algumas pessoas podem pensar que estou propondo a supressão das emoções. Não é disso que se trata. O que proponho é, num primeiro momento, racionalizar a expressão das emoções. Dominado esse processo (esse procedimento), passaríamos a controlar a própria forma com que as emoções, em si, ocorrem.

Ou seja, só bateríamos com violência uma porta, ou só daríamos um tiro na testa de alguém — SÓ DEPOIS de concluirmos, com base na lógica, que tal procedimento tornará o (nosso) mundo melhor e mais justo. Mas essa conclusão tem que ser racional. Deve ser produto de uma extensa cadeia de raciocínios, preferencialmente lógicos. Nada de ficar batendo porta à toa, xingando alguém à toa, ou dando tiros à toa...

Depois vou escrever algo sobre as emoções positivas. As amorosas.

3.7.19

As ideias do Outro

Aceitar, em princípio, as suposições racionais eventualmente contrárias às tuas, feitas pelo Outro a respeito de uma certa questão, não significa, necessariamente, o abandono das tuas próprias sobre a mesma questão.

É só um gesto de elegância filosófica.

2.7.19

Curiosidade intelectual

Às vezes, por mera curiosidade intelectual, e só para conhecer-lhe os limites e a suposta escuridão, posso até entrar num túmulo, por algum tempo, desde que brevíssimo. Mas não deixo de respirar profundamente — e jamais permito que cimentem a lápide por sobre mim.

1.7.19

Alameda Barros

Estou revisando os últimos capítulos do meu livro Teoria do Acaso e me deparo com certos fatos ali narrados que ainda me emocionam demais. Nesse livro eu conto detalhes de como conheci alguns dos meus amores, como foi que as circunstâncias me abraçaram, e como também por mim foram elas abraçadas. Como foi que meu pai se apaixonou por minha mãe. Como foi que Nietzsche conheceu Lou Salomé, como Dali se apaixonou por Gala, como foi que Sócrates encontrou Xantipa. Minha tese é que o acaso é a causa de cada uma dessas coisas. Tudo que acontece na vida da gente é obra do acaso. E agora, ao escrever sobre Suzana, acabo me lembrando da década de 1990, quando eu morava na Alameda Barros, em SP, e às vezes chegava em casa à noite e encontrava uma festa. Alguém me abria a porta e até me perguntava quem eu era... Eu costumava deixar uma chave do apartamento na portaria, e autorização explícita para que toda mulher — consideradas algumas premissas, mesmo que os porteiros nem a conhecessem — pudesse pegar a chave e subir. Quantas mulheres fossem. E que se sentissem elas totalmente à vontade. Que bebessem do meu vinho e comessem do meu pão. Algumas eram amigas, e outras, totalmente desconhecidas. As surpresas que eu tinha por causa disso sempre foram maravilhosas. Conto algumas dessas surpresas, dezenas, nesse livro acima citado. Era assim a minha vida. E nesses quase quinze anos que se passaram não mudou quase nada — exceto duas relações fechadas que me levaram a diminuir muito a freqüência das festas. Mas voltarei logo mais a deixar minha chave na portaria de novo — com a mesma recomendação. Para que tudo se repita outra vez, de modo ampliado, mais intenso, e mais gostoso.



Naquele mundo maravilhoso, o "centro de gravidade" era Eu — e Eu saltava dentro de mim mesmo, para um outro Eu ainda mais profundo e mais central. Eu era um sol iluminando estrelas cadentes. Eu lhes dava luz e amor, em troca de mais luz e mais amor. Eu me tornava cada vez mais absoluto, e elas viravam estrelas ascendentes, bailarinas, quase sempre. Felizes aquelas que gravitavam em meu redor, diziam elas. Em verdade, aos pares nos tornávamos estrelas binárias — ainda que por vezes santíssimas trindades ocorressem. Tudo era fora do normal. À época eu pensava que certas coisas eu só as contaria vinte anos depois da minha morte. Hoje eu já considero a possibilidade de contá-las vinte anos antes. Daqui uns quarenta, portanto.

