Ouça o poema todo.
24.4.26
Dois caminhos
Ouça o poema todo.
23.4.26
Nem todos podem saltar
Seria o caos.
E se tem uma coisa pior do que a ordem absoluta, é a desordem absoluta. Portanto, é preciso que quase todos permaneçam exatamente como estão, atolados nessa desgraçada rotina quotidiana — e cuidando das engrenagens do mundo — para que apenas uns poucos, pouquíssimos, saltem profundos.
Saltar profundo não é pra todo mundo.
21.4.26
Nortesul e Calçadas do Brasil
Antes eu era um vendedor de ideias.


No fundo, sou apenas um pedreiro inspirado e parabólico... Mas, talvez em 2025, vou fazer pós-graduação em Arquitetura. Só para poder frequentar o escritório do Calatrava, lá em Valencia. Ou em Nova York, tanto faz.
Mas agora estou finalizando o projeto de uma casa para mim, cuja ideia básica eu desenhei num guardanapo de papel no Restaurante Brahma em SP, em 12.10.2010. Quatro dias antes, já havia tido um vislumbre da ideia em Santos, na Kopenhagen. Veja detalhes no link acima.
19.4.26
Hoje aniversário do meu Pai
Por mulheres já me apaixonei duzentas e trinta e quatro vezes de forma profunda. Por homem, esta é a primeira. O processo desse amor pode ter sido longo, mas a percepção que dele tenho se deu agora, amparada em inocências complementares. Vejo-o deitado de costas, um terno de linho antigo, azul escuro e sem gravata, olhos fechados, como a pensar nas coisas da vida.
E quando muda sua boca vai falando como antes: "No céu não há luta de classes". Questão pertinente. No fundo, ele é o socialista mais sentimental que eu conheço. Apesar de não ter estudado muito, virou um defensor da lógica. Seu raciocínio é quase perfeito. "Contradições, tenho-as, mas são todas não-antagônicas" — sempre me dizia. É noite na sala da nossa casa. Fico olhando para ele, e acho que o coitado não suportaria mesmo a santa austeridade celestial: nenhuma mulher pelada, só jejuns e orações, padres por todo lado, freiras, irmãs, cardeais...
Amanhece devagar, meio sem querer. "Melhor que teu sorriso, só o orgasmo da tua mãe" — ele continua me falando. Gosto da frase, mas Édipo detesta a comparação. E me lembro das duas ou três amantes que dizem que ele teve. Deu-me vontade de perguntar sobre aquela loira gostosa da Rua 15.
Eis que interrompem nosso diálogo mágico, atarraxam-se os parafusos da tampa, mas ainda há tempo de escorrer, pela fresta que se fez entre a tampa e o caixão, belíssima, sua frase mais marcante:
É sempre bom um pouco de ficção pra realçar a verdade.
Sufocam minha esperança, engasga-se a minha dor. Sinto falta de ar. Sinto-me derrubado por dentro. Que me dessem só mais um minuto, para só mais um abraço, para um beijo de amor, para um simples toque de mãos desesperadas... Mas, não! Levam-no — discreto e silencioso.
Definitivo.
Só me resta seguir o cortejo a pé, de braços dados com minha história. Foram 2616 passos até o portão do cemitério.
Meu mundo fica fora de foco, misturo a visão com memória, o chuvisqueiro, longo, enviesado, me bate suavemente na cara. Lembro-me do nosso último abraço, com força, com emoção. Um abraço compreensivo. E lembro-me daquelas abobrinhas verdes colhidas no barranco alheio, e da lição de honestidade. A charrete azul imaginária passa por mim outra vez, puxada por estrelas e ternuras. Uma cruz de cimento, fria, pálida e sem mãos, me acena com insistência.
Desnaturam-se os critérios, falseiam-se-me as perspectivas. O cemitério vira jardim. E ao meu lado, um Deus que se ajoelha.
Tento me afastar. Mas, de novo, a cruz me acena. Como fogo, ela me chama. Disfarço então a falta de coragem, abro caminho por entre as pessoas que estão perto, subo no túmulo ainda aberto — e deixo lá, crucificada em azul fraquinho de pincel atômico, minha última e trêmula mensagem de amor ao meu Pai:
— Pai, espero que você não vá para o céu!
16.4.26
História de amor
14.4.26
Se não for agora, quando ?
13.4.26
Desapego
Eis uma verdade incontestável: todos os grandes mestres — quer religiosos ou não — desde os primórdios da História da Humanidade, nos dizem que o apego é a doença mais grave que pode acometer um ser humano. Olhai os lírios do campo e os pássaros do céu, dizia um deles... O apego está na origem da corrupção, da inveja, da cobiça, do roubo e do ciúme — entre outras maldades. É uma demonstração cabal de insegurança e falta de personalidade. Entretanto, se você tiver necessidade compulsiva de apegar-se a alguma coisa, apegue-se logo a um Camaro preto, e não a uma canequinha de lata. Por que amar um crocodilo se você pode amar um Deus? Apegar-se a uma coisinha comum, é imperdoável. É como apegar-se a uma canequinha de lata, ou a um saquinho de tranqueiras... É ridículo! Abandone as bugigangas.
