15.7.26

Dia do Homem Livre

Em 15 de Julho comemora-se no Brasil o Dia Internacional do Homem. Uma curiosidade histórica: tal dia foi instituído em julho de 1992, pela escritora Mariazinha Congíglio, pelo maestro Mário Albanese, pelo jornalista João Marcos Ciccarelli, e por mim. E o dia escolhido (15) foi uma brincadeira minha, homenagem indireta à Mãe de um certo aniversariante...

E assim, num jantar da Ordem Nacional dos Escritores, no Terraço Itália, no ano de 1992, foi criado o Dia Internacional do Homem, com notícia publicada nos jornais da época. Chegamos até a escrever um "Estatuto", que foi redigido por Geraldo Vidigal. Porém, como sou co-autor da ideia, estou sugerindo que se mude o nome para: Dia do Homem Livre.


Afinal, se não for livre — vai comemorar o quê?


Dia do Homem no Brasil

Fonte Wikipedia

No Brasil, há também o Dia do Homem, que é comemorado em 15 de julho, desde 1993, inicialmente como uma paródia.[11][12][13] Segundo Edson Marques a escolha de tal dia foi uma brincadeira com a data de aniversário da mãe de um dos membros presentes a um jantar da Ordem em São Paulo, no qual estavam presentes a escritora Mariazinha Congílio, o maestro Mário Albanese, o jornalista João Marcos Cicarelli, além do próprio escritor Edson Marques. A partir de 1993 a Tertúlia Pensão Jundiaí, uma espécie de academia informal de escritores criada por Mariazinha, passou a celebrar o dia do homem, escolhendo uma personalidade a ser agraciada com o Troféu Moringa. O jantar e a entrega do prêmio são realizados no dia 20 de julho, data em que o primeiro homem pisou na Lua.[11]

A data, que se originou desta brincadeira, passou a ser incorporada por instituições de saúde para promover a conscientização sobre os saúde da população de homens.[14] No Brasil, tanto o Dia Nacional do Homem, celebrado em 15 de julho, quanto o Dia Internacional do Homem, em novembro, são utilizados por campanhas públicas e privadas para incentivar o diagnóstico precoce de doenças, especialmente o câncer de próstata, além de estimular hábitos de vida mais saudáveis dos homens.[15]





Abujamra interpreta Mude

"Mude é viver. Num nível que poética é a luta que não decepciona. A sinceridade de Edson Marques explode nesse poema que, evidentemente, Clarisse Lispector aplaudiria pelo risco corajoso de querer movimentar o volume dos cérebros que o leem. Um poema que enobrece e que não imita, cria beleza na dimensão que desenvolve o talento para que as inibições particulares não apodreçam o homem. É um estilo de provocação apaixonante e não existe um leitor que não fique preso às palavras de coragem que mostram a necessidade de não nos enganarmos sobre nós mesmos. Meu aplauso."

— Este é o prefácio de Antonio Abujamra ao meu livro Mude.

Fundação Biblioteca Nacional do Ministério da Cultura
Poema MUDE - Registro: 294.507 - Livro: 534 - Folha: 167



Minha Mãe adora um copo de cerveja nos almoços de domingo na Casa Azul. Um copo apenas.

Almoço preparado hoje por mim.

Risoto de açafrão com bacon, gengibre doce, cebolinha da horta, queijo ralado, azeite de oliva, e champignon.



13.7.26

Como escrevo

MEU JEITO DE ESCREVER

Estou aqui, ao lado de um pezinho de lírio e tomando um copo de vinho vermelho. Solto e protegido como fosse uma simples formiguinha. Ronronando sensual como os gatinhos de Joyce Ann. Estoico, como sempre.  Livre como um pássaro livre. Zen. E então fico pensando que meus leitores talvez nem façam ideia de quanto cuidado, quanto tempo, quanta energia, quanto amor — quanta loucura — eu preciso para escrever uma frase assim:

Liberdade a gente tem que ter de sobra, pois, se dela um dia nos roubarem um pedaço, ainda nos resta o suficiente para que a vida não se torne uma desgraça.