30.6.19

Pontos de Vista

PONTOS DE VISTA

Quero te fazer umas três ou quatro perguntas, cujas respostas podem me dizer quem você é:

Especialmente em questões subjetivas — tais como política, profissões, amor e religião — quando você não concorda com determinadas concepções, também considera que a melhor razão pode estar lá no OUTRO LADO?

Em certas discussões, você tem abertura intelectual suficiente para às vezes considerar que o ponto de vista contrário ao teu pode estar até mais próximo da suposta verdade?

Você já não defendeu alguns valores, ideias e proposições que depois envelheceram — e envelheceram desesperadamente?

Desde a infância ou adolescência, você já não teve tantas certezas absolutas que mais tarde foram fulminadas pelo tempo, pela experiência e pelo estudo?

Sobre certos assuntos, você já não mudou de ideia muitas e muitas vezes?

E será que agora nunca mais vai mudar?


Será que você já chegou, definitivamente, a todas as melhores conclusões possíveis?

29.6.19

Teoria do Acaso

Com base na tese que defendo no livro Teoria do Acaso, só somos o que somos porque fomos o que fomos. O destino não passa de uma inegável sucessão de acasos. A liberdade é sempre condicionada pela base material da existência. Se meu bisavô não tivesse raptado sua amada Vitalina em 1920, eu sequer existiria. Se alguém batesse à porta do meu pai minutos antes de ele transar com minha Mãe no dia em que fui gerado, eu também jamais existiria.

Isso vale inclusive pra você.

E se eu tivesse me casado com o primeiro grande amor da minha vida, certamente não estaria aqui, agora, solteiro — e feliz. Ou talvez meu conceito de felicidade fosse outro, e eu hoje poderia estar mais feliz ainda — e casado. Mas, com base nas estatísticas, e se o casamento é mesmo o túmulo do amor, tivesse casado, eu hoje estaria morto — no sentido figurado, ou de verdade, tanto faz.

Como se vê, o acúmulo das decisões tomadas por nós determina a situação presente. Nesse sentido, se eu mudasse qualquer das decisões que tomei, por menores que fossem, em qualquer momento anterior da minha vida, nada do que vivi após essa decisão teria acontecido como aconteceu. E hoje eu não seria o que sou. Poderia estar melhor ou pior, não importa. O que realmente importa é que toda decisão é crucial. Portanto, reflita bastante sobre as decisões que você estiver tomando hoje. Elas determinarão o teu futuro, necessariamente. E como mudar o passado não é mais possível, tente mudar o futuro. Se o caminho que você hoje percorre pode desembocar na escuridão, tome providências.

Às vezes, na vida da gente, logo ali à frente pode haver uma emboscada. Ou talvez uma porta escancarada para o céu, não se sabe.


Você pode ler os capítulos iniciais desse livro AQUI

27.6.19

Vitórias elegantes

Aos meus adversários eu sempre lhes concedo alternativas. Que escolham eles mesmos o tipo de derrota que preferem. Porque, para mim, toda vitória tem que ser elegante.

26.6.19

Meus irmãos

Nenhum dos meus irmãos me compreende. Primogênito, solteiro e sem filhos, amante do vinho, da dança e da música — além de poeta libertário cheio de amores — pareço-lhes um louco.

Aliás, a partir do momento em que disserem que me compreendem, estarão eles assumindo, implicitamente, que se foderam. E essa conclusão, sob todos os bons pontos de vista, é-lhes desesperadamente incômoda. Porque nossas razões ainda são mutuamente excludentes. Com exceção de dois deles (cujas relações parecem até razoáveis, ainda que sem brilho), todos os meus irmãos se deram mal no casamento.

Todos.

Não dá nem pra disfarçar.

