18.5.22

Olhe para os lados

Agora mesmo, onde você estiver, olhe para os lados. Ajuste a consciência, apure a sensibilidade, abra seu coração, respire fundo, olhe para os lados outra vez, e responda-me sinceramente:

— As pessoas com as quais você hoje convive (em casa, na escola ou no trabalho) são amorosas, compreensivas, inteligentes, excitantes, audaciosas, livres, saudáveis, brilhantes, honestas, sensíveis, delicadas, independentes, e cheias de entusiasmo pela vida?

São?!

Porque, se assim não forem, responda-me:

— O QUE É QUE VOCÊ CONTINUA FAZENDO AÍ?

(...)

Mas a pergunta pode ficar ainda mais radical:

— Você manteria relacionamento com uma pessoa que não é amorosa, ou não é compreensiva, ou não é inteligente, ou não é excitante, ou não é audaciosa, ou não é livre, ou não é saudável, ou não é brilhante, ou não é honesta, ou não é sensível, ou não é delicada, ou não é independente, ou não tem entusiasmo algum pela vida?

Manteria?!

Todo momento

Para mim, todo momento é uma oportunidade — de criar, de sonhar, de inventar alguma coisa. De ter uma ideia, de dar um abraço, ou de fazer amor. De tomar um vinho, ou de tomar um sol. Para mim, toda ocasião é uma chance única de viver a vida. Toda ocasião é uma festa. Desperdiçá-la seria um pecado imperdoável. Aliás, como dizia meu bisavô, o único crime que não tem perdão é desperdiçar a vida.

16.5.22

Quando?

O trem da vida passa ao teu lado, e você finge que nem vê. Ele apita na curva e você diz que não ouviu. Você passa a vida inteira preparando as malas...

Você gasta a existência toda arrumando a bagagem, gritando com filhos e carregadores. Gritando com fantasmas e amores, pequeninos, cerceadores.

Você vive de cabeça baixa, derrubando sonhos e pacotes, projetos, tentações.


Por isso eu agora te pergunto:

Quando é que você vai criar coragem — e subir de vez no trem da vida? Quando vai começar tua verdadeira viagem? Quando é que você vai abraçar enfim a Glória e saltar profundo?

Quando?

🔵

Quando?!




13.5.22

Lençol de cetim

Ninguém suportaria lençol de cetim e champagne com morango todo dia, com o mesmo parceiro. Ninguém suportaria uma paixão escandalosa e repetida todo santo dia.

Todo.

Santo.

Dia.

Ninguém suportaria a intervenção diária intensa  das Maravilhas no seu pobre cotidiano.

As pessoas normais só suportam amores medíocres. Elas são movidas a banalidades...

Se a Glória lhes acena, elas fogem.

8.5.22

Dia da Mãe

Era um dia de duplas esperanças. Era uma noite de luar azul escandaloso. Era um sábado de alelúias, era hora de metáforas e loucuras. Era uma casinha de madeira e primavera ao lado de uma roseira branca no finzinho de uma rua principal. Como toda mulher inocente, minha Mãe havia sido deflorada por um delicado Inspírito Santo. Era madrugada e ela estava sozinha outra vez. Foi então que essa Mulher me deu a Luz. Era o começo de uma história de Amor.

Antes do leite, antes do açúcar, antes do arroz com feijão — eu queria mesmo era o amor que ela me dava. Este foi meu primeiro e mais querido alimento: o Amor. Como se pode notar, eu sempre me alimento de Amor e de Mãe, de risco e paixão, de glória e loucura, flores, estrelas, matemática, poesia, lógica e mulher. E liberdade — é claro.

Ela jamais quebrou as lanças da minha ousadia, e nunca pensou em cortar-me as asas de pássaro livre. Ela me apoia com entusiasmo, incentiva os meus saltos profundos e me aplaude todas as conquistas. Compreende os meus gestos, mesmo quando parados no ar. Ela me aceita como sou, inteiramente. E me faz acreditar, cada vez mais, que o verdadeiro amor é a união delicada de duas espontaneidades, a fusão poética de dois devaneios. Ou mais.


Até hoje é assim a minha Mãe. Simpática, amorosa e cheia de alegria...

1.5.22

As Razões do Trabalho

A razão do trabalho.