Demorei cerca de duas horas para escolher o tema de hoje (11.05.2011) e as palavras que me parecem certas. Para que houvesse cadência, pulsação — e alegria na leitura. E rima. Mas não rima pobre, formal. Eu busco uma rima quase imperceptível. Às vezes, apenas conceitual, como em de sobra e bastante, suficiente. Às vezes, rima sonora, como em pedaço e desgraça. Também me preocupo, nos meus textos, com que a língua não se enrole, se lidos em voz alta. Mesmo subvocalizados, não pode haver tropeços na boca de quem me lê. Até pontuações eu às vezes suprimo visando pausas que não quero. Faltou dizer, mas teu subconsciente certamente já percebeu, que nas sílabas tônicas daquilo que eu preciso — cuidado, tempo, energia, amor e loucura — temos todas as vogais, em ordem crescente: a e i o u. Enfim, eu educo os meus textos como se fossem filhos. Eu os refino e aprimoro, amorosamente, para que dancem no céu da tua boca e mereçam tocar-te o coração.




Além da vida e do amor, há um jogo que também me agrada: é aquele que acontece quando trago para a tela do computador uma poesia que já escrevi. E fico jogando com as palavras e o seu sentido. Passo a noite quase toda mexendo com elas, jogando com elas, acariciando-as, beijando-as, lambendo-lhes as partes mais íntimas, amando-as livremente. Mudo-lhes algum sentido, dou-lhes forma nova, pinto-as de azul. Enriqueço rimas em prol do amor, coloco consoantes de apoio, quebro a estrutura da frase, abandono as regras antigas, invento outras mais gostosas, escrevo, apago, escrevo, pinto, sinto e danço. Se por acaso vou ganhando, vibro e quero sempre ganhar mais. E se perco, a cada jogada sublime que faço, maior é o meu ânimo para jogar de novo, recuperar aquilo que perdi. De qualquer forma, passo a noite toda jogando, em todos os sentidos. Vem a madrugada e já começo a brilhar, metáfora de lux. Então, exaustos de tanto amor, os dois nos vencemos: o poema ganhou de mim, e eu com certeza o venci.



Se algum dia eu ficar famoso, meus blogs e livros serão valiosos e os leitores ficarão perplexos com tanta criatividade... Serei um bestseller. Meus saltos profundos serão louvados. A defesa da liberdade virará moda. Meus biógrafos vão vibrar com “tão extrema sensibilidade”. Traduzido em várias línguas, escreverão teses sobre mim. A Faculdade de Letras da USP vai criar um curso sobre a literatura de Edson Marques. Mas se eu, ao contrário, acabar anônimo, casado, cheio de filhos, e pobre — ou abandonado num manicômio qualquer — todos que lerem estas mesmas linhas (que meu ego acha belíssimas), certamente pensarão: Nossa... como o coitado perdia tempo escrevendo essas bobagens...


O texto imediatamente acima foi escrito em 1998, e ainda tem alguma validade. Entretanto, como sou um garimpeiro de verbos incendiados, só gosta de me ler quem já tem fogo e não se espanta. Mas se eu primeiro não tornar as emoções em gostosura, não serei capaz de abrir meu coração para ser lido com ternura por você. Por isso, só me mostro inteiro após o meu encanto, e só te dou estas palavras depois que as refino. Aliás, se eu primeiro não polir as minhas pedras preciosas com amor e liberdade, como poderia eu querer trocá-las por essa tua tão amável luz diamante?


Toalhinha de crochê que minha Mãe fez pra mim.

10.7.26

Com estrelas no coração

Eu abro caminho com estrelas a bombordo e com flores no infinito. Na vida, eu sempre me ligo a certas coisas e me desligo de outras. Fico cheio de tantas, e vazio de muitas.