Logo vemos na cara dos coitados: se foderam no grau máximo que a expressão comporta.

Eu vivia lhes dizendo, e o demonstrava com minhas atitudes cotidianas:

— Não confundam uma transa eventual com a constituição de uma família. Não pensem que toda relação tem, necessariamente, que gerar uma fruta. Não se fodam em nome de nada, nem mesmo do amor. As relações são passageiras. Tudo se transforma. Não existe amor eterno...

Eu vivia lhes dizendo tudo isso — por anos e anos a fio — mas eles fizeram questão de não me ouvir.

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24.6.19

Vitalina e Yracy

Minha Vó Vitalina e minha Mãe (que nesse dia já estava grávida de mim).


Fuja das pessoas raivosas, estude bastante — e mantenha os pés quentes.
E lave as mãos vinte vezes por dia.

23.6.19

Teoria do Acaso

O que mais excita um ser humano saudável é a possibilidade aberta de uma nova vida. Foi por isso que o meu bisavô deixou que a rebeldia lhe subisse à flor da pele. Num certo fim de ano ele tomou aquelas decisões que só os corajosos conseguem tomar: montou o cavalo negro do risco absoluto — e partiu!

Pois ele também já sabia que o único crime que não tem perdão é desperdiçar a vida.

Abandonou TUDO para não ter que abandonar a própria existência naqueles caminhos já percorridos. Trocou um milhão de verdades antigas por uma pequena mochila de sonhos. Jogou fora o velho baú de premissas usadas, quebrou as algemas — e caiu na Vida.

Não fosse por isso, eu não teria nem nascido — e não estaria aqui, agora, à beira do mar, tomando um belo copo de vinho branco e contando essas coisas todas pra você.

Sou portanto bisneto da rebeldia.

Sou bisneto da rebeldia, neto da emoção, filho da loucura, irmão do desejo, primo do prazer, amigo da liberdade, e amante de todos os meus amores. E existo, por incrível que pareça.

No céu da minha boca não há fogos de artifício. Só estrelas!

(...)

Foi assim que começou a minha vida.

22.6.19

Algumas frases

‎211. Aceitar o inevitável é uma sábia decisão.
212. O auge de uma paixão está sempre no começo dela.
213. Não espere a graça do cisne no pescoço de um pato.
214. Em vez de salvar a relação, eu prefiro salvar o meu Amor.
215. Só tem uma coisa pior do que morrer: é viver pouco.
216. Sempre danço conforme a música. Mas, antes, escrevo a partitura.
217. Toda emoção é produto de um raciocínio.
218. Quem jura amor eterno deveria ser processado por estelionato emocional.
219. Toda musa já traz uma víbora dentro de si. É só uma questão de tempo.
220. Dispenso a compreensão daqueles que não conseguem me compreender.
221. Se, numa relação de amor, a verdade entristece — minta com alegria.
222. Prazer não sentido é prazer perdido. Irrecuperavelmente perdido.
223. Se o amor não pode ser livre, não deve ser nada.
224. Ceder uma vez só é muito mais difícil do que ceder nunca.
225. É um desperdício imperdoável ter um grande coração, e deixar nele um único amor.
226. A capacidade de questionar as próprias convicções é um atributo dos seres mais elevados.
227. Eu não vejo o cotidiano: eu vejo a eternidade.
228. A melhor realidade é aquela que nasce de um sonho.

21.6.19

O Grande Príncipe


TU TE TORNAS ETERNAMENTE RESPONSÁVEL POR AQUILO QUE CATIVAS


Essa frase é de Saint-Exupéry — e pode ser lida no capítulo 21 do livro O Pequeno Príncipe. É uma frase com belíssima sonoridade em português, e impressiona talvez por isso. Mas seu sentido é questionável. A palavra-chave para seu entendimento é "cativas", que vem do verbo "apprivoiser". Se tomarmos o verbo "cativar" significando "conquistar a simpatia", seduzir, a frase se torna ridícula: claro que não devemos nos responsabilizar, eternamente, pelo julgamento que um outro faz de nós. Menos ainda se esse eventual julgamento positivo for apressado e meramente estético. (...)

