28.10.20

Nossas ideias

Não basta ter ideias: é preciso saber defendê-las, livremente. E defendê-las, ainda assim, considerando-as sempre passageiras, totalmente questionáveis — e passíveis de serem substituídas, imediatamente ou mais tarde, por novas ou velhas proposições.

É preciso dar velocidade relativa às ideias que temos. Que transitem por nosso cérebro, que ocupem, amorosamente, alguns espaços — e depois os desocupem. Também amorosamente.

Nada deve permanecer demais.

Só o que flui beneficia.

27.10.20

Flores gratíssimas

As flores são mesmo ingratas: a gente as ganha para que sejam eternas, mas então elas desistem no meio do caminho. Murcham, secam, e depois morrem, assim sem mais, nem menos, "como se entre nós nunca tivesse havido... Vênus". E morrem talvez por desespero — talvez até por amor não respondido — antes que a gente mesmo as abandone, amorosamente, ao seu próprio perfume imortal que se acabou. As flores — quando colhidas — são mesmo ingratas...

Por isso, jamais eu colho essas flores que encontro nos jardins da minha vida. Quando vejo algumas, lindas, ofereço-as aos meus amores, delicadamente, mas deixo-as onde estão: no próprio caule da plantinha inocente que lhes deu origem. E então eu fico assim — distribuindo flores, todo dia, o dia todo...

26.10.20

Cada um cada um

Vocês poderão discordar de muitas coisas que eu digo aqui. Muitas. Afinal, cada um de nós é um ser único. Cada um de nós tem seu próprio tempo, seu sistema de valores, sua própria maneira de julgar um fato, analisar fenômenos, fazer escolhas, cavar buracos e encontrar saídas. Cada um de nós tem sua particular visão do mundo — intransferível, única, exclusiva. Cada um tem suas ideias de verdade, de justiça, de amor, de religião, de liberdade.

Cada um de nós tem seu próprio modo de se salvar.

Ou se perder...

25.10.20

Rede amarela

Desarmo na beira da praia a rede amarela e me lembro de Artaud. E do meu avô Joaquim, o carroceiro — que sequer conheci. Artaud você sabe quem foi, e meu Vô Joaquim é aquele que gastava uma semana inteira para juntar os ingredientes da macarronada de domingo. Uma história triste e bela ao mesmo tempo. Ficou louco, o coitadinho. Mas ficou louco do lado errado... Depois eu conto a respeito. Ficar louco é muito fácil. Mas só a loucura brilhante é que nos leva ao templo da sabedoria. Por isso é que, entre a sensatez paralítica das coisas normais e a loucura poética daquilo que excita — fico com esta, naturalmente!

24.10.20

Et Si Tu N'Existais Pas...



Essa propaganda é de 2013. 
Continua linda!

A música é 

de

Tentativa de suicídio


Por conta de um orgasmo de trinta segundos por dia, em média, eu teria que suportar uma pessoa ao meu lado por vinte e três horas, cinquenta e nove minutos e trinta segundos — todos os dias.


Se isto não for tentativa de suicídio, me digam o que pode ser então...

23.10.20

Minha maior conquista

O domínio absoluto sobre os meus estados de espírito é a minha maior conquista como ser humano. Há mais de vinte e cinco anos que não perco a calma. Há mais de vinte anos que não produzo adrenalina desnecessariamente. Não brigo, não xingo, não bato. Não sinto raiva nem ódio, nem ciúmes, nem rancor. Não me irrito por absolutamente nada. Nunca tive mau humor. Não tenho sequer aqueles nozinhos horrorosos na garganta. Não me descontrolo jamais! Não há motivos racionais que possam me abalar. Não discuto, a não ser filosofia. Sou amorosamente zen...

Como consigo tal façanha? — você pode perguntar.

É muito simples: Dou valor secundário às coisas secundárias. E considero secundário tudo aquilo que não é fundamental... Tudo aquilo que não tem poder de causar mudanças significativas no rumo da minha vida. Considero secundário tudo aquilo que não me traz felicidade.

É muito simples — e é uma delícia!

Experimente.

22.10.20

Vitalina Botticelli

Ela me ensinou a pecar sem culpa — isso eu jamais esquecerei. Tinha um pé de café lá no fundo do quintal, ao lado de uma roseira, e eu ficava colhendo só os grãozinhos vermelhos, que eram bem doces. Havia também um velho torrador de manivela meio enferrujado, um fogão de lenha limpíssimo, e muitas histórias de amor. E uma ciência sutil que só as mulheres eleitas por Deus conseguem ter.

O processo todo das lições que ela me dava é muito longo — passa até por um despertador de alumínio, um Jesus de madeira corroída, uma bicicleta vermelha e várias tentações. Um dia desses vou descrevê-lo aqui.

Ela ainda assava queijo branco na palha de milho, todo dia, e me olhava com seus olhos de mistério. Mas, a imagem que mais me volta hoje à lembrança... é minha Vó Vitalina olhando o Botticelli pregado na parede da sala, e tomando café no bico do bule. Delicadamente — como se fizesse amor.


Vou agora fazer o meu.

Antes que a noite acabe e a lua se vá.

21.10.20

Meu caixão

Meu caixão vai ter gavetas. Serei enterrado com todos os meus tesouros. Todos esses bilhetinhos de amor que recebo irão comigo. A toalhinha de crochê que a minha Mãe me deu, e a bonequinha de cetim que a Joyce um dia me fez. Essas lembrancinhas todas que os meus amores foram me dando desde a minha infância. Esses bibelôs maravilhosos que me foram deixando aqui na sala. As fotografias, os papeis de bala, os guardanapos com poesias, as pétalas de rosas que secaram entre páginas de livros... Essas coisinhas todas eu as levarei comigo. Serão 120 gavetinhas no meu caixão — uma para cada ano da minha existência.

20.10.20

Três tipos de relacionamentos

Eu quero que, a partir de hoje, você mantenha três tipos apenas de relacionamentos:

1.
Os que te dão prazer e alegria;
2.
Os que são necessários à tua sobrevivência;
3.
Aqueles que te trazem alguma sabedoria ou estimulam a criatividade.

E que todos os demais sejam considerados dispensáveis. Extremamente dispensáveis!

Afinal, se um determinado relacionamento não dá prazer nem alegria; não é necessário à nossa sobrevivência, e não traz sabedoria nem nos estimula a criatividade — mantê-lo pra quê?!

19.10.20

xt

 




Estratégias de Crescimento:

Comercial, intelectual, amoroso, espiritual, empresarial e psicológico.

