21.10.21

Como nossos pais

Se nós pensássemos e agíssemos exatamente como nossos pais; se nossos pais pensassem e agissem exatamente como nossos avós; se nossos avós fossem exatamente como os pais deles — e assim por diante — o ser humano ainda hoje certamente viveria trepado em árvores e abanando moscas com o próprio rabo...
Sem mudança não há progresso.
Mude.
Desobedeça!
Mas desobedeça criativamente, com inteligência, elegância e disciplina.




20.10.21

Algumas frases

‎211. Aceitar o inevitável é uma sábia decisão.

212. O auge de uma paixão está sempre no começo dela.
213. Não espere a graça do cisne no pescoço de um pato.
214. Em vez de salvar a relação, eu prefiro salvar o meu Amor.
215. Só tem uma coisa pior do que morrer: é viver pouco.
216. Sempre danço conforme a música. Mas, antes, escrevo a partitura.
217. Toda emoção é produto de um raciocínio.
218. Quem jura amor eterno deveria ser processado por estelionato emocional.
219. Toda musa já traz uma víbora dentro de si. É só uma questão de tempo.
220. Dispenso a compreensão daqueles que não conseguem me compreender.
221. Se, numa relação de amor, a verdade entristece — minta com alegria.
222. Prazer não sentido é prazer perdido. Irrecuperavelmente perdido.
223. Se o amor não pode ser livre, não deve ser nada.
224. Ceder uma vez só é muito mais difícil do que ceder nunca.
225. É um desperdício imperdoável ter um grande coração, e deixar nele um único amor.
226. A capacidade de questionar as próprias convicções é um atributo dos seres mais elevados.
227. Eu não vejo o cotidiano: eu vejo a eternidade.
228. A melhor realidade é aquela que nasce de um sonho.


19.10.21

Elegância racional



Tudo que eu digo é dito sempre a partir do MEU ponto de vista. Isto deveria ser óbvio. Portanto, se eu disser algo com o que você não concorde, não é preciso nem necessário brigar comigo. Mas, se você, eventualmente, concluir que é preciso mesmo brigar, procure brigar apenas contra esse meu específico ponto de vista, com o qual você, no fundo, supõe não ter concordado.

Contudo, mesmo assim, e se possível, brigue de modo elegante. Manifeste as discordâncias com finesse. Com civilidade.

Se adotarmos esse critério racional e refinado de manifestar eventuais discordâncias entre nós (conceituais, filosóficas, amorosas, comerciais ou políticas, tanto faz), é bem provável que as nossas relações de amor ou de amizade jamais venham a sofrer abalos fortes por conta disso.

Então, ANTES da tua próxima briga — contra quem quer que seja — procure considerar, friamente, o que eu estou propondo acima.

A ousadia racional e elegante é que move o mundo.



18.10.21

Razões para sorrir

Razões para chorar. 

Eu acredito sempre na supremacia da ternura. Escrevi esta frase na página 4 de um livro de Erich Fromm, onde ele analisa a Antígona de Sófocles. Eu a escrevi num momento de silêncio após ter almoçado uma deliciosa comida-surpresa. Coloquei açúcar hoje na salada e temperei com vinho. Me acham louco, também por coisas assim. Eu estava me lembrando de como os infelizes têm certas dificuldades de raciocinar com lógica, quando fui interrompido pelo dono do restaurante, que veio me cumprimentar, todo sorridente. O cozinheiro já tinha vindo antes, e os três garçons também. Não sei o que eles vêem em mim. Talvez gostem de poesia ou talvez saibam que eu amo Henry Miller. Não sei. Mas eles são simpáticos. Leio mais um pouco, pago a conta, me dão balas, vou embora. O carro estava na sombra, felizmente. Resolvo então passar no Pão de Açúcar da Presidente Wilson. Escolho um vinho diferente, duas garrafas, só para experimentar; guaraná Antarctica, um leite Parmalat premium, um pedacinho de queijo, duas mangas. E entro na fila, cantando por dentro. Divagando... Será que vou à praia agora? Vejo um dvd do Sammy Davis Jr na gôndola ao lado e me lembro do meu pai, que gostava dele. A menina do caixa tem os olhos lindos. E os lábios dela, parecem da Angelina Jolie. Bem que eu beijaria... Alguém me liga, convidando pra jantar. Atendo e desligo. Não posso: tenho que terminar o desenho daquele projeto. Nossa, já são quase três horas! Acho que vou subir à piscina primeiro. Tomara que aquela gostosinha de Piracicaba esteja hoje lá de novo. Me lembro de algumas cenas do filme A filha de Ryan, que vi no TNT de madrugada. Olha, que loira linda ali, escolhendo melancias... Acho que vou... 