Se enquanto trabalho não falo de amor;
Se enquanto trabalho não escrevo poesias,
nem vejo a lua, nem tomo sol;
Se enquanto trabalho não crio conceitos;
Se enquanto trabalho não beijo os olhos dos meus amores;
Se enquanto trabalho não ando descalço
em areias brancas,
nem ouço as ondas do mar;
Se enquanto trabalho não abraço a minha Mãe;
Se enquanto trabalho não leio Henry Miller;
Se enquanto trabalho não mergulho em minha alma;
Se enquanto trabalho não vejo filmes,
nem respiro o perfume das s flores,
nem admiro uma obra de Michelangelo;
Se enquanto trabalho não escalo montanhas,
nem salto no escuro, nem tomo uma taça de vinho;
Se enquanto trabalho não medito, não danço, não ouço música,
nem respiro o sagrado ar da liberdade;
Se enquanto trabalho não sonho, nem pinto,
nem componho, nem desenho,
nem esculpo, nem declamo Lorca ou Neruda;
Se enquanto trabalho nem sequer me lembro
dos vinte poemas de amor
e das canções desesperadas;
Se enquanto trabalho não parto melancias,
nem rezo ao meu Deus;

Se enquanto trabalho não faço nada disso,
então só me resta perguntar:

— O que é que estou fazendo aqui?

 

29.4.22

Mude

Eu estudei filosofia para aprender também a ensinar às pessoas a olhar de forma nova para as mesmas coisas, que, no fundo, como já dizia Heráclito, nunca são as mesmas. 

Até a nossa capacidade de colocar vírgulas, com o tempo, muda. 

 Só o que está morto não muda. 

 www.MudeaVida.com


26.4.22

Picanha

Essas pessoas que pregam dietas rigorosas insossas parecem desconhecer que temos uma coisa chamada fígado. Nada entendem de metabolismo e medicina básica. Acham que comer gordura leva gordura diretamente ao sangue, assim como se comer cenoura também levasse a cenoura diretamente ao sangue...

Já fui vegetariano por seis meses e macrobiótico por três. Naquela época, fiquei chato. Felizmente, recuperei-me dessa doença... rs!

Muitos desconhecem que certas vitaminas essenciais são lipossolúveis. Portanto, flores e vinho, gostosura e alegria, amor e liberdade — e uma deliciosa picanha ao ponto certo para nós todos.

23.4.22

MuCaNeHo

Quando você estiver minerando ouro e descobrir uma pepita enorme, ou o início de um veio gigantesco, nunca saia gritando a descoberta do tesouro aos quatro ventos.

Porque sempre pode ter alguém à espreita.

Muita Calma Nessa Hora.


.

19.4.22

Aniversário do meu Pai

 RECOMENDAÇÕES DO MEU PAI



Além das suas recomendações sobre sempre respeitar a propriedade alheia — e nunca usar sapatos velhos — há outras dele das quais agora me lembro:



1. Respeite a tua Mãe.

2. Não carregue pacotes.
3. Não economize na comida.
4. Seja dono do teu próprio negócio.
5. Beba pouco.
6. Estude bastante.
7. Não fume.
8. Não transe com as empregadas.
9. Não minta — exceto se for para salvar a vida.



Quando morreu, trazia no bolso, na carteira de couro marrom, uma carta, dobradinha, meio amarelada e com sinais evidentes de muitas leituras. Não sei onde pode estar o original. Talvez tenha tido o mesmo destino daquelas fotos que os doentes rasgaram. Felizmente a memória não se perde. Não é possível rasgar uma lembrança, destruir um símbolo, esconder um coração. Manifestações de amor, como essa do meu pai ao carregar minha carta consigo — até no dia da sua própria morte —, não se apagam. É uma honra para mim.





Hoje é aniversário dele.

16.4.22

Ressurreição

 

Segundo a Bíblia, Jesus ressuscitou após três dias da sua morte biológica, num processo de religação do seu corpo à sua alma. E na Páscoa celebra-se exatamente isto: a volta de Jesus ao mundo matematerialrial, levantando-se do seu sepulcro, e ressurgindo perante Madalena, primeiramente (João 20:10-18). Esse retorno, essa passagem de volta a este mundo, essa ressurreição é comemorada na Páscoa.