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16.10.20

Dia do Professor

O Professor

A tabuada não basta. Como não bastam funções hiperbólicas, variáveis complexas, orações subordinadas. Não bastam Euclides e sua geometria, não bastam as teorias. O professor deve ensinar ao aluno a arte de viver com dignidade, com amor, com liberdade.

Não basta falar das guerras, das batalhas, das conquistas — tem que ensinar o aluno a conquistar-se primeiro a si próprio. Ensinar-lhe medir distâncias é pouco — necessário vencê-las. Não basta saber o nome dos rios, temos que fluir. Equações algébricas não resolvem tudo, antes é preciso resolver-se. Em vez das mentiras históricas, o professor deve ensinar as verdades, e o melhor modo de encontrá-las.

Não basta falar de política, o professor tem que ser democrata. Deve olhar nos olhos do aluno e dizer-lhe como a vida é. Aumentar-lhe a coragem de crescer. Ensinar-lhe a lógica das emoções e o amor pelo raciocínio. O professor transmite sabedoria, incentiva o bom senso e o bom gosto. Mergulha fundo no oceano de dúvidas que o aluno tem no coração, e traz o tesouro pulsante lá submerso. Educa, orienta, aviva a chama na consciência de cada. Ao polir a pedra bruta consegue intenso brilhante. Bom professor é aquele que não exige, não cobra — obtém. Não corrige — mostra o porquê. Não hesita quando avalia, não constrange quando examina. E nunca faz da nota uma espada.

O bom professor não só ensina, compreende. Não levanta a voz, amplifica o verbo, convence. É sério — mas ri da própria seriedade. Fala do êxtase, da alegria e da profunda emoção que explode no seu peito quando ensina, como pétalas no riso de quem ama.

O professor mostra ao aluno a diferença entre o silogismo e a serpente. Ensina-o a extrair raiz quadrada com poesia. Demonstra como ser ousado sem ser burro. Jamais abusa da confiança do aluno, não lhe invade o espaço, não procura condicioná-lo. Não cria relações de dependência, nem exerce dominação sádica sobre ele. Infunde-lhe o respeito absoluto pela vida. Prefere o aluno criativo ao bem-comportado. Nunca o explora, é só o conquistador de um novo mundo, que leva o aluno a ver mais — mais alto e mais longe.

Não levanta paredes em torno do aluno, e sim derruba aquelas que houver. Abre-lhe as portas da vida, com veemência. Não o repreende, não o censura, não o recrimina. Mostra ao aluno a importância da inteligência na determinação do seu futuro. O velho dilema entre a caneta e a vassoura...

Como Sócrates, o bom professor não vê glórias no que sabe, não esconde o que conhece, nem oculta o que possa não saber. Brinca, tem confiança em si, e não faz da escola uma cela.

Moderno, convence o aluno a saltar os muros da tradição, porque a aventura está sempre do outro lado. Lógico, respeita aquele que aprendeu a questionar. Não o sufoca com preconceitos nem com juízos de valor. Nem lhe causa medo algum. Transmite confiança, pega na mão, aplaude, incentiva, suporta, conduz, ampara na travessia. Não é hipócrita, faz o que diz e diz o que pensa. É um farol que não vela o que descobre. Mostra um caminho. E não apenas mostra — demonstra, comprova, define.

Aranha em teia de luz, o professor não prende — liberta. Carrega o giz como fosse uma flor, com amor. E quando faz a linha tem firmeza, mas não separa. Ora Dali, ora Picasso, vai colocando a tinta, pondo seu traço, amando seu gesto, compondo a canção. Enaltece o risco do sonho, o círculo do fogo, a pureza da alma, o princípio da vida, o anel da esperança.

Considera o aluno obra de arte quase inacabada. Ama-o como se fosse um anjo. E nunca vai matar-lhe no peito a vontade de ser livre.

O professor é o amigo sincero que ajuda o aluno a superar os limites da vida, desbravando com determinação e ousadia essa fantástica região chamada Experiência.

Enfim — o professor é o Mestre.


www.EdsonMarques.com

14.10.20

Justiça plena

Fazer justiça implica — necessariamente — fazer inimigos.

Ou eliminá-los.

12.10.20

Pau no gato to

Alguém atirou um pau no gato, o cravo brigou com a rosa, mataram um passarinho, esmagaram a formiga. Não importa que tais frases sejam letras de música infantil, do folclore ou caipira ou Vila Lobos, tanto faz. O que não podemos é fazer crianças cantarem coisas assim, maldosas, em seus folguedos. O mundo mudou. A Pedagogia, também. Estas músicas são do tempo em que palmatória era considerada um "método de ensino". Ninguém merece umas palmadas, nem mesmo esse professor de História que se mete a pedagogo. Cada macaco no seu (respectivo) galho. Música infantil não pode ter cenas de violência. Nem a gatos, nem a flores, nem a gente. Se se quiser manter a melodia, que se mudem as letras. Ou que essas letras mal escritas (embora vindas do folclore) não sejam apresentadas às crianças. Se eu tivesse um filho, não gostaria que ele considerasse normal atirar um pau no gato. Não gostaria nem mesmo que ele matasse uma formiga... E que também não lhe dessem palmadas na bundinha. A Pedagogia mudou. Felizmente. Chega de vara de marmelo, puxão de orelhas, tapas na cara, safanões... Chega de cravo sair ferido e rosa, despedaçada. Chega de pau no gato to to.

11.10.20

Pedido de desculpas

Ao ser levado a pedir desculpas por um erro cometido, o cérebro entende tal procedimento como um reconhecimento tardio de que cometeu um raciocínio mal feito. Esse raciocínio mal feito — que agora exige reparação, exige um pedido de desculpas — pode ter gerado uma opinião sem fundamento a respeito de coisas ou pessoas, ou até mesmo um julgamento em forma de ofensa. Então, o cérebro, ao voltar atrás num juízo emitido, registra que errou.

Se isso for eventual, o cérebro pode até compreender que certamente aconteceu apenas uma confusão momentânea. Porém, se a ocorrência de erros cometidos é exagerada, o cérebro vai registrando todas essas ocorrências — e acabará concluindo não ser capaz de tomar decisões apropriadas sequer sobre coisas elementares. E vai depreciar-se, inapelavelmente. Quanto mais pedidos de desculpas, maior será a autodepreciação. Entretanto, suprimir simplesmente o pedido de desculpas — após a consciência do erro e seu reconhecimento — não adianta nada. Seria uma supressão da conseqüência e não da causa. E nesse caso, agindo assim, tentando falsear a situação, além da depreciação inescapável pelos erros que comete, o cérebro também se sentirá um causador direto de injustiças. Ainda se sentirá responsável pela culpa gerada pelo gesto eticamente mal feito e não reparado. Ou seja, uma lástima.