Continua AQUI.

20.6.19

Divino Homem

Acho que o homem ideal é uma síntese das boas qualidades de Leonardo da Vinci, Cazuza, Bill Gates, Henry Miller, Jesus Cristo, Che Guevara, Espinosa, Sun Tzu e Brad Pitt. Deve possuir esplendor estético, força intelectual e sabedoria. Tem que ser inteligente, saudável, destemido, talentoso, artista criativo, rico, poeta — e sensual. Além disso, e antes de tudo, tem que ser amante da liberdade absoluta!

19.6.19

Chove na Enseada

Gotinhas de madrepérola caem delicadas sobre mim. Vou à praia tomando chuva. Na areia, histórias onduladas, deliciosas, navegantes. Calígula, você sabe, antes de invadir a Britânia, ordenou aos soldados das legiões romanas que catassem conchinhas à beira-mar. Começo a pensar na beleza dos legionários tomando sol em vez de fazer a guerra.

Decido então distrair o meu espírito na Enseada, como fosse um Tibério na Ilha de Capri. E começo a catar conchinhas nesta plena quinta-feira, entre suspiros de amor e riscos na areia. Exercito a coragem fazendo arte. Tomo água de coco, e penso em ócios e negócios, em reais e fantasias. Medito girando — e a praia dança.

Só me resta lembrar do que ontem me disse Kierkegaard: "Arriscar-se é perder o equilíbrio por uns tempos... Mas não se arriscar é perder-se a si mesmo para sempre".

17.6.19

Dois caminhos

A vida tem dois caminhos:


Ou você segue o caminho da Tristeza,
arma-se de medo, de ciúmes e de falsas alegrias,
arma-se de angústia, fecha os olhos, se acomoda,
e segue o rebanho dos que não sabem;
obedece a regras injustas, não reage, não questiona,
não se aprimora, não lê, não significa,
nem percebe o absurdo em que se mete.
Vende a própria natureza
por duas ou três moedas de aço,
troca a inocência pela responsabilidade apressada,
torna-se respeitável aos olhos da sociedade,
cumpre horários, nunca tem tempo,
preocupa-se com coisas banais.
Comerciante das próprias emoções — já não brinca,
vive correndo, ama com pressa,
esquece-se da lua,
e se torna uma pessoa média, mediana, medíocre,
pequena, cansada e normal...


Ou você escolhe o caminho da Ousadia,
compreende, se aprofunda, vai mais longe, realiza,
respeita o ser humano que existe em você mesmo,
resgata a própria vida e o sorriso,
rompe de vez com o passado agonizante,
procura defender a verdade, a justiça e a poesia,
acorda e assopra o fogo da alma que dormia,
ultrapassa os limites que sufocam,
cavalga o cavalo negro, cego e alado
das paixões gostosas e sublimes,
enche o peito de coragem, corações e relâmpagos,
acende de novo esse vulcão que é o teu corpo,
deixa a própria cabeça plena de agora,
de ternura e de vertigem,
e parte em busca de Aventura, de Amor e Liberdade.


É uma simples questão de escolha.



Qual é o teu caminho?

15.6.19

Furioso coração

Tem dias que eu até tento conter este curioso coração que salta profundo de mim, e que me beija de dentro pra fora.

Amantíssimo, poético, livre — e meu: eis aqui teu coração, meu amor:

Escancarado em meus braços...