Tal concepção de ressurreição está na Bíblia, explicitamente, e é assim entendida por todos os teólogos e cristãos nos últimos dois mil anos. Mas eu defendo uma tese diferente. Para mim, a verdadeira ressurreição de Jesus foi quando Ele morreu. Quando ele deixou esta vida e renasceu para a outra. Para aquela de onde ele supostamente veio.

Esta é a minha tese. Como Jesus foi o maior criador de metáforas, um mestre das parábolas, entro no jogo dele e crio uma nova. Quando se diz “ressuscitar”, isso, segundo aqui proponho, quer dizer “renascer para a outra vida” — não para esta. Não é o retorno a esta, mas o retorno à outra.

A Páscoa é a Passagem — desta vida para a Outra. Desta, em que Jesus viveu por trinta e três anos, para a Outra, de onde ele teria vindo. Nesse sentido, engana-se quem pensa que a ressurreição de Jesus significa o retorno do seu corpo a esta vida. Em verdade, Jesus ressurgiu para a outra vida: a vida espiritual. O corpo de Jesus, nessa perspectiva, não tem a mínima importância, pois não é o corpo que ressurge: é a alma que se liberta.

A Páscoa também está ligada aos antigos festivais da primavera (no hemisfério norte). Assim como em outras datas festivas já existentes, como o Natal, a Igreja aproveitou esses eventos e anexou-lhes algumas comemorações cristãs. Deu-lhes formas novas. Um método inteligente de fazer propaganda, pois começar do zero uma comemoração grandiosa custaria muito. Nesse período também os judeus já comemoravam seu êxodo do Egito durante o reinado do faraó Ramsés II, quando os judeus passaram da escravidão à liberdade. Uma belíssima metáfora. Tal qual Jesus saindo da escravidão do corpo e passando para a liberdade do mundo espiritual. Ou seja, de acordo com essa minha concepção, quando morremos biologicamente é que ressuscitamos. A morte, repito, é a Passagem. A morte é a Páscoa. A morte do corpo — entenda-se. Nesse sentido, portanto, a verdadeira ressurreição de Jesus aconteceu ainda na Cruz, e não no sepulcro, três dias depois, como está na Bíblia, e como erradamente dizem os teólogos, padres e pastores. Aliás, eu não creio nadinha nessa história de um corpo físico, morto, voltar à vida!

A Bíblia relata dez casos de ressurreição: três no Antigo Testamento e sete no Novo. A Bíblia (em Mateus 28:5-6) diz claramente que Jesus ressuscitou dos mortos:

"Mas o anjo disse às mulheres: Não temais vós; pois eu sei que buscais a Jesus, que foi crucificado. Não está aqui, porque ressurgiu. (...) Vinde, vede o lugar onde jazia."

Ou seja, segundo a Bíblia, o corpo deixou o sepulcro e viveu novamente. E depois teria sido visto, andando, por muitas pessoas, incluindo Madalena e os apóstolos.




E eu tive certa vez uma Páscoa inesquecível. Com a Beatriz. Depois eu conto.

120 anos

 Meu caixão vai ter gavetas. 

Serei enterrado com todos os meus tesouros. Todos esses bilhetinhos de amor que recebo irão comigo. A toalhinha de crochê que a minha Mãe me deu, e a bonequinha de cetim que a Joyce um dia me fez. 


Essas lembrancinhas todas que os meus amores foram me dando desde a minha infância. Esses bibelôs maravilhosos que me foram deixando aqui na sala. As fotografias, os papeis de bala, os guardanapos com poesias, as pétalas de rosas que secaram entre páginas de livros... 


Essas coisinhas todas eu as levarei comigo. Serão 120 gavetinhas no meu caixão — uma para cada ano da minha existência.


💙



12.4.22

A Casa Azul

Tem um Jardim de Epicuro.






























Os Jardins da EpiCura.

Dentro dos Jardim da Minha Mãe.

.


9.4.22

Os vários tipos de pobreza



Parece que ninguém pergunta a que tipo de pobreza eu me refiro, e logo conclui pela pobreza financeira. Eu sei que esta é um horror, e por isso sou comunista desde os doze anos de idade.