(...)

Esse texto acima é parte de uma tese que pretendo escrever sobre o vício de julgar sem precisão. Que deriva de raciocínios falhos e pode acarretar tomada de atitudes arbitrárias -- com possível arrependimento posterior e eventual necessidade de pedir desculpas pela besteira cometida.

Atualizo AQUI.

10.10.20

Feliz Aniversário

O presente de Aniversário que eu quero te dar
não pode ser comprado:
Não tem nas lojas, nos mercados, nas feirinhas, nos balcões.
Não é feito de plástico, não é eletrônico, nem precisa de manual.
O presente de aniversário que eu quero te dar
já está dentro do teu próprio coração.

Basta que você agora o desperte para a vida:
É o amor pela liberdade absoluta.
É a admiração extrema pela Arte de Viver.
A defesa inabalável da ideia de justiça, de verdade e de prazer.
A coragem de sonhar transformações.
A busca cotidiana por tudo que é sublime,
e o doce desejo de sugar o açúcar de todas as coisas.

9.10.20

Melancia





Para não ter que humilhar-se 
catando do chão o que Deus derrubou.


A história é a seguinte:


Eu descia pela Rua São Pedro e vi que estavam vendendo melancia em pedaços no mercadinho do japonês.
Entrei, comprei um.
Mas depois, já na rua, antes da primeira mordida, toda a estrutura ruiu.
E o pedaço se fez mil.
A calçada, envergonhada, ficou toda vermelha...

Sorte que eu tinha mais dez dinheiros no bolso para comprar outro pedaço. Que comprei, sem lamentar.

Estava uma delícia inesquecível.





Mas, cá pra nós:

Será que eu hoje estou falando de melancia, mesmo, ou de outra coisa? 



.


8.10.20

Algumas frases

‎211. Aceitar o inevitável é uma sábia decisão.
212. O auge de uma paixão está sempre no começo dela.
213. Não espere a graça do cisne no pescoço de um pato.
214. Em vez de salvar a relação, eu prefiro salvar o meu Amor.
215. Só tem uma coisa pior do que morrer: é viver pouco.
216. Sempre danço conforme a música. Mas, antes, escrevo a partitura.
217. Toda emoção é produto de um raciocínio.
218. Quem jura amor eterno deveria ser processado por estelionato emocional.
219. Toda musa já traz uma víbora dentro de si. É só uma questão de tempo.
220. Dispenso a compreensão daqueles que não conseguem me compreender.
221. Se, numa relação de amor, a verdade entristece — minta com alegria.
222. Prazer não sentido é prazer perdido. Irrecuperavelmente perdido.
223. Se o amor não pode ser livre, não deve ser nada.
224. Ceder uma vez só é muito mais difícil do que ceder nunca.
225. É um desperdício imperdoável ter um grande coração, e deixar nele um único amor.
226. A capacidade de questionar as próprias convicções é um atributo dos seres mais elevados.
227. Eu não vejo o cotidiano: eu vejo a eternidade.
228. A melhor realidade é aquela que nasce de um sonho.



Frases do meu livro Oitocentas frases de Edson Marques.

7.10.20

Todos os Deuses

Tenho vontade de reunir esses deliciosos loucos e loucas, esses santos e santas que eu amo e amei, essas deusas e musas que já conheci e outras que ainda vou conhecer, convidá-los a subir num barco, enorme — um navio, transatlântico — levá-los todos para uma ilha luminosa, deserta e grega, e viver com eles para o resto das nossas vidas. Em liberdade absoluta. Falando todas as línguas, amando de todas as formas livres, bebendo de todos os vinhos, rezando a todos os deuses... A vida será uma festa interminável! Viveremos dançando todas as danças, ouvindo todas as músicas, escrevendo belíssimas poesias de amor, plantando flores e colhendo estrelas, tomando sol, sorrindo e gargalhando. E transando com a própria Vida — todo dia, o dia todo.

6.10.20

Jesus na Cruz

Dizem que tem aí um arruaceiro que vive se metendo em belas encrencas. Anda sempre em companhias duvidosas e até já foi condenado pela Justiça. É contra o casamento e rejeita seriamente a hipocrisia. Os conservadores o detestam. Vive contestando a Autoridade. Dizem que ele costuma beijar uma adolescente em público, cujo nome é Madalena. Nunca trabalhou — mas festa é com ele mesmo. Dizem que é bonito, cabeludo e adora dançar... Corre até um boato que na semana passada, a pedido da própria mãe, chegou a transformar água em vinho branco. Deve ser um feiticeiro genial. Um poeta, um mago, talvez um deus! Dizem que ele trepa num caixote de madeira ali na praça, e fica falando coisas que ninguém entende, criando parábolas mirabolantes:

"Olhai os delírios do campo..."


Dia desses o viram balançando numa cruz.

5.10.20

Paulo vive

Ele era um louco por metáforas e céus azuis enluarados. Ficou cego porque via demais. Assim como Jesus, todos os irmãos, com duas ou três exceções, o detestavam. Criativo, montava estruturas geodésicas já aos cinco anos de idade. Dizem que, quando criança, transformava bujões de gás em lança-chamas. Peralta como um saci. Era bom de cálculo: aos dezessete, passou direto no vestibular de Engenharia da Poli-USP. Mas não fez o curso porque sentia-se responsável pelas próprias razões... Ou por outras, que talvez não saibamos quais. Bebia um pouco, e ficava chato quando bebia. Nessas horas, costumava desenterrar defuntos. Por isso a distância entre nós era sempre necessária. Mas, nos momentos de lucidez (se é que podemos chamar de lucidez esses períodos em que o sangue está seco), nos raros momentos de lucidez, ele tinha uma conversa boa, amável. Formou-se em Pedagogia, virou jornalista, criou um site de negócios, comprou um sítio no Paraná, plantou trinta mil pés de eucaliptos, fabricou carvão, teve um açougue. Três ou quatro filhos. Gostava de política, e era crítico da esquerda. Sua coluna no jornal da cidade durou dez anos. Na última vez em que nos vimos, janeiro de 2011, almocei na casa dele, na área enorme cheia de flores e lembranças. O almoço foi ele que fez. De vez em quando eu dizia, olha, tá queimando... E ele então corria lá pra cozinha. Por sugestão minha, pegamos a comida nas próprias panelas. Sentamos ali, ao lado do jardim, e ficamos conversando por três horas. Sobre a vida, que ele, contraditoriamente, amava tanto. Sob um caramanchão esquisito que tinha até um pé de bucha... Me deu uma, que ainda está na mala que nunca desfaço. Na saída ele me disse, leve uma rosa. Era a mais bonita, lá no alto da roseira.

