Eu ajudei a criar esse piso
💛🖤❤️
Foto em 03.05.2019.
Basicamente, ela chegou a essa conclusão porque, nesses trinta anos, nunca me viu triste. Nunca me viu brabo, nem ansioso, nem desesperado. Nunca me viu desequilibrado emocionalmente. Nunca me viu brigar com ninguém. Nunca me viu doente. Nunca me viu reclamar de coisa nenhuma.
Ao contrário:
Ela sempre me viu alegre, sorrindo, cordial, empático, simpático, compreensivo. Sensato. Bem-humorado. Racional. Carinhoso. Criativo. Solidário. E ainda comunista chinês...
Ou seja, comparativamente aos demais, eu não pareço ser humano... rs!
E estamos completando quase trinta anos de convivência extremamente harmoniosa. Intensa. Quatorze anos na mesma casa. Mais treze anos no mesmo prédio. E nos três últimos anos (quando ela engravidou da Lunna) a convivência é quase toda virtual, com conversas geralmente diárias... Longas. Gostosas. Alegres.
Nunca brigamos.
🩷
Vou pedir pra ela gravar um depoimento sobre isso.
Chegamos a trabalhar juntos, no total por mais de quinze anos, em quatro das empresas que abrimos:
A NorteSul, a PortoBelissimo, a Primeira Construtora e a Calçadas do Brasil. E ainda vamos abrir mais algumas. Por exemplo, agora em julho 2026, a Fiat Lux no Jardim do Éden.
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E eu adoro que assim seja!
03.05.2026
Outras justificativas dela para ter chegado a essa conclusão podem ser vistas em:
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Minha Mãe também pensava isso a meu respeito.
Mais detalhes em
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Sem fome, sem sono, sem culpa, e sem dor. Sem pressa, sem apego, e sem pressões. Sem esperas, sem cobranças, sem promessas. Sem medo e sem controle, sem ódio e sem juízo. Sem maldade — e sensível. Sentindo-me eterno no transitório. Conseguindo equilíbrio no instável, no incerto e no inseguro. Amado com delícia e liberdade, e amando com grandeza e ousadia. Passageiro numa viagem sem destino, percorrendo caminhos ainda não trilhados. Cada vez mais fascinado e encantado com os novos horizontes que se abrem para mim. Adorando as surpresas no momento mesmo em que acontecem, e vivendo a Primavera em qualquer das estações.
Antes eu era um vendedor de ideias.


Por mulheres já me apaixonei duzentas e trinta e quatro vezes de forma profunda. Por homem, esta é a primeira. O processo desse amor pode ter sido longo, mas a percepção que dele tenho se deu agora, amparada em inocências complementares. Vejo-o deitado de costas, um terno de linho antigo, azul escuro e sem gravata, olhos fechados, como a pensar nas coisas da vida.
E quando muda sua boca vai falando como antes: "No céu não há luta de classes". Questão pertinente. No fundo, ele é o socialista mais sentimental que eu conheço. Apesar de não ter estudado muito, virou um defensor da lógica. Seu raciocínio é quase perfeito. "Contradições, tenho-as, mas são todas não-antagônicas" — sempre me dizia. É noite na sala da nossa casa. Fico olhando para ele, e acho que o coitado não suportaria mesmo a santa austeridade celestial: nenhuma mulher pelada, só jejuns e orações, padres por todo lado, freiras, irmãs, cardeais...
Amanhece devagar, meio sem querer. "Melhor que teu sorriso, só o orgasmo da tua mãe" — ele continua me falando. Gosto da frase, mas Édipo detesta a comparação. E me lembro das duas ou três amantes que dizem que ele teve. Deu-me vontade de perguntar sobre aquela loira gostosa da Rua 15.
Eis que interrompem nosso diálogo mágico, atarraxam-se os parafusos da tampa, mas ainda há tempo de escorrer, pela fresta que se fez entre a tampa e o caixão, belíssima, sua frase mais marcante:
É sempre bom um pouco de ficção pra realçar a verdade.
Sufocam minha esperança, engasga-se a minha dor. Sinto falta de ar. Sinto-me derrubado por dentro. Que me dessem só mais um minuto, para só mais um abraço, para um beijo de amor, para um simples toque de mãos desesperadas... Mas, não! Levam-no — discreto e silencioso.
Definitivo.
Só me resta seguir o cortejo a pé, de braços dados com minha história. Foram 2616 passos até o portão do cemitério.
Meu mundo fica fora de foco, misturo a visão com memória, o chuvisqueiro, longo, enviesado, me bate suavemente na cara. Lembro-me do nosso último abraço, com força, com emoção. Um abraço compreensivo. E lembro-me daquelas abobrinhas verdes colhidas no barranco alheio, e da lição de honestidade. A charrete azul imaginária passa por mim outra vez, puxada por estrelas e ternuras. Uma cruz de cimento, fria, pálida e sem mãos, me acena com insistência.
Desnaturam-se os critérios, falseiam-se-me as perspectivas. O cemitério vira jardim. E ao meu lado, um Deus que se ajoelha.
Tento me afastar. Mas, de novo, a cruz me acena. Como fogo, ela me chama. Disfarço então a falta de coragem, abro caminho por entre as pessoas que estão perto, subo no túmulo ainda aberto — e deixo lá, crucificada em azul fraquinho de pincel atômico, minha última e trêmula mensagem de amor ao meu Pai:
— Pai, espero que você não vá para o céu!
Se eu já te amasse tudo deixaria agora mesmo de te amar o resto, meu amor. No dia em que atingirmos o pico, nosso amor se completa. Por isso, quando a hora chegar, te deixarei voando...