Tem a pobreza cultural, que é um desastre. Tem a pobreza ética, a moral, a amorosa e a política.

Tem a pobreza intelectual, que nos amarra para sempre ao poste do insucesso.

Tem a pobreza sensual, que nos enrijece o coração, e  a pobreza erótica, que nos torna mansos e tediosos, e nos impede a experiência das grandes aventuras.

Mas, na minha concepção, a pior de todas é a pobreza de espírito.


Ressalto que minhas perguntas devem ser lidas inclusive pelo avesso. São todas retóricas... E poéticas, além de filosóficas.

7.4.22

Presentes do meu Pai

Quando eu tinha onze anos de idade meu pai mandou o dono da loja — Tito Klocker — trazer-me um rádio de ondas curtas. Presente de aniversário. Meses depois, deu-me uma assinatura anual do jornal Estadão. Esses dois presentes foram fundamentais na determinação do meu futuro.
Obrigado, Pai!

Eu adorava o rádio. Durante o dia, muitas notícias, e o programa do Hélio Ribeiro. À noite, as transmissões em ondas curtas da Voz da América, da Rádio Central de Moscou, da BBC, da Rádio El Mundo, de Buenos Aires, da Rádio Pequim, da Radio Sofia, da Bulgária, e assim por diante. Geralmente, em espanhol. Eu preferia o espanhol visando aprender a língua. Depois de dois anos, o espanhol passou a ser minha segunda língua. Essas transmissões também me ajudaram a aprender que os fatos podem ter várias versões. Mas quando a pilha estava acabando, eu tinha que encostar o ouvido no rádio. Dormia com ele ligado, na cama, ao lado do travesseiro. Aprendendo espanhol — e viajando pelo mundo...

6.4.22

Dois caminhos


Ou você segue o caminho da Tristeza,
arma-se de medo, de ciúmes e de falsas alegrias,
arma-se de angústia, fecha os olhos, se acomoda,
e segue o rebanho dos que não sabem;
obedece a regras injustas, não reage, não questiona,
não se aprimora, não lê, não significa,
nem percebe o absurdo em que se mete.
Vende a própria natureza
por duas ou três moedas de aço,
troca a inocência pela responsabilidade apressada,
torna-se respeitável aos olhos da sociedade,
cumpre horários, nunca tem tempo,
preocupa-se com coisas banais.
Comerciante das próprias emoções — já não brinca,
vive correndo, ama com pressa,
esquece-se da lua,
e se torna uma pessoa média, mediana, medíocre,
pequena, cansada e normal...


Ou você escolhe o caminho da Ousadia,
compreende, se aprofunda, vai mais longe, realiza,
respeita o ser humano que existe em você mesmo,
resgata a própria vida e o sorriso,
rompe de vez com o passado agonizante,
procura defender a verdade, a justiça e a poesia,
acorda e assopra o fogo da alma que dormia,
ultrapassa os limites que sufocam,
cavalga o cavalo negro, cego e alado
das paixões gostosas e sublimes,
enche o peito de coragem, corações e relâmpagos,
acende de novo esse vulcão que é o teu corpo,
deixa a própria cabeça plena de agora,
de ternura e de vertigem,
e parte em busca de Aventura, de Amor e Liberdade.


É uma simples questão de escolha.


Qual é o teu caminho? 


5.4.22

Seis meses de vida



Portanto, vou agora emprestar meu coração aos meus amores, para que eles amem a si mesmos, livremente, como se me amassem — e se deleitem com essa gostosura indescritível.

Eu vivo trocando um entusiasmo por outro, geralmente maior. Porque amores livres, vou tê-los muitos — para que os tenha sempre. Faz mais de vinte anos que a minha namorada tem dezoito. Às vezes, dezessete.

Ousei amar de modo diferente, e tive a coragem de continuar puro nos meus relacionamentos. Algumas pessoas, porém, querem punir-me por isso, mas sobrevivo, sobre todos. E o que mais indigna meus detratores é que são poéticas e amorosas as minhas santíssimas transgressões.

Então mergulho nessa alegre correnteza onde eu rio fluente de mim mesmo — líquido, cristalino, gargalhante.

Só tenho mais seis meses de vida, suponho — e vivo radicalmente de acordo com tal suposição.