Eis que acontece um insight: Na fila, atrás de mim, dois rapazes contam suas moedinhas... Meu mundo vira de ponta-cabeça na hora! Um deles trazia quatro salsichas num saquinho transparente. Será que vai dar, o mais novo perguntou. E o outro recontou as moedinhas, uma por uma. Acho que vai, responde, apreensivo. Duas lágrimas rolam dos meus olhos e eu tento disfarçar. Um monte delas caem de novo agora enquanto escrevo isto. Meu Deus: como pode nossa sociedade ainda produzir cenas como essa? Tanta complexidade só para comprar quatro salsichas?! Tanta dor e tanto sofrimento por causa de noventa e quatro centavos?! Tanta humilhação só para se matar a fome?! E meu coração me diz que devemos fazer alguma coisa... Então, peço-lhes, gentilmente, que passem à minha frente, e o que faço depois não é preciso contar aqui.


Isto aconteceu no dia 10 de janeiro de.2008, quando eu estava fazendo uma obra em São Vicente, e morava no Flat Paladium.

17.10.21

Como será que faz amor

Como será que faz amor quem não gosta de poesia? Quão frios serão seus gestos ao tocar o corpo amado? Que palavras secas dirá talvez ao declarar suas paixões? Como falará da lua? Será que voa? Será que beija flores? Com quanta suavidade riscará o fósforo para acender a vela? Com que candura entornará o vinho para encher a taça? Com que graça será que segura uma rosa vermelha? Com quanta sensibilidade tentará colher estrelas?




16.10.21

Baron D'Arignac


Hoje eu vou jantar queijo com Baron D'Arignac, em homenagem a uma Deusa linda que acabei de conhecer, e cujo nome eu não posso dizer... 

Mas vou chamar de Afrodite.

15.10.21

Paritosh

Paritosh Keval é para mim o que Louis Lambert foi para Balzac. Mas com um diferencial significativo: enquanto Balzac fez com que Lambert o seguisse, no meu caso é Paritosh quem me guia. Desde que chegou da India, em 1984, após ter sido iluminado por Osho com o nome de Paritosh Keval, esse mestre tântrico tem me levado a lugares impensáveis.

Foi com ele que aprendi a saltar profundo...

Foi com ele que aprendi a ser mais humano, mais delicado, mais inocente — e mais alegre. Paritosh é tão bom para mim, e me trata de uma forma tão pura, que sou tentado a tratá-lo como a um anjo. Meu anjo da guarda. Ele cuida de mim. Quando não posso ligar para minha Mãe, é ele quem liga em meu lugar. E minha Mãe o adora como a um filho predileto. Em janeiro, ele passou vinte e sete dias ao lado dela. Amando-a — pois ela é sua única Mãe.




Mas hoje eu vou escrever sobre um fato bastante significativo da minha vida: meu sannyas. Pode parecer incrível a vocês, mas sou realmente sannyasin. Certo dia, Osho olhou-me nos olhos fundos, colocou seu polegar em minha testa e disse-me:

"You are contentment in aloneness... your name is Paritosh Keval."

Significa Alegria em Solitude. Osho também me disse que esse nome nunca seria dado a mais ninguém. Estávamos em Poona.

Mas agora estou aqui, ao lado do Oceano Atlântico, sem mapas e sem bússolas, sem pressa e sem medo, tomando vinho branco à luz da lua — e sendo apenas Paritosh Keval — nem mais, nem menos.


Paritosh Keval, portanto, sou eu.
Suponho.



O que é um sannyasin?

Basicamente, o sannyasin é uma pessoa que vive em estado de alerta. Assim, a primeira qualidade de um sannyasin é uma completa abertura à experiência. Viver existencialmente é o seu único fim. Com amor e alegria, com espontaneidade, simplicidade, naturalidade — e gostosura.

Ele vive criando alguma coisa nova. Uma poesia, um desenho, uma relação de amor, um sanduíche diferente, um blog, uma cosmologia, uma igreja, uma dança, uma canção, uma calçada, um jardim, um edifício. Tem um profundo senso de humor, e ri, entusiasmadamente. Não tem maldade no coração. Ele brinca e transa com a Vida o tempo inteiro. O sannyasin não é apenas livre: Ele é
a própria Liberdade.

Pode até viver só, mas nunca é solitário. Ama a Solitude — jamais a solidão. E o que o torna ainda mais feliz é a posibilidade aberta de relacionar-se livremente, em todos os sentidos, com qualquer pessoa — em qualquer lugar. Não há restrições à sua inocência e à sua pureza.


Ele vive saltando profundo...

