10.6.26

Minha primeira empresa

Quando me perguntam sobre o que sou e o que faço digo apenas que sou um Criador. Tenho ideias, muitas, sobre vários temas, todo dia. Projetos, sonhos, invenções. Planos loucos, inclinados, geniais. Alguns são colocados em pedaços de papel, outros vivem no meu próprio coração. Muitos viram livros, amores, empresas, relações, consultorias. O importante é que meu primeiro grande amor foi Marina, aos sete anos de idade.


Hoje sou um analista de sistemas. Um analista de circunstâncias.


Mas meu primeiro empreendimento foi na área de calçados, também aos sete anos (fui engraxate, por duas ou três horas). Depois, a AJAN — Aliança Juvenil dos Amantes da Natureza — foi considerada subversiva pelos militares, que a fecharam. O meu time de futebol durou só dois anos, pois concluí que era melhor continuar sendo o craque do time do que ser apenas o dono da bola. A administração do Boteco (que depois virou armazém e quase mercado), até os 15. O Restaurante, aos dezesseis, em cuja construção aprendi com meu Pai a beleza do piso cerâmico em diagonal, continua funcionando até hoje. O terceiro projeto comercial, aos 22 anos, logo após ter sido gerente de informática na Protin, foi a K-Misster, que virou minha segunda empresa — e que abandonei de modo romântico e poético, como se pode ler dando um click na imagem seguinte: 




Como já disse acima, aos 22 anos eu montei minha segunda empresa. Uma confecção. O nome era K-misster, e ficava na Avenida Nacionalista, número 100, Jardim Tango, Itaquera, SP. Aluguei um galpão, comprei doze máquinas na rua São Caetano, montei um bom estoque de tecidos, que comprei na 25 de março, contratei dezessete costureiras e soltei o meu barquinho em alto mar. Eu ia lá com meu Corcel GT vermelho e preto, rebaixado, rodas de alumínio com alargadores aro 16", belíssimo. Eu também desenhava os modelos das camisas. Cheguei a vender, entre outros, vários lotes para as Lojas Piter, que ficavam ao lado do Teatro Municipal. Mas a fábrica era muito longe, e eu queria curtir a vida e estudar filosofia... Depois de três ou quatro meses larguei tudo. Dei as máquinas para as costureiras, comprei um carro conversível — e saí pelo mundo. Viver novas experiências.

Deu certo.




O piso em cacos de cerâmica que eu ajudei a construir.



8.6.26

Minha maior conquista

Só que está morto não muda.


O domínio absoluto sobre os meus estados de espírito é a minha maior conquista como ser humano. Tenho independência emocional. Há mais de
quarenta e oito anos que não perco a calma. Há mais de quarenta e oito anos que não produzo adrenalina desnecessariamente. Não brigo, não xingo, não bato. Não sinto raiva nem ódio, nem ciúmes, nem rancor. Não me irrito por absolutamente nada. Nunca tive mau humor. Não tenho nem sequer aqueles nozinhos horrorosos na garganta. Não me descontrolo jamais! Não há motivos racionais que possam me abalar. Não discuto nada, a não ser filosofia. Filosofia e política. E arte. E sou amorosamente zen...


Como consigo tal façanha? — você pode perguntar.


É muito simples: Dou valor secundário às coisas secundárias. E considero secundário tudo aquilo que não é fundamental... Tudo aquilo que não tem poder de causar mudanças significativas no rumo da minha vida. Considero secundário tudo aquilo que não me traz felicidade.


É muito simples — e é uma delícia!


Experimente.



O livro Mude





O Comercial da Fiat



Poema Mude - Músicas: "Walk on the Wild Side" de Lou Reed, e "Vagabond" de Wolfmother.

5.6.26

Um cozinheiro na Casa Azul

 Ontem foi este o prato que eu desenhei

No Restaurante Azul
Arroz com açafrão e pequi, alho, tomate, contra filé e flores de salsinha.