Morreu hoje.
Não o Paulo, mas a rosa.







Duas das coisas que o mataram, além do álcool: excesso de genialidade, e a incompreensão da família. Pedi aos filhos dele que lhe guardassem os papéis, os originais, os rascunhos, os recortes — pois vou escrever um livro sobre ele. Uma biografia romanceada.




Uma homenagem ao Paulo, cujo aniversário de nascimento é hoje: 05 de outubro. Quando nos encontramos pela última vez, na casa dele, não foi sequer possível tomarmos uma cerveja. E ele morreu sem me avisar...

4.10.20

Onde eu cresci


Eu cresci espiritual e intelectualmente nesta casa. Também foi aqui que eu aprimorei minha expertise em negócios. Dos seis aos 18 anos de idade. Naquela janela do meio era o meu quarto. Isso tudo ainda é da minha Mãe. Eu, inclusive.

3.10.20

Salto profundo

Se você não puder incentivar-me para o salto,
ou até mesmo empurrar-me com amor em
direção à Vida,
não me prenda, não me amarre.
Não envenene com teu medo a minha dança.
Seja só uma testemunha silenciosa desta
vertigem.

Porque agora,
agora é hora de voar.
Agora é hora de abrir-me a todas as possibilidades.

E voar um voo livre e sem destino para dentro mim mesmo!

1.10.20

Dez ilusões

Quando se quer treinar um falcão, basta uma luva, um pedaço de carne e uma cordinha para amarrar o falcão. Depois de algum tempo voando assim, limitado, o coitadinho se acostuma e nunca vai além desse limite — mesmo que se lhe tire a corda dos pés. Assim é com a gente. Nos amarraram desde pequeninos, e agora fica difícil voar mais longe do que o "tamanho da corda"... Nossos "pontos de vista" geralmente não são nossos. Foram inculcados em nós. Temos que ir além deles. Caso contrário, nunca iremos além do limite que as circunstâncias anteriores nos impuseram. Lembre-se do falcão, e procure voar para mais longe. Para lugares que fiquem além do comprimento da cordinha... 




Segue um texto original de Justin Dixon, editado por mim:

1. Vida fácil. 

Isso mesmo, a vida fácil não existe. É uma ilusão. Todos têm algum desafio pra enfrentar. Todos têm algum fardo pra carregar, e embora talvez você não esteja passando fome, os problemas que você ainda enfrenta são um desafio. Do contrário, você já os teria superado. Não importa o que você faz, você terá que enfrentar desafios. Mas não se desespere, isso é uma boa notícia. Se a vida não vai ser fácil, não importa que você escolha fazer algo "prático" ou seguir sua paixão. Então, todas as desculpas que dizem que seria difícil demais levar a sério seus sonhos começam a perder o sentido. A vida vai ser "difícil", não importa o que você faça. As pessoas vão te julgar (e até te crucificar) independente das escolhas que você faz. Então faça as escolhas que vão te deixar feliz. Não se preocupe com o fato de a vida ser difícil, isso acontece. A pergunta que eu desafio você a se responder é: Você quer atravessar o processo "difícil" da vida em prol de coisas que são "práticas" — ou por coisas que realmente têm algum significado pra você? 


2. Aquele Um Dia Mágico. 

"A estrada para algum dia leva a uma cidade chamada lugar nenhum." 
Billy Cox 

Você pode procurar por ele no seu calendário, você pode checar no seu relógio. Você não vai encontrá-lo. Não existe uma circunstância certa que vai fazer seu “algum dia” acontecer magicamente. Você tem que fazê-lo acontecer. Você terá que estipular datas no calendário para seus objetivos e para que sua mente possa registrar como real. “Algum dia” não existe, mas você tem a força para fazer com que as coisas algum dia aconteçam. Você tem o poder para começar agora, a partir das coisas que você tem adiado. Ou algo vale a pena ser feito ou não. Decida e aja de acordo. Não relegue as coisas para o tal mágico “algum dia”. 


3. Um Plano Mágico. 

Passei um longo tempo com esse. Eu já tinha determinado que “algum dia” não existia, mas eu precisava de um plano. Na verdade, eu precisava de um plano mágico, algo que faria tudo se alinhar perfeitamente. Não há planos mágicos. Qualquer coisa pode dar errado com qualquer decisão que você tome, não importa o quão informado você esteja. Não cometa o erro que cometi. Não espere que seus planos sejam perfeitos. Não espere a “fada do plano” vir e torná-lo mágico. Pegue seu objetivo e comece a andar em direção a ele. Seja paciente consigo mesmo e corrija os erros que você faz no caminho. Simplesmente comece. Você nunca vai aprender a nadar se você nunca entrar na água, tenha você um bom plano ou não. 


4. A Decisão Errada. 

Embora existam vários erros que você possa cometer, não há um único erro que vá arruinar completamente sua vida. Se o caminho que você está seguindo não parece bom, então você tem o poder de mudar. Durante todo o tempo você pode escolher ser responsável por si mesmo. Em qualquer situação, você pode encontrar uma lição e pode começar hoje a ir numa direção positiva. Essa mudança não acontece toda de uma vez, mas se você está comprometido a parar de repetir seus erros, então você pode e irá mudar sua vida pra melhor. 


5. O Passado. 

A razão pela qual chamamos de passado é porque nós já passamos por ele. Não está mais aqui. Este é um novo dia e esta é uma nova oportunidade. O que você faz hoje, o que você faz exatamente agora determina quem você é. Esta é a hora que você pode se colocar onde quiser. Esta é a hora que você pode começar a construir os hábitos que você sempre quis. 


6. Não Ser Suficiente. 

De acordo com a PhD Susan Jeffers, essa é a raiz de todos os medos. Tememos a morte porque não sabemos se conseguiremos lidar com ela. Tememos a mudança porque não sabemos se somos suficientes para lidar com ela. Um teste rápido para ver se você é suficiente para enfrentar a situação que você está é: você está nela? Sim? Isso significa que você tem o suficiente para atravessá-la. A você não será dado mais do que pode carregar. Isso não significa que você não precisará nunca de ajuda, significa que você pode enfrentar qualquer problema que você esteja passando neste momento. 