♥️

14.6.19

Minha homenagem às crianças

Adoro crianças! Tenho verdadeira paixão intelectual por elas, e parece que tal sentimento é recíproco. Trato-as com profundo respeito, e sempre ensino-lhes coisas novas. Até chego a dar-lhes algumas dicas sobre como enganar (de modo amoroso) os papais muito autoritários e as mamães superprotetoras. Minha relação com as crianças — todas as crianças que não sejam birrentas — é fundada na mútua compreensão, no ensino gostoso da lógica, no deslinde dos mistérios, na cumplicidade fraternal, na alegria de buscar coisas novas e na quebra de alguns tabus. E na tabuada. E na regra de três. E no chute às normas castradoras. Todas as crianças eu as trato como grandes artistas, gênios indomáveis, pequeninos deuses. Por isso elas geralmente também me respeitam — racionalmente.

13.6.19

Alexandre, o Grande

Alexandre, o Grande, com menos de 40 anos já tinha conquistado o Mundo.
Mas, com menos de 50 já estava morto...
Será que adianta?

Reformulando, para que seja melhor compreendido. Claro que tem gente que morre antes dos 50 sem ter conquistado coisa alguma. Mas não é esse o foco do meu texto. Eu aqui me refiro ao desapego como algo superior à ganância. Nesse aspecto eu me lembro de Diógenes preferindo o sol à sombra de Alexandre. Eu me lembro de Jesus e Henry Miller. Eu me lembro de mim (que fico escrevendo ensaios e contando histórias em vez de construir uma casa) e também de você (que encontra tempo para ler poesias, em vez de seguir o rebanho dos que se estressam).

Filosofia

Eu não quero levar as pessoas à Filosofia, mas sim trazer a filosofia às pessoas. Eu sou só um hierofante pequenino, um abridor de gaiolas, um menino magrinho de seis anos que brinca com Jesus lá no fundo do quintal da minha Vó. Eu não quero nada complicado.

Eu não quero que o ciumento seja livre, eu não quero que o crente vire ateu, eu não quero que o gordinho emagreça, eu não quero que o depressivo abandone as suas drogas, eu não quero que o pinguço se endireite, eu não quero que o safado vire um santo...

Eu não quero converter absolutamente ninguém a coisa alguma.

Eu só quero que eles pensem.

E também quero lhes dar um buquê, um amoroso buquê de flores e estrelas — todos os dias...

🌹🌹🌹

9.6.19

Deliciosas emoções

Quando a realidade se opuser à tua razão, procure compreender. Afinal, a realidade às vezes não consegue te acompanhar... Porque talvez tua razão seja feita de deliciosas emoções.

8.6.19

Felicidade

Para os filósofos cínicos, a felicidade não é algo passageiro: uma vez alcançada, nunca mais a perdemos. A princípio, parece um absurdo, mas é uma teoria bastante sustentável. Digo isso, e concordo plenamente, porque aconteceu comigo! Sou a prova viva de que isso é possível. Meu conceito de felicidade — já por mim alcançada — é ser bem-aventurado. É ter um corpo saudável, completo domínio dos estados de espírito, e liberdade total. Muita alegria, bom humor inabalável e gostosura transbordante, além de amores infinitos. Ausência de pressa, de ciúmes e de ódio, ausência de medo, inveja e vergonha. E completa ausência de apego. Basicamente isso.

Estou escrevendo algo mais a respeito, que vou publicar no meu livro Sermão da Cordilheira.

6.6.19

Estrelas a bombordo

Eu abro caminho com estrelas a bombordo e com flores no infinito. Na vida, eu sempre me ligo a certas coisas e me desligo de outras. Fico cheio de tantas, e vazio de muitas. Um Mar Vermelho inteiro acaba de se abrir aqui agora mesmo à minha frente. E eu respiro como se ondas azuis inflassem de Deus o meu espírito em repouso. Tudo agora é muito claro para mim. Até o Céu se esclareceu. Aliás, se vou para o Norte ou se vou para o Sul — nunca mais saberei. Porque não é preciso mais saber, nos dois sentidos de saber e de preciso. Nada agora é mais urgente que viver Agora. Por isso que rasguei os meus mapas, quebrei meu relógio e joguei minha bússola... Acabei de me encontrar — e abracei meu coração. Apaixonei-me por Mim...