Anteontem foi este
Acabei de fazer esse risoto de chuchu maduro com bacon, pétalas de gengibre doce, hibisco recém-colhido, uma folha inteira de coração apaixonado, queijo parmesão ralado na hora, e cebolinha da horta.
❤️💚💜

Além de saber cozinhar, eu construo jardins.


2026



3.6.26

Direito de discordar

Dito de outra forma:

Se eu concedo que você pode concordar comigo, eu também deveria conceder que você possa discordar de mim.

Desde que a discordância seja manifesta de forma elegante, acho-a fundamental. Em todos os aspectos da minha vida, e não só naquilo que escrevo. Eu procuro sempre me colocar de forma elegante e respeitosa (*). 

Logo, suponho merecer respostas de mesmo nível.

(*) Exceto quando participo de lutas na arena. Ou no tatame. Ou no teatro.

🟩🟥🟨



2.6.26

Nova Teoria do Acaso

 




Se ele, fazendeiro que era em Minas Gerais, não tivesse raptado amorosamente a Vitalina, nada disso estaria acontecendo. Se o meu corajoso e culto bisavô Luiz Marques não tivesse decidido morar no Sul (talvez no Uruguay) com sua amada adolescente (treze anos de idade!), ele, vindo do norte de Minas, não teria passado por Itararé, numa noite enluarada de 1905, onde seria preciso trocar de trem, da Estrada de Ferro Sorocabana para o da Rede Paraná Santa Catarina. Não teria, portanto, e por acaso, conhecido o Sr Tonico Adolfo, que o convenceu a comprar umas terras por aqui, inclusive a propriedade onde ficam hoje a Casa Azul e a Churrascaria dos Gaúchos. Não fosse por isso (por esse maravilhoso conjunto de acasos), Luiz Marques e Vitalina teriam seguido viagem para o Sul. E Maria, a primeira filha de Vitalina e mãe do meu Pai, não teria nascido aqui. Nem teria conhecido o Joaquim dos Santos, obviamente. E meu Pai, portanto, não seria concebido por esse casal. Nem por outro. E nem eu nem meus irmãos existiríamos. Minha Mãe teria existido, é claro, posto que viera do Salto, mas seus eventuais filhos seriam outros. Logo, como se pode facilmente concluir, se não fosse o ACASO, se não fosse a coragem do apaixonado Luiz Marques (nem o dinheiro e os oito livros que ele trazia na mala), nada disso teria acontecido. Nada disso. E eu não estaria aqui, agora, ouvindo pássaros na Casa Azul.

Nem você estaria lendo essa minha história.

Aliás, eu tenho a impressão de que teu pai e tua mãe também se conheceram por acaso... Assim como os teus quatro avós.

Pense nisso.

12.02.25.

A história ainda vai continuar.

(...)


E eu fico aqui pensando sobre esse ousado fazendeiro, que teve a coragem sexagenária de abandonar a própria esposa e mais de mil cabeças de gado, só para seguir um grande amor...


O mestre Antonio Abujamra interpreta aqui, no vídeo acima, um breve texto que escrevi sobre meu bisavô.



1.6.26

Eu seria um bom Pai

Não tenho filhos — e jamais os terei. Decisão tomada quando eu tinha apenas doze anos. Foi com essa idade que eu cheguei à conclusão que jamais seria um tradicional "chefe de família". Acabei concluindo que ser um bom pai e amante da liberdade — ao mesmo tempo — são coisas mutuamente excludentes. Hoje penso que ter filho é um risco para mim desnecessário. Não quero corrê-lo. Entretanto, se por desventura mudar de ideia ou se por acidente tiver um, sei que serei um bom pai. Um ótimo pai! Porém, caso venha a tê-lo, vou preferir um filho criativo a um filho bem-comportado. Porque não dá pra ser as duas coisas ao mesmo tempo...

Continua aqui.


