30.4.12

susto

Faz tanto tempo que eu não levo um susto.
Acho que já nem sei mais como se leva um susto.



Não tenho inimigos, mas inamigos — alguns.

andre e a promessa

André era um menino de sete anos que eu conheci certa vez num sítio em Pedra Branca, SP. Ele tartamudeava e era extremamente tímido, talvez por isso mesmo. Filho único de um casal de caipiras, quase mudos, muito pobres. André queria falar. Quando lhe perguntávamos alguma coisa ele tentava responder, mas só saíam palavras trêmulas, ininteligíveis. O que ele saiba bem era reproduzir o som das galinhas, do porco, do cavalo e dos passarinhos. Ele imitava bem os animais e as aves. O jacu, o bem-te-vi, a sabiá... Então, olhando nos olhos dele — como se olhasse nos olhos do seu irmão — eu lhe prometi, numa tarde de domingo em Pedra Branca, eu lhe prometi que lhe daria um rádio. Para que pudesse ouvir vozes humanas e aprendesse também a reproduzi-las. Um rádio de pilhas, porque lá no ranchinho deles não tinha luz elétrica. Mas até hoje eu não voltei a Pedra Branca. Tenho que cumprir logo essa promessa. Deus não esquece nunca das promessas que a gente faz.

E você, tem promessas em aberto — ainda não cumpridas?

29.4.12

ave do paraiso

A ave do paraíso em que agora me transformo tem duas asas: a primeira delas é o amor desgovernado; a segunda é a liberdade absoluta. E se eu não bater ambas as duas — simultaneamente — eu caio.

obra de arte

Ou farei da minha vida uma obra de Arte — ou não farei nada.

28.4.12

Espírito atômico

Estou escrevendo sobre algumas manifestações do Espírito. Manifestações psicológicas — mas não só. E abro uma hipótese que me parece relevante: o espírito é um sistema de informações. Precisa de um veículo, que, em princípio, é o corpo, mas poderia ser outro. Entretanto, não paro neste ponto. Criei agora duas expressões radicais: espírito atômico e espírito molecular, cujos conceitos ainda estou elaborando. Isso numa sequência dos estudos que tenho feito sobre a real possibilidade de matematizarmos uma explicação dessa "entidade" que certas religiões se apropriaram, e à qual deram erradamente o caráter de sobrenatural. Eu não creio no espírito sobrenatural. Como filósofo, eu não creio em nada sobrenatural. Se existe — é natural.

Enquanto a espiritualidade não for matematizável, ela não poderá ser cientificamente defendida. Temos que retirar a espiritualidade do âmbito exclusivo da religião. Quem deve se ocupar disso, num primeiro momento, é a Filosofia. Enquanto a Teologia e as religiões mantiverem o falso direito de exclusividade sobre o Espírito, não chegaremos a nenhum resultado logicamente aceitável. Porque a Teologia se utiliza de dogmas para elaborar seus conceitos — e dogmas são totalmente inaceitáveis pela Ciência.

Preciso juntar esses textos para ter algo mais apresentável sobre o tema. Antes que eu vire um poeta.

salvar a humanidade

Eu não quero mais salvar a Humanidade. Eu agora só quero salvar a minha própria humanidade.

27.4.12

jogo de cena

Depois de acender estrelas no teu céu da boca, depois de vasculhar os teus encantos, depois de dançar nos teus mistérios, depois de ultrapassar os teus limites — acabei concluindo que só a união de duas grandes espontaneidades pode gerar, e manter, por algum tempo, um belo caso de amor. O resto, o resto é jogo de cena, simplesmente.

coracao ditador

Apaixonar-se é uma delícia. Amar alguém é uma delícia. Gostar da presença de uma determinada pessoa, também. Mas, supor que essa pessoa, a partir de um certo dia, só comigo pode ter alegria, tesão e prazer; supor que essa pessoa só pode ser feliz — exclusivamente ao meu lado — isto é patético! O que está por trás dessa suposição absurda é o desejo de controle. Um sentimento de inferioridade latente que deve ser compensado com demonstrações de força. O ciumento tem um coração de ditador. Um coração egoísta... Supor que se pode deter o controle das emoções do outro é lamentável, para dizer o mínimo. São idéias malucas de grandeza.