Dia do Professor

O Professor

A tabuada não basta. Como não bastam funções hiperbólicas, variáveis complexas, orações subordinadas. Não bastam Euclides e sua geometria, não bastam as teorias. O professor deve ensinar ao aluno a arte de viver com dignidade, com amor, com liberdade.

Não basta falar das guerras, das batalhas, das conquistas — tem que ensinar o aluno a conquistar-se primeiro a si próprio. Ensinar-lhe medir distâncias é pouco — necessário vencê-las. Não basta saber o nome dos rios, temos que fluir. Equações algébricas não resolvem tudo, antes é preciso resolver-se. Em vez das mentiras históricas, o professor deve ensinar as verdades, e o melhor modo de encontrá-las.

Não basta falar de política, o professor tem que ser democrata. Deve olhar nos olhos do aluno e dizer-lhe como a vida é. Aumentar-lhe a coragem de crescer. Ensinar-lhe a lógica das emoções e o amor pelo raciocínio. O professor transmite sabedoria, incentiva o bom senso e o bom gosto. Mergulha fundo no oceano de dúvidas que o aluno tem no coração, e traz o tesouro pulsante lá submerso. Educa, orienta, aviva a chama na consciência de cada. Ao polir a pedra bruta consegue intenso brilhante. Bom professor é aquele que não exige, não cobra — obtém. Não corrige — mostra o porquê. Não hesita quando avalia, não constrange quando examina. E nunca faz da nota uma espada.

O bom professor não só ensina, compreende. Não levanta a voz, amplifica o verbo, convence. É sério — mas ri da própria seriedade. Fala do êxtase, da alegria e da profunda emoção que explode no seu peito quando ensina, como pétalas no riso de quem ama.

O professor mostra ao aluno a diferença entre o silogismo e a serpente. Ensina-o a extrair raiz quadrada com poesia. Demonstra como ser ousado sem ser burro. Jamais abusa da confiança do aluno, não lhe invade o espaço, não procura condicioná-lo. Não cria relações de dependência, nem exerce dominação sádica sobre ele. Infunde-lhe o respeito absoluto pela vida. Prefere o aluno criativo ao bem-comportado. Nunca o explora, é só o conquistador de um novo mundo, que leva o aluno a ver mais — mais alto e mais longe.

Não levanta paredes em torno do aluno, e sim derruba aquelas que houver. Abre-lhe as portas da vida, com veemência. Não o repreende, não o censura, não o recrimina. Mostra ao aluno a importância da inteligência na determinação do seu futuro. O velho dilema entre a caneta e a vassoura...

Como Sócrates, o bom professor não vê glórias no que sabe, não esconde o que conhece, nem oculta o que possa não saber. Brinca, tem confiança em si, e não faz da escola uma cela.

Moderno, convence o aluno a saltar os muros da tradição, porque a aventura está sempre do outro lado. Lógico, respeita aquele que aprendeu a questionar. Não o sufoca com preconceitos nem com juízos de valor. Nem lhe causa medo algum. Transmite confiança, pega na mão, aplaude, incentiva, suporta, conduz, ampara na travessia. Não é hipócrita, faz o que diz e diz o que pensa. É um farol que não vela o que descobre. Mostra um caminho. E não apenas mostra — demonstra, comprova, define.

Aranha em teia de luz, o professor não prende — liberta. Carrega o giz como fosse uma flor, com amor. E quando faz a linha tem firmeza, mas não separa. Ora Dali, ora Picasso, vai colocando a tinta, pondo seu traço, amando seu gesto, compondo a canção. Enaltece o risco do sonho, o círculo do fogo, a pureza da alma, o princípio da vida, o anel da esperança.

Considera o aluno obra de arte quase inacabada. Ama-o como se fosse um anjo. E nunca vai matar-lhe no peito a vontade de ser livre.

O professor é o amigo sincero que ajuda o aluno a superar os limites da vida, desbravando com determinação e ousadia essa fantástica região chamada Experiência.

Enfim — o professor é o Mestre.


www.EdsonMarques.com

14.10.21

Mulheres

Mulheres

Não me bastam os cinco sentidos para perceber-lhes toda a beleza. Não me bastam os cinco sentidos para viver com totalidade o mistério profundo que elas trazem consigo. Eu tenho é que tocá-las, cheirá-las, acariciá-las, penetrar-lhes o sorriso, sentir o seu perfume, beijar-lhes o céu da boca, ouvir suas histórias, transformá-las em deusas. Tenho que dar-lhes o amor que o meu corpo conduz e sustenta-me a alma. O belo amor natural por todas as coisas do mundo. Como espelho de paixões em labareda, tenho que sentir nos seus olhos um raro brilho diamante.

