26.1.24

Paritosh Keval

Paritosh Keval é para mim o que Louis Lambert foi para Balzac. Mas com um diferencial significativo: enquanto Balzac fez com que Lambert o seguisse, no meu caso é Paritosh quem me guia. Desde que chegou da India, em 1984, após ter sido iluminado por Osho com o nome de Paritosh Keval, esse mestre tântrico tem me levado a lugares impensáveis.

Foi com ele que aprendi a saltar profundo...

Foi com ele que aprendi a ser mais humano, mais delicado, mais inocente — e mais alegre. Paritosh é tão bom para mim, e me trata de uma forma tão pura, que sou tentado a tratá-lo como a um anjo. Meu anjo da guarda. Ele cuida de mim. Quando não posso ligar para minha Mãe, é ele quem liga em meu lugar. E minha Mãe o adora como a um filho predileto. Em janeiro, ele passou vinte e sete dias ao lado dela. Amando-a — pois ela é sua única Mãe.




Mas hoje eu vou escrever sobre um fato bastante significativo da minha vida: meu sannyas. Pode parecer incrível a vocês, mas sou realmente sannyasin. Certo dia, Osho olhou-me nos olhos fundos, colocou seu polegar em minha testa e disse-me:

"You are contentment in aloneness... your name is Paritosh Keval."

Significa Alegria em Solitude. Osho também me disse que esse nome nunca seria dado a mais ninguém. Estávamos em Poona.

Mas agora estou aqui, ao lado do Oceano Atlântico, sem mapas e sem bússolas, sem pressa e sem medo, tomando vinho branco à luz da lua — e sendo apenas Paritosh Keval — nem mais, nem menos.


Paritosh Keval, portanto, sou eu.
Suponho.



O que é um sannyasin?

Basicamente, o sannyasin é uma pessoa que vive em estado de alerta. Assim, a primeira qualidade de um sannyasin é uma completa abertura à experiência. Viver existencialmente é o seu único fim. Com amor e alegria, com espontaneidade, simplicidade, naturalidade — e gostosura.

Ele vive criando alguma coisa nova. Uma poesia, um desenho, uma relação de amor, um sanduíche diferente, um blog, uma cosmologia, uma igreja, uma dança, uma canção, uma calçada, um jardim, um edifício. Tem um profundo senso de humor, e ri, entusiasmadamente. Não tem maldade no coração. Ele brinca e transa com a Vida o tempo inteiro. O sannyasin não é apenas livre: Ele é
a própria Liberdade.


Pode até viver só, mas nunca é solitário. Ama a Solitude — jamais a solidão.


E o que o torna ainda mais feliz é a possibilidade aberta de relacionar-se livremente, em todos os sentidos, com qualquer pessoa — em qualquer lugar. Não há restrições à sua inocência e à sua pureza.

Ele vive saltando profundo...


Aos seis meses de idade. Foto Jansson.


Seis anos, talvez.






Foto feita por Suzana em 1999, em Paraty.