Tudo agora é muito claro para mim.


Aliás, se vou para o Norte ou se vou para o Sul — nunca mais saberei. Porque não é preciso mais saber, nos dois sentidos de saber e de preciso.


Por isso que rasguei os meus mapas, quebrei meu relógio e joguei minha bússola... Acabei de me encontrar — e abracei meu coração.






6.7.26

Nortesul e Calçadas do Brasil

 Antes eu era um vendedor de ideias.




Veja o Projeto revolucionário que, como criador e Diretor de Arte da Construtora NorteSul, desenhei para o quinto dos onze prédios de um Conjunto Residencial, na cidade de São Vicente, SP. Levemente inspirado em Gaudí, com cerâmicas Portobello, 9.5 x 9.5. /// Depois eu publico aqui as fotos dos outros quatro prédios anteriores, e explico como foi que concebi a ideia gráfica do revestimento. Pena que o Santiago Calatrava não pôde me ajudar...



Estas paredes não são virtuais: estão prontas e lindas. Desenhadas por mim, ao som de Vangelis e tomando Lambrusco no Flat Palladium. Fotografei com uma máquina simples, digital, foco automático. Se quiser ver detalhes, dê um click sobre a foto. E lá também havia uma Rose....


No fundo,
 sou apenas um pedreiro inspirado e parabólico... Mas, talvez em 2027, vou fazer pós-graduação em Arquitetura. Só para poder frequentar o escritório do Calatrava, lá em Valencia. Ou em Nova York, tanto faz.



Mas agora estou finalizando o projeto de uma casa para mim, cuja ideia básica eu desenhei num guardanapo de papel no Restaurante Brahma em SP, em 12.10.2010. Quatro dias antes, já havia tido um vislumbre da ideia em Santos, na Kopenhagen. Veja detalhes no link acima.




A seguir uma homenagem aos 7 haitianos que trabalham conosco
Eles adoram almoçar todos os dias na Praça de Alimentação do Shopping West Plaza, que fica em frente às nossas obras nos Condomínios Milano e Torino, Avenida Francisco Matarazzo, São Paulo.




E minha obra mais recente está sendo iluminada.

Julho 2026.


Nada de verdadeiramente grandioso foi criado até hoje na história da Humanidade — sem paixão, ousadia e liberdade!

4.7.26

Conquistei-me por dentro


Por que deveria ser eu como Alexandre:
primeiro, conquistar o mundo, 
para só depois relaxar? 

Comecei a relaxar quando descobri 
que o mundo que eu deveria conquistar 
já está dentro de mim mesmo. 


Conquistar-me por dentro, 
portanto, 
foi meu trabalho mais significativo. 


Assim como Cortez no México, 
logo que cheguei neste novo mundo
em que meu mais íntimo Eu se transforma,
mandei que ateassem fogo 
a todos os barcos 
para que nunca mais 
daqui se possa 
voltar. 









1.7.26

Alexandre, o Grande

Alexandre, o Grande, com menos de 40 anos já tinha conquistado o Mundo.
Mas, com menos de 50 já estava morto...
Será que adianta?

🟥🟥🟥🟩🟥🟥🟥

Reformulando, para que seja melhor compreendido. Claro que tem gente que morre antes dos 50 sem ter conquistado coisa nenhuma. Mas não é esse o foco desse meu texto. Eu aqui me refiro ao desapego como algo superior à ganância. Eu me lembro de Diógenes preferindo o sol à sombra de Alexandre. Eu me lembro de Jesus e seus lírios do campo e seus pássaros no céu. Me lembro de Henry Miller indo à Europa com vinte dólares no bolso, atrás de um sonho. E me lembro de mim (que escrevo poesias em vez de fazer uma casa) e também de você (que encontra tempo para ler um poema, em vez de seguir o rebanho).



Foto minha feita por Claro Jansson.


30.6.26

Esperança

 Na verdade, tudo é para ler na viagem.