E se por acaso ao fim desse período a morte não me houver levado, tudo o que vier depois será um presente para mim — e uma bênção maravilhosa.






4.4.22

Algumas ideias

Em 24.03.2018 eu tive a ideia 637. Em 04 de abril de 2020, eu já estava na ideia 947. Que é o Iracyês, uma língua, baseada no alfabeto cirílico, que criei e venho aprimorando há mais de vinte anos.





Em fevereiro de 2015 eu tive a minha ideia 450. Um tabuleiro de xadrez tradicional, mas com recursos digitais embarcados. Diferente de tudo o que já existe na área. Perfeição aprimorada. Já preparando detalhes técnicos para documentação visando registro no INPI. Minha pretensão é que seja adotado pela FIDE dentro de dois ou três anos (*), para torneios oficiais.

NOTA: Não foi possível (AINDA) levar essa ideia 450 adiante. Até porque já realizei muitas outras. Muitas. Por exemplo, em 18.08.2019, no Itararé Hotel, eu tive ideia 811, que será a Água Santa de Itararé, produzida nas Fontes Pelisssari. Em 29.02.2020, eu tive a ideia 926, que é um Projeto a ser realizado na Argentina, ou talvez no Chile, a partir do primavera de 2022. Um pouco depois, em fins de abril de 2020, eu estava na ideia 964, que chamo de Jardins Suspensos da Brasilônia.


Só para registro, em 06.10.2019, eu completava 860 ideias e projetos, desde a minha infância e adolescência. E, nos onze meses seguintes, tive mais 221 ideias novas. Ou seja, em 11.09.2020 eu tive minha ideia 1081, que é a empresa de vendas
e-Sellent:




Em 30.10.2020, eu já estava na ideia 1112 - Uma homenagem a Carlos Ghosn.

E em 02.04.2021, no café de manhã do Itararé Hotel, eu tive minha ideia 1177: Como Conquistar Um Velho Rico:




E hoje, 04.04.2022, no escritório central da Calçadas do Brasil, eu estou refinando minha ideia 1300. Que envolve PKCB, NorteSul e Canteiros do Brasil.

Isto significa 123 ideias novas nos últimos doze meses.
.

3.4.22

A Vida é um milagre

Se a Vida é um milagre delicioso, por que desprezar esse milagre? Por que afastar esses anjos delicados que todo dia nos trazem fantasias inocentes e gloriosas? Por que repelir esses vibrantes e belos seres vivos que transformam nosso peito num ensolarado jardim de corações? Por que desperdiçar energias tentando afastar as tentações maravilhosas que nos tocam tão profundamente?

Por que recusar girassóis?




2.4.22

Experiência imaginária

Tudo que existe no mundo — existe duas vezes: primeiro, na cabeça do Criador. Toda mudança tem que antes ser sonhada. A realidade só se transforma de verdade, na prática, depois que transformou-se em teoria. Primeiro no cérebro — depois, no mundo. Sem sonho e sem loucura inteligente, nada de concreto se produz. Nem sorvete, nem avião, computador, arranha-céu. Nem igreja, nem poesia, nem romance, nem Calçadas do Brasil. Os inventores, os poetas, os artistas, os cantores, e os sonhadores empreendedores — são todos visionários. Einstein, Jesus Cristo, Picasso, Buda, Galileu, John Lennon, Niemeyer e o dono do boteco ali da esquina: um bando de malucos. Se dependesse apenas dos normais, ainda andaríamos de carroça. Talvez nem mesmo de carroça, pois a roda foi criada por um louco... Sem fantasia e liberdade não se encanta o cotidiano. A imaginação descontrolada é que dá cor e vida ao mundo livre. Por isso é que a Loucura Criativa é necessária, desejada — e tão temida.

1.4.22

A carroça

 


Eu tinha treze anos e queria ser fotógrafo. Comprei uma Kodak por reembolso postal e fiz uma promessa a Cartier-Bresson... Então, certo dia, a carroça do Aristides de Itopava parou em frente ao boteco do meu Pai e eu saí correndo pra pegar o melhor ângulo.

Peguei.

Para mais detalhes dessa história e dessa foto, acesse:

www.EdsonMarques.com
.