7. Falta. 

Há uma ordem neste universo, eu não a entendo, mas aprendi algumas coisas dela. Não nos falta nada. Tempo? Ideias? Oportunidade? Comida? Tenho uma prática: quando eu fiz tudo que podia para atender minhas necessidades, faço a seguinte prece: “Fiz tudo que podia. Vou confiar em Você (a ordem neste universo) para tomar conta do resto”. 

Até hoje, nos dias que eu digo essa prece, eu comi quando deveria ter permanecido faminto. Novas portas abriram quando eu não sabia mais onde ir. Mas se você aceita a ideia de que não há o suficiente de alguma coisa, você vai parar de procurar por essa coisa. Se você parar de procurar pelas coisas que você pode passar sem, você para de procurar pelos caminhos pelos quais você pode fazer boas coisas acontecerem e simplesmente se deixa levar pela derrota. Quando você acredita que há falta, você a cria. Quando o falcão acredita que a corda ainda está lhe limitando o voo, então o falcão recria a corda. 


8. Separação. 

Toda a matéria tem uma frequência. Para que você possa fisicamente tocar alguma coisa, ela deve estar vibrando na mesma frequência da matéria que você é feito. Na verdade, a física quântica descobriu que tudo está conectado. A realidade é um espectro de frequência onde toda a matéria e energia está conectada. É uma grande rede. Por isso aproveite tudo com os outros. Eles são parte de você. Quando eles forem bem-sucedidos, parte de você também é bem-sucedida. Ajude os outros. Quando você os ajuda, você ajuda parte de si mesmo. Você não pode fazer algo a alguém sem também fazer isso em parte a você mesmo; é uma impossibilidade física. A razão pela qual ver as coisas desse jeito lhe torna livre é que lhe coloca na posição de liderar pelo exemplo. Coloca-lhe na posição de dar e ajudar. Receber esse tipo de reputação pode abrir novas oportunidades que você jamais pensou que poderiam existir. 


9. Caos. 

O caos é o que você vê quando não está olhando para o quadro inteiro. Caos é quando você vê a árvore e não vê a floresta. Há sempre alguma coisa boa acontecendo. Sempre há um jeito de as coisas funcionarem. Sempre há uma razão para que as coisas sejam do jeito que são, e sempre há uma razão para que elas possam mudar. 


Essas ilusões que eu citei acima podem ser extremamente paralisantes. Todos elas limitam nosso potencial máximo. Contudo, você pode decidir não mais se mover como um falcão amarrado a uma corda. Você pode escolher hoje que quer se mover em liberdade. Tenha em mente que a vida não será sempre fácil, quer você continue ou não fazendo o que você hoje faz. Você pode optar por parar de esperar aquele "plano perfeito". Não deixe que o passado paralise o teu potencial. Você é suficientemente forte para lidar com aquilo que você tem, com aquilo que você é. Assim como qualquer líder, você está no comando de si mesmo. Não existe esse caos que às vezes te assusta. O que existe é uma enorme oportunidade de crescer. Uma enorme porta aberta à tua frente. Escancarada... 


Então, o que é que você vai fazer agora? 

Justin Dixon

Versão de Edson Marques - especialmente a introdução, o item 9, e o capítulo final. 
Depois vou refinar o texto ainda um pouco mais.

Em São Paulo, dezembro de 2012.




Meu novo livro a ser lançado na Primavera de 2021:


Click no link acima para ver detalhes.


30.9.20

Café com ciência

Café com Ciência

Faço café religiosamente todo dia (*). E o advérbio é mais para ressaltar o critério do que a constância. Como se meditasse, eu abro a embalagem enluarada, madrugante, cheia de brilho e pó, fecho os olhos, sinto o cheiro, sorrio por dentro e por fora — e começo a sessão. A água já benta e quase fervendo (mas sem deixar que chegue a tanto), o canto dos passarinhos, o barulho do mar, as ondas da música de fundo, a forma dos sentidos — tudo — tudo contribui para que eu logo mais tome um café divino, poético e fundamental neste céu azul do meu amor.

Mas, ontem à noite, esperando a Lua na Feira da própria, eu tive uma vontade enorme de tomar Café com Fé.



(*) Exceto quando estou longe de casa.

29.9.20

Crescimento intelectual

Numa discussão racional sempre sou flexível. Se os argumentos de um suposto adversário forem melhores do que os meus, seria burrice não admitir tais fatos. Aliás, admitindo-os, eu amplio meu sistema de informações. De certo modo, fico ainda mais inteligente, pois acabo incorporando ao meu repertório algumas informações ou conclusões que eu antes não tinha.

Além de demonstrar elegância intelectual com tal atitude, fico até melhor preparado para os futuros embates — com esse mesmo citado adversário ou com eventuais outros..

Podes concordar com esse meu critério relacional?





Alguns textos meus que me são fundamentais:

01. EU TE AMO
02. Eu não te amo...
03. Algumas Perguntas
04. Sem medo e sem pressa
05. Sete Personagens à Procura de Mim
06. Separem-se no Pico
07. Abençoado pelos Espíritos Santos
08. Fiquei sete anos sem fazer amor...
09. Um exame na clínica
10. Vídeo Mude - flash
11. Elogios e Críticas
12. Paritosh Keval
13. Meu conceito de Loucura
14. Nas horas vagas eu trabalho...
15. O Amor é eterno - as relações são passageiras.
16. O Provocador Abujamra
17. Minha mãe e eu
18. Joyce Ann.
19. Minha Vó Vitalina
20. Sou Bisneto da Rebeldia
21. As portas escancaradas do mundo
22. A vida está por um fio
23. Meu pai também era louco...
24. Tio Benedito Marques
25. Minha Mãe também se casou...
26. Projeto Cultural Revolucionário
27. Lúcifer - o iluminador
28. Dê-me a honra de ser a sua Página Inicial.
29. O maior amante do mundo
30. Desafiat
31. Mundançar
32. Patricia e Suzana
33. U-Net - uma idéia futurista
34. Sem tesão não há solução
35. Tudo que aqui escrevo é real
37. Aventura Inesquecível
38. O Pão da Minha Mãe
39. Se eu pudesse começar de novo...
40. Uma sinopse — por Lima Coelho
41. O Livro de Jó
42. Se não for agora, quando?
43. As idéias do Outro
44. Minha primeira noite..
45. O Professor
46. Mude no Submarino
47. Meu livro Manual da Separação
48. Mude em espanhol
49. Separem-se no Pico, outra vez!
50. Mude no jornal A Tribuna
51. Mulheres
52. Meu pai
53. A Lady e a Barraqueira
54. Abujamra e o prefácio do livro Mude.
55. Projeto Cultural Revolucionário
56. Meus professores
57. Vitalina Botticelli
58. Minha Mãe
59. Sem fome Sem sono Sem pressa Sem dor
60. O dia em que Mona Lisa chorou
61. Feliz 2008
62. Sou Bisneto da Rebeldia
63. Cachoeiras de São Francisco
64. Em nome da Vertigem
65. O Poeta e o Filósofo
66. Poema MUDE em italiano
67. Vídeo Mude
68. Presente de Aniversário
69. Diana e seus peitinhos...
70. Comercial da Fiat - MUDE
71. Video Mude em flash
72. Dicionário de Português
73. Divino Jantar
74. Kira
75. Prêmio Cervantes Ibéria 1993
76. I celebrate myself
77. Abujamra interpreta Mude
78. Os seios de minha Mãe
79. Meu mais recente amor eterno
80. Além de Loucura, Deus me deu Razão
81. Ontem salvei uma vida
82. Posso estar certo
83. Éramos diferentes...
84. Desmandamentos.
85. Uma ideia para o Metrô SP
86. Muro de Berlim
87. Ordem de Prisão contra mim
88. Tristeza e depressão
89. Nenhum dos meus mamãos me compreende
90. Paulo Coelho plagia Edson Marques
91. A vida é um jogo
92. Só os inteligentes se salvam
93. Eu, Jesus e Henry Miller
94. Tudo por um livro do Edson!
95. Teoria do Acaso
96. Um bruto com coração
97. Ciúme versus Amor
100. Paulo Marinho — uma homenagem
101. Beto Marques — outra homenagem

28.9.20

Vó Vitalina

Não se aproxime de pessoas raivosas, estude bastante, lave as mãos vinte vezes por dia — e mantenha os pés quentes.

Conselhos da Vó Vitalina.

27.9.20

K-Misster

Aos 22 anos eu montei minha segunda empresa. Uma confecção. O nome era K-misster, e ficava na Avenida Nacionalista, número 100, Itaquera, SP. Aluguei um galpão, comprei doze máquinas na rua São Caetano, montei um bom estoque de tecidos, que comprei na 25 de março, contratei dezessete costureiras e soltei o meu barquinho em alto mar. Eu também desenhava os modelos. Cheguei a vender, entre outros, vários lotes para as Lojas Piter, que ficavam ao lado do Teatro Municipal. Mas a fábrica era muito longe, e eu queria curtir a vida e estudar filosofia... Depois de quatro meses larguei tudo. Dei as máquinas para as costureiras, comprei um carro conversível — e saí pelo mundo. Viver novas experiências.

Deu certo.





Minha ideia 972.



Veja abaixo a minha ideia 205.





Quando me perguntam o que sou e o que faço digo apenas que sou um Criador. Tenho ideias, muitas, sobre vários temas, todo dia. Projetos, sonhos, invenções. Planos loucos, inclinados, geniais. Alguns são colocados em pedaços de papel, outros vivem no meu próprio coração. Muitos viram poemas, livros, amores, empresas, relações. Meu primeiro amor foi Marina, aos sete anos. Mas meu primeiro empreendimento foi na área de calçados, também aos sete anos. Depois, a AJAN — Aliança Juvenil dos Amantes da Natureza — foi considerada subversiva pelos militares, que a fecharam. O meu time de futebol durou só dois anos, pois concluí que era melhor ser o craque do time do que ser apenas o dono. O Restaurante, aos dezesseis, em cuja construção aprendi com meu pai a beleza do piso cerâmico em diagonal, continua funcionando até hoje. O terceiro projeto comercial, aos 22 anos, virou minha primeira empresa — que abandonei de modo romântico e poético como se pode ler dando um click na imagem acima. O quarto projeto, criado em 1994, chamado Liberdata, uma empresa de sistemas, ainda está no ar, criando sites, etc. Em 1996 fundei a OfficeAll, um escritório diferenciado de consultoria, que funciona na Avenida Francisco Matarazzo, SP. Entre 1999 e 2002 fui consultor intelectual em Cooperativas de Trabalho (na Reunidas fui Diretor de Estratégias e na CooperÚnica, Diretor-Presidente). A Máquina de Vendas, criada em 2002, vai de vento em popa. A UCB, uma construtora voltada para revestimentos cerâmicos Portobello, foi criada em 2006 com minha consultoria. Em 2010, comecei a montar o projeto de uma nova construtora — PCB — que só em Dezembro de 2013 vai ter seu início formal. Um pouco antes disso, eu e Joyce Ann abriremos a Portobellissimo. Atualmente, estou montando uma empresa-conceito, que ainda não tem registro na Junta Comercial, mas que chamo de Ideia 152. Em maio de 2013 criei (e já está funcionando a pleno vapor) a Calçadas do Brasil. Também criei e (juntamente com dois sócios) estou abrindo (Dezembro 2013) uma empresa de Apoio Operacional em SP. Até o final deste ano formalizarei mais uns três ou quatro projetos, sendo que o mais ousado deles (e o mais criativo, do meu ponto de vista) é a Ideia 205. A propósito: já estou na ideia 299. No meio disso tudo, casei-me cinco ou seis vezes, mas continuo solteiro, sem filhos — e completamente livre. Entrei na USP quatro vezes, publiquei sete ou oito livros e estou escrevendo outros tantos. Também escrevi o texto para o Comercial da Fiat, feito pela Leo Burnett. E edito o blog Mude, onde escrevo alguma coisa todo dia. Além disso, gosto de vinho, sei cozinhar, salto profundo e faço café...

Empregos formais eu só tive dois em toda minha vida. O primeiro, aos dezoito, como Auxiliar de Custos, na Protin, em SP. Um emprego ao qual concorri e ganhei mediante aposta que envolvia matemática, e que depois relutei em aceitar, pois já estava na Filosofia da USP. Seis meses depois, entretanto, fui promovido a Programador de Computadores, e depois Gerente de Processamento de Dados. Fiquei quatro anos... Saí para aprender cinema na Revela, pois tinha entrado na ECA-USP. Em seguida, e por acaso, fui ser Gerente de Informática na ITEL, empresa da família Mascheretti, cujos três irmãos (Gian, Renato e Marco) me influenciaram profundamente com seu estilo de vida e com sua inteligência brilhante — e a quem devo muito do que agora sou. Entre outras coisas, foram eles que me ajudaram a criar a Liberdata.

Afinal, eu já escrevi um poema chamado Mude, e já vendi serviços especiais para a Scania do Brasil e para a SKF. Já inventei um apito, criei algumas empresas e desenhei uma casa (que ainda nem fiz). Já escrevi sistemas em Assembler e Cobol, e já marquei gol de bicicleta. E já conquistei o coraçãozinho palpitante de uma menina delicada, inocente, duplamente maravilhosa, que se chama Joyce Ann. Como se pode concluir — eu não tenho limites... Sou capaz de qualquer coisa.

Mas eu às vezes me defino como um Analista de Circunstâncias. Um Vendedor de Ideias. Ou, melhor: um Vendedor de Imaginação...

Na Filosofia e na faculdade de Direito (três anos no Largo São Francisco) eu sempre me defini como indefinível. Porém, depois, ao estudar computação e me tornar um analista de sistemas, senti que essa expressão também me era imprópria, pois meu universo se expandiu, e comecei a supor que eu era um "analista de circunstâncias". Com o tempo, virei um Criador de Conceitos — e era exatamente isso que dizia o meu cartão de visitas. Acontece que eu sempre mudo. Aliás, como diz o meu poema: Só o que está morto não muda. Então, e por isso mesmo, eu hoje passo a definir-me como um Descobridor de Competências. Mais tarde eu volto aqui para explicar esse conceito.


Certas pessoas (filósofos, cientistas, astrônomos, biólogos, físicos, químicos, teólogos, etc.) criam sistemas, compostos de teorias pretensamente bem elaboradas e bem estruturadas, visando descobrir ou explicar, dentro de cada um desses respectivos sistemas filosóficos ou científicos, as causas, o funcionamento e as eventuais conseqüências de alguns fenômenos da natureza. Da natureza, do espírito ou do corpo humano, tanto faz. Vale para uma galáxia, e vale para um átomo. Sempre foi assim e sempre será assim. Não há outra forma racional de propor explicações que não seja por meio de uma estrutura verbal composta de palavras e fórmulas. Foi o que fez Einstein ao criar a Teoria da Relatividade Geral, foi o que fez Platão ao escrever o Mito da Caverna para explicar como percebemos a realidade, foi o que fez Newton ao descobrir a Lei da Gravitação Universal. Cada um escreve como supõe que o fato ocorre, como acha que a coisa é. Isso vale para explicar a função dos elétrons na Mecânica Quântica, o comportamento de uma célula cardíaca, a fecundação de um jasmim, e até mesmo a criação do Mundo. E este é o ponto que quero aqui discutir. Quero não explicar, mas entender as respectivas teorias, respeitando-lhes as abrangências e os limites. Ou seja, eu quero entender como é que as teorias são construídas, e como é que se sustentam.

Vamos, por exemplo, à criação do Mundo. Só há duas formas de montarmos uma explicação: por meio de uma Cosmologia, ou por meio de uma Cosmogonia. Ambas pretendem explicar como as coisas se deram no início. Tanto os físicos quanto os pastores, por exemplo, a partir desse princípio e nesta perspectiva, são filósofos. Tanto os cientistas quanto os teólogos usam da Filosofia para criar suas teorias, ou para defender seus pontos de vista. Quanto mais criteriosa e rigorosa for a explicação, mais respeitável será a respectiva teoria.

Preciso ainda ampliar essa questão e definir a linha que vou dar a esse texto.
Edson. Madrugada Neon de 03.11.13. 03h48. PNMMENJA. São Paulo.

ideia 1099

Neste caso da innCorpore, criaremos ou incorporaremos meia dúzia de projetos ou empresas na área de hotelaria e hospedagem. 




Esta foi uma das minhas ideias de hoje.



Quando me perguntam sobre o que sou e o que faço digo apenas que sou um Criador. Tenho ideias, muitas, sobre vários temas, todo dia. Projetos, sonhos, invenções. Planos loucos, inclinados, geniais. Alguns são colocados em pedaços de papel, outros vivem no meu próprio coração. Muitos viram poemas, livros, amores, empresas, relações, consultorias. O importante é que meu primeiro amor foi Marina, aos sete anos de idade. 

Hoje sou um analista de sistemas. Um analista de circunstâncias.

Mas meu primeiro empreendimento foi na área de calçados, também aos sete anos (fui engraxate, por duas ou três horas). Depois, a AJAN — Aliança Juvenil dos Amantes da Natureza — foi considerada subversiva pelos militares, que a fecharam. O meu time de futebol durou só dois anos, pois concluí que era melhor continuar sendo o craque do time do que ser apenas o dono da bola. O Restaurante, aos dezesseis, em cuja construção aprendi com meu pai a beleza do piso cerâmico em diagonal, continua funcionando até hoje. O terceiro projeto comercial, aos 22 anos, a K-Misster, virou minha primeira empresa — que abandonei de modo romântico e poético como se pode ler dando um click na imagem seguinte: 





E hoje (26.09.2020) já estou na ideia 1099.


26.9.20

Inundado de carinho e gratidão

Sem fome, sem sono, sem culpa, sem dor. Sem pressa, sem apego, sem pressões. Sem esperas, sem cobranças, sem promessas. Sem medo e sem controle, sem ódio e sem juízo. Sem maldade — e sensível. Sentindo-me eterno no transitório. Buscando equilíbrio no instável, no incerto. Amado com delícia e liberdade, e amando com grandeza e ousadia. Passageiro numa viagem sem destino, percorrendo caminhos ainda não trilhados. Cada vez mais fascinado e encantado com os novos horizontes que se abrem. Adorando as surpresas no momento em que acontecem, e vivendo a primavera em qualquer das estações. Quebrando as barreiras, de modo irreversível. Ultrapassando limites... Encontrando a essência de cada coisa nela mesma. Compreendendo as razões também daqueles que não conseguem me compreender. Vivendo o mais profundo, o mais criativo, o mais sensual, o mais inocente e o mais sagrado período da minha vida. Sugando a doçura de todas as coisas... Vivendo as maiores e melhores paixões da minha vida, e vibrando com tudo que me toca. Sentindo-me a cada momento como se Deus me cobrisse de glórias, de flores e estrelas. Dançando nas minhas próprias e nas tuas emoções. Inundado de carinho e gratidão. Com a cabeça nas nuvens — e o coração no infinito.

Portanto, o que mais posso eu querer da vida, além de amores livres e brilhantes, crepúsculos cor de abóbora na praia que eu prefiro, óleo de amêndoas doces, um buquê de rosas brancas e vermelhas, duas ou três taças de vinho transbordantes, muita liberdade, alegria, saúde, poesia, gostosura — e tempo livre para viver tudo isso? O que mais posso eu querer da vida?!