É gostoso ter esperança. É reconfortante. Mas a Esperança é um mal, segundo a Caixa de Pandora da mitologia grega. Pois, ao compararmos o cotidiano massacrante de hoje com uma situação ideal futura, somos tentados a considerar o futuro melhor do que o presente. E como há necessariamente em nós a tendência em preferir "o melhor", somos então levados a desprezar o hoje visando um gozo futuro de algo que supomos será melhor. E mesmo que o hoje possa ser bom (motivo pelo qual já deveria ser gozado com profundidade), passamos a aguardar o ideal, que é por isso mesmo melhor, mas que ainda não veio, e ainda não é. E talvez nem mesmo chegue a vir a ser.

Algo que pode agravar esse quadro miserável de absurdo desprezo pelo hoje é, de certa forma e em algum sentido, a possibilidade de reduzirmos voluntariamente ainda mais as qualidades do hoje, visto que, confrontado com o belo prometido para amanhã, é uma insignificância — e como tal deve ser considerado. Portanto, se amanhã será melhor, não deverei me contentar com esse pouco que o hoje representa, mesmo que seja muito comparado com alguma situação anterior. Além de não me contentar com esse hoje, nem mesmo procuro aproveitá-lo da melhor maneira: abandono-o pelo amanhã virtualmente melhor. E posso até mesmo recusar o hoje, abominar o hoje — e trocar o hoje — pelo ideal que suponho vai existir amanhã. Isso é um erro.





29.6.26

Minha ideia 1354

Minhas ideias sobre o que é ser feliz quase sempre assustam, eu sei. Mas são apenas os que as compreendem é que ficam espantados com elas. Os demais só as consideram inaplicáveis. E talvez sejam mesmo, pois o mundo ainda não está pronto para o sublime.


Na verdade, tudo é para ler na viagem.



É gostoso ter esperança. É reconfortante. Mas a Esperança é um mal, segundo a Caixa de Pandora da mitologia grega. Pois, ao compararmos o cotidiano massacrante de hoje com uma situação ideal futura, somos tentados a considerar o futuro melhor do que o presente. E como há necessariamente em nós a tendência em preferir "o melhor", somos então levados a desprezar o hoje visando um gozo futuro de algo que supomos será melhor. E mesmo que o hoje possa ser bom (motivo pelo qual já deveria ser gozado com profundidade), passamos a aguardar o ideal, que é por isso mesmo melhor, mas que ainda não veio, e ainda não é. E talvez nem mesmo chegue a vir a ser.

Algo que pode agravar esse quadro miserável de absurdo desprezo pelo hoje é, de certa forma e em algum sentido, a possibilidade de reduzirmos voluntariamente ainda mais as qualidades do hoje, visto que, confrontado com o belo prometido para amanhã, é uma insignificância — e como tal deve ser considerado. Portanto, se amanhã será melhor, não deverei me contentar com esse pouco que o hoje representa, mesmo que seja muito comparado com alguma situação anterior. Além de não me contentar com esse hoje, nem mesmo procuro aproveitá-lo da melhor maneira: abandono-o pelo amanhã virtualmente melhor. E posso até mesmo recusar o hoje, abominar o hoje — e trocar o hoje — pelo ideal que suponho vai existir amanhã. Isso é um erro.



Mesmo assim, em 12.06.2020, eu tive a minha ideia número 1000.

Distribuir o Excedente.



Cinco anos e dois meses depois, 21.08.2025, eu estava na minha ideia 1.339.  Ou seja, em 62 meses, 339 ideias novas. Uma média de 5,4 ideias por mês.

Mas eu adoro esta minha ideia 1.093.


Minha ideia 1121 também era interessante.
Ligada à empresa Calçadas do Brasil.


(A imobiliária A)
Depois eu conto aqui.

De 25.08.25 até hoje (29.06.26) eu tive apenas 15 ideias novas. Caiu a média para 1,7 ideias (ideias de projetos) por mês... E já estou analisando as razões dessa queda


Esperança

Ainda vou continuar escrevendo sobre este assunto.
É o item 39 do Capítulo Acaso.