26.4.12

Moléculas de carbono

Ao fazer Adão e Eva — dos quais, segundo a Bíblia, nós todos descendemos — Deus privilegiou as moléculas de carbono e a água no estado líquido. Resta saber se em outras galáxias Ele teve a mesma preferência... E como temos trilhões de trilhões de galáxias, suponho que Ele tenha repetido essa criativa operação de criar vida inteligente em pelo menos uma outra galáxia. Em algum outro planeta que circunde uma das bilhões e bilhões de estrelas que existem em cada galáxia. Caso contrário, seria um desperdício imperdoável de espaço, de tempo e de matéria.

Não pense. Quem pensa perde a Fé.

25.4.12

licenca poetica

Quem é feliz tem licença poética para fazer loucuras.

logica do amor

Às vezes me perguntam por que as minhas relações de amor sempre dão certo. É muito simples: eu jamais me relaciono com pessoas ciumentas. O ciúme é a primeira fonte da desgraça. E eu não apenas vivo as minhas relações de amor: eu também as analiso. Eu me questiono sobre elas, a partir de dentro delas mesmas — entusiasmado com suas tramas e coivaras, com seus mistérios e caminhos. Com seus múltiplos encantos e extremas gostosuras. Eu me entusiasmo até mesmo com suas maravilhosas redundâncias, com suas doces contradições, e com todas as possibilidades abertas dos vários fins que se aproximam. E eu vejo o fim da relação apenas como um prenúncio de novidades, não como sinal de catástrofe. Só o que está morto não muda.

23.4.12

dia do livro

O Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor (também Dia do Livro e Dia Internacional do Livro) foi instituído pela UNESCO em 1995, e se comemora em 23 de abril. Como leitor apoio a iniciativa. E como escritor com direitos autorais vergonhosamente violados pelo filho de Clarice Lispector e por Paulo Coelho, entre outros, aproveito para mostrar AQUI alguns dos meus livros.

inteligencia

A capacidade de pegar uma informação e processá-la com rigor — é fundamental na construção da inteligência. Não perceber uma informação como tal, ou não ter mecanismos racionais de processá-la, leva uma pessoa a agir como um simples animal.

lucas 17-21

Em Lucas 17:21 Jesus nos diz que o paraíso está dentro de nós. O céu não é um lugar nem uma situação: é um estado de espírito. E somente aqueles que têm bons propósitos e dominam seus estados de espírito é que podem ter o céu no seu próprio coração. Acredito. Da mesma forma e ao contrário, aqueles que não têm um bom equilíbrio emocional, aqueles que se desesperam e se estressam, que gritam e que berram, sapateiam — os invejosos e ciumentos, os maus e os gananciosos — esses acabam tendo apenas o inferno profundo dentro de si.

Muitas pessoas supõem, erradamente, que o Céu e o Inferno são lugares. Lugares físicos, com três dimensões mais o tempo, e cheios de átomos e moléculas. Inclusive de oxigênio — que, no caso do Inferno, é para poder pegar fogo... Pois, sem moléculas de oxigênio, é impossível produzir fogo. Outro dado importante: se o Céu e o Inferno fossem lugares geográficos, eles deveriam estar localizados numa determinada região da Galáxia — e daí as mitologias todas se espatifam. Mas essas historinhas eu só conto no meu livro Lógica para Crianças. Os adultos já estão cansados de saber dessas coisas tão óbvias.

22.4.12

barco a deriva

Adoro viajar neste barco à deriva que virou minha vida. Sem bússola e sem mapas. Mas também sem medo e sem pressa — e isso faz toda a diferença. Para escrever meu destino, aprendi a ler os sinais que vêm do céu e os sinais que vêm das ondas. Quase sempre eu me guio pela experiência divina e pelo vento contrário. E se até hoje não me afundei, nunca mais me afundarei.

21.4.12

desobedeca

TEORIA DA EVOLUÇÃO

Se nós pensássemos e agíssemos exatamente como nossos pais; se nossos pais pensassem e agissem exatamente como nossos avós; se nossos avós fossem exatamente como os pais deles — e assim por diante — o ser humano ainda hoje certamente viveria trepado em árvores e abanando moscas com o próprio rabo...
Sem mudança não há progresso.
Mude.
Desobedeça!
Mas desobedeça criativamente, com inteligência e disciplina.