Eu as respeito e as venero — com a graça de um cisne que dança num lago tranqüilo e a ousadia de um touro selvagem recém-despertado. Não lhes faço perguntas, não as pressiono por nada, não lhes tiro a liberdade, não quero mudá-las jamais. Sempre imagino o que estejam sonhando, e pulo de cabeça no sonho delas. Cavalgo o vento para visitar-lhes as razões, as emoções e as loucuras. Como um deus escandaloso e surpreso por sua própria criatura, eu entro no coração de cada uma delas, deliciosamente, como se entrasse numa pulsante catedral. Mergulho na essência dos seus desejos e cada vez me espanto mais com tanta fantasia. Os cinco sentidos, por não serem precisos, ainda não bastam, e preciso mais do que isso para compreendê-las.

Toda mulher é silenciosa por dentro. A existência pura se manifesta em cada detalhe. Assim na terra como no céu, amar as mulheres é uma experiência religiosa. E eu as amo, fina substância, como deve amar quem ama de verdade — incondicionalmente. Sem ciúmes. Eu amo as morenas, as loiras, as baixinhas, as altas, as lindas, as bonitinhas e as nem tanto. Amo as virtuosas, as magras, as gordinhas, as diabólicas, as tímidas — e até as mentirosas. As iluminadas, as pecadoras, e as santíssimas. Amo as virgens, as pobres, as ricas, as loucas, as muito vivas, as inocentes. As bronzeadas pelo sol, e as branquinhas. As inteligentes — e as nem tanto. Desde que sensíveis, eu amo as jovens, as maduras, as solteiras, as casadas, as separadas. As bem-amadas, e as abandonadas. As livres, e as indecisas. E se me dessem o poder, o tempo e, principalmente, a chance, eu a todas elas daria, todos os dias, um êxtase cósmico, poético e sublime.

Apanharia flores silvestres, tomaria sol com todas elas, todo dia. Andaríamos descalços na areia, contemplaríamos crepúsculos cor de abóbora, jantaríamos à luz de velas, dançaríamos, tomaríamos vinho branco, olharíamos as estrelas. E eu lhes faria poesias de amor. Puro como um anjo, amaria cada uma delas eternamente — uma por vez. Com delicadeza, com doçura, com profundidade, com inocência. Entusiasmado, como se cada uma fosse a única. Como se no mundo inteiro não houvesse mais nada, nem ninguém.

Todas as noites, eu passaria cremes e encantos no seu corpo. Falaria sobre fábulas, contaria histórias românticas, as veria dormir. Ouvindo Beethoven, velaria por um tempo o sono delas, e, de madrugada, antes do sol raiar, antes do primeiro pássaro cantar, as cobriria com o resto de luar que ainda houvesse, e sairia em silêncio. Como um felino lógico, sensual e saciado, deslizaria pelo cetim azul-celeste dos lençóis, saltaria por sobre todas as metáforas — e sorrindo iria embora.

Enfim, se por acaso fosse Deus, eu com certeza não mais ficaria cuidando do universo e dessas outras coisinhas banais. Não ficaria controlando o destino das pessoas, o tempo, os compromissos, a pressa, o caminho dos planetas, a economia, o cotidiano, o infinito, os genes, a Internet, a geografia...

Não!

Eu somente iria amar as mulheres, como elas merecem — e como nunca foram amadas.

Só isso, definitivamente. Nada mais, nada mais!



Este poema é do meu livro Solidão a Mil, página 328.

13.10.21

Projeto Calatrava

 Sou um vendedor de imaginação



Veja o Projeto revolucionário que, como Diretor de Arte da Construtora NorteSul, desenhei para o quinto dos onze prédios de um Conjunto Residencial, na cidade de São Vicente, SP. Levemente inspirado em Gaudí, com cerâmicas Portobello, 9.5 x 9.5. /// Depois eu publico aqui as fotos dos outros quatro prédios anteriores, e explico como foi que concebi a ideia gráfica do revestimento. Pena que o Santiago Calatrava não pôde me ajudar...



Estas paredes não são virtuais: estão prontas e lindas. Desenhadas por mim, ao som de Vangelis e tomando Lambrusco. Fotografei com um celular simples, foco automático. Se quiser ver detalhes, dê um click sobre a foto. E lá também havia uma Rose....

Sou apenas um pedreiro inspirado e parabólico... Mas, lá por volta de 2022, talvez eu faça pós-graduação em Arquitetura. Só para poder frequentar o escritório do Calatrava, lá em Valencia. Ou em Nova York, tanto faz.