Ditadura nunca mais!

Nenhuma ditadura é mais forte que um poema de amor. Então Eros me abre os olhos de novo e vejo, sorrindo ao meu lado, essa menina por quem ontem me apaixonei à luz da lua cheia — e que será, por uns tempos, meu mais recente amor eterno. E me esqueço completamente que ontem foi dia 31 de março, data em que se "comemora" um golpe militar que jogou o Brasil nas trevas! Mas é bom não esquecer que a Ditadura só caiu depois da eleição indireta de Tancredo Neves em 19 de janeiro de 1985. Portanto, foram 21 anos de ditadura. Horrorosa ditadura militar... E só tivemos eleições (não muito) livres em 1989! A ditadura foi a Idade Média do Brasil. Havia censura à imprensa. Livros eram queimados. Havia tortura, prisão e medo. A Cultura entrou em recesso. Era a lei da baioneta. Pensar diferente era proibido. Se já houvesse internet aquele tempo, por um livro como este eu provavelmente seria preso e torturado...




30.3.22

Eu amo essa Mulher




A foto de minha Mãe sobre a toalhinha de crochê que ela me deu em 1999. Uma bala de banana, um bonequinho amarelo perplexo e um crucifixo bento trazido de um Mosteiro. A musa Joyce Ann em foto de abril 2007. O primeiro livro Mude. Dois dados que representam como eu jogo o belo jogo da minha Vida, e as conchinhas que Rosângela mandou-me de Natal. Uma garrafa vazia de vinho argentino que me traz uma doce lembrança de ontem, e um coração de ametista que Sandra me deu. E a moedinha de um real que deixarei como herança aos filhos de Walt Whitman...

Essa toalhinha de crochê não foi feita por minha Mãe: ela apenas desenhou e alguém teceu. Ela não gosta muito de fazer tricô e crochê: sua atividade lúdica preferida é a jardinagem. A jardinagem e o consenso. Ela é zen. Não grita, não briga, não bate. Procura resolver os assuntos por meio da palavra, falada sempre em tons meigos e compreensivos — e quase sempre convincentes.

Bom lembrar que eu e ela nunca brigamos.

Nunca!

Desde criança. Desde o berço. Nenhum tapa, nenhum puxão de orelhas, nenhum grito, nenhum safanão. Isso pode causar um certo "ciúme" na platéia... Tanto, que algumas pessoas até tentaram fazer com que ela uma vez brigasse comigo.

Em vão!

Por isso, especialmente por isso mas também por mil outras razões, eu amo essa mulher.

Para sempre.

Meu Pai

Meu Pai.

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RECOMENDAÇÕES DO MEU PAI


Além das suas recomendações sobre sempre respeitar a propriedade alheia — e nunca usar sapatos velhos — há outras dele das quais agora me lembro:



1. Respeite a tua Mãe.

2. Não carregue pacotes.
3. Não economize na comida.
4. Seja dono do teu próprio negócio.
5. Beba pouco.
6. Estude bastante.
7. Não fume.
8. Não transe com as empregadas.
9. Não minta — exceto se for para salvar a vida.



Quando morreu, trazia no bolso, na carteira de couro marrom, uma carta, dobradinha, meio amarelada e com sinais evidentes de muitas leituras. Não sei onde pode estar o original. Talvez tenha tido o mesmo destino daquelas fotos que os doentes rasgaram. Felizmente a memória não se perde. Não é possível rasgar uma lembrança, destruir um símbolo, esconder um coração. Manifestações de amor, como essa do meu pai ao carregar minha carta consigo — até no dia da sua própria morte —, não se apagam. É uma honra para mim.





Hoje é aniversário dele.

29.3.22

Sr. Aurélio

Aurélio, 89.

Ele é dono de um botequinho na altura do 500 de uma rua perdida da cidade onde estou hoje. Vim para uma festa, um almoço cheio de gente no qual nada comi nem bebi. Fiquei meia hora, conversei com meia dúzia, e saí andando a pé, desbravando as redondezas, sem camisa, tomando sol, ao deus-dará.