20.4.12

joyce ann

Mais duas coisas sobre ela. Aos treze anos, veio correndo até mim e pediu-me quinze reais. Foi a única vez que me pediu dinheiro. Pra quê, perguntei. Pra comprar um passarinho tão lindinho... Fui lá ver. Mas esse preço é com gaiola e tudo? Não. Ela ia comprar a avezinha para soltá-la da gaiola, ali na praça. Segunda coisa. Ontem à tarde ela estava em frente a uma vitrine no Guarujá, olhando um vestido branco. Eis que passa ao seu lado uma menina mancando, com a perna direita bastante queimada. Ela pergunta o que aconteceu. Queimadura de óleo fervente, disse a menina. Está doendo muito, mas não tem mais pomada e não posso comprar outra. Sabe o que Joyce Ann então fez? Abraçou a menina demoradamente, e deu-lhe o dinheiro todo com que compraria o vestido. E depois, à noite, pediu-me que a levasse à humilde casa da menina. Levar umas compras, um tubinho de Sulfadiazina de prata 1%, e doze claras de ovos.

Tem como não amar alguém assim?


E as pessoas me perguntam por que então me separei de Joyce Ann, se ela é realmente assim. Ora, porque eu prego exatamente isto: as relações de amor devem sempre acabar no pico — e por consenso. Depois do pico não existe mais nada, exceto talvez uma ribanceira. Eu e ela nos separamos no Pico porque o Pico é o melhor lugar possível para se deixar um grande amor. Ou vocês acham que eu deveria abandoná-la no sopé da montanha?

plano desfeito

Estou deliciosamente inclinado a continuar dançando neste plano desfeito por onde deslizo da anormalidade à loucura.

19.4.12

pai

Hoje é aniversário de nascimento do meu pai. Ele teve mais filhos do que amantes — e isto é um mau sinal. E morreu muito jovem. Isto também é um mau sinal. Tínhamos nossas desavenças momentâneas, eu e ele, mas o contrato inicial nunca foi rompido. Especialmente a cláusula de ternura. Ele gostava de levantar paredes, rasgar o chão, e empilhar tijolos. Mas a pressa abriu valetas no seu peito. Nunca esquecerei que o decidido e glorioso pontapé inicial da minha história foi ele quem deu. Pena que morreu demais. Não precisava ter morrido tanto.

Escrevi mais alguma coisa para ele ali nas areias, mas pretendo deixar os originais para o livro Teoria do Acaso. Entretanto, se você quiser saber como era esse Mestre Zen com Vara de Marmelo, clique AQUI.

18.4.12

livre como um jardim

O coração tem que ser livre, mas não livre como um táxi — que só está livre quando está vazio. Não me refiro a um coração vazio. Um coração vazio é uma coisa muito triste... O que proponho, sinceramente, é que teu coração deve ser como um jardim: quanto mais flores você nele plantar, mais bonito ele fica. Basta que nenhuma delas seja carnívora, que nenhuma seja violenta, exclusivista, ciumenta ou possessiva. Basta que todas as flores convivam entre si, em harmonia, e que você ame todas elas incondicionalmente, sem apego e sem pressões.

Teu coração tem que ser livre como um jardim.

limites

Quando o percurso, o projeto ou as relações me agradam muito, vou sempre até o limite. Mas, quando vejo que o limite se aproxima e terei mesmo que ultrapassá-lo, eu o desloco — com amor e alegria, com razão e gostosura — um pouco mais pra frente. E assim por diante.

17.4.12

liberdade exercivel

Não basta ter liberdade de pensamento. É preciso ter liberdade de exercer o que pensamos.

Mãe

Era um dia de duplas esperanças. Era uma noite de luar azul escandaloso. Era um sábado de alelúias, era hora de metáforas e loucuras. Era uma casinha de madeira e primavera ao lado de uma roseira branca no finzinho de uma rua principal. Como toda mulher inocente, minha mãe havia sido deflorada por um delicado Inspírito Santo. Era madrugada e ela estava sozinha outra vez. Foi então que essa Mulher me deu a Luz. Era o começo de uma história de Amor.

