26.6.26

Casa Azul

Hoje o céu está azul e o dia está lindo aqui onde estou. Hoje é o dia de todos os Deuses. Então, tenho vontade de reunir esses deliciosos loucos e loucas, esses santos e santas que eu amo e amei, essas deusas e musas que já conheci e outras que ainda vou conhecer, convidá-los a subir num barco, enorme — um navio, transatlântico — levá-los todos para uma ilha luminosa, deserta e grega, e viver com eles para o resto das nossas vidas. Em liberdade absoluta. Falando todas as línguas, amando de todas as formas livres, bebendo de todos os vinhos, relendo todos os livros, e rezando a todos os deuses...


A vida será uma festa interminável!


Viveremos dançando todas as danças, ouvindo todas as músicas, escrevendo poesias de amor, plantando flores e colhendo estrelas, tomando sol, sorrindo e gargalhando.
"Mude é viver. Num nível que poética é a luta que não decepciona. A sinceridade de Edson Marques explode nesse poema que, evidentemente, Clarice Lispector aplaudiria pelo risco corajoso de querer movimentar o volume dos cérebros que o leem. Um poema que enobrece e que não imita, cria beleza na dimensão que desenvolve o talento para que as inibições particulares não apodreçam o homem. É um estilo de provocação apaixonante e não existe um leitor que não fique preso às palavras de coragem que mostram a necessidade de não nos enganarmos sobre nós mesmos. Meu aplauso."

— Este é o prefácio de Antonio Abujamra ao meu livro Mude.

Fundação Biblioteca Nacional do Ministério da Cultura
Poema MUDE - Registro: 294.507 - Livro: 534 - Folha: 167.