Este texto sobre não ter filhos gerou muita polêmica, algumas por e-mail (16) e até duas bem maliciosas... Mas, compreendo as razões de todas essas manifestações. Por isso, vou aproveitar para ampliar o meu raciocínio sobre o tema, abrindo inclusive a possibilidade de eu vir a ter um filho, assim que encontrar a Mãe que suponho ideal. Essa mulher, é claro, também deverá me achar ideal... E tem que aceitar, indiscutivelmente, o nome da criança, que já escolhi. Será o primeiro nome com vírgula a ser registrado nos cartórios do Brasil. O nome, provavelmente, será: Eu, Leonardo da Vinci Marques dos Espíritos Santos. Mais o sobrenome da Mãe. Esse filho é a minha ideia 301. Outros detalhes a respeito podem ser vistos AQUI.



Em outubro de 2022 eu alterei um pouco o texto acima.





30.5.26

Declaração de amor à vida

Minha honestidade pessoal me leva a ser autêntico. A nunca fazer o que eu não queira. Porque eu não preciso fazer aquilo que eu não quero. Posso perder algumas coisas por ser assim, agir assim, pensar assim. E seguramente perco mesmo muitas coisas — muitas! — mas todas não significativas para mim. Perco coisas, mas não perco liberdade. Não perco aventuras, não perco amor, alegria, gostosura, desejos, tentações. Ou seja, posso até perder coisas, mas ganho na dimensão da minha personalidade, da minha alma, do meu Espírito, da minha paz profunda. Pois não abro concessões àqueles que possam querer me prender.

Não jogo minha própria vida em troco de salário, prestígio, poder, posses, coisas, tranqueiras. Não permito que me roubem esse único presente que eu tenho 
 em troca de um futuro que nem sei se vai haver.

Não assumo compromissos que me sufoquem, ou que me levem à exaustão para cumpri-los. Eu não crio dependências que me prendam, em hipótese alguma. Não me casei, não tenho filhos, não tenho noivas, não tenho muitas namoradas, não faço juras de amor eterno. Nem tenho planos mirabolantes que possam sugar minha existência gostosa de agora mesmo.

Faço só o que me dá prazer — e apenas pelo prazer. Sem nenhuma maldade. Sem dor, sem pressa, sem esforço desumano, sem mágoas, sem ciúmes, sem cansaço e sem pressões. Sem explorar quem quer que seja.

E isso não é um mero jogo de palavras: 


Sou o dono do meu tempo.


E não deixarei de amar os meus amores em nome de nada!



29.5.26

Freud entende

Às vezes, penso em escrever aqui algo mais sério, mas logo me contenho, pois este é um blog despretensioso, experimental, onde só publico ensaios poéticos e frases curtas. Mas hoje quero falar de Freud. Não sou especialista em Freud, mas passei a gostar dele. Suas teorias encantam a todos que procuram conhecer um pouco mais da alma humana. O genial criador da Psicanálise tem sacadas brilhantes. Essa da "interiorização" é uma delas. A chamada interiorização simbólica da autoridade, que normalmente ocorre desde a primeira infância, levanta em nosso peito uma barreira impressionante. Quase intransponível. O fato é que a culpa, o medo, o ódio, o ciúme, a vergonha irracional, o preconceito, a ignorância — todas essas coisas horrorosas nos afastam do amor e da alegria, da liberdade e do prazer. Nos afastam do Conhecimento e da Sabedoria.




27.5.26

Nortesul e Calçadas do Brasil

 Antes eu era um vendedor de ideias.




Veja o Projeto revolucionário que, como criador e Diretor de Arte da Construtora NorteSul, desenhei para o quinto dos onze prédios de um Conjunto Residencial, na cidade de São Vicente, SP. Levemente inspirado em Gaudí, com cerâmicas Portobello, 9.5 x 9.5. /// Depois eu publico aqui as fotos dos outros quatro prédios anteriores, e explico como foi que concebi a ideia gráfica do revestimento. Pena que o Santiago Calatrava não pôde me ajudar...



Estas paredes não são virtuais: estão prontas e lindas. Desenhadas por mim, ao som de Vangelis e tomando Lambrusco. Fotografei com uma máquina simples, digital, foco automático. Se quiser ver detalhes, dê um click sobre a foto. E lá também havia uma Rose....


No fundo,
 sou apenas um pedreiro inspirado e parabólico... Mas, talvez em 2025, vou fazer pós-graduação em Arquitetura. Só para poder frequentar o escritório do Calatrava, lá em Valencia. Ou em Nova York, tanto faz.



Mas agora estou finalizando o projeto de uma casa para mim, cuja ideia básica eu desenhei num guardanapo de papel no Restaurante Brahma em SP, em 12.10.2010. Quatro dias antes, já havia tido um vislumbre da ideia em Santos, na Kopenhagen. Veja detalhes no link acima.




A seguir uma homenagem aos 7 haitianos que trabalham conosco
Eles adoram almoçar todos os dias na Praça de Alimentação do Shopping West Plaza, que fica em frente às nossas obras nos Condomínios Milano e Torino, Avenida Francisco Matarazzo, São Paulo.




E minha obra mais recente está sendo iluminada.

Maio 2026.


Nada de verdadeiramente grandioso foi criado até hoje na história da Humanidade — sem paixão, ousadia e liberdade!

26.5.26

Elogios e críticas

ELOGIOS E CRÍTICAS

Algumas considerações sobre os meus pontos de vista



Como toda pessoa com posições seriamente democráticas — no sentido grego da expressão — eu aceito tanto as críticas positivas quanto as negativas a respeito do que sou, do que penso, e do que faço. Todas elas são, por definição, simples manifestações de opinião — e todas, por isso mesmo, igualmente passíveis de serem verdadeiras ou falsas. Com base nessa premissa tão elementar eu concluo que seria irracional privilegiar umas em detrimento das outras.


Embora (como para todo mundo, suponho) certos elogios me sejam mais agradáveis do que as críticas negativas, costumo ver nestas um sinal — e acabo valorizando-as até mesmo um pouco acima daqueles. Primeiro, e só para efeitos de raciocínio, suponho-as desinteresseiras e com algum valor de verdade. Procuro entendê-las no contexto, racionalmente, a partir de uma certa e segura distância brechtiana. Se ocorre não concordar com algumas delas, mas se também consigo refutá-las com sucesso — ainda que apenas mentalmente — deixo-as de lado, e sigo em frente no que faço, no que sou e no que penso, livremente.


Decididamente.



Porém, se tais críticas são bem formuladas e tocam meu coração de alguma forma; se perdura em mim uma certa sensação de que as mereço realmente — não as desprezo, não as esqueço, nem tento desqualificá-las de modo algum. Então, nesse caso, a partir delas e sensatamente, procuro tomar providências, mudar concepções, aprimorar o que faço e melhorar o que sou — como ser humano, como filho, amigo, amor, amante ou companheiro de jornada.


O mesmo raciocínio vale para os meus textos e poemas. Para as
paredes que eu desenho, as fotos que eu faço, as relações que mantenho, os projetos que apresento, os pratos que eu cozinho, as idéias que proponho, as atitudes que tomo, e os livros que eu escrevo.


Claro que vale também para
essas múltiplas gostosuras que vivo compartilhando com todos os meus amores principais.



Essa abertura poética na cabeça dançante é que torna minha vida uma
aventura inesquecível.


Extraordinária.


E finalizo com um breve texto que escrevi em 1984 — inspirado por Nietzsche — logo após terminar minha primeira leitura do seu genial livro Assim Falava Zaratustra:


Não existem verdades definitivas, inquestionáveis. O que existe são interpretações elaboradas sobre determinados aspectos da realidade — comprováveis ou não — mas necessariamente condicionadas pelo ponto de vista, pelos interesses, pela visão do mundo, e pela capacidade intelectual de quem as propõe.




Piso que ajudei meu Pai a fazer quando eu tinha 15 anos de idade.

Talvez fosse a Calçadas do Brasil já germinando.






Imagine que hoje é teu último dia de vida.

24.5.26

Meu Vô Joaquim

Anteontem (*) eu fui ao Manicômio de Franco da Rocha procurar meu avô paterno. A ficha dele. Um cadastro antigo, alguém que dele se lembrasse — qualquer coisa.

Não achei.

Ele era um louco delicado que enlouqueceu do lado errado. Dizem que os irmãos o deixaram certo dia jogado numa rua de São Paulo, sozinho, tremendo de frio, para que morresse abandonado e lhes deixasse a sua parte na herança.

Conseguiram.

Seu nome era Joaquim. Ele não havia suportado a morte do grande amor de sua vida, que caíra de uma laranjeira sobre um toco de cerca. Alienou-se do mundo por causa disso. Partiu-se em dois. Para esquecer Maria, não abraçou a poesia: abraçou a tristeza — e mergulhou no álcool. Esqueceu-se de si mesmo, perdeu a graça, e deprimiu-se fundamente. Por isso eu digo que o coitado enlouqueceu do lado errado...



(*) Texto escrito originalmente em julho de 1989.


23.5.26

Meu conceito de Amor

 Amar é permitir sempre. 


Amar é deixar que o outro vá — ou que fique, se assim o desejar. 

Amar é ter um respeito absoluto pela própria liberdade e pela liberdade do outro. 


E isso não significa apenas entendimento racional, vai além, muito além: 

Amar é reconhecer afetuosamente o direito que o outro tem de fazer suas escolhas. 

Mesmo que essas escolhas eventualmente me excluam.


Do meu livro 
Página 314



Essa minha paixão por Helena aconteceu recentemente.

E já acabou, é claro. Como sói acontecer...






O que significa AMAR:


Amar é permitir sempre. Amar é deixar que o outro vá – ou que fique, se assim o desejar. Amar é ter um respeito absoluto pela própria liberdade e pela liberdade do outro. Amar é compreender sempre. E isso não significa apenas entendimento racional, vai além, muito além: Amar é reconhecer afetuosamente o direito que o outro tem de fazer suas escolhas. Mesmo que essas escolhas eventualmente me excluam.



Mas, se amar significa "reconhecer afetuosamente o direito que o outro tem de fazer suas escolhas" — como eu sempre digo — será que nessa colocação pode estar implícito que devo aceitar as idéias do outro, todas, mesmo as absurdas, e incorporá-las como se fossem minhas, se ele assim o desejar?
Claro que não.
Isto seria uma violência.
Cada um de nós tem um sistema de valores.
Mesmo que seja em nome do amor, a submissão é um horror.

Portanto, amar não significa aceitar todas as escolhas que o outro fizer, mas sim apenas aquelas que não impliquem uma supressão da nossa liberdade pessoal. Porque falta de liberdade causa uma dor imensa. E se causa dor, não é amor. Portanto, se uma determinada escolha feita pelo outro, que diz me amar, contraditoriamente cerceia minha liberdade, ou violenta minha dignidade, me sufoca ou atormenta — então essa escolha me faz mal, e deve ser rechaçada imediatamente, com determinação. Jamais devemos compactuar com quem nos fere ou nos amputa. Sem essa de beijar o carrasco em nome do amor...

Sem liberdade a vida morre.

Amar de verdade é jamais ter ciúmes, nem medo de perder. Amar é não forçar nada, sequer um beijo. Amar é não fazer perguntas desnecessárias ou indiscretas — muito menos na hora errada. Amar é deixar fluir a relação em todos os sentidos. É incentivar o voo livre que o outro possa estar querendo, e às vezes até mesmo empurrá-lo com ternura para o abismo gostoso do desconhecido profundo. Amar é respeitar com devoção e aplaudir com entusiasmo esse desejo louco de saltar que o outro às vezes tem. (...)


Eu defendo a tese de que o amor deve ser livre. Se não for livre, chame-o de qualquer outro nome — menos de amor. Aliás, é bom perguntar: se o amor não for livre, como será ele, então? Amor preso? Encarcerado? Acorrentado? Será que alguém, com um mínimo de respeito à vida, pode ser contra o amor livre? Sei que esse é um tema complexo, impossível de ser debatido em meia página de um blog. Mas gosto de supor que sinto-me amado, realmente, quando a pessoa que diz me amar pode olhar-me nos olhos e também dizer, do fundo do coração:



Eu te amo quando não preciso mais dizer te amo.
Eu te amo quando reconheço teu Direito de Fazer Escolhas.
Eu te amo quando respeito tua própria liberdade tanto quanto a minha.
Eu te amo quando compreendo tua vontade de às vezes ficar só.
Eu te amo quando não te sufoco com chiliques ou pressões.
Eu te amo quando ponho afeto entre as nossas distâncias.
Eu te amo quando aplaudo os teus desejos de voar.
Eu te amo quando me convenço de que o ciúme é algo a superar.
Eu te amo quando te ajudo a ser mais livre do que eras quando eu te conheci.

Eu te amo quando a recíproca a tudo isso também é verdadeira.





Tem gente que diz que o verdadeiro amor é aquele que dura para sempre. Ora, sendo assim, nunca saberemos se um determinado amor é mesmo verdadeiro, posto que o período de tempo chamado Sempre ainda não chegou — e jamais chegará. Do ponto de vista da Lógica, portanto, esta é uma afirmação tola. Inverificável. Improvável. Logo, tal frase, repetida ingenuamente por papagaios aprendizes, é um ridículo absurdo.


No texto acima eu analiso o Amor do ponto de vista da Lógica. Algumas pessoas podem dizer que o amor "não tem lógica". Compreendo suas razões. Entretanto, o Amor tem lógica, sim. É perfeitamente racional, e necessariamente determinado ao final de uma cadeia de raciocínios. É cerebral — antes de tudo.


Estou pensando agora (2026) em escrever algo sobre o que eu chamo de Amor Desesperado. Mas não com base em desespero, angústia e coisas do gênero. Uma paixão "avassaladora" (embora a etimologia dessa palavra seja um horror). Veremos.




22.5.26

Eu tinha sete anos

 A primeira noite de um menino.




Quando a primeira paixão da minha vida começou a incendiar-me o peito, tornei-me um serzinho sensual e amoroso full-time. Transformei meu coração num sol inesgotável, e pensei que todas as meninas e mulheres do mundo se chamariam Marina.


Eu tinha sete anos — completíssimos — e às vezes morava com minha Vó Vitalina.


E foi nessa idade que entrei glorioso na fase fálica do meu crescimento espírito-libidinal, montado num belo cavalo de sensações brilhantes, inocentes e lúbricas. Ao mesmo tempo, comecei a estimular principalmente duas coisas em mim: meu intelecto e meu sexo. E quando descobri que eu tinha o supremo poder de dar-me orgasmos, vibrei, deliciosamente — nos dois principais sentidos da expressão. Por isso, ainda hoje eu creio num Deus que não é qualquer: é um Deus que sonha — e tem orgasmos divinos.


Fico pensando.


E me lembro de Sonia Maria.
Sonia Maria Santíssima!
Minha segunda paixão adolescente...




20.5.26

Eu sempre danço conforme a música

Dance conforme a música

Pareceu-me que o chão fugiu-me aos pés...

Um dia me disseram que eu tinha que dançar conforme a música. Uma determinada música. Senti-me então ameaçado, pois a tal música não era a minha preferida. Pareceu-me que o chão fugiu-me aos pés. Por isso tomei providências radicais imediatas: entrei numa boa escola de dança, e aprendi a ler partituras. Usei a clave do Sol para abrir as duas portas do céu. Transformei em violino as palmas da minha mão. 




Comecei tocando os instrumentos de corda, os de sopro e percussão. E então me aprimorei, com determinação. Tornei-me um compositor criativo, um empresário maluco, um maestro zen. E hoje sou o líder da própria banda.



Portanto, eu agora só danço conforme a música. 




Hoje à tarde eu tomei alguns Black da Brahma no Bar Léo.


Onde fomos atendidos esplendorosamente bem!

   
Sensacionais! 




19.5.26

A vida tem dois caminhos

Os grandes mestres sempre nos disseram que a vida tem dois caminhos: o caminho da doença e o caminho da cura. Mas algumas pessoas, infelizmente, optam pelo caminho da doença, supondo erradamente ser este o mais correto. É compreensível, mas não vai dar certo. Entretanto, há uma solução (emocional e racional ao mesmo tempo), que requer coragem e disciplina: abrir-se à experiência do aprendizado. Abrir os olhos, o coração e o cérebro — e subir nos ombros de um grande mestre, até para ver mais longe. E fazer da Liberdade a razão maior da própria Vida.


.

17.5.26

Eu abro todas as gaiolas

Tem dias que eu tento conter este divino coração que salta profundo de mim, e que me beija dançando de dentro pra fora. Amantíssimo, poético, livre — e meu: eis o meu coração, meu amor: escancarado em teus braços... Porque em mim agora não existem outras estações. A primavera toda cresce dentro do meu peito, e as flores já não murcham mais. Sou um trem desgovernado em direção ao interior. Zen, vazio de tudo mas cheio de graça, com seu louco motivo e doce razão. E o apito sinuoso que se ouve daqui, reto, respeitoso, se curva.


Também não quero que me considerem muito original: eu apenas repito o que me dizem os pássaros livres no quintal azul da minha Mãe. Transformo em português, literalmente, os cantos que eles cantam para mim. E repito-os para que vocês possam ouvi-los de verdade em nossa língua. Às vezes, quando chove chuva e o canto deles vem molhado, limpo um pouco o seu trinado, acrescento algumas notas, pinto-as de vermelho, reescrevo a melodia. E transformo o bem-te-vi em bem-te-vejo. O beija-flor em minha estrela. O pardal em perdão, o tiziu em tesão. E abro todas as gaiolas.



Todos os dias.







16.5.26

Equilíbrio emocional

"Os momentos mais apropriados para tomarmos decisões importantes a respeito da nossa vida, do nosso amor, do nosso trabalho, da nossa família e do nosso futuro — são aqueles em que estamos com bastante raiva, com muito ódio no coração, e numa extrema situação de stress emocional".

Não creio que exista hoje, na face da Terra, nem um ser humano sequer (saudável) que concorde com a frase acima. Entretanto, é exatamente em situações similares (de raiva, ódio, stress ou medo) que as pessoas comuns se acham mais capazes de emitir julgamentos, e decidir sobre a própria vida. E às vezes não apenas sobre a própria vida, mas também sobre a vida de terceiros. Tais pessoas desestabilizam-se emocionalmente — primeiro — para só depois tomar as decisões sobre o que fazer. São tão tortas que parecem supor que o desequilíbrio as endireita... Mal sabem elas que o equilíbrio emocional é a segunda coisa mais importante num processo de tomada de decisões. Eu disse "segunda coisa mais importante" porque a primeira, fundamental, é a capacidade de raciocinar com lógica, e querer (realmente) que as decisões sejam inteligentes e racionais — para que os resultados possam ser igualmente racionais e inteligentes. Aliás, a irracionalidade nunca vai gerar resultados racionais. Exceto por acaso.

Esse tema não vai caber aqui. Terei que expandi-lo de algum modo. Posso adiantar que, basicamente, todo grande mestre, quer seja ele zen ou não, prega o controle dos estados de espírito como a sua maior conquista como ser humano. Mas, entre as pessoas comuns, o desequilíbrio emocional parece ser algo tão corriqueiro quanto abominável. Explosões emocionais (contidas ou violentas, tanto faz) levam o corpo a uma desgastante produção de hormônios que suportem, fisiologicamente, manifestações de ódio, medo, vergonha, ciúme ou desespero, quase sempre causadas por julgamentos imperfeitos realizados por um cérebro não polido. Energias enormes são assim desperdiçadas ao longo da vida. Energias que poderiam ser canalizadas para outras operações, seguramente mais saudáveis.