O foco desse meu texto tem duas vertentes básicas. A primeira é o horror ao apego. Mas deixei uma alternativa para quem não consegue livrar-se dele. Que possa então escolher algo mais interessante para apegar-se: algo melhor do que uma canequinha de lata. Algo que possa dar mais prazer. Suponho que uma Mercedes conversível dê mais prazer do que uma canequinha de lata. Mas nem todos concordam com isso. Tem gente que nem dirige...
A segunda é a confusão entre apego e amor. Entre apego e gosto, preferências, escolhas, desejos. Eu gosto muito de pão e café: será que sou apegado a pão e café? Eu gosto de vinho e estrelas, eu amo a liberdade, eu amo a minha Mãe, eu amo meus múltiplos amores: será que sou apegado a isso tudo? Claro que não. Porque sou zen. E porque sou zen e lógico, suponho que sou zen. Entretanto, tem gente que se apega a beijos, a flores, amores.
Tudo vem da cabeça. Até o coração vem da cabeça. Inclusive os olhos. E os meus olhos se arregalam, mesmo, diante de uma Ferrari vermelha. Diante de uma obra de Niemeyer, de um poema de Neruda, de um sorriso de criança. Meus olhos se arregalam diante de um belo corpo de mulher. Meus olhos vivem arregalados... E se isso acabar sendo considerado uma demonstração de apego, então eu posso até contradizer, de algum modo, a minha própria zenidade. Racionalmente.
11.4.26
Te deixarei voando
Se eu já te amasse tudo deixaria agora mesmo de te amar o resto, meu amor. No dia em que atingirmos o pico, nosso amor se completa. Por isso, quando a hora chegar, te deixarei voando...
Que não se perca o triplo sentido da minha última frase. Este é o ponto: Te deixar voando. Porque, na maioria das vezes, quando as relações ditas amorosas se quebram, um sempre deixa o outro caído, espezinhado, humilhado. Nas separações, raramente se deixa o outro em condições de voar — e voando! Mais precisamente: é raro querer deixá-lo assim. Quase sempre impera o rancor (quando não ódio) entre os separantes — antes tão amorosos...
Claro que tem algumas que não sabem voar quando as conheço. Tem mesmo. Muitas. Mas, a primeira coisa que faço com esses meus novos amores não alados é fazer com que lhes cresçam as asas. E que estas sejam maravilhosas, magníficas, enormes, inquebráveis.
Só pra finalizar: tem algumas que voam muito melhor do que eu.
9.4.26
Tem hora de voar
👆
7.4.26
A Loucura tem dois caminhos
O fascínio da Loucura é contagiante. Mas não qualquer loucura. Eu me refiro à loucura que está ali — aqui — a quase 360 graus da sanidade. Eu me refiro à fuga da escuridão chamada Norma. À quebra radical das correntes opressoras. Eu me refiro à loucura luminosa dos criadores de mundos. À loucura intensa de quem ama a liberdade absoluta. Sem concessões à hipocrisia.
Neste vídeo, mergulhamos nas palavras viscerais de Edson Marques, que nos coloca perante o maior dilema da existência humana: a escolha entre a sobrevivência medíocre e a vida plena.
Miguel Loureiro.
5.4.26
Amor eterno...
3.4.26
Pode ser o fim...
2.4.26
A direção é mais importante que a velocidade
1.4.26
A nova vida
30.3.26
Para ler na viagem
Experimente-me.
Click acima para ler o poema Mude.
Seja o líder da alcateia.
28.3.26
Feliz aniversário
não pode ser comprado:
Não tem nas lojas, nos mercados, nem nas feiras ou balcões.
Não é feito de plástico, não é eletrônico, nem precisa de manual.
O presente de aniversário que eu quero te dar
já está dentro do teu próprio coração.
Basta que você agora o desperte para a vida:
É o amor pela liberdade absoluta.
É a admiração extrema pela Arte de Viver.
A defesa inabalável da ideia de justiça, de verdade e de prazer.
A coragem de sonhar transformações.
A busca cotidiana por tudo que é sublime,
e o doce desejo de sugar o açúcar de todas as coisas.
Feliz Aniversário!
27.3.26
O Evangelho de Tomé
1. Ame a Vida sobre todas as coisas.
2. Não obedeça a ordens, exceto àquelas que venham do teu próprio coração.
3. A felicidade está dentro de você; não a procure em nenhum outro lugar.
4. O amor livre é a mais religiosa das orações.
5. O desapego é a única porta para a Verdade.
6. A vida só existe aqui e agora.
7. Não corra: voe dançando.
8. Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.
9. Viva acordado, em todos os sentidos.
10. Pare de buscar: o que é teu já pertence.
Estes são os meus desmandamentos. Meus e de Osho. Com base no Evangelho de Tomé.
25.3.26
Pontos de vista
Especialmente em questões subjetivas — tais como amor e liberdade, família e religião, psicologia e direito, casamento e política, emprego e futuro, dinheiro e negócios — quando você não concorda com determinadas concepções alheias, também considera que a razão pode estar com o outro?