4.6.19

Minha proposta

Minha proposta é a Liberdade Absoluta. Eu venho é para semear razões, quebrar paradigmas, romper limites e derrubar padrões. Não trago nenhuma resposta pronta: só faço perguntas. Eu quero é mexer no coração da tua cabeça, carinhosamente. Fazer um delicioso cafuné nos teus neurônios enrolados. Passar um pente fino nos caracóis da tradição. Quero questionar tuas verdades mais queridas. Chacoalhar tuas convicções inabaláveis. Não vim, portanto, te propor sossego — nem venho te trazer a paz cansada... Eu te convido a ter coragem. Eu te convido a um salto profundo. Um salto escandalosamente profundo em direção à Vida.

3.6.19

Sou Eu o meu Amor

Ontem, no trânsito, dirigindo na avenida da praia, tive um insight: aquele "idiota" que ocupava o meu corpo não era Eu: era um "outro", que ali estava a caminho do trabalho alienado — numa desesperada pausa da própria vida. Estava indo vender o meu tempo para uma pessoa que não tem uma clareza gostosa da vida. Falar de negócios com alguém que nunca deve ter lido um poema de amor é uma penitência. Uma coisa que eu às vezes preciso suportar. Porém, logo mais, à noite, eu voltaria a ser Eu — e viveria como mereço e posso. Encheria uma taça com gelo picado e Absinto, colocaria talvez Jon Bon Jovi a dizer-me It's Just Me, chamaria os meus amores, um por um, e depois entraria delicadamente no Oceano Atlântico que eu tenho no alto da minha casa. E ficaria olhando a nova lua nova por toda a eternidade...

2.6.19

Baldassare Peruzzi





Peruzzi worked in his home city and in Rome, where he spent many years as one of the architects of the St Peter’s Basilica project but where he was also responsible for two outstanding buildings in his own right - the Villa Farnesina and the Palazzo Massimo alle Colonne

1.6.19

Aula de lógica 2

Se, num hipotético desastre aéreo, você caísse num deserto com apenas um balde de gelo — nada mais — quantos dias você acha que conseguiria sobreviver?

Esta é uma das perguntas exemplares que faço em palestras a diretores e gerentes. E também a adolescentes ou estudantes da escola primária quando lhes dou uma breve aula de Lógica. Há outras. Tem uma alegoria interessante sobre papel higiênico que agrada muito ao público. Pois é, para falar de Lógica, não é preciso citar Bertrand Russell nem Aristóteles, nem falar difícil. É só despertar a curiosidade e provocar o encanto das crianças pela Palavra e pela Razão. Das crianças — e também dos adultos que ainda não perderam a vontade de aprender e questionar.

Tudo isso está no meu livro Lógica para Crianças, onde, na página 248, eu digo que, ao analisar as possíveis respostas à citada questão (queda no deserto), começo perguntando quantos litros tem um balde. Afinal, balde não é unidade de medida. Ou seja, a pergunta refere-se a balde do tamanho de um barril ou de um dedal? Se você caísse sozinho ou com mais pessoas? Outro dado importante: gelo do quê? De água ou, por exemplo, de amônia? E se for gelo de água, potável, ou não? O deserto seria de areia, como do Atacama, ou deserto de gelo, como na Antártida? Ao lado de um oásis, ou a 500 km da cidade mais próxima? Outra coisa que acaba determinando o resultado da queda: cair de que altura? Com paraquedas ou sem? E assim por diante...

