7.7.11

marques e morin

O Homo Sapiens é um ser instável de afeto imenso,
Que ri, que chora — e se angustia até sem dor;
Um ser gozante, embriagado, veloz, inteiro, amante.
Invadido pela eterna liberdade, conhece a vida e nela crê.
Um ser que abraça o mito e a magia e se deixa penetrar por espíritos e deuses;
Que se alimenta de ilusões e de quimeras; de feijão e de poesia.
Um ser errante cujas relações com o mundo subjetivo são sempre objetivas;
Questionante, dança o tempo todo abraçado ao devaneio;
Um ser múltiplo que produz a infinita e necessária gostosura.
E como chamamos loucura à conjunção da ilusão, do desconhecido,
do instável, da incerteza entre o real e o imaginário,
da confusão vitoriosa entre o subjeto e o sujeito,
da questão irrespondível, da teoria e da desordem
— só nos resta concluir que esse Homo Sapiens é um Homo Sapiens Demens.

O texto acima foi inspirado num poema de Edgar Morin — transcriado por mim.
Edgard Morin + Edson Marques