Mas agora estou finalizando o projeto de uma casa para mim, cuja ideia básica desenhei num guardanapo de papel no Restaurante Brahma em SP, em 12.10.2010. Quatro dias antes, já havia tido um vislumbre da ideia em Santos, na Kopenhagen do Brisamar. Veja detalhes aqui.


Nada de verdadeiramente grandioso foi criado até hoje na história da Humanidade — sem paixão, ousadia e liberdade!


E atrás desse muro azul:

Eu vou fazer a Capela da Mãe:

Minha ideia 469 - de 23.09.2015



12.10.21

Cada um cada um

Vocês poderão discordar de muitas coisas que eu digo aqui. Muitas. Afinal, cada um de nós é um ser único. Cada um de nós tem seu próprio tempo, seu sistema de valores, sua própria maneira de julgar um fato, analisar fenômenos, fazer escolhas, cavar buracos e encontrar saídas. Cada um de nós tem sua particular visão do mundo — intransferível, única, exclusiva. Cada um tem suas ideias de verdade, de justiça, de amor, de religião, de liberdade.


Ou se perder...

11.10.21

Estrelas

Eu abro caminho com estrelas a bombordo e com flores no infinito. Na vida, eu sempre me ligo a certas coisas e me desligo de outras. Fico cheio de tantas, e vazio de muitas.

Um Mar Vermelho inteiro acaba de se abrir aqui agora mesmo à minha frente. E eu respiro como se ondas azuis inflassem de Deus o meu espírito em repouso.

Tudo agora é muito claro para mim.

Até o Céu se esclareceu.

Aliás, se vou para o Norte ou se vou para o Sul — nunca mais saberei. Porque não é preciso mais saber, nos dois sentidos de saber e de preciso.

Nada agora é mais urgente que viver Agora.

Por isso que rasguei os meus mapas, quebrei meu relógio e joguei minha bússola... Acabei de me encontrar — e abracei meu coração.

Apaixonei-me por Mim...

Ela me amava

Ela me queria muito e me queria todo e me queria sempre — mas não me queria livre. 

Dizia me amar, e acho que era sincera. 

Mas dava-me algemas de presente todo dia. Chocolates e algemas. Algemas de ouro forradas com veludo azul. 

 Vivia me dizendo que eu era a RAZÃO da vida dela, e que "morreria se um dia me perdesse". 

Portanto, para manter inteira a minha dignidade, só me restou abrir meu peito e deixar-lhe um bilhete, um dolorido e amoroso bilhete azul e rasgado na mesa da sala. 

 — Meu amor, se eu tiver que NÃO viver para que você NÃO morra, então existe entre nós uma contradição insuperável. 

Lamento muito: pode comprar o teu caixão e encomendar teu funeral. O máximo que eu posso fazer, religiosamente, todo dia 2 de novembro, será depositar algumas flores — amarelas — no teu túmulo. 

Jamais te esquecerei, 
Adeus.



9.10.21

Minha ideia 1128

Subindo a Serra em 09/12/20, tive mais esta elevada ideia. A de número 1128. Um projeto social para atender, especialmente, os moradores de rua e/ou aqueles que não têm um smartphone. Ainda estou pensando a respeito. Aceito sugestões.

Estou tentando encontrar um termo mais apropriado para "moradores de rua". Talvez possa ser desendereçados.

Detalhes logo estarão em:



Explicando um pouco mais:

Vou criar um sistema que vai dar endereço (real e virtual) aos moradores de rua, a quem prefiro chamar de DESENDEREÇADOS. Seria uma espécie de caixa postal, um arquivo ou cofrezinho pessoal, (inicialmente digital e depois também físico, do tamanho aproximado de um livro, que possa ser armazenado numa estante). Isto vai ajudar muito aqueles que não têm casa, e às vezes nem sequer um telefone celular. Poderá ser acessado por digitais ou por códigos. Será útil para os futuros projetos de renda básica (se for o caso) e até para que os usuários guardem seus documentos originais, e até mesmo aqueles seus pequenos pertences mais amáveis.

Sou analista de sistemas há mais de quarenta anos, e já estou desenhando as linhas básicas do aplicativo e da plataforma. Também sou poeta, escritor libertário, socialista romântico, e estudei Filosofia na USP.

Como já disse, esta é a minha ideia 1128.



Hoje, 09.10.21, tive a ideia 1255: 

OnoderaX
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7.10.21

Seis meses de vida



Portanto, vou agora emprestar meu coração aos meus amores, para que eles amem a si mesmos, livremente, como se me amassem — e se deleitem com essa gostosura indescritível.

Eu vivo trocando um entusiasmo por outro, geralmente maior. Porque amores livres, vou tê-los muitos — para que os tenha sempre. Faz mais de vinte anos que a minha namorada tem dezoito. Às vezes, dezessete.