Três da tarde. Vejo um balcãozinho humilde com doces de abóbora. Entrei. Nenhum cliente. Seo Aurélio almoçando sentadinho numa cadeira de plástico com o pratinho no colo. Era um prato de sobremesa com um pouquinho de baião-de-dois e uma lasquinha de carne. Sempre come pouco, justificou. E nunca toma remédio. Só usa óleo de girassol. Para tudo: temperar salada ou passar nas pernas, tanto faz. Não tem reumatismo nem stress. Assim como eu, só vai morrer depois dos 120. É uma figura. Conversamos por um tempo, trocando emoções e respeito.

Merece uma história. Uma história de amor.

Texto original publicado em 31.01.2010.

Dê um click na foto acima e veja imagens do botequinho. E também a foto do seo Aurélio no momento em que lhe dei (em 03.02.2010, em São Vicente SP) o meu livro Manual da Separação.

28.3.22

O Pequeno Príncipe



TU TE TORNAS ETERNAMENTE RESPONSÁVEL POR AQUILO QUE CATIVAS

Essa frase é de
Saint-Exupéry — e pode ser lida no capítulo 21 do livro O Pequeno Príncipe. É uma frase com belíssima sonoridade em português, e impressiona talvez por isso. Mas seu sentido é questionável. A palavra-chave para seu entendimento é "cativas", que vem do verbo "apprivoiser". Se tomarmos o verbo "cativar" significando "conquistar a simpatia", seduzir, a frase se torna ridícula: claro que não devemos nos responsabilizar, eternamente, pelo julgamento que um outro faz de nós. Menos ainda se esse eventual julgamento positivo for apressado e meramente estético.

Contudo, se tomarmos o verbo cativar pelo sentido de "prender" (e daí cativeiro, prisão, gaiola, canil, etc.), a frase começa a se sustentar: se prendermos um animal, devemos cuidar dele e garantir-lhe o sustento. Da mesma forma, se prendermos uma pessoa, também devemos cuidar dela, e garantir-lhe os direitos básicos. Acontece que, ao prendê-la, contraditoriamente, já lhe retiramos o mais básico dos seus direitos, que é o direito de ser livre. Logo, essa frase é apenas um impressionante amontoado de absurdos. Uma insensatez — que é repetida como se tivesse algum valor.

E ainda chama o outro de "aquilo". Como se vê, embora bonita, é uma frase extremamente bobinha. O verbo francês "apprivoiser" significa domar, domesticar. Mas suponho que tenha sido um exagero de tradução, e que Antoine de Saint-Exupéry, no contexto, quis dar-lhe um terceiro sentido. Ele mesmo chega a dizer que "apprivoiser" significa "criar laços". Temos que pensar um pouco mais a respeito.



"O Pequeno Príncipe" parece uma obra simples, mas não é. Aliás, é profunda e contém a filosofia de Saint-Exupéry. Seus personagens são parabólicos: o rei, o geômetra, o contador, a raposa, a rosa, o adulto solitário e a serpente, entre outros. O pequeno príncipe era sozinho num planeta pequenino que tinha três vulcões: dois ativos e um extinto. Tinha também uma flor, belíssima e orgulhosíssima. E foi o orgulho exagerado da rosa que desestabilizou aquele mundo do pequeno príncipe e o fez empreender a viagem que o trouxe à Terra, onde encontrou personagens fantásticos, a partir dos quais descobriu o segredo do que é realmente importante na vida. É uma obra que nos mostra uma radical mudança de valores, que ensina como às vezes erramos na avaliação das coisas e das pessoas que nos cercam — e no quanto esses julgamentos são questionáveis. Nós nos preocupamos quase sempre com banalidades, nos tornamos adultos muito cedo — e rapidamente nos esquecemos da criança que ainda somos.

Leia aqui o capítulo 21.

27.3.22

Deus

Ensinar a uma criança que Deus existe — e que isso é uma verdade inquestionável — deveria ser considerado um grave crime de abuso intelectual.

A linha básica desse meu raciocínio é a seguinte:

O cérebro, desde a mais tenra infância, ou habitua-se a realizar processos mentais complexos, questionantes — ou a agir passivamente, aceitando de modo acrítico as informações que recebe.

Quanto mais intensiva e duradoura essa forma de proceder, mais cristalizada será a capacidade — ou incapacidade — que o cérebro terá de tomar decisões com algum fundamento.

