8.3.26

Meu Maior Amor

Muitas mulheres marcam deliciosamente a minha vida. Todas são especiais; nove são musas. Mas uma delas se destaca... Uma mulher que jamais quebrou as lanças da minha ousadia, e nunca pensou em cortar-me as asas de pássaro livre. Uma mulher que me apóia com entusiasmo, incentiva os meus saltos profundos e me aplaude em todas as conquistas. Ela compreende os meus gestos, mesmo quando parados no ar. Ela me aceita como sou, inteiramente. E me faz acreditar, cada vez mais, que o verdadeiro amor é a união gostosa de duas espontaneidades, a fusão poética de dois devaneios.

Essa mulher é minha mãe.


Ela hoje (31/10/2007) está meio doente e mais de mil quilômetros nos separam. Mil quilômetros e uma crueldade impressionante: não posso nem falar com ela para dizer-lhe a minha dor. Não me deixam nem sequer telefonar pra ela. Então, só me resta chorar por ela. E me lembrar das canções de ninar que ela cantava para que eu não dormisse. Do Kyrie Eleison ao Noel Rosa.

E me lembrar do dia em que eu nasci.

Era um dia de duplas esperanças. Era uma noite de luar azul escandaloso. Era um sábado de aleluias, era hora de metáforas e loucuras. Era uma casinha de madeira e Primavera ao lado de uma bela roseira branca no finzinho de uma rua principal. Como toda mulher inocente, minha mãe havia sido deflorada por um delicado Inspírito Santo. Era madrugada e ela estava sozinha outra vez. Foi então que a Mulher me deu a Luz.

Era o começo de uma história de Amor.


Meu Santuário no Flat Palladium. 2008.



Essa crueldade impressionante nada mais é que a tentativa maldosa de alguns outros filhos de minha Mãe, no sentido de, pela primeira vez na história, colocá-la contra mim. Trocaram o telefone dela e não me deram o novo número só para que ela pudesse talvez dizer: "O Edson não tem ligado mais pra mim..." /// Coitadinha da minha Mãe: longe de mim, e rodeada de gente capaz de agir com tamanha maldade! /// Mas isso tudo, três meses depois, foi de certo modo resolvido. E já voltei a falar com ela. Religiosamente, todo domingo ao meio-dia.

E os injustos arrependidos ficam agora sorrindo amarelo...

Essa CENSURA ridícula e maldosa durou até 12/12/2007. Foi quando um dos meus irmãos (Beto, então ainda saudável) me deu o novo número. Até hoje não consigo entender por que fizeram isso comigo. Alguns deles, entre um Rivotril e outro (fosse hoje seria Zolpidem), já começaram a se desculpar. Mas não é preciso. Jamais esquecerei. Essas pessoas já tomaram tantas decisões erradas em suas vidas, que esta foi apenas mais uma. /// Impedir alguém de fazer aquilo que a Lei permite é crime. /// Entretanto, acabo só me lembrando de Sócrates: "Quando um asno te dá um coice, não adianta fazer um B.O."


Mas tudo isso também serviu para que eu criasse um poema...

Edson. Guarujá. 24.12.2007



Atualizando a expressão dos meus sentimentos:

Ter um irmão como eu não deve ser fácil: há mais de quarenta anos que não perco a calma e não reclamo da Vida. Mesmo porque nada me falta. Tenho tudo que quero e que preciso. Sou livre. Não dependo de ninguém. E sempre dou valor secundário às coisas secundárias. Sou um poeta zen, feliz e alegre. O único solteiro entre os irmãos. E não fico doente. Jamais fico doente! Há mais de sessenta anos (*) que eu não tomo nem aspirina... Isso talvez possa causar um certo desconforto espiritual naqueles que se supõem iguais a mim por terem nascido, supostamente, da mesma Mãe. Mal sabem eles que a Mãe de um primogênito é sempre diferente da Mãe dos demais filhos. Tudo muda. E talvez essa injusta medida tomada por eles, no caso da censura ao telefone (em 2007), foi só uma vã tentativa de arrastar-me para o mundo escuro dos conceitos mal elaborados. Jamais conseguirão.

Eu sempre os compreendi.

Eles jamais me compreenderão.

Porém, com a ajuda do Tempo, da Biologia (e do Capeta) tudo se resolverá.

Bom ressaltar ainda que, nossa convivência sempre havia sido amorosíssima, em todos os sentidos, em todas as circunstâncias. Até que eles começaram a tomar antidepressivos...


Edson. Flat Palladium. 09.01.2008.





(*) Um dia eu vou tentar explicar, filosoficamente, as razões (biológicas, psicanalíticas e talvez espirituais) dessa minha deliciosa invulnerabilidade.


E hoje eu estou prestes a ter minha ideia 1342. Depois de já ter tido, é lógico, um monte de outras.

7.3.26

Dia das Mulheres

MULHERES

Não me bastam os cinco sentidos para perceber-lhes toda a beleza. Não me bastam os cinco sentidos para viver com totalidade o mistério profundo que elas trazem consigo. Eu tenho é que tocá-las, cheirá-las, acariciá-las, penetrar-lhes o sorriso, sentir o seu perfume, beijar-lhes o céu da boca, ouvir suas histórias, transformá-las em deusas. Tenho que dar-lhes o amor que o meu corpo conduz e sustenta-me a alma. O belo amor natural por todas as coisas do mundo. Como espelho de paixões em labareda, tenho que sentir nos seus olhos um raro brilho diamante.

Eu as respeito e as venero — com a graça de um cisne que dança num lago tranqüilo e a ousadia de um touro selvagem recém-despertado. Não lhes faço perguntas, não as pressiono por nada, não lhes tiro a liberdade, não quero mudá-las jamais. Sempre imagino o que estejam sonhando, e pulo de cabeça no sonho delas. Cavalgo o vento para visitar-lhes as razões, as emoções e as loucuras. Como um deus escandaloso e surpreso por sua própria criatura, entro no coração de cada uma delas, deliciosamente, como se entrasse numa pulsante catedral. Mergulho na essência dos seus desejos e cada vez me espanto mais com tanta fantasia. Os cinco sentidos, por não serem precisos, ainda não bastam, e preciso mais do que isso para compreendê-las.

Toda mulher é silenciosa por dentro. A existência pura se manifesta em cada detalhe. Assim na terra como no céu, amar as mulheres é uma experiência religiosa. E eu as amo, fina substância, como deve amar quem ama de verdade — incondicionalmente. Sem ciúmes. Eu amo as morenas, as loiras, as baixinhas, as altas, as lindas, as quase feias. Amo as virtuosas, as magras, as gordinhas, as diabólicas, as tímidas — e até as mentirosas. As iluminadas, as pecadoras, e as santíssimas. Amo as virgens, as pobres, as ricas, as loucas, as muito vivas, as inocentes. As bronzeadas pelo sol, e as branquinhas. As inteligentes — e as nem tanto. Desde que sensíveis, eu amo as jovens, as maduras, as solteiras, as casadas, as separadas. As bem-amadas, e as abandonadas. As livres, e as indecisas. E se me dessem o poder, o tempo e, principalmente, a chance, eu a todas elas daria, todos os dias, um êxtase cósmico, poético e sublime.

Apanharia flores silvestres, tomaria sol com todas elas, todo dia. Andaríamos descalços na areia, contemplaríamos crepúsculos cor de abóbora, jantaríamos à luz de velas, dançaríamos, tomaríamos vinho branco, olharíamos as estrelas. E eu lhes faria poesias de amor. Puro como um anjo, amaria cada uma delas eternamente — uma por vez. Com delicadeza, com doçura, com profundidade, com inocência. Entusiasmado, como se cada uma fosse a única. Como se no mundo inteiro não houvesse mais nada, nem ninguém.

Todas as noites, eu passaria cremes e encantos no seu corpo. Falaria sobre fábulas, contaria histórias românticas, as veria dormir. Ouvindo Beethoven, velaria por um tempo o sono delas, e, de madrugada, antes do sol raiar, antes do primeiro pássaro cantar, as cobriria com o resto de luar que ainda houvesse, e sairia em silêncio. Como um felino lógico, sensual e saciado, deslizaria pelo cetim azul-celeste dos lençóis, saltaria por sobre todas as metáforas — e sorrindo iria embora.

Enfim, se por acaso fosse Deus, eu com certeza não mais ficaria cuidando do universo e dessas outras coisinhas banais. Não ficaria controlando o destino das pessoas, o tempo, os compromissos, a pressa, o caminho dos planetas, a economia, o cotidiano, o infinito, os genes, a Internet, a geografia...    Não!

Eu somente iria amar as mulheres, como elas merecem — e como nunca foram amadas.


Só isso, definitivamente. Nada mais, nada mais!





5.3.26

Deus errou

Deus não precisava ter feito Jesus crescer. Devia tê-lo deixado para sempre pequenino... Como criança, Ele nos teria "salvado" da mesma forma. Ou talvez até de modo ainda mais poético e romântico. E o que é melhor: as autoridades provavelmente não teriam coragem de crucificar uma criança.

Deus errou.




3.3.26

Pássaro surpreso

Há dias em que é preciso que eu te perca inteiramente. É preciso que eu siga o que me pede o coração apaixonado — e o que suplica um novo grande amor aos pés da nova cama. Tua imagem, minha flor, fumaça escandalosa desprendida de si mesma, some em meio à volúpia da minha próxima lembrança. Então, te esqueço — carinhosamente. Mas, de repente, num voo alado de pássaro surpreso, entro em mim pra te buscar. Se te encontro, a busca me alucina intensamente, e se me encanto, ao contrário, é meu verbo que engravida o teu espanto.





2.3.26

Filosofia de Vida

A propósito, você costuma usar a Lógica como ferramenta de apoio nas tuas decisões pessoais, na elaboração dos planos para tua vida futura? Você usa a Lógica para escolher teus amores, teus amigos, teus empregos, teus projetos? Você tem um eficiente GPS intelectual personalizado, ou nem bússola velha você carrega?









1.3.26

As grandes inteligências

Em seus processos de raciocínio, as grandes inteligências acabam considerando sempre duas ou mais visões de uma determinada questão — visões que podem ser diferentes, divergentes, contrastantes, complementares ou até mesmo antagônicas entre si — e então as analisam uma a uma ou todas em conjunto, de forma refinada, rigorosa e simultânea, sem preferir nenhuma delas — até que alguma conclusão racional satisfatória e logicamente defensável se apresente. Esse método geralmente conduz à verdade e ao sucesso.


Esquematicamente, podemos dizer que dessa relação entre tese e antítese nasce a síntese. Que, por sua vez, passa a ser uma nova tese. Então, viva Sócrates — em todos os sentidos!



A propósito, você costuma usar a Lógica como ferramenta de apoio nas tuas decisões pessoais, na elaboração dos planos para tua vida futura? Você usa a Lógica para escolher teus amores, teus amigos, teus empregos, teus projetos? Você tem um eficiente GPS intelectual personalizado, ou nem bússola velha você carrega?







27.2.26

Calçadas do Brasil

Planejamento cuidadoso, disciplina absoluta e flexibilidade conceitual. Sócios brilhantes, capital de sobra, e um excelente sistema de informações. Marketing eficiente, prospecção de mercado, intensa captação de clientes, competência operacional, e boa estrutura administrativa. Comunicação constante. Parceiros confiáveis. Ampla terceirização. E uma rotina de pós-venda de primeira classe. Eis os fundamentos para o sucesso de uma empresa que certamente será grande.







Click acima para ver fotos de 30.08.23.





Almoço que fiz hoje.



Talharim Bonalle, com picanha suína, alho cozido, champignon e cebolinha, tudo sob uma torre generosa de parmesão ralado.






Quase 600 páginas, encadernadas com entusiasmo.


Mas tem dias que eu tento conter este divino coração que salta profundo de mim, e que me beija dançando de dentro pra fora. Amantíssimo, poético, livre — e meu: eis o meu coração, meu amor: escancarado em teus braços... Porque em mim agora não existem outras estações. A primavera toda cresce dentro do meu peito, e as flores já não murcham mais. Sou um trem desgovernado em direção ao interior. Zen, vazio de tudo mas cheio de graça, com seu louco motivo e doce razão. E o apito sinuoso que se ouve daqui, reto, respeitoso, se curva.


Também não quero que me considerem muito original: eu apenas repito o que me dizem os pássaros livres no quintal azul da minha Mãe. Transformo em português, literalmente, os cantos que eles cantam para mim. E repito-os para que vocês possam ouvi-los de verdade em nossa língua. Às vezes, quando chove chuva e o canto deles vem molhado, limpo um pouco o seu trinado, acrescento algumas notas, pinto-as de vermelho, reescrevo a melodia. E transformo o bem-te-vi em bem-te-vejo. O beija-flor em minha estrela. O pardal em perdão, o tiziu em tesão. E abro todas as gaiolas.



Todos os dias.















Para fazer as minhas obras, eu às vezes me inspiro em Miró, outras vezes em DaliNiemeyerFrank Gehry, e também em Gaudí e Calatrava.


Mas, no fundo, sou apenas um poeta.

25.2.26

Crescimento espiritual

Todos os humanos nascemos sem ódio, sem inveja, sem ciúme e sem rancor. 

Mas, depois, paulatinamente, a educação familiar, a escola, e as pressões sociais colocam tais sentimentos horrorosos no coraçãozinho inocente das crianças — e ainda nos dizem que são sentimentos normais e "naturais"...

Entretanto, e felizmente, muitas pessoas conseguem crescer espiritualmente, e se livram do ódio, da inveja, do ciúme e do rancor.


Então eu te pergunto:





24.2.26

Eu abro todas as gaiolas

Tem dias que eu tento conter este divino coração que salta profundo de mim, e que me beija dançando de dentro pra fora. Amantíssimo, poético, livre — e meu: eis o meu coração, meu amor: escancarado em teus braços... Porque em mim agora não existem outras estações. A primavera toda cresce dentro do meu peito, e as flores já não murcham mais. Sou um trem desgovernado em direção ao interior. Zen, vazio de tudo mas cheio de graça, com seu louco motivo e doce razão. E o apito sinuoso que se ouve daqui, reto, respeitoso, se curva.


Também não quero que me considerem muito original: eu apenas repito o que me dizem os pássaros livres no quintal azul da minha Mãe. Transformo em português, literalmente, os cantos que eles cantam para mim. E repito-os para que vocês possam ouvi-los de verdade em nossa língua. Às vezes, quando chove chuva e o canto deles vem molhado, limpo um pouco o seu trinado, acrescento algumas notas, pinto-as de vermelho, reescrevo a melodia. E transformo o bem-te-vi em bem-te-vejo. O beija-flor em minha estrela. O pardal em perdão, o tiziu em tesão. E abro todas as gaiolas.



Todos os dias.







21.2.26

Fim de Fevereiro...

JÁ ESTAMOS QUASE NO FIM DE FEVEREIRO... E você continua aí, do mesmo jeito, andando pelas mesmas ruas, girando as mesmas chaves para abrir as mesmas portas? Sentado nas mesmas cadeiras, ao lado das mesmas mesas, fazendo sempre as mesmas coisas? Com os mesmos amigos, os mesmos amores, a mesma visão do mundo? Com os mesmos medos e preconceitos? Abraçando as mesmas pessoas, tocando os mesmos corpos, com o mesmo jeito, os mesmos toques, e o mesmo estilo? A mesma instável estabilidade? Repetindo a mesma angustiante rotina? 




Onde está a coragem de mudar, a coragem de criar?


Onde aquela gostosura tão buscada? 

Onde estão aqueles sonhos todos?


    

20.2.26

Única - Usina Psiconuclear




Tem dias em que eu contemporizo. Viro um mediador da realidade. Até penso em consertar algumas coisas, embora sabendo que melhor seria talvez desarrumar todas elas de uma vez. 

Na verdade, eu devia mesmo era realçar essa anarquia deliciosa que me abraça louca, buscar mais harmonia bonita no desarranjo puro, na inconsequência dançante, no abismo alado absoluto. 

Desestabilizar esse caos psicofiloerótico que já está ficando íntimo demais. Pôr um pouco mais de dúvidas e flores nas certezas cotidianas. Criar outras loucuras e alegrias, mais doçuras e outros riscos, mais sol, deslumbramentos. E tornar-me desnecessário para todos, para tudo — e para sempre.

E para mim.


Mas tudo de modo amoroso e sem perder a ternura jamais.





A propósito, hoje estou cuidando da

ÚNICA

Usina Nuclear de Ideias e Conceitos Avançados.


















A vida é uma aventura extraordinária.



Meu poema Mude no comercial da Fiat.







E o pé de pitanga está lindo.
Foto feita em 10.10.23.

.

17.2.26

A liberdade é inegociável

Eu sempre me afasto dos nervosos. Procuro ter a delicadeza de nunca ligar-me a pessoas grosseiras, falsas, insensíveis. Fujo dos enfurecidos. Desvio-me dos ciumentos radicais. Detesto autoritários. Quero distância absoluta de estressados e neuróticos. Não concedo aos ditadores sequer minha presença temporária, nem permito aos brutos que suponham ser possível invadir os meus momentos de amor — que são todos.

Jamais negocio a minha própria Liberdade.





16.2.26

Metáforas de açúcar



Daqui você sai diferente do que era quando entrou. Eu quero te provocar, intelectualmente. Quero que você suba ao palco da Vida agora mesmo. Por isso é que nas cadeiras poéticas do meu teatro fantástico eu coloco um monte de preguinhos instigantes e palavras que te ferem de algum modo, delicadas, deliciosas, penetrantes...


Eu te provoco com metáforas de açúcar. Eu te cutuco com verbos e delícias insistentes. Eu te cutuco com flores e estrelas — todo dia — porque quero que você pense de modo diferente. Quero que você mude. Quero que você viva.


Quero que você dance no arco-íris de um violino que se chama Liberdade.






15.2.26

Nem todos podem saltar

É preciso que eu hoje faça uma ressalva. Tenho dito que você deveria libertar-se das amarras, saltar profundo e viver a vida. Acontece que isso é uma proposta retórica. Não estou pregando que você deva realmente abandonar tudo e sair correndo agora mesmo. Simplesmente porque não há profundidade suficiente para todos saltarem, ao mesmo tempo. Aliás, se todos saltassem perderíamos as referências. Se todos saltassem — saltar passaria a ser uma coisa banal, comum. Se todos largassem tudo, a vida viraria uma bagunça...


Seria o caos.


E se tem uma coisa pior do que a ordem absoluta, é a desordem absoluta. Portanto, é preciso que quase todos permaneçam exatamente como estão, atolados nessa desgraçada rotina quotidiana — e cuidando das engrenagens do mundo — para que apenas uns poucos, pouquíssimos, saltem profundos.



Saltar profundo não é pra todo mundo.









14.2.26

Viva o Carnaval

Referindo-me ao Carnaval, eu já cheguei a dizer que sou contra "alegria com hora marcada" — mas é preciso fazer uma ressalva. Carnaval é coisa de amadores, sim. Daqueles que só tiram a fantasia nesses quatro dias, e depois voltam a vestir suas armaduras da normalidade. Porém, como qualquer festa em que haja música e dança, sexo e alegria, o carnaval merece o nosso respeito, se não o nosso apoio. Embora seja alegria com hora marcada, defendo esse momento de festa. Mesmo porque alegria com hora marcada é bem melhor do que alegria nenhuma. Além do mais, especialmente no Brasil, o carnaval torna-se a Sagração da Sensualidade. O elogio da Safadeza Bacante. A veneração do desbunde. A consagração do amor livre. Um belo tributo dionisíaco à dança. A glorificação do Corpo.



Portanto, viva o Carnaval... 

Viva o Bacanal!





12.2.26

Quantos juízes te julgam ?

Se você acha que fica essencialmente melhor porque alguém demonstra te amar, então você deveria também ficar essencialmente pior quando alguém demonstra não te amar?

Bom lembrar que nosso verdadeiro valor essencial está em nós mesmos, e não deve depender do julgamento que um outro faz a nosso respeito, qualquer que seja esse outro.


Então eu te pergunto

Por que você deveria ficar alegre se uma determinada pessoa te olhar gostando, e triste se ela te olhar não gostando?

Quando alguém te elogia, você vibra contente, e quando alguém te xinga você desaba...


A quantos "juízes" assim você lhes dá esse direito de te julgar, alterando talvez teu próprio conceito de si mesmo?

🔴








10.2.26

Amar é libertar

Se você ama de verdade uma determinada pessoa — liberte-a de você, primeiramente. Depois, procure ajudá-la a libertar-se de si mesma, e também da eventual necessidade que ela possa ter de às vezes ligar-se de forma dependente a certas relações aprisionantes.

Libertar é salvar.

Mas também nunca se esqueça de que salvar-se é libertar-se.

De si — e dos outros.

8.2.26

Ultrapassando limites

Sem fome, sem sono, sem culpa, e sem dor. Sem pressa, sem apego, e sem pressões. Sem esperas, sem cobranças, sem promessas. Sem medo e sem controle, sem ódio e sem juízo. Sem maldade — e sensível. Sentindo-me eterno no transitório. Conseguindo equilíbrio no instável, no incerto e no inseguro. Amado com delícia e liberdade, e amando com grandeza e ousadia. Passageiro numa viagem sem destino, percorrendo caminhos ainda não trilhados. Cada vez mais fascinado e encantado com os novos horizontes que se abrem para mim. Adorando as surpresas no momento mesmo em que acontecem, e vivendo a Primavera em qualquer das estações.


Quebrando as barreiras, de modo irreversível. 


Encontrando a essência de cada coisa nela mesma. Compreendendo as razões também daqueles que não me compreendem. Vivendo o mais profundo, o mais criativo, o mais sensual, o mais inocente e o mais sagrado período da minha vida.

Sugando a doçura de todas as coisas...

Vivendo as maiores e melhores paixões da minha vida, e vibrando com tudo que me toca. Sentindo-me a cada momento como se Deus me cobrisse de glórias, de flores e estrelas. Dançando nas minhas próprias e nas Suas emoções. Inundado de carinho e gratidão. Com a cabeça nas nuvens — e o coração no infinito.


Portanto, o que mais posso eu querer da vida, além de amores livres e brilhantes, crepúsculos cor de abóbora nessa praia que eu prefiro, óleo de amêndoas doces, um buquê de rosas brancas e vermelhas, duas ou três taças de vinho transbordantes, muita liberdade, alegria, saúde, poesia, gostosura — e tempo livre para viver tudo isso? 








Foto feita hoje de manhã no quintal da Casa Azul, enquanto eu tomava sol e também o café que fiz com água benta e açúcar cristal.

7.2.26

Quero-te Coragem

Se não rompermos os limites que alguns dizem existir, nunca atingiremos a felicidade. A felicidade está sempre além de algum limite imposto a nós — nunca antes dele. Acontece que no caminho da vida há circunstâncias que eu mesmo crio por ser livre, e outras que me caem na cabeça feito um manto espesso. Ao aceitá-las, as que crio e as que outros criam para mim — acabo tornando-me responsável por todas. Sou cúmplice do que me ocorre. Há uma vasta teia de relações que mantenho, milhões de papéis que assumo e desempenho — alguns agradáveis, outros não. Porém, quando, supondo-me livre, não reajo no sentido de escolher só as circunstâncias agradáveis, e continuo mantendo relações que me oprimem — sou o único responsável por isso.


Não será esse também o teu caso?


Temos que ler os sinais que a vida nos dá.

— E entendê-los.



Tomando café com minha Mãe no Hotel.



5.2.26

Uma história de amor

Todos nós temos uma história de amor. E hoje eu quero falar da minha com Dora, a linda e delicada morena por quem me apaixonei no estúdio, enquanto eu ainda fazia suas trezentas e sessenta fotos. Tivesse durado só três ou quatro meses, a nossa teria sido a mais bela história de amor do mundo. Mas, eu e Dora, inexperientes e afoitos, cometemos o erro primário de ficar além do Pico... Para Dora, depois de um certo tempo, já não lhe bastavam mais os meus olhares: ela queria ser a dona exclusiva dos meus olhos. Sei que era um desejo inocente de ter-me só para ela. Mas os olhos de um poeta, você sabe, não podem ser alienados. E a coisa então resultou numa situação intransponível... E nós, por ainda vivermos uma vida deliciosa e fascinante, realmente demoramos muito para reagir. Dora, no começo, era de uma leveza insuperável, mas depois se tornou, e não por culpa dela, uma espécie de âncora amarrada ao barco da minha vida. Só depois que reagimos, só depois que saltamos inteiros nos braços abertos da liberdade absoluta, só depois que passamos a nos amar de verdade, é que percebemos que essa reação poderia ter acontecido antes. Muito antes. E essa é a única falha que eu acho que tivemos, eu e Dora. Por dois anos ainda tentamos manter a estrutura gloriosa da relação. Mas foram dois anos de relação às vezes desesperada. Dois anos de tempos trêmulos. Para mim — que lutei demais em defesa da liberdade; e para ela — que não conseguiu seu intento louvável de amar-me para sempre.





3.2.26

A vida é um gesto de amor

Quando você
entrou em meu coração
e respeitou todas as flores
que lá existiam,
e conviveu com elas
por uns tempos
— isto foi um gesto de amor.

Mas agora,
agora que você
invade o meu peito apaixonado,
pisa nos canteiros,
maltrata minhas flores
e tenta arrancar algumas delas
pelas raízes
— isto não pode ser amor:
isto é violência...



Isto é violência!