Antes do leite, antes do açúcar, antes do arroz com feijão — eu queria mesmo era o amor que ela me dava. Este foi meu primeiro e mais querido alimento: o Amor. Como se pode notar, eu sempre me alimento de Amor e de Mãe, de risco e paixão, de glória e loucura, flores, estrelas, matemática, poesia, lógica e mulher. E liberdade — é claro.

Ela jamais quebrou as lanças da minha ousadia, e nunca pensou em cortar-me as asas de pássaro livre. Ela me apoia com entusiasmo, incentiva os meus saltos profundos e me aplaude todas as conquistas. Compreende os meus gestos, mesmo quando parados no ar. Ela me aceita como sou, inteiramente. E me faz acreditar, cada vez mais, que o verdadeiro amor é a união delicada de duas espontaneidades, a fusão poética de dois devaneios. Ou mais.

Até hoje é assim a minha Mãe. Daqui a pouco vou ligar pra ela.

16.4.12

eqm

Eu já tive uma experiência de quase morte.
Quase me casei.

jesus daqui 2000 anos

Daqui uns dois mil anos as pessoas comuns talvez comecem a entender Jesus. Mas o verdadeiro Jesus — aquele do Sermão da Montanha, aquele da Madalena, aquele do Cabernet Sauvignon, aquele dos pássaros no céu e dos lírios no campo. Não esse Jesus de araque, cuja filosofia foi grosseiramente desvirtuada pelos vendedores de religião.

15.4.12

passaro surpreso

Há dias em que é preciso que eu te perca inteiramente. É preciso que eu siga o que me pede o coração apaixonado — e o que suplica um novo grande amor aos pés da nova cama. Tua imagem, minha flor, fumaça escandalosa desprendida de si mesma, some em meio à volúpia da minha próxima lembrança. Então, te esqueço — carinhosamente. Mas, de repente, num voo alado de pássaro surpreso, entro em mim pra te buscar. Se te encontro, a busca me alucina intensamente, e se me encanto, ao contrário, é meu verbo que engravida o teu espanto.

13.4.12

vou me apaixonar por 15

Acho que desta vez vou me apaixonar por quinze dias! Ou será que agora vai ser por toda a eternidade? Ou talvez por apenas duas ou três horas? Quinze minutos, quem sabe... Não sei. Realmente, não sei. E seria leviano de minha parte fazer esse tipo de promessa logo no início da relação. Até porque não sou eu quem determina o tempo, a intensidade e a duração dos meus amores: — é o meu próprio coração. Ele tem autonomia, é completamente livre, independente, e faz o que bem quer. Afinal, se eu todo sou livre, por que só meu coração não seria?

12.4.12

eramos dois

Éramos dois como se fôssemos mais, e éramos tanto como se dois apenas. Então, a porta do meu peito se abriu como um sorriso delicioso que beijava o sol daquela tarde: as dobradiças não rangeram, não havia perfume de coisas antigas, não se crisparam as mãos. E o sorriso da porta cresceu de forma tranquila — e se fez palavra. Naquela tarde não houve sombras na minha espera.

ser normal

Ser normal é um desperdício.

11.4.12

Jesus na cruz

Dizem que tem aí um arruaceiro que vive se metendo em belas encrencas. Anda sempre em companhias duvidosas e até já foi condenado pela Justiça. É contra o casamento e rejeita seriamente a hipocrisia. Os conservadores o detestam. Vive contestando a Autoridade. Dizem que ele costuma beijar uma adolescente em público, cujo nome é Madalena. Nunca trabalhou — mas festa é com ele mesmo. Dizem que é bonito, cabeludo e adora dançar... Corre até um boato que na semana passada, a pedido da própria mãe, chegou a transformar água em vinho branco. E ainda multiplicou meio quilo de sardinhas num boteco do subúrbio. Deve ser um feiticeiro genial. Um poeta, um mago, talvez um deus! Dizem que ele trepa num caixote de madeira ali na praça, e fica falando coisas que ninguém entende, criando parábolas mirabolantes:

"Olhai os delírios do campo..."


Dia desses o viram balançando numa cruz.

a vida na vida nova

Às vezes nós temos que desistir da nossa vida antiga. Das velhas relações. Das velhas emoções. Dos móveis quadrados que nos imobilizam... Porque às vezes a vida está só na vida nova.

10.4.12

inexclusividade

A exclusividade não é natural. Não é inerente ao ser humano, não vem gravada no DNA. Se alguém diz que me ama, mas quer me controlar — em verdade não ama. Melhor comprar um bichinho de pelúcia, para dizer que é seu. Claro que se alguém tiver encanto que me pareça suficiente, eu lhe ficarei eternamente aos seus pés. Eternamente, ou pelo menos enquanto durar o fascínio. Portanto, se saio às vezes para alguns voos livres em vez de ficar no ninho, é sinal que esses voos me são mais engraçados, mais bonitos, mais necessários, ou mais interessantes do que a simples permanência no ninho. Então, como pode alguém culpar-me por ter asas? Desde quando é proibido gostar de voos livres?

irresponsavel

Irresponsável... Irresponsável é aquele que não se aventura, não se joga inteiro no belo azul profundo da Vida. Irresponsável é aquele que só segue os caminhos já trilhados, e só visita os lugares que existem nos seus mapas. Irresponsável é aquele que se acomoda ou segue apenas o rebanho. Não corre mais riscos, não aspira ser mais, não deseja, não vibra, e pouco a pouco vai deixando até de sonhar. Não mais responde quando a vida o chama. Esse é o verdadeiro irresponsável: em vez de voar, chafurda no triste patético lodo do medo...

9.4.12

mostrar ao inimigo

Nada mais belo do que mostrar ao inimigo que ele não nos pode vencer. E, para vencê-lo, não precisamos nem de grito, nem de força, nem de horror. Bastam a lógica, a inteligência, o amor.

sociedade evangelica

Eu sempre me pergunto por que é que as igrejas evangélicas não publicam balancete. A gente dá o dízimo e não vê a prestação de contas. A gente só ouve o pastor pedir mais dinheiro, mais dinheiro e mais dinheiro — mas não vê a demonstração contábil da operação. Por isso, pretendo fundar uma Igreja diferente. Será uma sociedade anônima sem caixa preta. Quando o fiel se associar, se tornará um sócio, como em toda empresa que se preze. Teremos um departamento de contabilidade. Balancetes mensais serão publicados. Os Livros serão abertos... Os livros contábeis também — e não apenas a Bíblia. Todos os fieis saberão o destino de cada centavo do dízimo que derem. Não podemos deixar a responsabilidade pelas finanças a cargo apenas de Deus. Pois Deus, certamente, tem outros afazeres. E é bom lembrar que até Jesus contratou um contador... A nossa Igreja será devidamente registrada na Junta Comercial, e seu nome será Sociedade Evangélica do Amor a Deus. Ou Igreja Universal da Transparência Divina S.A.

8.4.12

le livre

É só disso que trato nos meus livros: ideias novas, sagração da liberdade, gramática do Amor e provocações inteligentes. Se você não gosta dessas coisas, nunca será meu leitor. Minha literatura propõe uma prática viva de Liberdade absoluta.
Le livre de la Liberté!

video mude

7.4.12

nova pascoa

Segundo a Bíblia, Jesus ressuscitou após três dias da sua morte biológica, num processo de religação do seu corpo à sua alma. E na Páscoa celebra-se exatamente isto: a volta de Jesus ao mundo material, levantando-se do seu sepulcro, e ressurgindo perante Madalena, primeiramente (João 20:10-18). Esse retorno, essa passagem de volta a este mundo, essa ressurreição é comemorada na Páscoa. Tal concepção de ressurreição está na Bíblia, explicitamente, e é assim entendida por todos os teólogos e cristãos nos últimos dois mil anos. Mas eu defendo uma tese diferente. Para mim, a verdadeira ressurreição de Jesus foi quando Ele morreu. Quando ele deixou esta vida e renasceu para a outra. Para aquela de onde ele supostamente veio. Esta é a minha tese. Como Jesus foi o maior criador de metáforas, um mestre das parábolas, entro no jogo dele e crio uma nova. Quando se diz “ressuscitar”, isso, segundo aqui proponho, quer dizer “renascer para a outra vida” — não para esta. Não é o retorno a esta, mas o retorno à outra. A Páscoa é a Passagem — desta vida para a Outra. Desta, em que Jesus viveu por trinta e três anos, para a Outra, de onde ele teria vindo. Nesse sentido, engana-se quem pensa que a ressurreição de Jesus significa o retorno do seu corpo a esta vida. Em verdade, Jesus ressurgiu para a outra vida: a vida espiritual. O corpo de Jesus, nessa perspectiva, não tem a mínima importância, pois não é o corpo que ressurge: é a alma que se liberta.

A Páscoa também está ligada aos antigos festivais da primavera (no hemisfério norte). Assim como em outras datas festivas já existentes, como o Natal, a Igreja aproveitou esses eventos e anexou-lhes algumas comemorações cristãs. Deu-lhes formas novas. Um método inteligente de fazer propaganda, pois começar do zero uma comemoração grandiosa custaria muito. Nesse período também os judeus já comemoravam seu êxodo do Egito durante o reinado do faraó Ramsés II, quando os judeus passaram da escravidão à liberdade. Uma belíssima metáfora. Tal qual Jesus saindo da escravidão do corpo e passando para a liberdade do mundo espiritual. Ou seja, de acordo com essa minha concepção, quando morremos biologicamente é que ressuscitamos. A morte, repito, é a Passagem. A morte é a Páscoa. A morte do corpo — entenda-se. Nesse sentido, portanto, a verdadeira ressurreição de Jesus aconteceu ainda na Cruz, e não no sepulcro, três dias depois, como está na Bíblia, e como erradamente dizem os teólogos, padres e pastores. Aliás, eu não creio nadinha nessa história de um corpo físico, morto, voltar à vida!

A Bíblia relata dez casos de ressurreição: três no Antigo Testamento e sete no Novo. A Bíblia (em Mateus 28:5-6) diz claramente que Jesus ressuscitou dos mortos: "Mas o anjo disse às mulheres: Não temais vós; pois eu sei que buscais a Jesus, que foi crucificado. Não está aqui, porque ressurgiu. (...) Vinde, vede o lugar onde jazia." Ou seja, segundo a Bíblia, o corpo deixou o sepulcro e viveu novamente. E depois teria sido visto, andando, por muitas pessoas, incluindo Madalena e os apóstolos.

sermao da cordilheira

Eu estava revisando o Sermão da Montanha, mas achei melhor fazer outro. Vou escrever o Sermão da Cordilheira. Claro que isto é só uma respeitosa brincadeira. Entretanto, como considero o Sermão da Montanha a coisa mais interessante da Bíblia, não descarto a possibilidade de um dia vir a escrever-lhe uma versão mais poética.

6.4.12

pascoa

Tomar café ouvindo pássaros é uma Arte. E eu fico aqui, agora, conversando com Jesus e descobrindo maravilhas. Ele me conta algumas coisas sobre a Páscoa, esse dia santo mais importante da religião cristã. Ele me diz que ressuscitou na própria cruz em que morreu, e não três dias depois, lá no sepulcro, como relata a Bíblia e como erradamente entendem os teólogos. Vou escrever sobre isso mais tarde. Coisas que vocês deveriam contar às suas crianças — antes de lhes dar um ovo de Páscoa. Pois um ovo recheado de cultura e alegria fica muito mais interessante.

5.4.12

vitalina

Ela me ensinou a pecar sem culpa — isso eu jamais esquecerei. Tinha um pé de café lá no fundo do quintal, ao lado de uma roseira, e eu ficava colhendo só os grãozinhos vermelhos, que eram bem doces. Havia também um velho torrador de manivela meio enferrujado, um fogão de lenha limpíssimo, e muitas histórias de amor. E uma ciência sutil que só as mulheres eleitas por Deus conseguem ter. Tem mais uma coisa sobre minha vó Vitalina. No dia em que voltei da Primeira Comunhão, ela me abençoou duas vezes com o sinal da cruz na minha testa, me abraçou, deu parabéns, assou um pedaço enorme de queijo na palha de milho, tomou um gole demoraaaaado de café — e me deu um conselho inesquecível: Quando a Tentação do Pecado passar por você — e for um pecado muito gostoso, que não faz mal a ninguém — você tem um único caminho a tomar: Pense em Deus, ponha a mão no coração, olhe para os lados... e... peque!