A partir disso é fácil concluir que um cérebro que adota crenças inverificáveis como verdades absolutas (como, por exemplo, a crença em Deus) será um cérebro que, paulatinamente, ficará incapaz de questionar, tornando-se deficiente.

Logo, incutir crenças no cérebro de uma criança causa-lhe enormes malefícios, para o resto da vida.

Se os pais soubessem disso, deveriam fazer tudo para que seus filhos jamais aceitem meras crenças como verdades inquestionáveis.

Aliás, deveriam ensinar às crianças que uma das funções mais importantes do cérebro é raciocinar.

Raciocínar.

26.3.22

Céu do poeta

Estou entrando neste céu aqui, agora. Maravilhoso. Maravilhado. Maravilhante.


O céu tem todas as respostas. O céu azul, o nebuloso, o metafórico, o religioso e até mesmo o céu poético, romântico. Todo artista, todo filósofo, todo poeta, todo pensador — todos os loucos gostam de observar o céu. Estou agora vendo o sol nascer laranja. Fico olhando para o céu azul do Guarujá, manchado de púrpura e cereja. O dia vai abrindo aqui a sua boca, calmamente, alegremente, como se o próprio Deus bocejasse ao meu redor. E eu fico aqui — meditando, ouvindo pássaros, pensando na Vida, tomando café... Um bela hora pra colocar minhas idéias em desordem outra vez.

Ou será que o céu, em vez de todas as respostas, tem mesmo é todas as perguntas?







24.3.22

José Aristóteles

Em agosto de 1998 publiquei meu terceiro livro: Manual da Separação. Nas suas 160 páginas procurei demonstrar o quão Epicurista eu sou. O primeiro capítulo começava assim:

Aristóteles Sócrates Kierkegaard é o meu nome, mas eu geralmente minto que é José Proença só prá impressionar... Sou na verdade um motorista metido a escritor, e é por isso que tudo que escrevo parece filosofia de para-choque de caminhão. Mas são artes do meu ofício: ninguém vai além dos seus limites: durante o dia — perto da polícia — não passo nunca de oitenta por hora. Mas à noite, sozinho na estrada da vida, ponho meu Scania inteiro na banguela, e vou a mil...

23.3.22

Algumas perguntas

‎211. Aceitar o inevitável é uma sábia decisão.

212. O auge de uma paixão está sempre no começo dela.
213. Não espere a graça do cisne no pescoço de um pato.
214. Em vez de salvar a relação, eu prefiro salvar o meu Amor.
215. Só tem uma coisa pior do que morrer: é viver pouco.
216. Sempre danço conforme a música. Mas, antes, escrevo a partitura.
217. Toda emoção é produto de um raciocínio.
218. Quem jura amor eterno deveria ser processado por estelionato emocional.
219. Toda musa já traz uma víbora dentro de si. É só uma questão de tempo.
220. Dispenso a compreensão daqueles que não conseguem me compreender.
221. Se, numa relação de amor, a verdade entristece — minta com alegria.
222. Prazer não sentido é prazer perdido. Irrecuperavelmente perdido.
223. Se o amor não pode ser livre, não deve ser nada.
224. Ceder uma vez só é muito mais difícil do que ceder nunca.
225. É um desperdício imperdoável ter um grande coração, e deixar nele um único amor.
226. A capacidade de questionar as próprias convicções é um atributo dos seres mais elevados.
227. Eu não vejo o cotidiano: eu vejo a eternidade.
228. A melhor realidade é aquela que nasce de um sonho.


22.3.22

Crescimento intelectual

Numa discussão racional sempre sou flexível. Se os argumentos de um suposto adversário forem melhores do que os meus, seria burrice não admitir tais fatos. Aliás, admitindo-os, eu amplio meu sistema de informações. De certo modo, fico ainda mais inteligente, pois acabo incorporando ao meu repertório algumas informações ou conclusões que eu antes não tinha.


Além de demonstrar elegância intelectual com tal atitude, fico até melhor preparado para os futuros embates — com esse mesmo citado adversário ou com eventuais outros..

Será que você pode concordar com esse meu  critério relacional?









Click na imagem acima para ver 
Estratégias de Crescimento.





Alguns textos meus que me são fundamentais: