29.5.26
Freud entende
27.5.26
Nortesul e Calçadas do Brasil
Antes eu era um vendedor de ideias.


No fundo, sou apenas um pedreiro inspirado e parabólico... Mas, talvez em 2025, vou fazer pós-graduação em Arquitetura. Só para poder frequentar o escritório do Calatrava, lá em Valencia. Ou em Nova York, tanto faz.
Mas agora estou finalizando o projeto de uma casa para mim, cuja ideia básica eu desenhei num guardanapo de papel no Restaurante Brahma em SP, em 12.10.2010. Quatro dias antes, já havia tido um vislumbre da ideia em Santos, na Kopenhagen. Veja detalhes no link acima.
26.5.26
Elogios e críticas
Algumas considerações sobre os meus pontos de vista
Como toda pessoa com posições seriamente democráticas — no sentido grego da expressão — eu aceito tanto as críticas positivas quanto as negativas a respeito do que sou, do que penso, e do que faço. Todas elas são, por definição, simples manifestações de opinião — e todas, por isso mesmo, igualmente passíveis de serem verdadeiras ou falsas. Com base nessa premissa tão elementar eu concluo que seria irracional privilegiar umas em detrimento das outras.
Embora (como para todo mundo, suponho) certos elogios me sejam mais agradáveis do que as críticas negativas, costumo ver nestas um sinal — e acabo valorizando-as até mesmo um pouco acima daqueles. Primeiro, e só para efeitos de raciocínio, suponho-as desinteresseiras e com algum valor de verdade. Procuro entendê-las no contexto, racionalmente, a partir de uma certa e segura distância brechtiana. Se ocorre não concordar com algumas delas, mas se também consigo refutá-las com sucesso — ainda que apenas mentalmente — deixo-as de lado, e sigo em frente no que faço, no que sou e no que penso, livremente.
Decididamente.
Porém, se tais críticas são bem formuladas e tocam meu coração de alguma forma; se perdura em mim uma certa sensação de que as mereço realmente — não as desprezo, não as esqueço, nem tento desqualificá-las de modo algum. Então, nesse caso, a partir delas e sensatamente, procuro tomar providências, mudar concepções, aprimorar o que faço e melhorar o que sou — como ser humano, como filho, amigo, amor, amante ou companheiro de jornada.
O mesmo raciocínio vale para os meus textos e poemas. Para as paredes que eu desenho, as fotos que eu faço, as relações que mantenho, os projetos que apresento, os pratos que eu cozinho, as idéias que proponho, as atitudes que tomo, e os livros que eu escrevo.
Claro que vale também para essas múltiplas gostosuras que vivo compartilhando com todos os meus amores principais.
Essa abertura poética na cabeça dançante é que torna minha vida uma aventura inesquecível.
Extraordinária.
E finalizo com um breve texto que escrevi em 1984 — inspirado por Nietzsche — logo após terminar minha primeira leitura do seu genial livro Assim Falava Zaratustra:
Não existem verdades definitivas, inquestionáveis. O que existe são interpretações elaboradas sobre determinados aspectos da realidade — comprováveis ou não — mas necessariamente condicionadas pelo ponto de vista, pelos interesses, pela visão do mundo, e pela capacidade intelectual de quem as propõe.
Imagine que hoje é teu último dia de vida.
24.5.26
Meu Vô Joaquim
Não achei.
Ele era um louco delicado que enlouqueceu do lado errado. Dizem que os irmãos o deixaram certo dia jogado numa rua de São Paulo, sozinho, tremendo de frio, para que morresse abandonado e lhes deixasse a sua parte na herança.
Conseguiram.
Seu nome era Joaquim. Ele não havia suportado a morte do grande amor de sua vida, que caíra de uma laranjeira sobre um toco de cerca. Alienou-se do mundo por causa disso. Partiu-se em dois. Para esquecer Maria, não abraçou a poesia: abraçou a tristeza — e mergulhou no álcool. Esqueceu-se de si mesmo, perdeu a graça, e deprimiu-se fundamente. Por isso eu digo que o coitado enlouqueceu do lado errado...
23.5.26
Meu conceito de Amor
Amar é permitir sempre. Amar é deixar que o outro vá – ou que fique, se assim o desejar. Amar é ter um respeito absoluto pela própria liberdade e pela liberdade do outro. Amar é compreender sempre. E isso não significa apenas entendimento racional, vai além, muito além: Amar é reconhecer afetuosamente o direito que o outro tem de fazer suas escolhas. Mesmo que essas escolhas eventualmente me excluam.
Claro que não.
Isto seria uma violência.
Cada um de nós tem um sistema de valores.
Mesmo que seja em nome do amor, a submissão é um horror.
Portanto, amar não significa aceitar todas as escolhas que o outro fizer, mas sim apenas aquelas que não impliquem uma supressão da nossa liberdade pessoal. Porque falta de liberdade causa uma dor imensa. E se causa dor, não é amor. Portanto, se uma determinada escolha feita pelo outro, que diz me amar, contraditoriamente cerceia minha liberdade, ou violenta minha dignidade, me sufoca ou atormenta — então essa escolha me faz mal, e deve ser rechaçada imediatamente, com determinação. Jamais devemos compactuar com quem nos fere ou nos amputa. Sem essa de beijar o carrasco em nome do amor...
Amar de verdade é jamais ter ciúmes, nem medo de perder. Amar é não forçar nada, sequer um beijo. Amar é não fazer perguntas desnecessárias ou indiscretas — muito menos na hora errada. Amar é deixar fluir a relação em todos os sentidos. É incentivar o voo livre que o outro possa estar querendo, e às vezes até mesmo empurrá-lo com ternura para o abismo gostoso do desconhecido profundo. Amar é respeitar com devoção e aplaudir com entusiasmo esse desejo louco de saltar que o outro às vezes tem. (...)
Eu defendo a tese de que o amor deve ser livre. Se não for livre, chame-o de qualquer outro nome — menos de amor. Aliás, é bom perguntar: se o amor não for livre, como será ele, então? Amor preso? Encarcerado? Acorrentado? Será que alguém, com um mínimo de respeito à vida, pode ser contra o amor livre? Sei que esse é um tema complexo, impossível de ser debatido em meia página de um blog. Mas gosto de supor que sinto-me amado, realmente, quando a pessoa que diz me amar pode olhar-me nos olhos e também dizer, do fundo do coração:
Eu te amo quando não preciso mais dizer te amo.
Eu te amo quando reconheço teu Direito de Fazer Escolhas.
Eu te amo quando respeito tua própria liberdade tanto quanto a minha.
Eu te amo quando compreendo tua vontade de às vezes ficar só.
Eu te amo quando não te sufoco com chiliques ou pressões.
Eu te amo quando ponho afeto entre as nossas distâncias.
Eu te amo quando aplaudo os teus desejos de voar.
Eu te amo quando me convenço de que o ciúme é algo a superar.
Eu te amo quando te ajudo a ser mais livre do que eras quando eu te conheci.
Eu te amo quando a recíproca a tudo isso também é verdadeira.
Tem gente que diz que o verdadeiro amor é aquele que dura para sempre. Ora, sendo assim, nunca saberemos se um determinado amor é mesmo verdadeiro, posto que o período de tempo chamado Sempre ainda não chegou — e jamais chegará. Do ponto de vista da Lógica, portanto, esta é uma afirmação tola. Inverificável. Improvável. Logo, tal frase, repetida ingenuamente por papagaios aprendizes, é um ridículo absurdo.
No texto acima eu analiso o Amor do ponto de vista da Lógica. Algumas pessoas podem dizer que o amor "não tem lógica". Compreendo suas razões. Entretanto, o Amor tem lógica, sim. É perfeitamente racional, e necessariamente determinado ao final de uma cadeia de raciocínios. É cerebral — antes de tudo.
22.5.26
Eu tinha sete anos
A primeira noite de um menino.
Quando a primeira paixão da minha vida começou a incendiar-me o peito, tornei-me um serzinho sensual e amoroso full-time. Transformei meu coração num sol inesgotável, e pensei que todas as meninas e mulheres do mundo se chamariam Marina.
Eu tinha sete anos — completíssimos — e às vezes morava com minha Vó Vitalina.
E foi nessa idade que entrei glorioso na fase fálica do meu crescimento espírito-libidinal, montado num belo cavalo de sensações brilhantes, inocentes e lúbricas. Ao mesmo tempo, comecei a estimular principalmente duas coisas em mim: meu intelecto e meu sexo. E quando descobri que eu tinha o supremo poder de dar-me orgasmos, vibrei, deliciosamente — nos dois principais sentidos da expressão. Por isso, ainda hoje eu creio num Deus que não é qualquer: é um Deus que sonha — e tem orgasmos divinos.
Fico pensando.
E me lembro de Sonia Maria.
Sonia Maria Santíssima!
Minha segunda paixão adolescente...
20.5.26
Eu sempre danço conforme a música
Comecei tocando os instrumentos de corda, os de sopro e percussão. E então me aprimorei, com determinação. Tornei-me um compositor criativo, um empresário maluco, um maestro zen. E hoje sou o líder da própria banda.
19.5.26
A vida tem dois caminhos
17.5.26
Eu abro todas as gaiolas
Tem dias que eu tento conter este divino coração que salta profundo de mim, e que me beija dançando de dentro pra fora. Amantíssimo, poético, livre — e meu: eis o meu coração, meu amor: escancarado em teus braços... Porque em mim agora não existem outras estações. A primavera toda cresce dentro do meu peito, e as flores já não murcham mais. Sou um trem desgovernado em direção ao interior. Zen, vazio de tudo mas cheio de graça, com seu louco motivo e doce razão. E o apito sinuoso que se ouve daqui, reto, respeitoso, se curva.
Também não quero que me considerem muito original: eu apenas repito o que me dizem os pássaros livres no quintal azul da minha Mãe. Transformo em português, literalmente, os cantos que eles cantam para mim. E repito-os para que vocês possam ouvi-los de verdade em nossa língua. Às vezes, quando chove chuva e o canto deles vem molhado, limpo um pouco o seu trinado, acrescento algumas notas, pinto-as de vermelho, reescrevo a melodia. E transformo o bem-te-vi em bem-te-vejo. O beija-flor em minha estrela. O pardal em perdão, o tiziu em tesão. E abro todas as gaiolas.
Todos os dias.
16.5.26
Equilíbrio emocional
Não creio que exista hoje, na face da Terra, nem um ser humano sequer (saudável) que concorde com a frase acima. Entretanto, é exatamente em situações similares (de raiva, ódio, stress ou medo) que as pessoas comuns se acham mais capazes de emitir julgamentos, e decidir sobre a própria vida. E às vezes não apenas sobre a própria vida, mas também sobre a vida de terceiros. Tais pessoas desestabilizam-se emocionalmente — primeiro — para só depois tomar as decisões sobre o que fazer. São tão tortas que parecem supor que o desequilíbrio as endireita... Mal sabem elas que o equilíbrio emocional é a segunda coisa mais importante num processo de tomada de decisões. Eu disse "segunda coisa mais importante" porque a primeira, fundamental, é a capacidade de raciocinar com lógica, e querer (realmente) que as decisões sejam inteligentes e racionais — para que os resultados possam ser igualmente racionais e inteligentes. Aliás, a irracionalidade nunca vai gerar resultados racionais. Exceto por acaso.
Esse tema não vai caber aqui. Terei que expandi-lo de algum modo. Posso adiantar que, basicamente, todo grande mestre, quer seja ele zen ou não, prega o controle dos estados de espírito como a sua maior conquista como ser humano. Mas, entre as pessoas comuns, o desequilíbrio emocional parece ser algo tão corriqueiro quanto abominável. Explosões emocionais (contidas ou violentas, tanto faz) levam o corpo a uma desgastante produção de hormônios que suportem, fisiologicamente, manifestações de ódio, medo, vergonha, ciúme ou desespero, quase sempre causadas por julgamentos imperfeitos realizados por um cérebro não polido. Energias enormes são assim desperdiçadas ao longo da vida. Energias que poderiam ser canalizadas para outras operações, seguramente mais saudáveis.
Entretanto, outra coisa extremamente grave pode acontecer nesse processo. Depois de errar tanto e pedir tantas desculpas (ou suprimi-las gerando um acúmulo de culpas), o cérebro vai se sentir um completo incapaz. Um incompetente. E vai diminuir, biologicamente, sua capacidade operacional. Não vai conseguir gerir com máxima eficiência o próprio corpo a que pertence. As funções vitais ficarão comprometidas. A respiração, o metabolismo, o batimento cardíaco, a produção de endorfinas, o funcionamento glandular, etc. O corpo passa a adoecer com mais facilidade e com maior frequência. Porque não só as sinapses se desestabilizam, mas toda a estrutura biológica do infeliz que erra muito.
Essa minha tese ainda não está finalizada. Pretendo refiná-la nos próximos dias. Ainda não decidi se a levo mais para o lado da psicologia ou da neurolinguística. Veremos. Não tenho pressa.
14.5.26
Todo. Santo. Dia.
12.5.26
A loucura que nos encanta
10.5.26
Aleluia Mãe !
Hoje é aniversário inverso da minha Mãe. E agora me lembro das canções de ninar que ela cantava para que eu não dormisse — do Kyrie Eleison ao Noel Rosa. Eu me lembro do conselho que sempre me deu: que eu nunca deixe de ser Eu. E me lembro do dia em que eu nasci: era um dia de duplas esperanças. Era uma noite de luar azul escandaloso. Era um sábado de aleluias e esperas, de poesia e de romance. Era uma casinha de madeira e primaveras, ao lado de uma roseira branca, no finzinho de uma rua principal. Era hora de metáforas, era hora de loucuras e silêncios. Como toda musa entusiasmada Ela havia sido deflorada com amor e alegria por um louco jogador iluminado — que se chamava Lúiz. Era outra vez madrugada e ela encantada outra vez. Foi então que essa Mulher sagrada decidiu me dar A Luz. E deu. Era o começo de duas histórias de Amor.Hoje é o aniversário inverso universal da minha Mãe.
Essa foto foi feita há cerca de 20 anos. Logo, ela está hoje um pouco mais velha. Mas continua saudável, sorridente, bem-humorada. Aliás, eu nunca a vi triste. Sempre cantando, sempre alegre, agitando as circunstâncias. Nunca brigamos, eu e ela. Nenhum tapinha, nenhum puxão de orelhas, nenhum olhar de reprovação, nenhum grito, nenhuma admoestação, nenhum gesto de censura contra mim.
9.5.26
Eu adoro SLK
Começando por agências em Guarujá, Búzios e Punta Del Este.
Por enquanto apenas SLK 200 e SLK 250.
Site em fase de criação.
Só tem dois lugares. Não cabe a sogra...
Nossa agência 001 será no Guarujá. Uma agência "fechada" (não aberta ao público comum), com atendimento exclusivo a um cliente de cada vez. Os eventuais compradores residentes em outras cidades poderão contar com traslados a partir de São Paulo (por exemplo), hospedagem de alto nível (se preciso em hotel refinado), passeios especiais pela região (experimentando os próprios automóveis escolhidos), restaurantes de boa comida, etc.
Ou você segue o caminho da Tristeza,
arma-se de medo, de ciúmes e de falsas alegrias,
arma-se de angústia, fecha os olhos, se acomoda,
e segue o rebanho dos que não sabem;
obedece a regras injustas, não reage, não questiona,
não se aprimora, não lê, não significa,
nem percebe o absurdo em que se mete.
Vende a própria natureza
por duas ou três moedas de aço,
troca a inocência pela responsabilidade apressada,
torna-se respeitável aos olhos da sociedade,
cumpre horários, nunca tem tempo,
preocupa-se com coisas banais.
Comerciante das próprias emoções — já não brinca,
vive correndo, ama com pressa,
esquece-se da lua,
e se torna uma pessoa média, mediana, medíocre,
pequena, cansada e normal...
Ou você escolhe o caminho da Ousadia,
compreende, se aprofunda, vai mais longe, realiza,
respeita o ser humano que existe em você mesmo,
resgata a própria vida e o sorriso,
rompe de vez com o passado agonizante,
procura defender a verdade, a justiça e a poesia,
acorda e assopra o fogo da alma que dormia,
ultrapassa os limites que sufocam,
cavalga o cavalo negro, cego e alado
das paixões gostosas e sublimes,
enche o peito de coragem, corações e relâmpagos,
acende de novo esse vulcão que é o teu corpo,
deixa a própria cabeça plena de agora,
de ternura e de vertigem,
e parte em busca de Aventura, de Amor e Liberdade.
É uma simples questão de escolha.
Qual é o teu caminho?
www.EdsonMarques.com
8.5.26
Eu amo essa Mulher
6.5.26
Um doce chamado Freud
5.5.26
Companhia Amorosa
Eu ajudei a criar esse piso
💛🖤❤️
Foto em 03.05.2019.
3.5.26
Eu não pareço ser humano
Basicamente, ela chegou a essa conclusão porque, nesses trinta anos, nunca me viu triste. Nunca me viu brabo, nem ansioso, nem desesperado. Nunca me viu desequilibrado emocionalmente. Nunca me viu brigar com ninguém. Nunca me viu doente. Nunca me viu reclamar de coisa nenhuma.
Ao contrário:
Ela sempre me viu alegre, sorrindo, cordial, empático, simpático, compreensivo. Sensato. Bem-humorado. Racional. Carinhoso. Criativo. Solidário. E ainda comunista chinês...
Ou seja, comparativamente aos demais, eu não pareço ser humano... rs!
E estamos completando quase trinta anos de convivência extremamente harmoniosa. Intensa. Quatorze anos na mesma casa. Mais treze anos no mesmo prédio. E nos três últimos anos (quando ela engravidou da Lunna) a convivência é quase toda virtual, com conversas geralmente diárias... Longas. Gostosas. Alegres.
Nunca brigamos.
🩷
Vou pedir pra ela gravar um depoimento sobre isso.
Chegamos a trabalhar juntos, no total por mais de quinze anos, em quatro das empresas que abrimos:
A NorteSul, a PortoBelissimo, a Primeira Construtora e a Calçadas do Brasil. E ainda vamos abrir mais algumas. Por exemplo, agora em julho 2026, a Fiat Lux no Jardim do Éden.
🟩🟩🟩
E eu adoro que assim seja!
03.05.2026
Outras justificativas dela para ter chegado a essa conclusão podem ser vistas em:
🟩🟥🟩
Minha Mãe também pensava isso a meu respeito.
Mais detalhes em
***
1.5.26
Dia do Trabalho
Se enquanto trabalho não falo de amor;
Se enquanto trabalho não escrevo poesias,
nem vejo a lua, nem tomo sol;
Se enquanto trabalho não crio conceitos;
Se enquanto trabalho não beijo os olhos dos meus amores;
Se enquanto trabalho não ando descalço
em areias brancas,
nem ouço as ondas do mar;
Se enquanto trabalho não abraço a minha Mãe;
Se enquanto trabalho não leio Henry Miller;
Se enquanto trabalho não mergulho em minha alma;
Se enquanto trabalho não vejo filmes,
nem respiro o perfume das flores,
nem admiro uma obra de Michelangelo;
Se enquanto trabalho não escalo montanhas,
nem salto no escuro, nem tomo uma taça de vinho;
Se enquanto trabalho não medito, não danço, não ouço música,
nem respiro o sagrado ar da liberdade;
Se enquanto trabalho não sonho, nem pinto,
nem componho, nem desenho,
nem esculpo, nem declamo Lorca ou Neruda;
Se enquanto trabalho nem sequer me lembro
dos vinte poemas de amor
e das canções desesperadas;
Se enquanto trabalho não parto melancias,
nem rezo ao meu Deus;
Se enquanto trabalho não faço nada disso,
então só me resta perguntar:
— O que é que estou fazendo aqui?




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