Ousei amar de modo diferente, e tive a coragem de continuar puro nos meus relacionamentos. Algumas pessoas, porém, querem punir-me por isso, mas sobrevivo, sobre todos. E o que mais indigna meus detratores é que são poéticas e amorosas as minhas santíssimas transgressões.

Então mergulho nessa alegre correnteza onde eu rio fluente de mim mesmo — líquido, cristalino, gargalhante.

Só tenho mais seis meses de vida, suponho — e vivo radicalmente de acordo com tal suposição.

E se por acaso ao fim desse período a morte não me houver levado, tudo o que vier depois será um presente para mim — e uma bênção maravilhosa.






6.10.21

Araras

As araras amazônicas podem viver até setenta anos, quando em cativeiro. Mas, soltas no seu habitat, vivem em média apenas trinta e cinco. Como se pode concluir, também no caso das araras, quem vive em liberdade corre mais riscos. Além disso, a gaiola oferece alguns confortos que a vida livre não dá. Então eu te pergunto: se você fosse uma arara, escolheria viver trinta e cinco anos em liberdade — ou setenta em cativeiro?

E se você não fosse uma arara?

Amar é...

 Amar é permitir sempre. 


Amar é deixar que o outro vá — ou que fique, se assim o desejar. 

Amar é ter um respeito absoluto pela própria liberdade e pela liberdade do outro. 


E isso não significa apenas entendimento racional, vai além, muito além: 

Amar é reconhecer afetuosamente o direito que o outro tem de fazer suas escolhas. 

Mesmo que essas escolhas eventualmente me excluam.


Do meu livro 
Página 314






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5.10.21

Paulo Roberto vive

Ele era um louco por metáforas e céus azuis enluarados. Ficou cego porque via demais. Assim como Jesus, todos os irmãos, com duas ou três exceções, o detestavam. Criativo, montava estruturas geodésicas já aos cinco anos de idade. Dizem que, quando criança, transformava bujões de gás em lança-chamas. Peralta como um saci. Era bom de cálculo: aos dezessete, passou direto no vestibular de Engenharia da Poli-USP. Mas não fez o curso porque sentia-se responsável pelas próprias razões... Ou por outras, que talvez não saibamos quais. Bebia um pouco, e ficava chato quando bebia. Nessas horas, costumava desenterrar defuntos. Por isso a distância entre nós era quase sempre necessária. Mas, nos momentos de lucidez (se é que podemos chamar de lucidez esses períodos em que o sangue está seco), nos raros momentos de lucidez, ele tinha uma conversa boa, amável. Formou-se em Pedagogia, virou jornalista, criou um site de negócios, comprou um sítio no Paraná, plantou trinta mil pés de eucaliptos, fabricou carvão, teve um açougue. Três ou quatro filhos. Gostava de política, e era crítico da esquerda. Sua coluna no jornal da cidade durou dez anos. Na última vez em que nos vimos, janeiro de 2011, almocei na casa dele, na área enorme cheia de flores e lembranças. O almoço foi ele que fez. De vez em quando eu dizia, olha, tá queimando... E ele então corria lá pra cozinha. Por sugestão minha, pegamos a comida nas próprias panelas. Sentamos ali, ao lado do jardim, e ficamos conversando por três horas. Sobre a vida, que ele, contraditoriamente, amava tanto. Sob um caramanchão esquisito que tinha até um pé de bucha... Me deu uma, que ainda está na mala que nunca desfaço. Na saída ele me disse, leve uma rosa. Era a mais bonita, lá no alto da roseira. Levei. E dei pra Mãe.


Morreu hoje.
Não o Paulo, mas a rosa.







Duas das coisas que o mataram, além do álcool: excesso de genialidade, e a incompreensão da família, especialmente das irmãs. Pedi aos filhos dele que lhe guardassem os papéis, os originais, os rascunhos, os recortes — pois vou escrever um livro sobre ele. Uma biografia romanceada.




Uma homenagem ao Paulo, cujo aniversário de nascimento é hoje, 05 de outubro. Quando nos encontramos pela última vez, na casa dele, não foi sequer possível tomarmos uma cerveja. 

E ele morreu sem me avisar...


E só ontem eu descobri que ele era mais inteligente do que deixava transparecer.

4.10.21

E se teus amores fossem eternos?

O amor é simples. Mas também complexo...


Se meu amor por Marina (aos sete anos) fosse eterno, eu estaria com ela ainda hoje — e não teria conhecido Suzana, que é uma deusa inesquecível. Se eu tivesse ficado com Suzana para sempre, não teria conhecido Patrícia, nem Vera, nem Alessandra, nem Janaína, nem Carol, nem Beatriz. Se eu tivesse sido exclusivo de Vera ou Janaína, não teria me apaixonado por Joyce Ann — que ainda é a musa número um. Mas se eu ficasse apenas com Joyce, não teria conhecido a morena maravilhosa de ontem à noite. 

E assim por diante... 

O que me encanta é a liberdade absoluta, incondicional. Aliás, pensando bem, se o amor de Marina por mim também tivesse sido eterno, ela não teria conhecido nenhum dos seus outros amores. Assim deve ter acontecido com todas que eu amei e que me amaram — e que depois tomaram novos rumos. Se eu esperasse (ou, o que é pior, se eu tivesse exigido) que cada uma delas ficasse só comigo, nem consigo imaginar como as coisas estariam hoje. Minha vida certamente seria um pandemônio. Ou eu já estaria totalmente morto e soterrado por uma avalanche de complicações que isso envolve. 

A ideia de exclusividade amorosa e sexual, se não for espontânea, não me agrada nem um pouco. O amor tem que ser livre — em todos os sentidos — e de todas as formas.

3.10.21

Crescimento intelectual

Numa discussão racional sempre sou flexível. Se os argumentos de um suposto adversário forem melhores do que os meus, seria burrice não admitir tais fatos. Aliás, admitindo-os, eu amplio meu sistema de informações. De certo modo, fico ainda mais inteligente, pois acabo incorporando ao meu repertório algumas informações ou conclusões que eu antes não tinha.


Além de demonstrar elegância intelectual com tal atitude, fico até melhor preparado para os futuros embates — com esse mesmo citado adversário ou com eventuais outros..

Será que você pode concordar com esse meu  critério relacional?









Click na imagem acima para ver 
Estratégias de Crescimento.





Alguns textos meus que me são fundamentais:

2.10.21

Metade de infinito

 Todo sonho tem um preço.

E é melhor pagá-lo à vista do que não tê-lo.


A todo instante eu vivo um momento único e ultrapasso um ponto de não-retorno. Vejo agora uma virgem deitada de bruços em minha cama, sem blusa, os seios parecem frutas acariciando o lençol branco de algodão. Ela ainda está de calça preta, sandálias de amarrar. Tem um rosto lindo e cândido que me lembra Adna, aquela. Há incenso indiano queimando no chão, espetado numa laranja, e a música de Yanni, gravada no Taj Mahal, preenche tudo aqui de magia, de agora e de amor. Vou levar-lhe o suco e depois me safar: virgem é um perigo! E me lembro do melhor presente que já ganhei, dado pela inesquecível Adna. Inesquecível por um K2 de razões, mas principalmente porque Adna Mattos Gurgel teve um papel determinante na minha vida. Tanto, que ela seria a mãe de Maria Paula, filha que talvez teríamos, fruto de uma paixão deliciosa, quase desesperante. Nós nos amávamos, sim, profundamente, mas também tínhamos nossas inquietações particulares...

Tem presente que é só uma quinquilharia, uma bugiganga. Mas tem presente que pode mudar o futuro de quem o recebe. O que Adna me deu aquele dia era uma simples folha de papel, com o que disseram sobre mim:

“Todas as aptidões específicas são bastante superiores. Personalidade bem formada. Boa linha de conduta. Metas bem definidas, determinando uma ação bem programada. Atitudes ponderadas e sensatas, com sinais claros de um bom senso de responsabilidade. Disposição para aceitar idéias novas. Espírito aberto e progressista. Desejo de alcançar uma boa expansão pessoal. Interesses intelectuais bem orientados. Vivacidade mental. É bastante teórico, mas nem por isso deixa de lado os aspectos práticos da vida. É por isso muito objetivo no seu raciocínio. Faz um curso de Filosofia Pura, o que muito o ajuda a se desenvolver nesse plano. Sua personalidade, muito bem formada, também lhe permite condições para se realizar no seu trabalho, aproveitando seu potencial em boa amplitude. Os prognósticos sobre o seu desempenho estão completamente a seu favor. Trata-se de um ótimo candidato.”



Este o resultado do exame psicológico 28.047, quando me candidatei (e ganhei) ao cargo de Programador de computadores na empresa Protin Equipamentos de Proteção Ltda. Foi assinado pela psicóloga Cecília P. Cesar, que me entrevistou por uma tarde inteira. Eu tinha dezenove anos e esse relatório, esse presente que Adna me deu mudou minha vida. Definitivamente. Mudou o rumo do meu futuro e também do meu passado. Aquele menino marxista, um pouco introvertido, com cabelos longos, precisava de alguém que lhe mostrasse o tamanho, o enorme tamanho do Lúcifer intelectual que trazia no peito. E se você pensa que o Lúcifer todo ainda me habita, engana-se: é apenas Sua alma que hoje mora no meu brilhante coração. Do corpo Dele já não preciso mais:   Eu uso agora o próprio meu.


Como vêem, minha loucura vem de longe. Aliás, não tenho apenas uma loucura. Para que nossa vida fique muito mais saaudável, em todos os sentidos, o ideal é operarmos com duas loucuras, ambas não excludentes, mutuamente complementares e necessariamente brilhantes.


A Loucura é como a Liberdade:
Só lhe damos valor quando a perdemos.


Por falar em Adna, suponho que aquele nosso amor é a prova mais cabal de que as relações, todas as relações, devem terminar no pico. Para que só fiquem boas e belas lembranças. Eu e ela vivemos juntos momentos inesquecíveis, maravilhosos, por mais de dois anos. Fizemos nossos planos e soubemos desfazê-los, na hora certa, sem traumas, sem rancores. Nós nos separamos no pico da relação. Portanto, aquela Adna, Adna Mary Rangel, só posso mesmo amá-la sempre.


Em outubro de 2011 (há exatamente dez anos, portanto) nos encontramos por telefone. Conversamos bastante, e alegremente, várias vezes. Porém, antes de encontrá-la de novo, ao vivo, preciso escrever algumas coisas sobre aquele nosso tempo. E sobre esse espaço quase infinito que soubemos colocar entre nós dois. (A propósito: ainda não a encontrei de novo, nem por telefone).

É a vida.






Eu não quero ensinar nada a ninguém. Não quero ser mestre nem me chamo Buda. Só quero provocar intelectualmente as pessoas criativas. Quero esmagar todas as convicções, especialmente as minhas. Em verdade, não quero muita coisa: só quero abraçar a metade do infinito, e fazer o sol nascer no céu da tua boca. Quero amar a Liberdade, saltar profundo, e viver a Vida. Dançar abraçado a Nietzsche na corda bamba à beira do abismo. E sempre colocar meu coração no bom caminho -- ou seja, no caminho da perdição gostosa e da alegria desgovernada

1.10.21

Feliz Aniversário

O presente de Aniversário que eu quero te dar
não pode ser comprado:
Não tem nas lojas, nos mercados, nas feirinhas, nos balcões.
Não é feito de plástico, não é eletrônico, nem precisa de manual.
O presente de aniversário que eu quero te dar
já está dentro do teu próprio coração.

Basta que você agora o desperte para a vida:
É o amor pela liberdade absoluta.
É a admiração extrema pela Arte de Viver.
A defesa inabalável da ideia de justiça, de verdade e de prazer.
A coragem de sonhar transformações.
A busca cotidiana por tudo que é sublime,
e o doce desejo de sugar o açúcar de todas as coisas.

Feliz Aniversário!

29.9.21

Bolo de fubá

Certa vez minha Mãe fez um bolo de fubá. Daqueles que eu adorava. E me chamou num canto da sala e me disse: hoje é teu aniversário. Eu devia ter uns doze ou treze anos, e pensei que ela tava ficando louca, pois meu aniversário sempre foi 15 de julho — e nós estávamos em meados de setembro. Só bem mais tarde eu entendi: 22 de setembro é o dia em que fui fecundado pelo Inspírito Santo. A partir de então, comemoro meu aniversário só no dia da Primavera, e não mais naquele dia estranho e sem rima que anotaram no meu RG.

28.9.21

Recomendações

RECOMENDAÇÕES DO MEU PAI


Além das suas recomendações sobre sempre respeitar a propriedade alheia — e nunca usar sapatos velhos — há outras dele das quais agora me lembro:



1. Respeite a tua Mãe.

2. Não carregue pacotes.
3. Não economize na comida.
4. Seja dono do teu próprio negócio.
5. Beba pouco.
6. Estude bastante.
7. Não fume.
8. Não transe com as empregadas.
9. Não minta — exceto se for para salvar a vida.



Quando morreu, trazia no bolso, na carteira de couro marrom, uma carta, dobradinha, meio amarelada e com sinais evidentes de muitas leituras. Não sei onde pode estar o original. Talvez tenha tido o mesmo destino daquelas fotos que os doentes rasgaram. Felizmente a memória não se perde. Não é possível rasgar uma lembrança, destruir um símbolo, esconder um coração. Manifestações de amor, como essa do meu pai ao carregar minha carta consigo — até no dia da sua própria morte —, não se apagam. É uma honra para mim.





Hoje é aniversário dele.