31.5.19

Sem pressa e sem pressões

Sem fome, sem sono, sem culpa, sem dor. Sem pressa, sem apego, sem pressões. Sem esperas, sem cobranças, sem promessas. Sem medo e sem controle, sem ódio e sem juízo. Sem maldade — e sensível. Sentindo-me eterno no transitório. Buscando equilíbrio no instável, no incerto. Amado com delícia e liberdade, e amando com grandeza e ousadia. Passageiro numa viagem sem destino, percorrendo caminhos ainda não trilhados. Cada vez mais fascinado e encantado com os novos horizontes que se abrem. Adorando as surpresas no momento em que acontecem, e vivendo a primavera em qualquer das estações. Quebrando as barreiras, de modo irreversível. Ultrapassando limites... Encontrando a essência de cada coisa nela mesma. Compreendendo as razões também daqueles que não conseguem me compreender. Vivendo o mais profundo, o mais criativo, o mais sensual, o mais inocente e o mais sagrado período da minha vida. Sugando a doçura de todas as coisas... Vivendo as maiores e melhores paixões da minha vida, e vibrando com tudo que me toca. Sentindo-me a cada momento como se Deus me cobrisse de glórias, de flores e estrelas. Dançando nas minhas próprias e nas tuas emoções. Inundado de carinho e gratidão. Com a cabeça nas nuvens — e o coração no infinito.

Portanto, o que mais posso eu querer da vida, além de amores livres e brilhantes, crepúsculos cor de abóbora na praia que eu prefiro, óleo de amêndoas doces, um buquê de rosas brancas e vermelhas, duas ou três taças de vinho transbordantes, muita liberdade, alegria, saúde, poesia, gostosura — e tempo livre para viver tudo isso? O que mais posso eu querer da vida?!

29.5.19

O que é a inveja

Hoje quero escrever um breve texto sobre essa coisa horrorosa chamada inveja. Vou começar alterando uma frase genial de José Ingenieros, para deixá-la mais ou menos assim:

A inveja é o modo mais aberrante de prestar homenagem à superioridade alheia.

Escrevi algo sobre as invejas sublimada, neurótica e perversa. Contudo, ainda estou refinando o texto, pois passei a considerar desnecessária tal classificação. No fundo, toda inveja é perversa. Está prevista e condenada nos Dez Mandamentos, e expressa entre os Sete Pecados Capitais. Ou seja: imperdoável até mesmo por Deus! Ela também é condenada em todos os livros e códigos que tratam da ética nos relacionamentos humanos. Shakespeare acabou colocando-a no rodapé da moral. A inveja é condenável, em si — e em todos os sentidos!

Roedores da glória alheia, os invejosos são simplesmente abomináveis.

28.5.19

Luiz iluminado

Hoje eu quero homenagear meu Pai. O nome dele era Luizito, e já escrevi algumas coisas sobre ele. Porém, o que ainda não disse (mas considero importante) é que ele era um aventureiro. Por exemplo: aos 29 anos de idade, ele já era dono de um pequeno armazém de grande sucesso, tinha uma casa própria com quatro quartos num terreno de 1.200 m2 na rua principal da cidade. Tudo na mais perfeita ordem. Então, inspirado por um Deus cuja voz só ele ouvia, largou tudo, fechou o armazém e a casa, e foi morar num ranchinho de sapé numa fazenda perdida, perto de Sengés, no Paraná. "Uma loucura" — diziam todos, sem compreender o que realmente se passava na cabeça dele. Acontece que eu, hoje, depois de conhecer Jesus, Osho e Nietzsche, compreendo esse gesto zen, esse maravilhoso gesto zen do meu Pai.

E, num caminhão azul de mudanças, um fenemê do Capilé, lá se foi ele, com a esperança, a esposa e os filhos — menos eu, que entraria na escola dois ou três meses depois. Não me senti abandonado; ao contrário: escolhido. Segundo ele, eu precisava estudar.

E eu estudei. E estudo até hoje.