4.4.12

eu te amo

Eu te amo quando não preciso mais dizer te amo.
Eu te amo quando reconheço teu Direito de Fazer Escolhas.
Eu te amo quando respeito tua própria liberdade tanto quanto a minha.
Eu te amo quando compreendo tua vontade de às vezes ficar só.
Eu te amo quando não te sufoco com chiliques ou pressões.
Eu te amo quando ponho afeto entre as nossas distâncias.
Eu te amo quando aplaudo os teus desejos de voar.
Eu te amo quando me convenço de que o ciúme é o câncer do amor.
Eu te amo quando te ajudo a ser mais livre do que eras quando eu te conheci.
Eu te amo quando a recíproca a tudo isso também é verdadeira.

Todo dia eu faço uma nova declaração de amor. Mas desta eu nunca esqueço.

3.4.12

minha proposta

Minha proposta é a Liberdade Absoluta. Eu venho é para semear razões, quebrar paradigmas, romper limites e derrubar padrões. Não trago nenhuma resposta pronta: só faço perguntas. Eu quero é mexer na tua cabeça, por fora e por dentro — poeticamente. Fazer um cafuné maluco e delicioso nos teus neurônios enrolados. Passar um pente fino nos caracóis da tradição. Quero questionar tuas verdades mais queridas. Chacoalhar tuas convicções. Não vim portanto te propor sossego — nem venho te trazer a paz... Eu te convido a ter coragem. Eu te convido a um salto profundo em direção à Vida.

abandone-me no pico

Abandone-me no Pico, por favor. Não permita que eu despenque — agarrado ao teu Amor.

2.4.12

garrafinha de joyce ann

Ela sempre tinha sede à noite. E eu deixava uma garrafinha dágua ao lado da cama, para quando me pedisse. Ela então tomava de olhos fechados, sonolenta e graciosa. Às vezes babava umas gotinhas que brilhavam nos seus lábios fascinantes. Depois, agradecia sonhando e voltava a se deitar, sussurrando alguma coisa como eu te amo meu amor... Era Joyce Ann — ao meu lado. De dentro.

1.4.12

sobre a espiritualidade

Enquanto a espiritualidade não for matematizável, ela não poderá ser cientificamente defendida. Temos que retirar a espiritualidade do âmbito da religião. Quem deve se ocupar disso, num primeiro momento, é a Filosofia. Enquanto a Teologia mantiver o falso direito de exclusividade sobre o Espírito, não chegaremos a nenhum resultado logicamente aceitável. Porque a Teologia se utiliza de dogmas para elaborar seus conceitos — e dogmas são totalmente inaceitáveis pela Ciência. A Ciência constrói seus postulados com base em evidências quantificáveis, verificáveis. Mesmo quando a Ciência trabalha com hipóteses, estas devem ser plausíveis. A Teologia aceita como verdade até mesmo aquilo que pertence ao campo da Feitiçaria. Já a Ciência requer comprovação empírica. E a Filosofia é que deve fazer a ponte para que o Espírito se desloque para o campo da Física. Sem isso, essa energia que eu suponho ser o Espírito vai continuar sob o domínio dos pajés e dos pastores — geralmente incultos. O que será péssimo para o desenvolvimento futuro da Humanidade.

A hipótese do Espírito é magnífica. A ideia de Deus como energia é grandiosa. Deus pode ter massa e pode ser explicado por uma equação escrita por Einstein. Deus pode ser matéria. Deus pode ter mil elétrons na última camada. Deus pode ser apenas mais um elemento químico na Tabela Periódica! Como se vê, esse é um assunto sério demais para continuar fora do âmbito da Ciência.

O que significa inferno

Inferno é apenas uma metáfora que expressa a Infelicidade. Só habita o coração dos infelizes. Da mesma forma, e ao contrário, Céu quer dizer Felicidade. Os felizes já estão no Reino de Deus. Porque nem céu nem inferno são lugares para onde os humanos vão depois da morte biológica. São os diferentes estados de espírito que cada qual de nós consegue, conforme a própria inteligência.