25.9.20

Minhas grandes ideias

Ideias nascem na minha cabeça como fossem cabelos. Às vezes lisas, outras vezes enroladas, em cachos, negras, loiras, caracóis. Tenho que penteá-las, faço luzes, dou-lhes brilho, corto as pontas. Algumas são aranhas, apressadas, delirantes; outras, cor de trigo, ouro em nuvens, brancas, loucas, prateadas. Diferentes entre elas, multicores, quase sempre. Todas minhas, entretanto. Mas empresto-as, livremente, desde que me citem. Ou as vendo — por bom preço...

Veja aqui minha ideia 1000.

24.9.20

Sem pressa

Sem fome, sem sono, sem culpa, sem dor. Sem pressa, sem apego, sem pressões. Sem esperas, sem cobranças, sem promessas. Sem medo e sem controle, sem ódio e sem juízo. Sem maldade — e sensível. Sentindo-me eterno no transitório. Buscando equilíbrio no instável, no incerto. Amado com delícia e liberdade, e amando com grandeza e ousadia. Passageiro numa viagem sem destino, percorrendo caminhos ainda não trilhados. Cada vez mais fascinado e encantado com os novos horizontes que se abrem. Adorando as surpresas no momento em que acontecem, e vivendo a primavera em qualquer das estações. Quebrando as barreiras, de modo irreversível. Ultrapassando limites... Encontrando a essência de cada coisa nela mesma. Compreendendo as razões também daqueles que não conseguem me compreender. Vivendo o mais profundo, o mais criativo, o mais sensual, o mais inocente e o mais sagrado período da minha vida. Sugando a doçura de todas as coisas... Vivendo as maiores e melhores paixões da minha vida, e vibrando com tudo que me toca. Sentindo-me a cada momento como se Deus me cobrisse de glórias, de flores e estrelas. Dançando nas minhas próprias e nas tuas emoções. Inundado de carinho e gratidão. Com a cabeça nas nuvens — e o coração no infinito.

Portanto, o que mais posso eu querer da vida, além de amores livres e brilhantes, crepúsculos cor de abóbora na praia que eu prefiro, óleo de amêndoas doces, um buquê de rosas brancas e vermelhas, duas ou três taças de vinho transbordantes, muita liberdade, alegria, saúde, poesia, gostosura — e tempo livre para viver tudo isso? O que mais posso eu querer da vida?!

23.9.20

Atualizando a ideia 774 - Perfemina

Minha ideia 774.

Divórcio Amoroso e Racional.


A ideia básica é a seguinte: Existe um modo racional de tomar decisões. Sejam estas amorosas, comerciais, familiares ou profissionais. E se existe tal modo racional, não é logicamente recomendável a opção por qualquer outro que não seja.

No caso de uma eventual separação conjugal, e se existem filhos  de pouca idade envolvidos no relacionamento em questão, maior ainda é a responsabilidade de se tomarem decisões racionais.

Racionais e, se possível, amorosas. Ou, pelo menos, compreensivas.


Amar é permitir sempre. Amar é deixar que o outro vá – ou que fique, se assim o desejar. Amar é ter um respeito absoluto pela própria liberdade e pela liberdade do outro. Amar é compreender sempre. E isso não significa apenas entendimento racional, vai além, muito além: Amar é reconhecer afetuosamente o direito que o outro tem de fazer suas escolhas. Mesmo que essas escolhas eventualmente me excluam.








Incluir Perfemina.

Eu

Nos últimos dez anos, eu desapareço dois ou três dias por semana. Saio de cena, e fico curtindo, amorosamente — e exclusivamente — a pessoa que eu mais amo no mundo: 


22.9.20

Eu respeito meus amores

Eu respeito sempre os meus amores. Assim mesmo: no plural. Tenho muitos. Sempre os tive. E sempre os terei. Mas, quando eu digo "respeitar os meus amores", às vezes refiro-me às pessoas que eu amo, outras vezes aos sentimentos que eu produzo, coisas que eu sinto. Portanto, respeitar os amores tanto pode significar respeitar as vontades (desejos, critérios, conceitos) de pessoas que eu amo (e que suponho também me amem), quanto seguir livremente as paixões (desejos, critérios, loucuras) que eu trago no meu próprio peito.

Dito de outra forma: respeitar os meus amores é seguir meu coração.






21.9.20

Minha Mãe casou

Hoje é aniversário de casamento da minha Mãe.


Musa com algema no dedo anular vira esposa. Com o tempo, desencanta. Por isso, não desperdice a musa: não queira casar com ela. Formalizar as aventuras é o mesmo que contratar o Desespero. O casamento pode ser o túmulo do Amor. É um risco enorme... Valerá talvez a pena ser corrido? Não sei. Mas não queira engaiolar a exuberância. Não engarrafe as emoções. Não sufoque a liberdade. A menos que você já tenha feito a opção por repetir as relações antigas, e tornar-se apenas um reprodutor da espécie… Claro que reproduzir a espécie também é uma tarefa digna, e pode ser até gratificante, em certos casos. Mas não tem nada a ver com Aventura e Liberdade.


O casamento é o cemitério das Paixões!
Minha mãe e meu pai se casaram na igreja...

Ora, Edson — você pode me dizer — se teu pai e tua mãe não tivessem se casado, você não teria nem nascido.


Concordo, é verdade: eu nem existiria. Entretanto, por mais que eu hoje os agradeça, por mais que mil anjos os agradeçam de joelhos todo dia em meu nome — nada vai trazer de volta as aventuras gloriosas que meu pai e minha mãe deixaram de viver por causa do casamento. Nada! E se minha mãe, aos dezenove anos de idade, tivesse encontrado um poeta louco e libertário como eu, em vez de um contador, certamente não teria se casado. E eu não estaria aqui, agora, conversando com você.


Como se vê, a Vida é um mistério delicioso!



Mas é preciso lembrar que eu mesmo já casei umas seis ou sete vezes. E todas foram experiências maravilhosas. Talvez porque o projeto nunca foi geração de prole, nem de contribuir para nenhuma estatística. Sabíamo-nos passageiros e assim nos comportávamos. Sempre houve um respeito absoluto pela própria liberdade e pela liberdade do outro. E, em cada um deles, nos separamos no pico da relação. Talvez isso tenha feito toda a diferença. A paixão nunca chegou a esfriar!



Hoje é aniversário de casamento da minha Mãe com meu Pai.