27.5.19

O Pequeno Príncipe

TU TE TORNAS ETERNAMENTE RESPONSÁVEL POR AQUILO QUE CATIVAS

Essa frase é de
Saint-Exupéry — e pode ser lida no capítulo 21 do livro O Pequeno Príncipe. É uma frase com belíssima sonoridade em português, e impressiona talvez por isso. Mas seu sentido é questionável. A palavra-chave para seu entendimento é "cativas", que vem do verbo "apprivoiser". Se tomarmos o verbo "cativar" significando "conquistar a simpatia", seduzir, a frase se torna ridícula: claro que não devemos nos responsabilizar, eternamente, pelo julgamento que um outro faz de nós. Menos ainda se esse eventual julgamento positivo for apressado e meramente estético.

Contudo, se tomarmos o verbo cativar pelo sentido de "prender" (e daí cativeiro, prisão, gaiola, canil, etc.), a frase começa a se sustentar: se prendermos um animal, devemos cuidar dele e garantir-lhe o sustento. Da mesma forma, se prendermos uma pessoa, também devemos cuidar dela, e garantir-lhe os direitos básicos. Acontece que, ao prendê-la, contraditoriamente, já lhe retiramos o mais básico dos seus direitos, que é o direito de ser livre. Logo, essa frase é apenas um impressionante amontoado de absurdos. Uma insensatez — que é repetida como se tivesse algum valor.

E ainda chama o outro de "aquilo". Como se vê, embora bonita, é uma frase extremamente bobinha. O verbo francês "apprivoiser" significa domar, domesticar. Mas suponho que tenha sido um exagero de tradução, e que Antoine de Saint-Exupéry, no contexto, quis dar-lhe um terceiro sentido. Ele mesmo chega a dizer que "apprivoiser" significa "criar laços". Temos que pensar um pouco mais a respeito.



"O Pequeno Príncipe" parece uma obra simples, mas não é. Aliás, é profunda e contém a filosofia de Saint-Exupéry. Seus personagens são parabólicos: o rei, o geômetra, o contador, a raposa, a rosa, o adulto solitário e a serpente, entre outros. O pequeno príncipe era sozinho num planeta pequenino que tinha três vulcões: dois ativos e um extinto. Tinha também uma flor, belíssima e orgulhosíssima. E foi o orgulho exagerado da rosa que desestabilizou aquele mundo do pequeno príncipe e o fez empreender a viagem que o trouxe à Terra, onde encontrou personagens fantásticos, a partir dos quais descobriu o segredo do que é realmente importante na vida. É uma obra que nos mostra uma radical mudança de valores, que ensina como às vezes erramos na avaliação das coisas e das pessoas que nos cercam — e no quanto esses julgamentos são questionáveis. Nós nos preocupamos quase sempre com banalidades, nos tornamos adultos muito cedo — e rapidamente nos esquecemos da criança que ainda somos.

Leia aqui o capítulo 21.

Minha influências

O louco tem que ser lúcido. Mas essa minha concepção de Loucura não nasceu ao acaso, nem é fruto de uma simples rebeldia adolescente. Ela se deve à educação libertária que me deram minha Mãe e minha vó Vitalina, além de ser baseada na minha formação filosófica poética, e na leitura muito séria e consistente de quase toda a obra de Ronald Laing, Artaud, Henry Miller, Espinosa e Nietzsche, entre outros. Portanto, eu, pessoalmente, não mereço nenhum respeito — mas o que eu digo, sim.

Fui também influenciado por Nhô Mané, um negro velho contador de histórias que trabalhava no sítio do meu pai, e por Nhá Marica, aquela cujos seios eram chupados por uma cascavel, e que viu três ou quatro vezes o saci-pererê andando ao lado dela, no meio do mato. Também me influenciaram, claro, Nietzsche, Platão, Aristóteles, Sartre, Osho, meu Pai, meus professores etc. Mas, principalmente, recebi influências maravilhosas de todos esses meus amores infinitos — que dançam comigo todo dia, à beira desse abismo delicioso em que a vida se transforma...