Entretanto, outra coisa extremamente grave pode acontecer nesse processo. Depois de errar tanto e pedir tantas desculpas (ou suprimi-las gerando um acúmulo de culpas), o cérebro vai se sentir um completo incapaz. Um incompetente. E vai diminuir, biologicamente, sua capacidade operacional. Não vai conseguir gerir com máxima eficiência o próprio corpo a que pertence. As funções vitais ficarão comprometidas. A respiração, o metabolismo, o batimento cardíaco, a produção de endorfinas, o funcionamento glandular, etc. O corpo passa a adoecer com mais facilidade e com maior frequência. Porque não só as sinapses se desestabilizam, mas toda a estrutura biológica do infeliz que erra muito.

Essa minha tese ainda não está finalizada. Pretendo refiná-la nos próximos dias. Ainda não decidi se a levo mais para o lado da psicologia ou da neurolinguística. Veremos. Não tenho pressa.



14.5.26

Todo. Santo. Dia.

Ninguém suportaria lençol de cetim e champagne com morango todo dia, com o mesmo parceiro, no mesmo lugar, do mesmo jeito. Ninguém suportaria nem mesmo uma paixão escandalosa se ela for repetida todo santo dia.

Todo.

Santo.

Dia.

Ninguém normal suportaria a intervenção diária intensa das Maravilhas no seu tedioso cotidiano.

As pessoas comuns só suportam amores medíocres. 

Elas são movidas a banalidades...




12.5.26

A loucura que nos encanta


O nome dele era Van Gogh. Dizem que ficou louco — mas era só um gênio fazendo história.

Embora seja insuportável para quem já perdeu a lucidez, a Loucura é a única salvação. Por isso recomendo aos "normais ainda saudáveis" que procurem o caminho poético da Loucura gostosa. Claro que não me refiro à loucura inconsciente, a transtorno bipolar, esquizofrenia, psicose, ou algo semelhante. Eu me refiro à loucura criativa de Osho, de Dali, de Cioran. Eu me refiro à loucura brilhante de Nietzsche, de Jesus e de Artaud; à loucura sagrada de Van Gogh, Henry Miller, de Picasso e Vitalina. Eu me refiro à loucura que está ali — aqui — a quase 360 graus da sanidade. Eu me refiro à fuga da escuridão chamada Norma. À quebra radical de todas as correntes opressoras. Ao abandono puro e simples do rebanho. Eu me refiro à loucura luminosa dos criadores de mundos. À loucura dos amantes da liberdade absoluta. Esta, a loucura que (me) (te) (nos) encanta...

10.5.26

Aleluia Mãe !

Hoje é aniversário inverso da minha Mãe. E agora me lembro das canções de ninar que ela cantava para que eu não dormisse — do Kyrie Eleison ao Noel Rosa. Eu me lembro do conselho que sempre me deu: que eu nunca deixe de ser Eu. E me lembro do dia em que eu nasci: era um dia de duplas esperanças. Era uma noite de luar azul escandaloso. Era um sábado de aleluias e esperas, de poesia e de romance. Era uma casinha de madeira e primaveras, ao lado de uma roseira branca, no finzinho de uma rua principal. Era hora de metáforas, era hora de loucuras e silêncios. Como toda musa entusiasmada Ela havia sido deflorada com amor e alegria por um louco jogador iluminado — que se chamava Lúiz. Era outra vez madrugada e ela encantada outra vez. Foi então que essa Mulher sagrada decidiu me dar A Luz. E deu. Era o começo de duas histórias de Amor.


Hoje é o aniversário inverso universal da minha Mãe.


Essa foto foi feita há cerca de 20 anos. Logo, ela está hoje um pouco mais velha. Mas continua saudável, sorridente, bem-humorada. Aliás, eu nunca a vi triste. Sempre cantando, sempre alegre, agitando as circunstâncias. Nunca brigamos, eu e ela. Nenhum tapinha, nenhum puxão de orelhas, nenhum olhar de reprovação, nenhum grito, nenhuma admoestação, nenhum gesto de censura contra mim. 




Como sou-lhe o primogênito e (suponho) ainda o preferido, há toda uma mitologia em torno disso.  Meus irmãos não se conformam... Acho que até Einstein explicaria melhor do que Freud essa nossa maravilhosa relação de Amor.