24.12.10

Marina

Marina vai tirando sua blusinha — e eu, indeciso, assustado, perdido entre botões, não sei o que fazer. Seus peitinhos inexistem, os mamilos nacarados desabrocham numa cor indefinida que ainda nem conheço. Ela tem oito anos de idade e sabe de coisas que certamente não sei. Marina me conquista com seus olhinhos de mistério — e nas suas pupilas excitadas eu vejo um Mestre absoluto. Ela fala, desenvolta, ela sussurra docemente. Embora eu saiba que ela me ama de verdade, a mim só me resta tremer de emoção. A cena vai se compondo, o palco é deserto, só Deus nos observa. Então ela me conduz com alegria, e eu me entrego inteiro aos abraços do amor.
(...)
Não sei nem como chamar isso que hoje fizemos. O que eu senti ainda é e será sempre inesquecível. Depois, Marina calmamente veste a roupa, e me olha com seus olhos inocentes, cândidos, amantes. Não há palavras que descrevam o que Deus nos oferece. Há uma certa religião na sacanagem, somos ambos cúmplices de Safo.

Marina, como já disse, tinha oito anos.
E eu, sete.

Aconteceu em Itararé — uma só vez — e eu jamais esquecerei.


Por onde será que anda hoje esse meu primeiro grande amor?