27.6.26

Meu comercial

Como já escrevi texto até para um Comercial da Fiat, agora posso fazer este "meu comercial". Dentre os projetos que estou criando, alguns requerem parcerias especiais brilhantes. Neste momento, inicialmente em São Paulo, quero contratar duas ou três advogadas e duas arquitetas — criativas, não fumantes. Se for o teu caso, deixe telefone ou e-mail no formulário de contato do site www.EdsonMarques.com. De preferência, recém-formadas.



Uma nova versão do poema Mude, com interpretação de Antonio Abujamra.



O poema Mude no Comercial da Fiat.

26.6.26

Casa Azul

Hoje o céu está azul e o dia está lindo aqui onde estou. Hoje é o dia de todos os Deuses. Então, tenho vontade de reunir esses deliciosos loucos e loucas, esses santos e santas que eu amo e amei, essas deusas e musas que já conheci e outras que ainda vou conhecer, convidá-los a subir num barco, enorme — um navio, transatlântico — levá-los todos para uma ilha luminosa, deserta e grega, e viver com eles para o resto das nossas vidas. Em liberdade absoluta. Falando todas as línguas, amando de todas as formas livres, bebendo de todos os vinhos, relendo todos os livros, e rezando a todos os deuses...


A vida será uma festa interminável!


Viveremos dançando todas as danças, ouvindo todas as músicas, escrevendo poesias de amor, plantando flores e colhendo estrelas, tomando sol, sorrindo e gargalhando.
"Mude é viver. Num nível que poética é a luta que não decepciona. A sinceridade de Edson Marques explode nesse poema que, evidentemente, Clarice Lispector aplaudiria pelo risco corajoso de querer movimentar o volume dos cérebros que o leem. Um poema que enobrece e que não imita, cria beleza na dimensão que desenvolve o talento para que as inibições particulares não apodreçam o homem. É um estilo de provocação apaixonante e não existe um leitor que não fique preso às palavras de coragem que mostram a necessidade de não nos enganarmos sobre nós mesmos. Meu aplauso."

— Este é o prefácio de Antonio Abujamra ao meu livro Mude.

Fundação Biblioteca Nacional do Ministério da Cultura
Poema MUDE - Registro: 294.507 - Livro: 534 - Folha: 167.

23.6.26

A vida é uma escada

Escada para o Nada

Quando eu vejo vocês todos tão atarefados, tão apressados, tão sérios e compenetrados; quando vejo vocês carregando tijolos para construir suas escadas e ao mesmo tempo subindo por elas, suados, arfando — eu me espanto com tamanha inconsequência.

Disseram-lhes que tem que ser assim, e que esse é o modo “certo” de viver.

Acontece que, desse jeito, no fim da vida, quando vocês estiverem no penúltimo degrau, cansados e sem nunca terem lido Walt Whitman, verão que essa absurda escada imóvel acaba dando numa enorme parede fria, que tem duas características: é de cimento — e é errada.

❣️

Vocês percebem o que eu quero dizer?





21.6.26

Quando chegar minha hora

Só tem uma coisa pior do que morrer:
— É viver pouco.


Por isso não pretendo mais morrer na cama.

Quando chegar o meu dia (e eu saberei quando chegar o meu dia), vou contratar o filho de um marceneiro judeu para fazer minha cruz. Terá que ser de madeira nobre, e mandarei pintá-la de preto. O suporte dos meus pés será prateado, no meio do mastro. Quero lindos cravos de ouro, perfumados, e uma tarde calma no sermão das montanhas. Um crepúsculo cor de abóbora, certamente. Mas, antes de ser pregado, tomarei uma taça de vinho vermelho ao som de Vangelis. "Sauvage et beau". E chamarei meus últimos dez amores para que passem óleo de amêndoas doces no meu corpo entusiasmado. Quero brilhar nesse ato final. Terei colares de pedras preciosas no pescoço, e na cabeça, coruscando, uma escandalosa coroa de flores do campo.


Estarei nu — e entusiasmado, naturalmente. Quero sentir meu sangue descendo pela palma das minhas mãos, gota por gota, vazando pelo buraco dos pregos. Vou encher de gargalhadas os ouvidos delicados que puderem me ouvir, vou gritar o teu nome de Deus em vão. E me lembrarei dos pecados todos que deixei de cometer por absoluta falta de tempo.


Quando enfim chegar minha hora, vou olhar para vocês, imaginar um aceno, fazer um poema, lamber os meus lábios, pedir mais um copo de vinho — e que o vinho seja esfregado em minha boca com esponja de algodão. Quero que minha Mãe me olhe sorrindo e me abençoe aos pés da cruz, e que os meus amigos e os meus amores — que todos eles dancem, e que todos eles gritem em coro:

Só o Prazer nos livra da loucura!


Será assim que vou deixá-los, meus amores.

(Será assim!)


— Um dia, talvez, quem sabe.

Daqui uns sessenta e quatro anos...



20.6.26

Dramatis personae

O tempo passa como não fosse agora, o azul infinito profundo salta sobre mim, e as laranjeiras em flor trazendo a infância de volta, doce, pedaços de Iracy dançando vagalumes no céu da minha boca. Lembro de Itararé e da primeira vez que retornei. Um corpo jovem cheio de ossos, desejos e emoções, carregava nas mãos uma pequena mala preta contendo seis meses de saudades, as roupas amassadas, algumas esperanças e um rádio-gravador Philco meio quebrado. Mal tendo o dinheiro da passagem de volta, ali na Rua São Pedro, naquela madrugada inesquecível, o comunista romântico, sentimental, com a barriga roncando a fome acumulada da véspera, caminhava ansioso, prestes a reencontrar os irmãos, o pai, a mãe e a história. Com lágrimas nos olhos eu era uma pessoa que chegava de longe — e tremia. Portanto, muito mais que uma das dramatis personæ em busca de choro, eu era em verdade um deus assustado em busca da origem.










18.6.26

Meu Pai e os girassóis

A melhor lição que meu Pai me deu.

Se. Eu. Não. Estudar. Eu. Vou. Me. Foder.



MESTRE ZEN COM VARA DE MARMELO

Meu Pai era racional demais, disciplinado demais, e ético demais. Dominava o cálculo, era íntimo dos números, ensinou-me a tabuada do 13 quando eu tinha sete anos. Quem não sabe a tabuada se fode, ele me dizia. Nasceu para o comando. Era dono de uma violência verbal impressionante — e nunca deixava pra depois as broncas que pudesse dar. Exagerado, tinha seus momentos de loucura: de vez em quando mandava fazer almoços festivos para crianças pobres. Era comum se reunirem duzentas ou trezentas em nosso restaurante. Absteve-se do jogo, não fumava, mas bebia um pouco mais do que eu supunha o certo. Com duas exceções, nunca o vi de fogo. Ele nunca nos disse que gostava de poesia, mas certa vez mandou que plantassem trezentos e sessenta pés de girassol no fundo do quintal da nossa casa. Depois que as plantas cresceram, ele ficava toda tarde um tempão lá no fundo, sentado num banquinho improvisado de madeira, sorrindo, encantado, tomando vinho vermelho — e olhando os girassóis girarem... Meu pai, portanto — e no fundo — talvez não fosse apenas um simples comerciante atarracado e ex-delegado de polícia. Talvez fosse um poeta. Pena que não teve tempo de ficar completamente louco: morreu aos 49, por erro de um médico que tinha a morte até no nome.