Em certos debates, em certas discussões, você costuma ter abertura intelectual suficiente para eventualmente considerar que o ponto de vista contrário ao teu pode estar até mais próximo da verdade?
Na vida, você já não defendeu valores, ideias e proposições que depois envelheceram, desesperadamente?
Você já não teve tantas e tantas certezas absolutas que mais tarde foram fulminadas pelo tempo, pela experiência — e, principalmente, pelo estudo?
Sobre certos assuntos, você já não mudou de ideia muitas e muitas vezes?
E será que agora você nunca mais vai mudar?
Será que você, neste exato momento da tua vida, já chegou a todas as conclusões possíveis?
O poema Mude no comercial da Fiat.
24.3.26
A vida tem dois caminhos
22.3.26
Conceitos
20.3.26
A gaiola dourada seduz
18.3.26
Filosofia de Vida
Acontece que a liberdade assusta. Essas pessoas estavam quietinhas, sossegadas em sua própria escravidão emocional, aninhadas nos seus próprios preconceitos, abraçadinhas às suas crenças opressivas — e eu venho lhes dizer que a liberdade é possível. Eu venho lhes dizer que o amor é possível. Que a felicidade é possível. (*)
Então, essas pessoas começam a se questionar. Começam a rever os seus conceitos... Algumas criam coragem e chutam seus medos inexplicáveis. Suas cabeças viram corações enlouquecidos. Suas estruturas, antes tão estáveis, começam a ruir. Suas bases tremem. Relações se desfazem com facilidade espantosa. Seus "amores" perdem o sentido. Seus deuses dançam...
Porém, nem todas estavam preparadas para esse fascinante mundo novo que se abriu de repente. E algumas querem de volta o mundo antigo. Porque sentem falta da segurança, daquela quietude, daquela paz de cemitério. Daquela velha vida. Sentem falta da comodidade contraditória que o tédio dá.
Afinal, ser livre dá trabalho... Muito trabalho.
16.3.26
Algumas perguntas
211. Aceitar o inevitável é uma sábia decisão.
212. O auge de uma paixão está sempre no começo dela.
213. Não espere a graça do cisne no pescoço de um pato.
214. Em vez de salvar a relação, eu prefiro salvar o meu Amor.
215. Só tem uma coisa pior do que morrer: é viver pouco.
216. Sempre danço conforme a música. Mas, antes, escrevo a partitura.
217. Toda emoção é produto de um raciocínio.
218. Quem jura amor eterno deveria ser processado por estelionato emocional.
219. Toda musa já traz uma víbora dentro de si. É só uma questão de tempo.
220. Dispenso a compreensão daqueles que não conseguem me compreender.
221. Se, numa relação de amor, a verdade entristece — minta com alegria.
222. Prazer não sentido é prazer perdido. Irrecuperavelmente perdido.
223. Se o amor não pode ser livre, não deve ser nada.
224. Ceder uma vez só é muito mais difícil do que ceder nunca.
225. É um desperdício imperdoável ter um grande coração, e deixar nele um único amor.
226. A capacidade de questionar as próprias convicções é um atributo dos seres mais elevados.
227. Eu não vejo o cotidiano: eu vejo a eternidade.
228. A melhor realidade é aquela que nasce de um sonho.
15.3.26
13.3.26
Se eu pudesse começar de novo
Isto é fatal.
Mas,
se eu pudesse começar de novo,
tomaria certos cuidados que nem sempre tomei:
Jamais teria permitido que me prendessem,
ainda que em nome do amor.
Teria quebrado as correntes logo no início.
Teria tido menos pressa
e mais coragem.
E nenhum sentimento de culpa.
Daria valor secundário
a todas as coisas secundárias,
e consideraria secundário tudo aquilo
que não tivesse o efetivo poder de causar
mudanças significativas no rumo
da minha vida.
Todas as manhãs começariam
com meditação, esplendor e frutas leves.
Se pudesse começar de novo,
dançaria muito mais
do que dancei,
e brincaria muito mais do que brinquei.
Minha Vida seria uma festa...
Se pudesse mesmo começar de novo,
seria mais espontâneo.
Seria mais ousado:
A ousadia move o mundo.
Desobedeceria
todas as regras injustas,
e afastaria os preconceitos e a hipocrisia.
Procuraria respeitar sempre
o Deus de cada um.
Teria viajado muito mais do que viajei.
Correria mais riscos.
E teria tido seis milhões de amores profundos...
Se eu pudesse começar outra vez,
iria aprender com os erros dos outros,
e com os acertos também.
Andaria mais leve:
não levaria comigo nada que fosse
apenas um fardo.
Não teria desperdiçado tanta vida
e tanto tempo.
Não teria tentado salvar todo mundo.
Amaria muito mais a liberdade.
Viveria cada minuto
como se Deus
derramasse flores e estrelas na minha cabeça.
Tentaria uma coisa nova
todos os dias.
Em tudo que eu fizesse colocaria
mais Poesia,
mais Amor, mais Alegria.
E teria feito a opção de ser feliz
muito mais cedo
do que fiz.
Manual da Separação
página 71






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