Acabou sendo enterrado sem sapatos, por uma sábia decisão de minha Mãe. Pois ele dizia que nas ocasiões especiais temos que ir de sapato novo. Então, em respeito ao que dizia e supondo ser aquela uma "ocasião especial" — íamos sair para comprar-lhe um par de novos, lá na loja do Jacopetti. Mas a Mãe foi incisiva, além de delicadamente irônica:
— Prá quê? Vai só com as meias!

Com isso, demonstrou que o comando, agora bem-humorado, passaria a ser dela.

Para um bom entendedor, meias bastam...



Conselhos do meu Pai

Além das suas recomendações sobre sempre respeitar a propriedade alheia — e nunca usar sapatos velhos — há outras dele das quais agora me lembro:

1.  Respeite a tua Mãe.
2.  Não carregue pacotes.
3.  Não economize na comida.
4.  Seja dono do teu próprio negócio.
5.  Junte-se aos melhores.
6.  Beba pouco.
7.  Estude bastante.
8.  Não fume.
9.  Não transe com as empregadas.
10 Não minta — exceto se for para salvar a vida.

Quando morreu, trazia no bolso, na carteira de couro marrom, uma carta, dobradinha, meio amarelada e com sinais evidentes de muitas leituras. Não sei onde pode estar o original. Talvez tenha tido o mesmo destino daquelas fotos que as doentes rasgaram. Felizmente a memória não se perde. Não é possível rasgar uma lembrança, destruir um símbolo, esconder um coração. Manifestações de amor, como essa do meu pai ao carregar minha carta consigo — até no dia da sua própria morte —, não se apagam. É uma honra para mim.

Obrigado, Pai!









17.6.26

Perguntas e respostas

🟩🟨🟥

Toda pergunta pode ser respondida de pelo menos duas formas diferentes:

A forma rápida, e a forma ponderada.

Quanto mais respeito intelectual e emocional tivermos pela pessoa que nos faz uma determinada pergunta, e quanto mais importante nos forem o tema, a abrangência e a complexidade da própria pergunta, mais recomendável será optarmos pela resposta ponderada.

Ou seja: resposta rápida apenas para perguntas simples.






14.6.26

O tempo passa

Hoje é 29 de janeiro do ano passado. Chove forte nesta noite muita, relâmpagos riscando à faca o céu de alto a baixo. Entro inteiro na piscina, como entrasse na própria madrugada, e deixo que os pingos de chuva martelem meu corpo nu, que às vezes sobe à tona. Iluminado por uma luz brilhante que vem de cima, solto as gargalhadas todas que acumulei nas últimas horas. Há um desafio emocionante lançado agora por mim: que caiam no meu peito esses raios de absinto. Que me firam — se puderem — que me penetrem, me rasguem, me partam, me furem. Neste momento, neste exato momento, Deus rivaliza comigo no quanto de amor Eu sinto e no tanto de bom que Sou. Neste momento único criamos, Eu e Ele, muitas coisas incomuns. Um para o Outro — tantas, que até nos confundimos.


E se um de nós dois tiver que ficar normal — que seja Ele.


Amorosamente.

12.6.26

Dia dos Namorados


Neste Dia dos Namorados eu quero que você faça esta profunda Declaração de Amor ao teu Amor.

E que ouça dele a mesma coisa, talvez em outros termos — mas com a mesma gostosura:


Eu te amo quando não preciso mais dizer te amo.

Eu te amo quando reconheço teu Direito de Fazer Escolhas.
Eu te amo quando respeito tua própria liberdade tanto quanto a minha.
Eu te amo quando compreendo tua vontade de às vezes ficar só.
Eu te amo quando não te sufoco com chiliques ou pressões.
Eu te amo quando ponho afeto entre as nossas distâncias.
Eu te amo quando aplaudo os teus desejos de voar.
Eu te amo quando me convenço de que o ciúme é algo a superar.
Eu te amo quando te ajudo a ser mais livre do que eras quando eu te conheci.
E eu me amo quando a recíproca a tudo isso também é verdadeira.

Eu Me Amo!


Meus presentes amorosos no Jardim da Casa Azul.